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quarta-feira, junho 15, 2016

Governo do Pará paga R$ 63 mil para Lyoto segurar a tocha olímpica?

Lyoto Machida: Por amor ao Pará, o atleta paraense embolsou R$63 mil ou R$21 mil reais do governo de Simão Jatene, por  ter ficado alguns minutos com a Tocha Olímpica.

Por Diógenes Brandão

Circulou primeiro pelas redes sociais e agora a noite foram divulgadas pela imprensa, imagens printadas do Portal da Transparência, mais exatamente na modalidade de empenho de pagamento da SEEL - Secretaria de Esporte e Lazer do governo do Estado do Pará, onde se vê o pagamento o montante de R$ 63.000,00, para que o atleta paraense Lyoto Machida segurasse a tocha olímpica, nesta quarta-feira (15), quando Belém parou para o evento que fez o translado pelas ruas da cidade. O blog confirmou a veracidade das imagens, em uma consulta ao Portal da Transparência do Pará.

O caso, ou bafafá - como se diz no Pará - teve destaque e tanto a SEEL, quanto Lyoto apresentaram a mesma justificativa, negando que o valor tenha sido usado como pagamento ao atleta e sim como ajuda para seu deslocamento, já que ele mora nos EUA e o governo se ofereceu para ajudá-lo a chegar ao evento. Além disso, a participação do atleta em palestras (não ditas onde e nem quando foram realizadas) foi usado como reforço retórico à tese que tentou em vão justificar os motivos do dinheiro público ter ido parar na conta bancária do lutador de MMA.

Porém uma dúvida permeia a cabeça dos menos incautos: Se o evento é coordenado pelo rico e poderoso Comitê Olímpico Brasileiro e é ele que escolhe os participantes que fazem o revezamento com a famosa tocha, como é que a SELL foi se oferecer a bancar a vinda do atleta escolhido pelo mesmo? Algo de estranho paíra no ar e o público que hoje usa as redes sociais como instrumento de controle social cobrou e não foi pouco.

Resultado, a imagem de bom rapaz que Lyoto preservava, foi pro ralo junto com a reputação dos gestores da SEEL, que recentemente foram envolvidos em uma Ação Civil Pública (ACP), de Improbidade Administrativa, por conta de um convênio firmado com uma ONG fantasma para a execução de um suposto projeto de canoagem no município de Barcarena, que beneficiou o deputado Wladimir Costa (SDD). O MP propôs medidas liminares de afastamento dos cargos, quebra de sigilo bancário e fiscal, bem como indisponibilidade de bens, em desfavor do deputado federal, assessores, prestadores de serviços e mais 10 empresas. Leia aqui a notícia publicada no portal do Ministério Público do Pará.



Em um Estado massacrado por injustiças sociais e onde recentemente o governo determinou um corte de 20% para reduzir gastos, como por exemplo, na área da saúde que já estava na UTI, com a violência desenfreada, tomando conta de todos os municípios e além de não haver políticas sociais para a juventude, as escolas caem aos pedaços, professores imploram reajustes salarias, a polícia em permanente Estado de Greve, sem falar que falta gasolina para viaturas, equipamentos e investimentos na infraestrutura de diversos órgãos públicos, o governador Simão Jatene se dá ao luxo de bancar o passeio de um atleta para um evento repleto de financiadores e patrocinadores privados, enquanto tantos outros são humilhados na SEEL, em busca de apoio para participarem ou realizarem eventos locais e com valores infinitivamente menores e não conseguem?

Além de Lyoto, outros velhos conhecidos dos cofres públicos, que recebem fortunas para efêmeras participações em eventos patrocinados nos governos do PSDB, também seguraram a tocha. Foi o caso de Pinduca e Fafá de Belém, que vira e mexe recebe a bagatela de R$150 mil reais para vir de Portugal, onde vive, para cantar alguns minutos em uma sacada, durante a passagem da imagem da virgem de Nazaré, em seu círio. 

"Entre os comentários que circulam no WhatsApp, um deles diz o seguinte:

"Inacreditável. Eu imaginava que era uma honra histórica. Foi difícil acreditar que receberam milhares de reais para carregar a tocha olímpica no Pará. Quanto se gastou no País inteiro para isso? Por questão de honra,  penso que todo o dinheiro deve ser devolvido aos cofres públicos. Não se admite mais essa farra  com dinheiro do contribuinte. É nojento isso", conclui o comentário anônimo. 



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Ex-dirigente da Transpetro deleta Temer e toda a cúpula do PMDB



Na Folha

Em sua delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado relatou ter repassado propina a mais de 20 políticos de diferentes partidos, passando por PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PSB.

O PMDB, fiador político de sua indicação à presidência da Transpetro, foi o que mais arrecadou: cerca de R$ 100 milhões, de acordo com seus depoimentos.

Segundo ele, os políticos o procuravam pedindo doações e, em seguida, Machado solicitava os repasses às empreiteiras que tinham contratos com a Transpetro.

