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quarta-feira, setembro 09, 2015

Senta aqui, Fábio



"Com uma única frase e uma única bandeira, Fábio representou as toneladas de ódio que o reacionarismo à braZileira tem espalhado por 2015, deu-se a palmatória do mundo, fez-se Judas das esquerdas..Em surto aparente de fixação anal, Fábio imaginou (e descreveu) o dedo mindinho de Lula (morto e enterrado na fábrica, há décadas) enfiado no ânus dos brasileiros, nosso, dele, do Fábio.."


Não sei se está acontecendo no mundo lá fora ou se é um fenômeno na linha do tempo do meu Twitter, frequentada por comentaristas que eu mesmo selecionei seguir. Mas o fato é que meu adorado cantor Fábio Jr. conseguiu uma façanha inédita na primeira semana de setembro deste 2015 tão exaustivo que já parece durar quatro anos. Nesta Apoteose do Ódio que estamos vivendo, por conta de umas frases trôpegas, Fabião conseguiu nivelar os odiadores aos odiadores dos odiadores.

Tal qual o leão circense de Roberto Carlos em 1964, o ódio está solto nas ruas – e nas redes, onde, pela primeira vez, vejo hordas inteiras de esquerdistas descerem ao mesmo nível dos ignorantes políticos que gritam “Lula cachaceiro/ devolve o meu dinheiro” nas avenidas. A façanha foi de Fábio.

Tanto quanto é fino e delicado na interpretação das canções do coração infantilizado machucado, o cantor de “Senta Aqui” (1984) foi grosso, grosso, grosseiro e grosseirão ao falar do Brasil (e se enrolar numa bandeira do Brasil) num evento chamado Brazilian Day, promovido sazonalmente na mais simbólica megalópole do país que mais quer roubar de nós nosso pré-sal e nosso futuro: New York, nos United States of North Améerica.

Em surto aparente de fixação anal, Fábio imaginou (e descreveu) o dedo mindinho de Lula (morto e enterrado na fábrica, há décadas) enfiado no ânus dos brasileiros, nosso, dele, do Fábio. Sua atitude, na contramão, atiçou esquerdistas e progressistas brasileir@s a dirigir contra ele, um despretensioso (e excelente) cantor romântico, um naco assustador de ódio, provavelmente aquele ódio acumulado por tanto desaforo engolido, tanta agressão suportada, tanta ofensa sublimada.

Com uma única frase e uma única bandeira, Fábio representou as toneladas de ódio que o reacionarismo à braZileira tem espalhado por 2015, deu-se a palmatória do mundo, fez-se Judas das esquerdas, virou um Wilson Simonal que tivesse servido à Globo como galã-símbolo da branquitude de um país nada branco. E então o Brasil choveu uma avalanche de Fábios do Fábio, todos à esquerda de Fábio, de Lula, de Luciana Genro, do mundo, de Deus.

Rolou de um tudo para mesmerizar o eterno meninão sedento de colo e carinho. Para desmentir o preconceito antipetista ostentado por Fábio-Ostentação, petistas xingaram esse cara de drogado, bêbado (“Fábio cachaceiro/ devolve o meu dinheiro”), carrasco de pai, o diabo.

Outros se inspiraram na fixação anal nova-iorquina do ex-garanhão e mandaram Fabião ir tomar no cu, assim, sem meias palavras (como se fosse ruim tomar no cu, não é verdade, crianças de todos os sexos?).

Alguém sugeriu malhar um boneco inflável (ou “inflávio”, como têm grafado os jornalistas estagiários desta nossa triste profissão) do Fábio, um Fábio InFlávio, um InFábio. (Esses, aleluia!, trataram com bom humor esse assunto de altíssima desimportância.)

Uma outra turma usou Bono Vox, um chato de galocha supostamente esquerdista, para depreciar nosso mais novo candidato a sucessor filosófico do roqueiro reaça Roger Lobão. O que tem o cu a ver com as calças?, perguntaria eu, sob o risco de também embarcar  na voga da fixação anal.

