quinta-feira, abril 15, 2010

Líder condena sabotagem ao site do PT

O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), qualificou ontem como um "expediente de deliquentes" o novo ataque de crackers ao site do Partido dos Trabalhadores, ocorrido na tarde de quarta-feira (14). Ao condenar o ataque, o líder disse esperar que o PSDB nada tenha a ver com a ação e pediu atenção ao partido de oposição para que a campanha não descambe para a baixaria. "Queremos fazer uma campanha de debates e não com tais expedientes, com o uso do nome do PSDB para atacar a candidata Dilma, interferindo na nossa comunicação", disse Ferro. Os crackers deixaram uma mensagem favorável ao pré-candidato tucano à Presidência da República e redirecionaram a página do PT ao endereço do partido de oposição. No domingo, o portal do PT já havia sido objeto de outro ataque, com a inserção de vírus. Fernando Ferro afirmou que prefere não acreditar que a sabotagem esteja vinculada ao PSDB, "porque não é o estilo que nós queremos" e ainda não contribui para o ambiente do debate."Queremos debater projetos e não participar desse expediente de delinquentes e de criminosos, que estão utilizando de propaganda falsa, enganosa, para provocar exatamente um clima de acirramento, o qual não queremos e não achamos importante". O secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PT-PR), também disse esperar que a candidatura adversária não esteja estimulando este tipo de comportamento de "desocupados" que passam o dia estudando como invadir sites. "Seria péssimo para a democracia", disse Vargas. O coordenador da pré-campanha de Dilma Rousseff nas redes sociais da internet, Marcelo Branco, denunciou que o ataque desta quarta-feira teria sido orquestrado por parte de apoiadores do tucano José Serra à petista. Para ele, o portal do PT foi alvo de um "atentado político". Pela manhã, Dilma foi bombardeada com centenas de mensagens agressivas em seu twitter. "Não posso afirmar que isso seja organizado pela campanha do Serra. Espero que não. Mas são seguidores dele com certeza. Todos usam o logotipo ou a camiseta dele no avatar (imagem do usuário)", disse Marcelo Branco. Segundo Branco, o texto desta quarta-feira é apenas um exemplo. "É pura baixaria. Eles usam palavrões, termos baixos", disse. Segundo ele, há indícios de que muitos dos autores dos ataques usam perfis falsos no Twitter. "São perfis que têm três ou quatro seguidores, criados há poucos dias", afirmou. "Além disso ficam repetindo o mesmo texto ou variantes. Não tenho dúvida de que é um ataque orquestrado" , disse. No vocabulário da internet os autores destes ataques são chamados "trolls", ou seja, provocadores, cuja intenção é perturbar o candidato e tirar o foco do debate principal. "Tenho orientado nossos seguidores a não entrarem no jogo destes trolls. Representamos um governo que tem 76% de aprovação e para nós o que interessa é o debate político e de projetos",afirmou. Guerra suja O PT divulgou nota nesta quarta-feira (14) dizendo que o portal do partido na internet foi alvo de um ataque virtual. Segundo a empresa responsável pela manutenção do site, o portal foi alvo da "inserção de iframes maliciosos em vários arquivos". O primeiro ataque aconteceu às 3h05 de domingo e fez com que o site ficasse fora do ar por 24h. Liderança do PT (www.ptnacamara. org.br)

I Mostra de Cinema Marajoara

O Museu do Marajó promoverá no período de 24 à 27/04, a 1ª Mostra de Cinema Marajoara no município de Cachoeira do Arari/Marajó e privilegiará filmes que tenham sido rodados no arquipélago.

A programação contará com obras raras como as de Líbero Luxardo “Marajó- Barreira do Mar” e o lançamento dos documentários “O Ajuntador de Cacos” de Paulo Miranda - Lux Amazônia, “Sou teu Maninho - Um grito Marajoara” de Daniel Corrêa, selecionado no Projeto Revelando os Brasis e “O Glorioso”, produzido pela Castanha Filmes, com direção, fotografia e edição de Gavin Andrews e que contou com a participação da equipe de pesquisadores do IPHAN, além de outros filmes curta-metragem selecionados para a Mostra até o dia 20/04. As inscrições para exibição de outros filmes devem ser feitas pelo email: cinemamarajo@gmail.com.

Além da exibição dos filmes da Mostra, serão realizadas as oficinas “Cineclube: Cinema pra Gente” e “Elaboração de Projetos e Captação de Recursos”, na qual, haverá elaboração prática de projetos para o MINC.

