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quinta-feira, junho 07, 2018

Antes da grande mídia, DCM já havia revelado: Lava Jato ignora e-mail em que FHC pede doação à Odebrecht

Sérgio Moro: Para FHC e o PSDB, doação de empreiteiras é legal e normal. Para Lula e PT é ilegal e punida com prisão.

Por Joaquim de Carvalho, no DCM em 05 de Maio de 2018.

Desde que Lula começou a ser investigado, não se encontrou com o ex-presidente uma mensagem, gravação, documento ou qualquer coisa que lembre remotamente prova que o incrimine. É tudo ilação, delação premiada ou depoimento de réu.  

No entanto, ele foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão e, ainda que tenha direito a novos recursos, já se encontra na cadeia.  

Mas bastou ao empresário Marcelo Odebrecht apresentar os e-mails que tinha arquivados para aparecer mensagens comprometedoras de Fernando Henrique Cardoso.  

Entre os emails, existem duas mensagens que, se tivessem a assinatura de Lula, o Ministério Publico Federal pediria a sua prisão perpétua — se houvesse esse tipo de pena no Brasil.  

Em uma das mensagens, Fernando Henrique Cardoso solicita diretamente a Marcelo Odebrecht doação para seu instituto.  

Em outra, Fernando Henrique indica um candidato a deputado federal para receber recursos da empreiteira.  

Os e-mails foram relacionados em um pedido da defesa do ex-presidente Lula para que sejam juntados no processo do sítio de Atibaia.  

Pela decisão de Moro, os advogados puderam ter acesso aos e-mails de Marcelo Odebrecht, como queriam, mas deveriam apenas indicar as mensagens. Foi o que fizeram.  

A Moro, caberá decidir se esses e-mails devem ou não ser incluídos no processo.  

Até agora, Moro não decidiu.  

O objetivo da defesa é mostrar que, no caso de institutos, não há crime algum solicitar doação.  

Pelo jeito, o Ministério Público Federal pensa assim.  

Mas apenas quando o destinatário da doação é do PSDB. Se pensasse diferente, não teria ignorado os e-mails de Fernando Henrique.  

A Lava Jato trabalha com duas balanças — uma é para Lula e o PT. A outra é para os tucanos.  

E no Brasil essa prática de dois pesos e duas medidas por parte de setores do Ministério Público e do Judiciário se tornou normal.  

Como disse o relator do recurso apresentado ao Tribunal Regional Federal da 4a. Região, João Pedro Gebran Neto, em que Lula teve a condenação confirmada, processos por corrupção devem ser analisados “caso a caso”.  

Disse ele:  

“As corrupções envolvendo agentes políticos ganham contornos próprios, e a solução deve ser buscada caso a caso. Não há como definir, portanto, uma fórmula de ouro aplicada a todo e qualquer processo, pois a atividade política transborda muitas vezes os estritos limites do cargo, inclusive temporais, podendo interferir nos mais variados órgãos da administração pública direta ou indireta.”  

Em outra palavras, o que vale para Lula não vale para Fernando Henrique.  

Ou vice-versa.

O nome do deputado a quem Fernando Henrique Cardoso solicita doação está sendo mantido em sigilo, mas não é ninguém do primeiro time dos tucanos.

Lava Jato chega a pedido de dinheiro de FHC à Odebrecht para campanha do senador Flexa Ribeiro (PSDB)

Senador paraense é citado em pedido de dinheiro de FHC à Odebrecht, para sua campanha em 2010.

Por Diógenes Brandão

Ao investigarem o ex-presidente Lula, peritos da Polícia Federal descobriram emails onde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pedia e insistia no pedido de dinheiro a Marcelo Odebrecht

As "doações" teriam sido para as campanhas de tucanos em 2010. As provas foram localizadas pela PF nos discos rígidos do computador do empresário preso no escândalo que acabou no impeachment da ex-presidente Dilma Rouseff e na prisão de Lula e de diversos parlamentares e empresários.

A informação foi revelada pela revista Veja e confirmada pela Folha e segundo as reportagens, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recorreu a Marcelo Odebrecht para angariar fundos para a campanha ao Senado de dois tucanos em 2010: Antero Paes de Barros (MT) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

As investigações de esquemas de propina e caixa 2 praticados pela Odebrecht, já levaram diversos outros políticos e empresários para a cadeia. No caso destes pedidos de FHC ao mato-grossense Antero Paes,  Já o senador paraense Flexa Ribeiro conseguiu eleger-se senador em 2010 e tenta a reeleição em Outubro.

Os emails revelam que como presidente de honra do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continuou fazendo lobby, junto à principal empreiteira e a que mais lucrou com a corrupção brasileira. Em seus pedidos ele fala em SOS e aquilo que chama de "o de sempre".

O que dizem os citados?  

Para a Folha de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que pode ter feito o pedido para Marcelo Odebrecht, mas reforçou que eram legais. Fernando Henrique disse ainda que não se recorda se as doações (aos dois tucanos, de dois estados) foram feitas, mas que elas não se deram em troca de nenhuma decisão dele, já que na época não ocupava cargo no governo.

O senador Flexa Ribeiro e Antero Paes de Barros, atualmente sem partido, disseram que desconhecem a troca de e-mails e que as campanhas deles em 2010 não receberam qualquer contribuição da Odebrecht.   

A Odebrecht voltou a declarar que está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua, e implantou um sistema para prevenir, detectar e punir desvios ou crimes.   Segundo a defesa de Marcelo Odebrecht, os e-mails são autoexplicativos e se referem a pedidos que sempre foram normais e comuns por parte de políticos.   A direção do PSDB Nacional diz que desconhece os supostos pedidos e defende rigor no cumprimento da legislação eleitoral.

Leia na Folha, VejaEstadão, GGN e Globo.