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quarta-feira, janeiro 13, 2010

Retrato da Funai na Década Internacional dos Povos Indigenas

Hoje fez uma das tardes mais bonitas de Brasilia com o jogo de cores do céu azul, cinzento e avermelhado, mas para esse inicio de ano, uma das mais belas cenas que pude presenciar foi a verdadeira força indigena e sua revolução silenciosa diante do prédio quase abandonado da FUNAI.


Eram quase cinco horas quando cerca de 120 guerreiros da Nação Xavante se posicionaram silenciosamente e com os olhares no horizonte, observavam em frente a sede da FUNAI o movimento meio comico da PM que de dentro de uma patrulha, buscava orientaçao de alguem pois os indigenas nao estavam invadindo o prédio, nao estavam fazendo algazarras e muito menos amedrontando ninguem, todos como disse o líder Luis, estavam apenas descansando e se preparando para visitar o Ministerio da Justiça no dia seguinte. Eles disseram que dentro do predio nao havia ninguem, apenas os guardinhas de plantao.


Lembrei-me de grandes lideres como Apodi Xavante, Naho Kuikuro, Paulo Bororo, Wetag Suiá, Kremuro Txucarramae, Pombo Kayapó entre outros, que sempre nos ensinaram que na luta por nossos direitos, nao deveriamos jamais perder a postura de guerreiros e da capacidade de indignaçao.


Infelizmente muitos irmaos indigenas em nome da representaçao, atraves dos escritorios de suas entidades tornaram-se pseudos interlocutores da voz indigena e dos seus direitos, tomando assento em mesas governamentais cujos dirigentes eram sempre os brancos e nunca o indio. Agora, por onde anda essa representaçao?


Diversos lideres insatisfeitos e feridos pelas costas por um punhal que parecia amigo, correm para Brasilia em busca de socorro, mas onde buscar?


Um dia no ano de 1981, vi Lula chorar de indignaçao na cidade de Madrid quando viajei com ele para buscar apoio para o PT na Libia. Se o PT conseguiu apoio eu nunca soube e ele nunca repartiu nada com a UNIND. Naquele dia vi um homem barbudo tomando uisque e chorando porque a Globo nao dava espaço pra ele... Tive que falar para ele nao abaixar a cabeça pois um dia ele seria o chefe do Brasil. Assim como eu, todos nos tinhamos essa esperança. A esperança de mudanças e nao apenas sacolas de comidas. Um dia também, depois de quase trinta anos, fui recebido junto com a SEPPIR pelo Presidente Lula e ele mesmo lembrou essa historia e ele me afirmou que todos nos indigenas, eramos muito confusos... Respondi que nao eramos confusos e nem divididos, mas que ele é que precisava ter um Indio assessorando ele dia e noite, assim como faz o Aecio Neves com o Ailton Krenak em Minas Gerais e o Eduardo Braga no Amazonas com o Jecinaldo... Falei que a confusao começou com os portugueses e isso nos deixava sem saber qual a verdade do homem branco...


Por isso, guerreiros e guerreiras, se queremos ter no proximo governo, seja o Serra, a Dilma ou a Marina, temos que aprender a continuar lutando por nossos direitos e acreditando nos rastros dos nossos antepassados, como alias vao fazer os Xavantes amanhã ao cantar logo no nascer do sol, seu canto espiritual e de guerra. Uma força que o homem branco tem medo e que nao conhece pois nao se aprende em igrejas, mas na forca da mae terra e da natureza.


Enquanto isso, Lula deveria rever seu Decreto, principalmente aquele ponto que ele tira de dentro da aldeia os serviços do governo como os chefes de postos. Isso é um desrespeito a familia do Indio, mas tambem aos grandes sertanistas e indigenistas, a nao ser que ele tenha a ideia de entregar o titulo das terras aos proprios indigenas.


Grande abraço e vamos a luta!

Marcos Terena