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quarta-feira, dezembro 17, 2014

A desonestidade da mídia ao falar sobre blogs e publicidade estatal

Entrevista de Lula a blogueiros gerou série de ataques da mídia aos blogs.

Por Pedro Muxfeldt, no Trocando Ideia

A luta que a grande imprensa trava contra blogs e outros portais que não rezam sua cartilha neoliberal e conservadora ganhou mais um capítulo na madrugada desta quinta. Após decisão do STF que obrigou o governo a revelar todos os seus gastos com publicidade nos últimos anos, o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, publicou uma série de matérias em seu blog apresentando e questionando algumas cifras do governo federal em propaganda em 2013. 

E o alvo principal do jornalista, é claro, foram os 'blogs sujos' - como a mídia passou a chamá-los após entrevista do ex-presidente Lula a alguns blogueiros no início do ano. Na imagem que segue abaixo, compartilhada por Fernando, as páginas Conversa Afiada, GGN, Carta Maior, Opera Mundi, Brasil de Fato, Brasil 247 e Fórum têm destrinchados os seus valores de publicidade estatal federal revelados e sua audiência.

Aí começa a desonestidade do jornalista. Na imagem, ele apresenta a audiência do mês de dezembro das páginas, que por causa das festas de fim de ano costuma ser um período de baixa em qualquer portal da internet, e a compara com o ganho anual em publicidade que elas tiveram. A tática seria burra se não fosse canalha.

Se dividirmos por 12 a verba obtida pelas páginas, fica mais claro o quanto elas lucraram de verdade. A revista Fórum, por exemplo, recebeu, em média, R$ 4.800 por mês, quase nada para sustentar uma redação. Dono do maior ganho, o Brasil 247, teve cerca de R$ 90 mil por mês para tocar sua estrutura.

Jornalista comparou audiência mensal com ganho anual. Clique na imagem para ler a matéria.

Estes e os demais casos são para Fernando a mostra da farra com dinheiro público feito pelas estatais. Por debaixo dos panos, ele quer também provar que estas páginas defendem o governo federal apenas porque são bancadas por ele.

O que ele se "esquece" é de colocar sua lupa sobre os gastos do governo na mídia tradicional. Aí mora a verdadeira farra. Apesar do crescimento indiscutível da internet no Brasil, o governo segue investindo muito mais em todos os outros meios (TV, jornal, rádio e revista).

E mesmo com a queda vertiginosa de audiência destas plataformas, vide as demissões em massa em redações de jornal em 2014 e o fechamento de muitas revistas do grupo Abril, que deveria pressupor reduções dos investimentos, Fernando Rodrigues se nega a questionar os gastos estatais nestes meios porque sabe que são eles que ainda mantêm Globos, Vejas e Folhas de pé.

Se a torneira que despeja milhões (ou bilhões) de dinheiro público for fechada, a farra que vai acabar é a dos grandes grupos. Para manter seu quinhão intacto e evitar o fim de festa melancólico, essas empresas, hoje representadas por Rodrigues, atacam como podem os pequenos blogs que, tão legitimamente quanto as grandes empresas, recebem dinheiro estatal e têm incomodado sobremaneira o monopólio da informação que a mídia tanto preza.