segunda-feira, outubro 17, 2016

Os novos formadores de opinião e o voto nulo nas eleições

Os votos nulos, brancos e abstenções não ajudam ninguém. Eles são a mensagem de que ninguém os convenceu a os terem.

Por Diógenes Brandão

Antes dos blogs, sites e até das redes sociais, o eleitor, ou simplesmente o cidadão, buscava esse tipo de informações nos jornais, na TV, no rádio. Com a web, isso mudou consideravelmente e pessoas que antes vivam no anonimato, ganharam notoriedade ao publicarem seus conteúdos na internet e passaram a ser conhecidos por milhares de pessoas.

Belém como uma das principais capitais brasileiras, possuem até que poucos blogs. Mas os que tem são de peso. Muitos começaram e desistiram no meio do caminho. Um dos mais acessados foi também um dos mais influentes para este blogueiro iniciante que vos fala. 

Estou me referindo ao saudoso Quinta Emenda do jornalista Juvêncio Arruda, falecido em 2009, na época com uma audiência em média de 2000 leitores por dia.


Hoje, fanpages no facebook, como a do Planeta Pará, que alcançam em média 1.000,000,00 (um milhão) de acessos por semana e a deste blog, que já ultrapassou esse número e pela falta de tempo deste blogueiro, hoje tem em torno de 500 mil acessos semanais, mas seguem ignoradas pelos tais 'formadores de opinião', que a FIEPA consagra todo ano, com um prêmio fuleira oferecido pelas empresas mineradores que atuam no Pará, cavando nosso solo em busca do minérios e os levam para os EUA, Japão, etc., deixando-nos com as famosas crateras e em troca, bancam uns petiscos, vinhos de quinta e cerveja, em uma festa para jornalistas se embriagarem de 'grátis', todo fim de ano.

O bom disso tudo é saber que atualmente, ninguém precisa mais daqueles títulos que muitos ostentavam como se tivessem sido nomeados por deuses, como os 'formadores de opinião' e hoje, advogados, estudantes, médicos, policiais, enfim, qualquer pessoa pode difundir seu pensamento, através das mídias sociais.

É por isso que enquanto diversos nichos e postos de trabalho são abertos por jovens criativos, no competitivo mercado de trabalho, algumas profissões já estão em extinção, como é o caso dos ascensorista de elevador. 

Usarei como exemplo inicial essa profissão, sem deméritos ou forma de humilhar os trabalhadores da área, mas por conhecê-la na prática, pois trabalhei por 45 dias dentro de um elevador no Banco da Amazônia, onde minha única tarefa era ouvir o comando de voz das pessoas que adentravam no meu espaço de trabalho e apertar um botão, com o número correspondente ao andar que meus passageiros queriam se dirigir. Por isso, entendo perfeitamente a desnecessidade de um ser humano para fazer aquela tarefa tão simples que é escolher o andar para onde se quer ir.

A mesma coisa posso dizer destes seres que se acham iluminados e vivem dizendo como as pessoas tem que se vestir nas diferentes estações do ano (estilistas), ou de que filmes devemos ir imediatamente assistir (críticos de cinema), isso sem falar dos jornalistas e colunistas que vire e mexe insistem em nos influenciar o voto, ora falando mal apenas de um partido ou candidato, ora defendendo abertamente quem são os seus candidatos preferidos.

Essas profissões só existem pelo simples fato de serem sustentadas por uma forte pressão de um mercado que não aceita as pessoas pensando por si mesmas e por isso, tem sempre que existir alguém para sugerir o que é certo ou errado, belo ou feio, mal ou bem feito. Padrões estéticos, comportamentais e políticos que servem aos interesses de quem os difunde e nada mais.

Isso tá errado? Claro que não. Mas o direito das pessoas em divergir destes privilegiados "formadores de opinião", deve ser igualmente respeitado.

