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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Precisamos de + ?


A comunicação social dos governos tucanos sempre foi criticada por seu modelo e a falta de sintonia com a realidade de seu público, assim como a área cultural era rotulada de elitista, e era.

Mas se formos mais fundo na questão há de se encontrar certo comodismo e reprodução de um sistema falido de interpretação do mundo institucional e que continua alojado nas paredes da Secretaria de Comunicação do governo Ana Júlia.

Já falei dentre outras questões, à cerca deste comportamento em outro post e agora venho fazer uma rápida avaliação de uma das responsabilidades da recém-criada secretaria.

Vou de ante-mão, me reportar ao portal do governo, pois este é o ultimo lugar que se encontra informações relevantes à cerca dos problemas do Estado e notícias de cunho mais ácido, tanto das tensões políticas, quanto dos incidentes que vira-e-mexe são explorados pela mídia.

Note-se que o caso da menina abusada e encontrada na delegacia de Abaetetuba com mais 20 homens presos, só foi noticiado, depois de vários dias na página oficial do governo com uma pífia declaração, depois de rodar o mundo, atribuindo-se insistentemente à figura do Estado a total responsabilidade pelo lamentável fato; o caso do contrato dos pilotos no Aeroclube, enfim.

Um órgão com a competência de posicionar a defesa da gestão e informar a sociedade sobre o trajeto tomado, não pode se furtar de ser ágil e contundente, neste mar de controvérsias que os aparatos comunicacionais nos permitem hoje em dia.

Transformada em Secretaria de Comunicação no mês de novembro - aumentando assim seu poder de fogo - a ex-Coordenadoria de Comunicação Social, se mantiver a “lógica” que hoje tem, dificilmente dará conta do árduo compromisso de um de seus desejos proclamado:a criação de uma sociedade mais democrática e politizada.

Para tal, deveria estar preparada para agir com a devida cautela e agilidade no processamento das informações, neste mundo em que estamos onde o time de emissão/recepção de mensagens acaba dando o tom aos fatos e suas conclusões, onde opinião pública e poder comunicacional se confundem para muitos e que a procura por elementos contraditórios, dos mais variados ângulos é a alternativa para quem busca se manter informado.

Mas sem aprofundar na questão, até porque o Secretário e também professor Dr. Fábio Castro sabe muito bem do que trato, pois mantinha um blog "acadêmico" que tratava justamente disso: Comunicação, Cultura e interatividade contemporânea, mas que foi abandonado assim que o talentoso professor foi nomeado ao cargo comissionado, com a justificativa de que a falta de tempo e sua nova função eram incompatíveis com a manutenção do espaço cibernético.

A práxis é esperada professor. Por isso, citarei um punhado de palavras retiras de uma das postagens de seu adorável blog:

Thomas Jefferson said it first: Communication - an informed public - is not optional in a democracy. If people don't know what's going on, freedom is an illusion. Good reporters are not scum. They are communicators. We need more"

Algum tradutor-voluntário se dispõe?

Hasta La Vista?


Almir Gabriel - Big-Mouse - anunciou neste mês de dezembro, que decidiu abandonar de vez a vida política - e o Estado que ele tanto dizia amar - e foi morar em São Paulo, onde a maior parte da Família já estava.

A notícia percorreu os dois maiores jornais com grande estilo, deixando encobertos, fatos que marcaram nosso povo, como a ordem em seu governo para a PM desobstruir a curva do "S", o que custou a vida de 19 pessoas até agora injustiçadas e outros mais recentes como o que nos informa o site da Procuradoria da República no Pará:

"O Ministério Público Federal acusa o bando - empresários, servidores públicos, contadores e funcionários das empresas ligadas ao esquema - de formação de quadrilha, fraudes em licitações, corrupção passiva, falsidade ideológica e sonegação previdenciária. Foram apontados como chefes da organização criminosa João Batista Ferreira Bastos - o Chico Ferreira e Marcelo França Gabriel".