A I mostra de Cinema Marajoara está prevista para acontecer durante as homenagens de aniversário do Padre Giovanni Gallo, que este ano completaria 83 anos no dia 27/04. O projeto é promovido pelo Museu do Marajó em parceira com a prefeitura Municipal de Cachoeira do Arari, Governo do Estado, Irmandade de São Sebastião, AMAM, ONG Argonautas e a produtora LUX Amazônia.

quarta-feira, abril 14, 2010

Amazônia: caminhos para o desenvolvimento sócio-econômico, sustentável e includente

Do Site da Fundação Persel Abramo, artigo de dois paraenses.

Por Marquinhos Oliveira e Alda Selma Frota Monteiro*

A Amazônia Legal Brasileira compreende os Estados do Mato Grosso, Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Tocantins e parte do Maranhão, possui 5,2 milhões de km² e corresponde a 61% do território brasileiro. Reúne um terço das florestas úmidas do planeta, 20% da água doce fluvial e lacustre do mundo, 30% da diversidade biológica mundial, além de abrigar em seu subsolo gigantescas reservas minerais. A Amazônia legal é sete vezes maior que a França e só a ilha do Marajó é maior que alguns países, como a Bélgica. Entretanto, a grandeza dessa região contradiz os Índices de Desenvolvimento Humano alcançados pelo Brasil, pois, seja na educação, na renda, na longevidade e na taxa de mortalidade infantil, a Amazônia não conseguiu acompanhar os índices nacionais.

As tentativas do Estado brasileiro para alavancar o desenvolvimento da Amazônia a partir das ações de Planejamento Regional, remetem a criação da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia - SPEVEA, em 1953, pelo governo Getúlio Vargas e, posteriormente, em 1966, a criação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia-SUDAM, pelo governo Castelo Branco. Em 2006, no Governo de Fernando Henrique Cardoso, a SUDAM foi extinta, sendo instituída a Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA), que, por sua vez, foi extinta no ano de 2007, pelo governo Lula, responsável pela recriação da SUDAM. Entretanto, apesar dos esforços do estado brasileiro em criar uma instituição com o intuito de pensar as políticas de planejamento da região, as ações de desenvolvimento da Amazônia foram elaboradas, historicamente, a partir dos interesses das elites nacionais, sem levar em consideração as reais necessidades da região.

Com essa concepção, foram implantados grandes projetos na região, como: Fordlândia (1947), ICOMI (1957), Jari (1967), as Rodovias Transamazônica (1972), Manaus-Porto Velho (1973) e Santarém-Cuiabá (1976), Hidrelétrica de Tucuruí (1976-1984), Programa Grande Carajás-PGC (1979-1986) e Hidrelétrica de Balbina (1985-1989), que se constituíram nos principais investimentos do estado brasileiro para desenvolver a região.

Diferente do conceito historicamente construído de que essa região é formada por um grande vazio demográfico, a Amazônia é uma região habitada por aproximadamente 25 milhões de pessoas, dentre quilombolas, ribeirinhos, índios, pescadores, extrativistas, operários e agricultores familiares que expressam uma diversidade de povos, tão heterogênea quanto suas potencialidades econômicas. A agroindústria da soja destaca-se nas regiões sul do Maranhão, norte do Mato Grosso e no estado de Rondônia. A pecuária está presente na região sul do Pará e no estado do Tocantins. Já o setor industrial destaca-se na zona franca de Manaus-AM e no Complexo Albrás/Alunorte, no Pará. Nos estados do Acre e do Amapá, destaca-se o beneficiamento de produtos florestais. A mineração está presente nos estados do Pará e Maranhão e as atividades madeireiras ocorrem com maior expressão nos estados do Pará, Rondônia, Mato Grosso e Amapá. Já a indústria do pescado possui forte presença nos estados do Pará e Amapá e o turismo nos estados do Pará e Amazonas. Porém, o estado nacional ainda não alcançou um grau de compreensão dessa diversidade sócio-produtiva e cultural da Amazônia, nas ações de políticas públicas traçadas para a região.