Voltando a falar do poder inovador e renovador da internet e se formos comparar 2016 com o ano de 2006, posso afirmar sem medo de errar, que houve uma explosão que fez emergir milhares de mentes brilhantes que se antes eram aprisionadas no anonimato, hoje vivem opinando sobre tudo que acontece no cotidiano da política, das ocorrências policiais, da fofoca comum que rola sobre a vida dos artistas, políticos, enfim. Todo mundo tem o que falar e muito é publicado toda hora e em todas as redes sociais.

Acontece que a produção de conteúdo continua limitada a poucos e estes poucos produzem o que muitas vezes acaba sendo viralizado pela maioria que ou não quer ter o trabalho, ou simplesmente não sabe escrever um artigo, gravar um vídeo, ou até mesmo um áudio com sua opinião e enviá-la para o mundo, através de alguns cliques em um computador, tablet ou aparelhos celulares inteligentes, os famosos smartphones.

Dito isso, volto-me para um fenômeno que acontece em Belém do Pará e no Rio de Janeiro, curiosamente, as capitais onde o PSOL disputa o segundo turno das eleições municipais, mas que não consegue unificar a esquerda em torno dos seus candidatos e cresce o número de cidadãos esclarecidos que declaram voto nulo, como a melhor opção nestas duas cidades.


É que com a universalização do acesso às Tecnologias da Informação, as pessoas que pensam por si próprias e não concordam com o que os dirigentes partidários, os marqueteiros e demais profissionais que agem nas mídias para que as pessoas votem neste ou naquele candidato, acabam somando-se aos demais formadores de opinião. 

É claro que um radialista, um apresentador de TV, um colunista de um jornal ou um blogueiro que já tenha seu nome conhecido, acabará sempre em vantagem em relação a quem esporadicamente opina e produz conteúdos, mas prevalece aqui, o fato de que ninguém mais fala sozinho e que a comunicação moderna tem que considerar a interatividade e a pluralidade de opiniões, onde o voto nulo não tem tecla específica nas urnas, mas tem sido campeão de votos nas eleições em todo o país.


Colaborando com a ideia de que as pessoas não deveria ser obrigadas a votar, eis uma postagem do blog do Fernando Rodrigues, em 17 de outubro de 2010, que nos diz o seguinte:

“Eis aqui um sinal do Brasil profundo: 30% dos eleitores brasileiros já se esqueceram o nome do candidato a deputado federal para o qual deram o voto – a menos de 20 dias.

Os dados são de pesquisa Datafolha realizada em todo o país nos dia 14 e 15 de outubro.

A situação é igualmente desoladora no caso do Senado: 28% dos eleitores já não se lembram em quem votaram para pelo menos uma das vagas de senador (havia duas em disputa).

Na maior parte das democracias, o voto é um direito: o eleitor vota se quiser, se achar que algum candidato de fato o representa, ou se achar que é necessário que sua opinião seja representada.
No Brasil, ao contrário, temos o que os juristas e cientistas políticos chamam de direito-obrigação: o cidadão não tem apenas o direito de votar: também tem a obrigação de fazê-lo. Se não o fizer, sofrerá as sanções legais (por exemplo, não pode inscrever-se em concurso ou tomar posse de cargo público, não pode inscrever-se ou renovar matrícula em faculdade pública, não pode tirar carteira de identidade ou passaporte, não pode tomar empréstimos em bancos públicos, etc). Ele só voltará a poder exercer esses direito civis-políticos depois que regularizar sua situação com a justiça eleitoral, pagando a multa imposta pelo juiz eleitoral (a multa varia entre 3% e 10% de uma UFIR, ou seja, entre R$ 1,06 e R$ 3,51 atualmente, podendo ser multiplicada por até 10 – R$ 35,10 – dependendo da condição econômica do eleitor).

Isso sem falar que o Brasil é o único país do mundo onde existe um monte de gente ganhando uma fortuna e gastando dinheiro público, dentro de uma instituição chamada justiça eleitoral.