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terça-feira, setembro 30, 2014

Por que Levy Fidelix fala o que quer e nada acontece

Levy Fidelix (PRTB) gera indignação e processos contra si após defender a homofobia no debate presidencial na Record.

Por Jean Wyllys, na Carta Capital.

O "combate contra essa minoria" que o candidato Levy Fidelix propôs ontem na TV Record já começou a dar frutos: num comentário publicado na web da Folha de São Paulo, um sujeito chamado Alan Whitney (esse é o nome que ele usa na rede social, não sei se é verdadeiro ou um alias) me ameaça de morte: "Temos que destruir isso na raíz e matar Jean Wyllys", ele disse, fazendo referência à apelação de Fidelix. Não é a primeira vez que eu sou ameaçado e já teve um caso de um criminoso fascista e homofóbico com um plano para me matar que foi desarticulado pela Polícia Federal, que o apreendeu.

Mas agora eu peço a vocês que fechem os olhos e imaginem a seguinte cena: durante o debate presidencial, ao vivo, um dos candidatos diz, referindo-se aos judeus: "Nós somos a maioria e vamos combater essa minoria". Ou então, referindo-se aos negros, alude ao excremento: "Aparato excretor não reproduz". Em rede nacional! Qual teria sido a reação do moderador do debate? E a dos outros candidatos? A platéia teria rido, como riu ontem quando o candidato Levy Fidelix usou essas expressões para se referir aos homossexuais, como se fosse engraçado? Qual seria a manchete dos jornais de hoje? O Ministério Público teria feito alguma coisa? E a justiça eleitoral? Ele seria convidado ao próximo debate?

A história tem exemplos práticos que mostram as consequências dessa prédica. Adolf Hitler também achava que os judeus eram uma minoria nojenta que devia ser "combatida" e isso custou uma guerra mundial e mais de seis milhões de mortos — tanto judeus quanto homossexuais, ciganos, comunistas, deficientes e outros grupos que o nazismo escolheu como inimigos públicos do povo alemão. Não aprendemos nada?

A naturalização do discurso de ódio e da incitação à violência contra a população LGBT é assustadora. E ainda tem gente que acha que tudo isso é liberdade de expressão ou opinião. Enquanto isso, assistimos ao recrudescimento da violência letal contra gays, lésbicas, travestis e transexuais. Nas últimas semanas, foram vários casos. Um candidato gay do PSOL do Amapá recebeu ameaças homofóbicas e, dias depois, uma pedrada na cabeça, e acabou no hospital. Um menino gay de 19 anos foi sequestrado, torturado e queimado vivo durante um "ritual de purificação" em Betim, Belo Horizonte. Sobreviveu, foi socorrido por amigos que o levaram ao hospital e acharam ao lado dele, que estava inconsciente, uma nota que dizia que o grupo que o atacou faria "uma limpeza em Betim (para) trazer o fogo da purificação a cada um que andar nas ruas declarando seu ‘amor’ bestial". Outro jovem gay de 19 anos, em Interlagos, São Paulo, foi espancado e sofreu uma tentativa de estupro.“Você quer ser mulher? Então agora vai apanhar como mulher”, falaram para ele. Tudo isso em uma semana.

O "combate" que Levy Fidelix propôs durante o debate presidencial não é, como ele diz, da "maioria heterossexual" contra a "minoria homossexual", porque a maioria dos heterossexuais não tem o pensamento doentio desse canalha. Quem agride, espanca, mata e espalha ódio é uma minoria fundamentalista e fascista — minoria, felizmente, mas altamente perigosa — que se sente legitimada pelo discurso de ódio de pessoas como Levy, Feliciano, Bolsonaro, Malafaia e outras figuras caricatas como eles.

O problema não é a estupidez deles, mas a omissão daqueles que deveriam reagir desde o governo, o parlamento e a justiça. Se o discurso de Levy Fidelix  consegue ser pronunciado em rede nacional sem causar as reações que deveria numa sociedade civilizada, é porque o Brasil não tem políticas públicas de promoção da igualdade, afirmação dos direitos civis da população LGBT e combate ao preconceito que se abate sobre ela.

