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terça-feira, junho 24, 2014

Yes, nós temos Neymar!


Por Paulo Fonteles Filho que tem um excelente blog, mas posta essas pérolas apenas em sua página no Facebook.


Alguns querubins nos olham lá de cima, vejam, estão logo ali, para além das nuvens, no celestial Olimpo dos deuses sagrados da bola. Daqui podemos vê-los iluminando sonhos infantis e de marmanjos gorduchos, dessa gente brasileira, mulata e trabalhadora, dos trópicos, donde a alegria da vida e dos dias também é celebrada num grito capaz de estufar as redes e deixar qualquer arqueiro adversário tonto, zonzo, alquebrado por tão lúdico e poderoso petardo.

Todos eles estão lá: Friedenreich, apelidado pelos uruguaios em 1919 como ‘El Tigre’; Preguinho, autor do primeiro gol tupiniquim em Copas do Mundo; Heleno de Freitas, também tido por ‘Gilda’ no Clube dos Cafajestes; Leônidas da Silva, o ébano diamante, inventor da bicicleta, artilheiro de 38; Domingos da Guia, que nos ensinou que a mestiçagem é o nosso maior goleador; Ademir e Barbosa, do ‘Maracanazo’; Nilton Santos, a enciclopédia; Didi, o etíope; Mané Garrincha, a alegria do povo e o Doutor Sócrates, o herói esguio da democracia corintiana, dentre outros.

Como guardiões de nossa identidade profunda - de uma nacionalidade que vê no jogo coletivo o caminho para a superação de mazelas tão antigas quanto o tempo – os semideuses da pelota parecem lançar raios às pernas circenses do geniozinho da raça, o menino Neymar. Tão jovem e decidido, tão único e combativo, tão sereno e carismático que faz com que a gente se sinta irmão, pai, tio ou amigo daquele que ostenta, na camisa 10, a destreza sagrada do manto que já foi de Pelé, Rivelino e Zico. 

Na mais que profunda madrugada, toda a nação canta de esperança e superação. Feliz do filho pátrio que faz sorrir moços e velhos! Se é por música ou poesia, não sei, talvez as duas, mas, aqui, batendo os tambores, recorro aos versos de Jorge Ben para explicar aquilo que vimos nesta tarde mágica de segunda-feira no planalto central do país : “Pula, pula, cai, levanta/Sobe, desce, corre, chuta/Abra espaço/Vibra e agradece”.

Muitos que te floreiam, Neymar, receosos da autoestima do povo, não queriam e até mentiram sobre o que acontece no país neste instante. Inflaram mascarados jaborianos e nas Vênus platinada insultaram a inteligência das pernas e o esforço nacional de que somos capazes de tudo que quisermos, bastam objetivos claros e nitidez política, além de um profundo amor à brasilidade que parece insultar nossas endinheiradas elites e seus aliados externos. 

Rogo ao Olimpo do fubebol brasileiro, em oração: protegei os gambitos de nosso craque! Protegei, senhores alados da feitiçaria das chuteiras, a nossa mais elevada esperança dos zagueiros botocudos que fazem do açougue poderosa referência para enfrentar nosso mais proeminente bailarino!

Amém!