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segunda-feira, março 28, 2011

Coletivo Rádio Cipó e sua nova empreitada musical

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Faroeste Samba Dub na caixa e CRC na cachola

Comemorando seus 10 anos, disco novo com parceria inédita e turnê nacional a caminho
E pros olhos gordos de plantão que adoravam reclamar da falta de material novo do Coletivo Rádio Cipó – como se o resgate das obras de Mestre Laurentino e Dona Onete não valesse muito mais do que qualquer melodia pegajosa que tenha bombardeado sua FM no período –, cá está um cala-boca dos melhores pra celebrar os 10 anos de carreira da banda: disco novo a caminho, mas pode chamar de “Faroeste Samba Dub”.
Em fase de pré-produção, o álbum promete mostrar um amadurecimento e o enriquecimento do Coletivo Rádio Cipó em relação as suas influências musicais: rock´n´roll, funk 70’s e eletro disco, samba e brega beats, ska roots e big band dos anos 30, afrobeat e high life, reggae “marolado” e dub “recheado”. Com uma essência toda particular, “Faroeste Samba Dub” seguiu a tradição do CRC e vem sendo feito caseiramente, temperado ao molho exclusivo maturado por sua trupe – que agora também conta com figurinha nova.
A fabulosa história de Rato Boy e Seu João
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Como contar a história de velhos caboclos paraense em uma visão universal e espacial? Pois o Coletivo tentou e conseguiu. “Faroeste Samba Dub” apresenta a mais nova parceria do CRC, Rato Boy e Seu João. Além de cantar e compor no Coletivo, Rato Boy é profissional da radiodifusão, locutor de FM em uma Rádio universitária da região metropolitana de Belém. Foi lá que conheceu João Rocha (brasileiro, casado, professor de história e motorista da empresa). Seu João, como é mais conhecido pelos alunos da instituição, já foi de tudo um pouco na vida: vendedor ambulante, coroinha de igreja e até membro de uma das gangues de rua mais temidas de Belém na década de 1970, "a turma da bailik".
Seu João compôs sua primeira música aos nove anos de idade, durante uma visão que teve de Deus no quintal de sua casa. Desde então, não parou mais de compor e criar. Entre uma pauta e outra, João tira o violão da sacola e não demora a compor canções inéditas que vão do protesto ao amor, além de situações cotidianas, sempre com base em sambas de breque e rock meio jovem guarda.
Foi desse ineditismo que surgiu a parceria entre Rato Boy e Seu João. Músicas como "Este samba que eu faço", “Espaçonave de madeira”, “Raio-X de patrão” e “Juliano” são exemplos dessa parceria musical permeada numa grande amizade, que agora será compartilhada com o resto do Universo através do disquinho novo.
Já diria o poeta... lavou, tá novo – tudo novo
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E como disco novo requer turnê nova, bué... o jeito foi preparar uma turnê nova, oras. Pra estrear com pé direito, então, que seja logo em São Paulo, no projeto “Bandas de Lá - Pará Cá”, promovido pelo Sesc Pompéia, onde vai rolar o ponta-pé inicial no dia 31 de março, às 21h30. No repertório, trilhas de filmes de Faroeste (Morricone Dub), uma homenagem ao pai do afrobeat, FELA KUTI, além de muito samba, rock, beats e samplers. Isso, pra não falar das cervejas, otras cositas más e alegria de sobra. Não é todo dia que se comemora 10 anos, afinal... como se todos os dias não fossem assim.
Como não podia deixar de ser nesta grande família, portanto, o show terá convidados ilustres e já pratas da casa (dizia vovó, não se mexe em time que está ganhando – uniforme novo, no entanto, é sempre bom): o lendário gaitista Mestre Laurentino, com músicas novas do seu primeiro CD Lourinha Americana; a Diva do Carimbó Chamegado, Dona Onete, com repertório cheio de desejo, tesão, amor e magia contagiante de boleros e chamegos; o jazzman fusion crazy Daniel Dellatuche, atacando em solos de trompete; o instrumentista Jó Ribeiro, acompanhando de seu trombone; e, é claro, o cantor e compositor Otto.
Quer mais? Pois tem. Pela primeira vez juntos no mesmo palco, os paraenses do Coletivo Rádio Cipó com os paulistas da banda Projeto Nave, criando uma conexão sonora espacial Belém-São Paulo, além do convidado especial pela curadoria do SESC Pompéia: Mestre Manezinho do Sax, torando lambadas, zouks, cúmbias e ritmos do Pará em seu saxofone. Cá pra nós, melhor não marcar touca. Os convites são limitados.
Detalhe dos mais importantes: o projeto “Bandas de Lá - Pará Cá”, não satisfeito em levar o Coletivo Rádio Cipó a São Paulo, resolveu ainda escalar Pio Lobado e Mestre das Guitarradas no dia seguinte, sexta-feira, e fechar com DJ Waldo Squash + Maderito + Gang do Eletro e Pinduca, no sábado. Ou seja: é o Pará na fita e vamo que vamo!
Parar pra quê, se a rodinha não pode parar?
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São Paulo, como já foi dito, será apenas o começo – e com direito a bis no dia 12, quarta-feira, no SESC Vila Mariana, durante o Seminário Internacional “Emoção e Imaginação – O sentido e as imagens em movimento”, realizado pelo SESC São Paulo em parceria com a Universidade Livre de Berlim, o Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia (CISC)/Comunicação e Semiótica (COS)/PUC-SP e o Goethe-Institut.
Outras cidades já estão confirmadas: Conexão Vivo em Belo Horizonte, no semestre que vem; três dias de shows no Rio Janeiro, em agosto, no palco do OI FUTURO SOM; I Festival Internacional de Reggae na Ilha, em outubro, no Maranhão – nova casa de parte da família CRC, por sinal; e novamente São Paulo (o estado, dessa vez), a partir de junho, quando farão seis shows nos SESC´s espalhados pelo interior.
E não pára por aqui. Mas basta por ora. Não tem a menor graça estragar as surpresas antes da hora, né mesmo? Então, cumpadi, melhor levantar da cadeira e animar, que a festa está só começando e não é só porque é o começo que a gente vai deixar de aproveitar como se fosse o fim de tudo... né mesmo? Então, já é. Demorou. E temos dito.
©2011 Coletivo Rádio Cipó.