É porque o governo federal cancelou o programa "Escola sem homofobia", é porque o Congresso ainda se omite da sua responsabilidade na aprovação das leis de casamento igualitário e identidade de gênero (ambos os projetos de minha autoria junto com a deputada Érika Kokay), é porque a candidata Marina jogou no lixo o programa que seu partido tinha elaborado com excelentes propostas para a comunidade LGBT, é porque o candidato Aécio não se posiciona diante dos escandalosos projetos homofóbicos de deputados do PSDB, como o projeto de "cura gay" de João Campos, é porque os grandes partidos fazem alianças com os fundamentalistas em troca de apoio eleitoral, palanques e tempo de TV. A maioria da classe política brasileira não tem coragem de enfrentar o discurso de ódio e continua refém da chantagem dos vendilhões do templo.

Com relação a Levy Fidelix, meu mandato vai entrar na justiça, junto com a candidata Luciana Genro, para que seja punido de acordo com a legislação eleitoral. A prédica de ódio não cabe na democracia. Mas não podemos reduzir o problema a esa figura caricata e estúpida. Toda a dirigência política democrática do Brasil deveria fazer já, agora mesmo, um pacto nacional contra o preconceito e a favor da cidadania da população LGBT, com uma agenda positiva de afirmação de direitos e políticas públicas que comprometa o próximo governo e a próxima legislatura, independentemente de quem resultar vencedor das eleições de 5 de outubro. É urgente e não dá mais para tolerar a omissão de quem tem responsabilidades e poder para acabar com esta loucura.

Veja aqui a declaração homofóbica de Levy Fidelix no debate da Record.

A razão do ódio da imprensa: O modelo de desenvolvimento proposto por Lula e Dilma

A tabela mostra uma impressionante lista de indicadores do êxito social, em matéria de trabalho e renda, transferência e assistência, distribuição de renda e redução da pobreza, evidenciando um novo salto a cada um dos três mandatos.

Hoje estava ouvindo rádio no carro. Ouvi o boletim do Sardemberg para o Milton Young na CBN, um comentário do Alexandre Garcia na Rádio Estadão, outro do impagável "imortal" Nerval Pereira (que entrou para a Academia Brasileira de Letras por um livro só, de qualidade mais que duvidosa, sobre - ou melhor contra - o Lula). Digamos, uns 10 minutos ao todo. Dez minutos de horário eleitoral anti-governo, sem o menor constrangimento.

Números manipulados, conceitos interpretados por um viés específico, muita bobagem. Sardemberg soltou a pérola que, afinal, "o mundo já está saindo da crise" (!!??), refutando o argumento de que, considerando a crise mundial, nossa economia vem sim se portando muito bem.. Como imagino que o jornalista não deixe de tirar suas feriazinhas na Europa, é impossível que não conheça o clima e a crise estrutural que ainda pesam por lá. 

Aliás, a Myriam Leitão, que contestou a presidente em debate na Globo sobre a mesma questão, teve que engolir o fato de que os dados que Dilma lhe apresentou sobre a crise na Alemanha estavam sim certos, e não os seus (que diziam, obviamente, que a Alemanha ia muito bem ao contrário do Brasil). Alexandre Garcia metralhou o governo por todos os lados possíveis, da incompetência à corrupção, e finalizou dizendo que o Brasil não era mais uma "Belínida" porque a Índia estava anos luz à nossa frente, pois mandou uma sonda à Marte (!!?????). Pois é, a confusão permanente entre crescimento econômico (que pode ser concentrado) e desenvolvimento (que significa distribuição da riqueza). 

Garcia evidentemente não cita o fato de que TODOS os especialistas - como foi o caso da Profa. Geeta Mehta, da Columbia University, em palestra na semana passada na FIAM-FAAM, apontam para o fato de que a pobreza na Índia, ou ainda não África, é INFINITAMENTE pior e mais profunda do que a nossa. Nem vou falar do Nerval, porque não merece.

Merece sim a reflexão sobre o papel da mídia no Brasil e a forma como uns poucos grandes veículos (CBN é Globo, Garcia é Globo mas falou para o Estadão, e assim vai) com concessão PÚBLICA se sentem livres para fazer a propaganda que lhes interessa. Esses muitos e muitos minutos de propaganda ilegal não são nem assim suficientes para diminuir as intenções de voto na Dilma. Pelo que soube, Dilma disse aos blogueiros que isso vai mudar em seu novo mandato. Ainda bem.