Há que se reconhecer os avanços alcançados ao longo dos últimos dez anos, notadamente, a partir de 2002, com o advento do governo Lula e o desenvolvimento de diversas políticas, a partir de processos dialogados com a região. O Plano Amazônia Sustentável (PAS) e a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, inauguraram uma nova forma de relacionamento do estado brasileiro, pautada pela inclusão dos diversos povos amazônicos no processo de desenvolvimento da região. Junte-se a isso, a conclusão de obras como as Eclusas de Tucuruí e o início das obras da Siderúrgica Aços Laminados do Pará (ALPA) que iniciará o processo de verticalização da produção mineral amazônica. Entretanto, essas iniciativas são insuficientes para responder ao histórico passivo do estado brasileiro com a região amazônica. Há uma necessidade premente de reverter o modelo de desenvolvimento ambientalmente predatório e não inclusivo desses povos. Políticas pontuais como a Operação Arco de Fogo, não dão conta de responder às complexidades amazônicas, nem de inverter a lógica de desenvolvimento pautada na indústria da madeira.

Algumas questões colocam-se de forma recorrente nesse debate amazônico, como por exemplo, a existência de um maior número de doutores em apenas uma universidade da região sudeste do país, ao mesmo tempo em que não se consegue atender as demandas das universidades amazônicas. As sedes de empresas estatais que compõem o Sistema Telebrás situam-se em suas próprias regiões, porém, a sede da Eletronorte é a única que fica localizada junto ao governo central e fora de sua região. Da mesma forma, o recém-criado Fundo Amazônia, não é gerenciado pelo Banco da Amazônia, mas sim pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES. A SUDAM, apesar de ter sido recriada, ainda não foi efetivamente consolidada como um órgão de planejamento Regional, estando muito aquém das reais necessidades exigidas para tal.

Portanto, no ano em que a população brasileira terá que escolher entre o projeto neoliberal, que repetiu os mesmos erros de pensar a Amazônia a partir dos interesses concentrados no sudeste do país e, o projeto de mudança e transformação inclusiva que ousou pensar o desenvolvimento dessa região a partir do diálogo com suas populações, almeja-se que os desafios amazônicos façam parte de um projeto de nação. Com isso, a próxima etapa da revolução democrática iniciada pelo governo do presidente Lula poderá evitar erros como de Tucuruí e Balbina, nos projetos hidrelétricos do Madeira e Xingu, e ainda, possibilitar, que o PAC e o PAS, não se contraponham, ao contrário, se constituam em projetos complementares e ambientalmente sustentáveis.

*Marquinhos Oliveira, bacharel em Ciências Sociais/UFPA, assessor parlamentar do deputado federal Paulo Rocha e membro do DN-PT; Alda Selma Frota Monteiro, bachaarel em Turismo/UFPA e mestre em Planejamento do Desenvolvimento Regional/NAEA/UFPA.

terça-feira, abril 13, 2010

Cultura e educação na garupa da bicicleta

Do Blog do Gláuber Piva.
Os moradores da comunidade Cidade de Deus, no Rio, têm, desde ontem, livros à disposição na porta de casa. É o projeto Bicicloteca. A ação é da CUFA (Central Única das Favelas) e foi idealizada pela roteirista de cinema Manuela Dias com o apoio do Colégio Mopi e Diálogo Design. Os livros chegarão aos moradores em uma bicicleta dirigida por um garoto que vai ser chamado de "biciclotecário". A bicicloteca vai percorrer as ruas com alto-falante com locução das atrizes Camila Pitanga e Heloísa Perissé, que são madrinhas do projeto. O debate sobre desenvolvimento que fazemos aqui neste blog também passa pelo debate da democratização do acesso aos bens culturais. Está mais do que provado que gosto se ensina e se aprende. Erram os que ficam apenas reclamando que brasileiro não sabe ler, que brasileiro lê mal etc., etc. Só haverá radicalização democrática, por exemplo, se as políticas de educação e cultura e meio ambiente e esportes dialogarem. É claro que os diálogos podem reunir e distanciar agentes de vários setores, a depender da pauta e do momento. Cultura e educação são temas estruturantes no debate sobre o alargamento das políticas para o desenvolvimento. Reduzir a cultura às artes ou a educação ao conteudismo instrumental é aproximar os horizontes e diminuir as possibilidades de emancipação. Por outro lado, políticas de cultura que não sejam efetivas no tratamento das artes e artistas, ativando setores da economia criativa e induzindo práticas de economia solidária são políticas condenadas a um modelo financiamento à cultura de curto prazo, já que as perspectivas dos beneficiários diretos se encerram na dependência do caixa estatal. O projeto da CUFA na Cidade de Deus é o típico modelo de política pública que, mesmo não sendo realizado por ente estatal, tem o reconhecimento e participação da comunidade, perspectiva de longa duração, democratiza o acesso e contribui para a consolidação de uma visão de mundo não alicerçada no consumo. Certamente há muito o que se aprender com a CUFA.

