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sexta-feira, junho 01, 2007

Rangar no Hangar



Por Diógenes Brandão

Estive três vezes no Hangar de eventos. A primeira foi na inauguração, a segunda, dois dias depois, na Plenária do PTP (Planejamento Territorial Participativo) e por fim, no lançamento da Conferência Estadual das Cidades. Além desses, houve também a Feira da Indústria do Pará e logo após, a Conferência Estadual dos Direitos Humanos. 

Eventos que reuniram diversos setores da sociedade paraense, empresários, representantes de prefeituras de diversas cores partidárias, movimentos sociais, enfim, o Hangar tornou-se um espaço democrático, contrariando interesses e provocando dor de cotovelo naqueles que preteriam originalmente ali, como a “Estação Dondoca” dos encontros da burguesia de Belém.

Projetado para atrair e receber eventos de grande porte, o projeto concebido pela gestão tucana tem que ser analisado com boa doce de frieza e honestidade. Belém necessitava, entre outras coisas, de um centro de convenções. 

O que acontece é que quem o pensou e fez 75% de sua estrutura, não imaginou que ele serviria também como espaço de discussão a sociedade paraense, ao invés de apenas ser palco para turistas, investidores, empresários e a high Society da metrópole. 

Foi uma frustração que ainda não foi digerida e nem tão pouco aceita! 

É o que podemos chamar de efeito indigesto pós-eleição de Ana Júlia governadora.

Sinais claros disso podem ser lidos em matérias jornalística e/ou escutados em programas de rádio pelo Pará a fora. A questão que deve ser pensada é a seguinte: Seria justo que apenas a Feira da Indústria e/ou eventos de interesses privados ocupassem um investimento que custou ao povo paraense a bagatela de cento e tantos milhões de reais?

Fico com a lembrança de um amigo que no dia do lançamento do PTP lançou o seguinte trocadilho: Vou ao Hangar, rangar! Dei uma risada e só depois entendi que o que ele queria mesmo não era almoçar uma das quatro mil quentinhas - encomendadas pelo governo do Estado para manter a maratona de debates necessários para aquele dia - o que ele quis se referir, foi ao desejo de “comer” o fígado de Duciomar Costa, pois saiba que o mesmo estaria presente junto com os demais prefeitos da região metropolitana, e o fez, junto com um coro de milhares de pessoas que vaiaram o prefeito de Belém por quase a totalidade do tempo de sua fala naquele dia.

Daquela cena que não pude ver (nem gravar) restou uma indagação: Não seria a hora de Ana Júlia deixar livremente a vontade popular imperar no desforrar contra aquele que encabeçou uma campanha ofensiva e de baixo-calão contra ela, quando disputaram o pleito de 2004?

Diplomaticamente até entendo que ela poderia tentar “acalmar” a plenária pedindo o respeito democrático devido, mas chamar de mesquinhos aqueles que apenas ali puderam manifestar sua contrariedade à postura arrogante e irresponsável daquele que findou importantes projetos sociais[1] implantados pela gestão petista, havemos de concordar, é demais Ana!

E quando novamente a cena voltar a se repetir? O que não é nenhum pouco difícil se o prefeito tiver a coragem de comparecer em eventos públicos onde esteja sendo discutida a participação popular e tivermos que presenciar nossa governadora, defendida com unhas e dentes, por tant@s, gastar seus esmaltes, tanto das unhas, quanto dos dentes na defesa de nosso algoz, em detrimento da vontade majoritária daqueles que sofrem na pele os efeitos nocivos de sua gestão, sem poderem gritar, a não ser de quatro em quatro anos.

“...Quando chegar o momento, esse meu sofrimento, vou cobrar com juros, juro! Todo esse amor reprimido, esse grito contido esse samba no escuro... Apesar de você amanhã há de ser outro dia!” Chico Buarque.

[1] Para citar exemplos de bons projetos que foram cancelados pelo Duciomar Costa, lembro aqui do Projeto Sementes do Amanhã e Escola Circo, que por terem sido extintos, recolocaram milhares de crianças e adolescentes em risco social e pessoal, além de tirar-lhes o direto de mudarem suas vidas.