A mensagem que se quer passar é de um Brasil em crise. Então vale lembrar. FHC entregou o Brasil falido, dependente de um empréstimo de urgência de 20 bi junto ao FMI, que Lula honrou e pagou, com a mais alta taxa de juros do mundo e um recorde de desemprego. Um governo imerso em corrupção, a começar por aquela que comprara a reeleição do presidente, alguns anos antes.Quem associa o sucesso dos governos Lula-Dilma à uma "continuidade" do modelo FHC ou não entende de economia, ou é de má-fé. Se uma coisa pode ter sido herdada, foi a estrutura corrompida que o próprio FHC havia recebido de governos anteriores, mas que sob Lula ganhou transparência graças à uma PF autônoma para atuar.

A inflação era mais alta, e desde então não só baixou como se estabilizou em uma faixa propositalmente variável, que os "especialistas" acima citados ficam martelando que é "descontrolada".

Ao contrário, o Brasil nunca esteve tão bem nem distribui tanto as riquezas (embora muito menos do que o necessário) quanto nos últimos 12 anos. O índice de Gini baixou vertiginosamente, chegando a patamares inferiores aos de 1960 (embora sempre muito alto, obviamente, pois há muito o que caminhar). Passou pela crise internacional com tranquilidade e ainda mantém a economia sob controle e gerando empregos apesar da incerteza geral da economia mundial. Mesmo os aliados do governo previam um 2014 trágico, e ele não foi.

A direitona que esses pseudo-jornalistas pseudo-economistas representam não suporta ver esse avanço, assim como não suporta a Dilma pelo simples fato de que ela fez um governo mais a esquerda, mais estatizante e menos condescendente com o mercado do que o do Lula. Obviamente que há muitos problemas e aspectos ruins, mas não são essas alternativas que estão ai que vão garantir seu fim. Pelo contrário, quase todas (exceto as dos de esquerda, porém sem votos) iriam trazer de volta - por perfil ideológico ou por falta de quadros para fazer outra coisa - justamente todas essas más lembranças do modelo FHC: neoliberalismo, abertura irrestrita ao mercado, concentração da renda, desprezo para com os mais pobres. 

É só ver o Estado de SP e se saberá o que isso significa.

Há os que dizem que o PT muito tempo no poder "se enraíza". Pois se ele tivesse feito em 12 anos 1% do "enraizamento" perverso e politiqueiro que o PSDB fez em SP, estaria surfando nas pesquisas, inexplicavelmente, tendo botado o congresso e a imprensa no bolso, como se fez em SP. Qualquer um pode ver que não é o caso: há espaço para discussão, oposição, e muito.

Está na hora, isso sim, do Governo enfrentar de uma vez por todas a reestruturação não só do sistema político (que depende do Congresso, e a mesma mídia nada deu sobre o resultado do plebiscito popular), mas também do sistema de informação brasileiro. Chega de horário eleitoral gratuíto e permanente para os candidatos da pior elite.

Segue texto importante sobre o modelo econômico que o Sardemberg e amigos tanto odeiam:

Sete dias para as eleições: o que o futuro reserva para Aécio

Mal nas pesquisas, Aécio Neves (PSDB) busca em São Paulo o início da recuperação de sua campanha.
Por Ana Flávia Oliveira, no portal IG.

Com leve alta nas pesquisas, tucano corre contra o tempo para passar Marina e chegar ao 2° turno com Dilma. Se ficar fora da disputa, Aécio terá poder reduzido dentro e fora do PSDB.


O tempo é curto e Aécio Neves, o candidato à Presidência do PSDB, tem uma semana para reverter a distância que o separa das concorrentes - Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) -  e assim seguir vivo nestas eleições. Caso não consiga, ele sairá do embate menor do que entrou e as suas pretensões de ser um dia presidente do Brasil podem ir para o ralo.

Além disso, caso se confirmem, no próximo dia 5, os resultados atuais das pesquisas, ele será o primeiro tucano fora do segundo turno na corrida para a  Presidência desde 1989.  Consequentemente, Aécio perderá força política e prestígio dentro do partido e também em Minas Gerais, Estado que governou por dois mandatos e de onde saiu com altos índices de aprovação.

O ex-governador mineiro entrou nas eleições como o nome com força para tirar a candidata à releição e seu partido do poder. Tudo estava indo conforme o planejado até que um trágico acidente aéreo, em 13 de agosto, tirou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos do jogo e o PSB colocou em seu lugar a ex-senadora Marina Silva.

A comoção por causa da morte de Campos, que alçou Marina como representante de uma  “nova política” capaz de romper a polarização histórica entre PT e PSDB, renderam a ela um salto nas pesquisas que assustou até mesmo a primeira colocada, a presidente Dilma. Neste jogo, Aécio viu suas intenções de votos despencarem e virou um coadjuvante no embate as duas ex-ministras do governo Lula.