segunda-feira, abril 12, 2010

Açaizeiros

Do Blog Azougues. A Amazônia é a maior mãe da natureza e penso, agradavelmente, que nós, paraenses, somos seus filhos preferidos. O mesmo devem sentir os açaizeiros.
Estamos num quintal em Mosqueiro, serão 18 horas; noto que uma touceira de açaizeiros disputa espaço com uma mangueira. A mangueira, enraizada, projeta e espalha os galhos, e sombreia várias pequenas palmeiras na disputa pelo sol. Acima da copa da mangueira, porém, balança um açaizeiro que cresceu mais do que os irmãos, e atravessou os galhos e a fronde. As folhas deste açaizeiro-primôgenito, mais verdes que as dos irmãos, atestam a inteligência de sobrevivência da touceira, que concentrou numa árvore o melhor de suas raízes, fincadas em feixes envolvendo raízes de outras espécies. Do jeito que, na vida, disputamos espaços e outros objetivos, e quanto maior o triunfo, maior o verdor.
Veja, no quintal ao lado (em Mosqueiro, os terrenos são quintas) exibem-se outras touceiras de açaizeiros. Duas, a uns quinze metros uma da outra, parecem rivais. Dir-se-ia que adotaram estilos diferentes para competir em altura: enquanto a maior árvore da touceira à direita tem igualmente o tronco mais grosso, consistente sobre as irmãs, a maior da touceira à esquerda é, digamos assim, um palito. As folhas das altas rivais têm quase a mesma tonalidade/intensidade (as da que tem o caule mais consistente são mais intensas, puxando ao musgo). Ambas as palmeiras estão entre as mais altas entre todos os quintais e, como se enxerga, o vento está forte, quase friorento. E nossas duas rivais balançam, não, bailam, em gestual.
O açaizeiro é um dos traços mais lindos da natureza. Mão de artista o desenhou num único movimento (tenho a impressão impossível de que foi de cima pra baixo) com lápis de ponta fina. Aquelas raízes em feixe, cada vez mais fincadas, erguendo-se em contraponto, mais alto, mais alto, e tanto mais alto o açaizeiro, mais parece feito de uma só ondulação com o lápis.
No ar, as raízes viram folhas e cachos, e à medida que estes caem, o tronco alteia-se em nódulos de fibra, que se projetam em novos nós, sempre para o alto, como se o tempo, quanto mais tentasse abatê-lo, mais lhe prolongasse a elegância.
Muitas árvores se protegem do vento com grandes raízes; enfrentam-no, fincadas como braçadas de clorofila. O açaizeiro relaciona-se com o vento sendo esguio. O vento não se choca contra ele, e sim parece atravessá-lo, ou melhor, quase não o toca. E assim desenvolveram ambos tal bailado: o esguio das palmeiras é vergado a partir das pequenas copas (como se o vento as puxasse pela cabeleira) para um lado e outro, e às vezes a linha ondulada do caule verga-se tanto que parece obedecer a forças opostas, apontando para lados diferentes, e é evidente o prazer comum que sentem, árvore e vento, de tal forma que o friozinho que nos acalenta se prolonga por horas: mais do que química, rola uma física nessa noite de sábado, e é como se hoje estivesse tão perfeito que árvore e vento ultrapassassem os próprios limites, e agora a cintura da palmeira está a ponto de partir-se, e lhe podemos até adivinhar-se na ponta das sapatilhas, digo, das raízes e outras terminações nervosas.
O paraense é bom de dança, sabemos, de tal forma que, em qualquer periferia ou interior, os casais girando parecem pré-selecionados num concurso. Mas tirar o vento para dançar, ou aceitar-lhe o convite, de forma que o estar das folhas seja como o estar da dança, e não o contrário, é um capricho e tanto da Amazônia. Pensar que tal palmeira ainda dá o açaí...

Milícia digital de Ananindeua ataca 3º portal de notícias mais lido no Pará

  Criado em setembro de 2023, o portal de notícias Estado do Pará Online já foi alvo de alguns ataques cibernéticos como o de hoje, uma hora...