"Embora a palavra propina não fosse dita, esses políticos sabiam ao procurarem o depoente que não obteriam dele doação com recursos do próprio, enquanto pessoa física, nem da Transpetro, e sim de empresas que tinham relacionamento contratual com a Transpetro", afirmou.

A lista de políticos entregue por Sérgio Machado inclui ferrenhos adversários do PT, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), o ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE, morto em 2014), o senador José Agripino Maia (DEM-RN) e o deputado Felipe Maia (DEM-RN).

Além deles, outros que o procuraram pedindo recursos foram, de acordo com sua delação, os caciques do PMDB Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), José Sarney (AP) e Jader Barbalho (PA), e também os parlamentares e ex-parlamentares Cândido Vaccarezza (PT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luiz Sérgio (PT-RJ), Edison Lobão (PMDB-MA), Edson Santos (PT-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Ideli Salvatti (PT-SC), Jorge Bittar (PT-RJ), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Walter Alves (PMDB-RN) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Machado também afirmou que o presidente interino, Michel Temer, negociou propina para a campanha do então correligionário Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, em 2012.

No caso de Renan, Jucá e Sarney, o ex-presidente da Transpetro relatou que eles receberam tanto por meio de doações oficiais como de dinheiro em espécie. Machado detalhou quais doações feitas a eles podem ser consideradas como propina.

Machado também relatou quais empresas aceitavam fazer pagamentos de propina referentes aos contratos com a Transpetro. Segundo ele, foram a Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão, NM Engenharia, Estre Ambiental, Polidutos, Essencis Soluções Ambientais, Lumina Resíduos Industriais e Estaleiro Rio Tietê.

"Quando chamava uma empresa para instruí-la a fazer doação oficial a político, ele sabia que isso não era lícito, que a empresa fazia doações em razão de seus contratos com a Transpetro", disse Sérgio Machado, em um de seus depoimentos.

OUTRO LADO

O advogado dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Edison Lobão (PMDB -MA) e do ex-presidente José Sarney, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, disse que os três negam ter recebidos recursos de Machado.

"A delação é bastante ampla e tem que ver qual é a credibilidade dela, tendo em vista que ela foi feita para livrar os filhos [de Sérgio Machado] da cadeia. A delação tem que ser vista com muitas reservas", disse à Folha.

O senador José Agripino Maia (DEM-RN) afirma que as doações recebidas "foram obtidas sem intermediação de terceiros, mediante solicitações feitas diretamente aos dirigentes das empresas doadoras". Ele ainda afirma que, como presidente de partido de oposição, não teria nenhuma "contrapartida a oferecer a qualquer empresa que se dispusesse a fazer doação em troca de favores" do governo. Por fim, reafirma que as doações recebidas têm "origem lícita" e foram declaradas à Justiça Eleitoral.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que "Machado nunca arrecadou para as minhas campanhas, nunca pedi que ele arrecadasse. Ele cita meu nome de forma genérica, sem dizer qual empresa [doou], qual o valor [foi doado]. Isso nunca existiu".

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) confirma ter recebido doações da Queiroz Galvão, mas afirma que elas foram legais.

"Pedi doação para minha campanha, até porque todo candidato pede. Mas pedi doações legais, recebi e declarei tudo na Justiça Eleitoral. O que recebi da Queiroz Galvão está declarado na minha prestação de contas: foram R$ 332,5 mil em 2014. Esses valores estão errados [Sérgio Machado diz que os repasses ao deputado foram feitos via Queiroz Galvão: R$ 200 mil em 2010 e R$ 200 mil em 2014]. Eu não sabia da relação que Sérgio Machado estabelecia com as empresas. Uma coisa é pedir doação legal e declarar, que foi o que eu fiz. Outra coisa é participar de um esquema criminoso", afirmou.

A Folha não conseguiu falar com a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), mas ela já havia se manifestado sobre o caso. Disse ter pedido "ajuda pessoal" a Sérgio Machado, mas negou que existam irregularidades em sua contabilidade eleitoral.

Segundo ela, todos os repasses recebidos são públicos e registrados e os pedidos foram transparentes e aprovados pela Justiça Eleitoral.

"Atuo no setor naval há 35 anos e, por isso, estive de forma republicana diversas vezes com Sérgio Machado discutindo melhorias ao setor devido à importância da Transpetro. Na campanha de 2008 conversei com Machado sobre a possibilidade de sua ajuda pessoal, sim. Mas afirmo que não há qualquer contribuição da Queiroz Galvão em minhas campanhas através de Sérgio Machado, apenas de duas subsidiárias em 2014 por contato direto através do PC do B", afirmou Feghali, em nota.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) ainda não responderam ao pedido da reportagem.

Heráclito Fortes (PSB-PI) está em missão oficial no Panamá e disse que só irá se manifestar nesta quinta-feira (15), quando retornar ao país.

A Folha também deixou recado no gabinete do deputado Felipe Maia (DEM-RN), mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Procuradas, as empresas Galvão Engenharia e NM Engenharia não quiseram, por ora, se manifestar. A Queiroz Galvão informou que "não comenta investigações em andamento". As demais firmas citadas ainda não responderam ou não foram localizadas.