Gosto do Fábio cantor (e eventualmente compositor) desde a minha infância. Um bom número dos meus clássicos afetivos particulares me parecem, além disso, excelentes canções pop brasileiras: “20 e Poucos Anos”, “Quero Colo” (1979), “Eu Me Rendo”, “Seu Melhor Amigo” (1981), “Enrosca” (sua versão sexy-safada para a obra-prima soul-pop do genial Guilherme Lamounier), “O Que É Que Há”, “Seres Humanos” (1982), “Quando Gira o Mundo” (1985), “Vida”, “Caça e Caçador” (1988), “Alma Gêmea” (1994)…

Movido por esse meu amor, vi alguns shows do Fábio ao longo dos anos, o último deles em março deste ano, logo depois do início das manifestações de ódio coxinha contra os trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil. Ensaiei escrever sobre aquele show, mas desisti, me acovardei, passei pano – porque foi um espetáculo triste, melancólico,  deprimente.

Começava pelo ambiente, um decadentíssimo Credicard Hall, o mesmo lugar onde João Gilberto cunhou, para ferir a elite paulista, o meme “vaia de bêbado não vale”. Ah, se João estivesse naquele show do Fábio… Teria uma síncope.

Nesse dia de show do Júnior, o Hall dos artistas semideuses caía aos pedaços. Os leds apagados dos telões armavam horrorosas crateras no rosto do cantor de “enrosca o mu pescoço, dá um beijo no meu queixo e geme”. Taças tortas de plástico riscado acolhiam as lágrimas de Chandon que embebedavam a elite fabista.

De início achei que era azar meu ter caído numa mesa de bêbados de visual playboy e playgirl que conversavam sem parar, xingavam Fábio quando ele cantava (ou melhor, tentava cantar) uma música menos conhecida, gritavam “fora Dilma” a plenos pulmões, afirmavam aos berros que o show estava chato. A agressividade sublimada no ar estava pelas tampas (e pensar, hoje, que aquele ainda era o começo do começo do começo).

Depois fui prestando mais atenção ao redor e vi que a minha mesa era igual a todas as outras. A comunicação entre o artista e uma plateia de ~privilegiados~ extremamente mal-educados era zero. A  única celebridade presente, que Fábio fez questão de bajular, era Ronaldo Fenômeno, que parecia tão depressivo na plateia quanto Fábio no palco. As metades da laranja, dois amigos, dois irmãos. Saímos calados e sorumbáticos do show.

Os meses se amontoaram de março para cá, em clima de progressiva exaustão. Ninguém aguenta mais o arco tenso em que os verdadeiros decadentes transformaram nosso país. Ninguém aguenta mais. À esquerda, à direita e ao centro, ninguém aguenta mais.

O governo não acerta em debelar crises inventadas e falsificadas, menos ainda as que têm algum fundamento. Os odiadores não acertam em içar bonecos infláveis para navegar no mesmo espaço habitado por helicópteros lotados de cocaína e jatinhos sem nota fiscal.

A mídia que fomenta o ódio transforma (moto contínuo) ódio em falência e falência em ódio. Destila ódio no garrafão de pinga (Lula cachaceiro! Fábio cachaceiro!), dissemina ódio para seres submissos que leem jornais, assistem a telejornais e frequentam(os) shows burocráticos e hierárquicos de MPB.

Fábio, um notório artista não-militante, senta lá e vê o público que o humilha gritar “fora Dilma” e tem a brilhante ideia: vou ser igual a eles. As metades da laranja. Dois amigos. Dois irmãos.

O petista de tez autoritária vê o triste espetáculo protagonizado por Fábio contra Lula e Dilma e tem a brilhante ideia: vou ser igual e ele, a eles, a todo mundo que me trata como lixo o tempo inteiro. As metades. Da laranja.

Fábio, um notório artista não-militante, senta lá e vê o público que o humilha gritar “fora Dilma” e tem a brilhante ideia: vou ser igual a eles. As metades da laranja. Dois amigos. Dois irmãos.

O petista de tez autoritária vê o triste espetáculo protagonizado por Fábio contra Lula e Dilma e tem a brilhante ideia: vou ser igual e ele, a eles, a todo mundo que me trata como lixo o tempo inteiro. As metades. Da laranja.

