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segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Policial atira em agressor ou PM atira e deixa trabalhador em coma?

A carta abaixo foi enviada ao Blog pela assessoria de imprensa do SINTRAM - Sindicato dos TrabalhadoresRodoviários de Ananindeua e Marituba www.sintram-pa.blogspot.com


Carta à imprensa

Essa nota tem o objetivo de comentar os fatos noticiados no Jornal Amazônia e O Liberal de 13/02, sobre a matéria intitulada “Policial atira em agressor”, a qual trata de forma fria e superficial sobre parte dos acontecimentos ocorridos. A nota se motiva pela procura da família da vítima, Enielson Aleixo Lobo, a esta entidade, para através de sua assessoria de imprensa pautar elementos que não foram tratados na matéria.

Na noite da última sexta-feira, 11/02, por volta das 23 horas, o funcionário do setor financeiro da empresa Viação Forte, Enielson Aleixo Lobo, de 27 anos, faleceu vítima de disparo dado por policial que invadia sua residência. Na ocasião, o filho mais novo, de 2 anos, de Enielson presenciou o ocorrido. O fato se deu por conta de desentendimento do mesmo com sua companheira, Renata Suelem Sousa, 27.  

A polícia foi chamada para mediar o impasse e acabou, fruto de seu despreparo, levando a vida de um pai de família. O policial Militar Elvis Lira do Nascimento, que deveria cumprir o papel de mediador, acabou efetuando disparo contra Enielson quando este se escondia atrás de uma porta de madeira durante a briga com o policial. A declaração do policial ao jornal  é que “... Saquei a arma e atirei na porta com a finalidade de intimidar o agressor, contudo a arma disparou voluntariamente”. Esse fato por si só já demonstra o despreparo do policial em lidar com esse tipo de situação.

Enielson era pai de dois filhos, de 8 e 2 anos. Seus órgãos foram doados pela família no hospital metropolitano. Querido pelos amigos, vizinhos e colegas de trabalho não entendiam ao ler o jornal a forma pejorativa como o mesmo trata em seu título Enielson como “agressor”.

De acordo com informações repassadas pela família e por vizinhos, na hora do ocorrido, a vítima já estava dormindo e não haveria motivo para tanta agressividade da polícia para entrar e pegar os pertences de sua companheira, Suelem Sousa. A abordagem ofensiva da polícia fez com que Enielson pegasse a arma branca paras se defender e não permitisse a entrada dos mesmos.

O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (SINTRAM) se solidariza com a família nesse difícil momento e solicita que a imprensa possa tratar com mais coerência e menos criminalização os trabalhadores, pais de família, pois da forma como a matéria é escrita, acaba por não tratar em nada do fator objetivo do crime que poderia ter sido evitado: o despreparo da polícia para lhe dar com essa situação.

Belém, 14de fevereiro de 2011