Enquanto Dilma, que também se viu ameaçada por Marina, tentou desqualificá-la como gestora, o tucano assistiu ao embate entre as duas e reafirmou que faria uma campanha de ideias, citando em diversas ocasiões o avô, Tancredo Neves. O candidato também chegou a chamar de “onda da emoção” o crescimento vertiginoso de Marina, apostando que o movimento depois refluiria.

Mas nos últimos dias, o jogo político parece soprar bons ventos ao tucano, que voltou a subir nas pesquisas. Segundo o Ibope divulgado no dia 23, Aécio manteve os 19% das intenções de voto, conquistados no levantamento anterior.

Já no Datafolha da última sexta-feira (26), Aécio passou de 17 para 18%. Paralelamente, Marina perdeu pontos e aparece com 27% neste instituto e 29% no Ibope. Dilma tem 40% e 38%, no levantamento de hoje e no do início desta semana, respectivamente O crescimento, que o tucano chama de “onda da razão”, no entanto, ainda não é suficiente para tirá-lo da incomoda terceira posição e levá-lo ao segundo turno.

Para chegar ao segundo turno, o mineiro terá que tirar a diferença que tem para a candidata do PSB, que é de cerca de 6,4 milhões de votos (cada ponto nas pesquisas equivale a 641.286 eleitores), segundo o Ibope, e não deixar a atual presidente deslanchar e fechar a fatura já no primeiro turno.

Carlos Alberto Vasconcelos Rocha, cientista político e professor da PUC-Minas, aponta que o crescimento do tucano nos últimos levantamentos tem sido usado nos discursos dele para viabilizar a passagem ao segundo turno. Mas para o especialista, o ganho não parece ser suficiente para tirá-lo da incomoda situação.

“Marina está perdendo pontos e está em uma situação progressiva de perda de votos, pode ser uma tendência para essa reta final. Mas, tendencialmente, isso não é suficiente para ele chegar ao segundo turno”, sentencia.

Volta às raízes.

Para continuar na curva ascendente, uma das estratégias tem sido priorizar a região sudeste e principalmente Minas Gerais, o principal reduto eleitoral de Aécio e segundo colégio eleitoral do País, com 15 milhões de votantes. 

Entre o dia 4 de setembro e o último dia 24, ele viajou para sete cidades mineiras diferentes - e esteve três vezes em Belo Horizonte. Neste fim de semana, a agenda inclui mais duas viagens ao Estado. Entre o dia 4 de setembro e o último dia 24, ele viajou para sete cidades mineiras diferentes - e esteve três vezes na capital. Neste fim de semana, a agenda incluiu mais duas viagens para Minas.

A agenda intensa na terra natal surtiu efeito. O candidato, que já foi líder no Estado e perdeu preferência ao longo do embate, voltou a cair no gosto dos mineiro e encostou nas intenções de voto da presidente. Segundo o último levantamento do Ibope, Dilma tem 32% dos votos por lá, seguido de perto pelo tucano, que tem 31%. Marina é mencionada por 20% dos eleitores. 

Curiosamente, Aécio não tem conseguido transferir votos ao seu aliado para o governo do Estado. Pimenta da Veiga tem 25% das intenções de voto, contra 44% do seu principal oponente, o petista Fernando Pimentel, que deve ser eleito já no primeiro turno, segundo o Ibope. 

Especialistas afirmam que uma possível vitória petista em Minas também é desastrosa até mesmo para manter o tucano como uma força regional. As projeções mais pessimistas veem seu nome até mesmo fora do PSDB, que deve ser transformado em um partido puramente paulista, com o governador Geraldo Alckmin e  e o candidato ao Senado José Serra, como os principais expoentes.

Os dois disputaram as eleições presidenciais e foram ao segundo turno. Serra disputou com Lula, em 2002, e com Dilma, em 2010, e Alckmin também foi derrotado pelo ex-presidente, que tentava a reeleição, em 2006. 

"O futuro de Aécio dentro do PSDB é sombrio e o futuro do próprio partido também é. Se a Marina ganhar, o PSDB não vai ter espaço como partido de oposição. Para isso, o PT é mais competente. Vai restar ao PSDB integrar a base de sustentação do governo e ser um coadjuvante", opina Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que aposta no governador paulista para disputar a Presidência pela sigla em 2018.