Não estamos em ano de eleição (ou estamos, no moto contínuo da eleição perpétua). Não é ano de Copa, não tiramos 7 a 1 na prova de cultura política (essa, por sinal, é uma disciplina que até pouco tempo atrás nem estava incluída nas nossas grades escolares). Ainda não é ano de Olimpíada (vai ter!).

O nível de tensão estrangula tod@s, não há seres humanos que aguentem esta vida sem tréguas. Dá vontade de fazer a Wanderléa e sair gritando enrolada na bandeira verdamarela: por favor, senhores juízes, parem agora!

Sem seios e com pelo nas pernas, Thammy posa sem roupa


Uma foto de Thammy Miranda, 33, está dando o que falar. Completamente sem roupa, a filha de Gretchen, 56, posou para a biografia “Nadando Contra a Corrente”, lançada nos últimos dias em São Paulo.
Exibindo o resultado da cirurgia de retirada dos seios, além de mostrar pelos nas pernas, a famosa comentou com o jornal “O Dia” sobre a operação que realizou no ano passado. “Em casa eu ficava sem camisa até quando ainda tinha peito! Agora não saio na rua sem camisa porque não tem necessidade. Mas na praia ou na piscina fico sem camisa”, declarou.
Thammy também comentou que quase desistiu de lançar o livro que narra a sua trajetória. “Quando eu estava fazendo a revisão final da biografia pensei em desistir.Fiquei com medo de me expor tanto! Mas não fiz porque só pensava que ajudaria muita gente com isso“, disse ela reforçando que deixou “muitas coisas das ex-namoradas” de fora do livro para preservar as moças.

Carta ao Fábio Jr ou "Senta aqui"



Por Fernando Waschburger.

Fábio, fiquei pensando sobre o que escrever a respeito desse desabafo de Nova Iorque. Confesso que você, com toda a franqueza, há algum tempo vem parecendo decadente, beirando ao ocaso, um tanto em busca do seu canto do cisne, sabe?

Discursos politizados nunca foram o seu forte. Durante os anos de chumbo você falava de outros temas, lembra? É claro que lembra, até hoje você canta as mesmas músicas.

Quero te dizer que nunca me interessei pela sua vida privada, seus múltiplos casamentos e o seus problemas extracampo. Isso eu deixo para as revistas de fofoca. Agora, vamos e venhamos, Vinicius de Moraes lidou muito melhor com seus vários amores e até com o problema do álcool. Mas, que cabeça a minha, que comparação descabida, né?

Vou ser direto: aquela piadinha sobre o dedo do Lula, não fica bem nem em mesa de boteco no meio dos amigos. Ficou feio demais. Se você tem algo enfiado aí, guarda pra ti, amigão. Isso é coisa íntima e não interessa pra ninguém se dói ou não. Eu quase não resisti e ia escrever que para você o "Lula pintou como um sonho e foi atrás com tudo". Mas mudei de ideia. Se eu escrevesse isso, estaria me rebaixando ao teu nível de discurso.

Faz assim, diz que tinha bebido umas e outras e pede desculpas. Faz isso rápido, porque o Lobão foi nessa linha e tem cancelado um monte de shows. Se tudo der errado, também não invente de virar cantor gospel. A moçada dessa área é profissional, sabe ganhar grana e não vai cair nesse teu papinho oportunista.

A única palavra que me vem à cabeça sobre tudo isso é "constrangedor".

Mas, Fabinho... Resta uma saída! Como você é especialista em casamentos, quem sabe você não passa uma cantada na eterna "namoradinha do Brasil". A Regina, dizem que tem umas fazendas em terras indígenas e o discurso é bem parecidinho com o teu. Vai fundo amigão, afinal quem sabe vocês não são "almas gêmeas".


Quem fala, discursa ou reclama da saúde pública deveria participar da Conferência de Saúde


Por Gcrson Domont*

A XI Conferência Estadual de Saúde, tem como tema “Saúde pública de qualidade para cuidar bem das pessoas: direito do povo brasileiro”. Uma temática que incorpora diferentes significados, em contraposição à mercantilização, privatização e precarização dos serviços de saúde.