Mas o fato que nos espanta é a posição do jornal dos Barbalhos, deixando um ar de vá com Deus e obrigado por tudo, ao conceder entrevista ao Senador Flexa Ribeiro do PSDB, quem mais lucrou na parceria com o ex-governador e fez questão de enaltecer a imagem de seu "sócio" e deixando sem voz aqueles que tanto esperam saber se o Almir sabia ou não quem era e como operava um esquema de corrupção milionário, ele o Big-mouse Jr., vulgo Marcelo Gabriel.

Se voltarem, que seja para visitar um Banco...

...o dos réus!

O Boff que não é de elite






Oscar Niemeyer e o comunismo como valor*.








Sua visão de mundo se funda no comunismo, ao qual foi fiel durante toda a vida, em tempos em contratempos. Mas trata-se de um comunismo como valor ético que visa a resgatar da sociabilidade humana, a capacidade de sentir o outro e de caminhar com ele como companheiro e não como competidor. "É preciso olhar o outro, ser solidário; as pessoas que só pensam em suas profissões não vêem a pobreza; só querem ser vencedores". Para ele o importante "não é ser arquiteto, ser especialista, ser mundialmente reconhecido. O importante é a vida e a amizade. A palavra mais importante da minha vida é solidariedade".


Essa solidariedade, especialmente para com os pobres, o torna simples como simples são as suas formas arquitetônicas. Vive a verdadeira humildade de quem comunga do mesmo húmus (donde vem humildade): "todo mundo é igual; a pessoa vem à Terra, conta a sua historinha e vai embora".

Nunca esquecerei uma longa conversa com ele durante um almoço em Petrópolis no final dos anos 70. Naquele dia acabava de retornar de Cuba. Eram ainda os tempos de relativa abundância, antes da queda da União Soviética.

Contava-lhe como era universal o sistema de saúde, como o ensino era aberto a todos, independentemente de sua extração social ou racial, como não se viam favelas na ilha e como a população incorporara uma vida de austeridade compartilhada. E referi-lhe as longas conversas com Fidel, noite adentro, sobre religião e a teologia da libertação que tentava e ainda tenta fazer do Cristianismo uma força de transformação histórica contra a pobreza e a marginalização social. Dizia-lhe citando Frei Betto: "Cuba parece uma Bahia que deu certo". Vi que Oscar ouvia tudo atentamente e seus olhos brilhavam de satisfação.

Qual não foi a minha supresa quando dias após li na Folha de São Paulo um artigo dele sobre a nossa conversa com um desenho de sua autoria: duas montanhas uma das quais encimada por uma cruz. E lá dizia: "descendo a serra de Petrópolis, eu que não creio, rezava ao Deus de Frei Boff, para que aqueles benefícios que Cuba realizou para o seu povo, chegassem também, um dia, ao povo brasileiro".

Por causa de sua solidariedade para com o povo cubano que sofre ainda um atroz embargo imposto pelos Estados Unidos, está abrindo em Cuba um posto avançado, uma escola de arquitetura, sem qualquer lucro, apenas o necessário para manter o escritório.

Pessoas assim nos fazem crer que o ser humano é resgatável, que a voracidade da acumulação privada de riqueza distorce o sentido da vida, que o ideal capitalista é profundamente perverso porque inumano, nada solidário e alheio à qualquer comiseração para com o próximo. Sua mensagem maior que vale mais que qualquer discurso de alguma autoridade religiosa foi expressa no Jornal do Brasil de 21 de abril deste ano: "O fundamental é reconhecer que a vida é injusta e só de mãos dadas, como irmãos e irmãs, podemos vivê-la melhor".


Com estas palavras fechamos 2007 com a esperança de que 2008 comece a realizar o sonho singelo deste ancião sábio e simples que, na construção da catedral de Brasília com seus braços estendidos ao céu, deu forma à sua secreta mística da solidariedade, nascida do mais puro ideal comunista.

Leonardo Boff - para ler mais sobre vida e obra, clique aqui
* Publicação autorizada pelo autor