Vai discutir temas considerados transversais: a Reforma democrática e política, participação social, direitos sociais e democratização dos meios de comunicação, e o papel fundamental dos movimentos populares e conselhos de saúde.

Neste tempo de crise, é importante afirmarmos os valores da democracia e da participação. Conseguiremos construir uma sociedade justa, igualitária, fraterna e inclusiva se tivermos meios democráticos, de ampla participação popular. Não se constrói com autoritarismo uma sociedade efetivamente justa.

Destacamos a superação do modelo de comunicação em que o SUS dependia da intermediação da mídia tradicional, a informação não está mais exclusivamente nas mãos da grande mídia e a saúde não deve e nem precisa esperar que a mídia tradicional atue em seu favor. Essa intermediação já não é nem necessária na prática. Com o surgimento da internet, a mídia tradicional perdeu essa intermediação, foi superado pelos comunicadores que somos todos nós, a partir das redes sociais.

É necessário ir além das mudanças de regras eleitorais e colocar no centro das discussões a questão do poder de forma ampla. “O exercício do poder, os mecanismos que temos para exercer o poder e os caminhos que temos para controlar o poder. O poder reflete a desigualdade brasileira e também estrutura os processos de desigualdades que vivemos. Que o poder seja alicerçado na soberania popular, afastando o Poder econômico e seu monopólio. A reforma do sistema político é um dos caminhos fundamentais para a democracia e a participação social no país.

É por isso consideramos que o processo da XV Conferência Nacional de Saúde, onde se encontra a XI Conferência Estadual de Saúde, nos contempla. O CNS assumiu a crítica, quanto aos limites e equívocos cometidos pelos Conselhos de Saúde que levaram à perda da representatividade dos Conselhos de Saúde e recolocou a questão de que a quantidade, a diversidade e a autonomia devem ser buscadas e refletem a qualidade do processo da participação, nos fóruns instituídos de participação – propôs por exemplo, retomar o caráter reflexivo e mobilizador dos Conselhos de Saúde – isso ajuda a se enfrentar os mecanismos de exclusão cristalizados nos Conselhos de Saúde.

A XV Conferência Nacional de saúde inova ao incluir no seu processo a inclusão dos não incluídos e o diálogo com os movimentos populares, fortalece o processo ao incluir uma quarta etapa as Conferências de Saúde, talvez a mais obvia das ações; o monitoramento do PPA. Pouco adianta se chamar os usuários do SUS os trabalhadores de saúde e os prestadores e gestores, sem que fosse garantida a inclusão das diretrizes das Conferências no Plano Pluri Anual (PPA), a Lei que transforma em política pública as propostas e diretrizes da Conferência. Agora se espera que cada conselheiro cumpra seu papel, melhor articulado com os movimentos sociais e respaldado pela base legal do SUS, amplie e consolide definitivamente o SUS.

"O Conselho Nacional de Saúde também reafirma o papel das conferências como processo político mobilizador de caráter reflexivo, avaliativo e propositivo, não devendo ser visto meramente como um evento. Diante disso, na 15ª Conferência Nacional de Saúde, o CNS propõe incentivar o princípio da paridade de gênero, sem comprometer a paridade entre os segmentos; superar as barreiras de acessibilidade às pessoas com deficiência; e Instância máxima de deliberação do SUS, Lei nº 8.142, de 28/12/1990. Lei nº 8.142, de 28/12/1990. Garantir acesso humanizado. Recomenda também a participação de movimentos sociais e populares não institucionalizados, conforme estabelece o Regimento da 15ª CNS”.

A etapa estadual da Conferência Nacional e a XI Conferência Estadual de Saúde acontecerão nos dias 15, 16 e 17 de setembro de 2015, no Centro de Cultura Cristã, em Ananindeua discutindo e aprofundando as mesmas temáticas assim como aconteceu nas etapas municipais.

*Gerson Domont é presidente do Conselho Estadual de Saúde do Estado do Pará.