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quarta-feira, maio 02, 2012

Globo: Desabafo de um poeta paraense




Por Alcyr Guimarães*

Com a mais feliz certeza da senhora nem imaginar que existo, ainda sim me sinto fortalecido pela dor e difamação cultural que a Venus Platinada tenta impor a mim e aos meus.

No fundo desquerida emissora, saiba que somos as verdades de nossas danças, lendas e artes e serás a mentira de trágicos intelectualóides Boninhos e Faustões, que te transformaram na maior das inverdades brasileira, mostrando um mundo que não existe, onde o silicone, o botox, a bunda farta e a riqueza das belíssimas domésticas são su-reais, falsas e intensamente programáveis em tua tela, como a zombar do singelo e do digno.

Olhe! Oh, Dama de alma pequena.

Não idiotize um povo mormentemente quando ele for generoso e de cultura forte e rica. Não invente uma novela sem nenhum charme que assaca e difama nossa mulher e, portanto, nossa gente.
Rico de nós que temos Waldemar Henrique e pobre de quem como tu só tem os tão pequenos Luans Santanas. Eu continuarei a ler Ruy Barata enquanto mostrarás as páginas parcas de criatividade da famigerada Izabel de Oliveira.

Eu sempre dançarei o Siriá e o Carimbó e você insistirá com o desrespeitoso e quase pornô Big Brother Brasil. Sou uma gente que possui os anjos do Círio de Nazaré e serás responsável pelas futuras "Plocks" espelhadas na tua malhação onde proteges quem banaliza o corpo e as intimidades.

Me respeite desalmada Rede Globo, até porque sou paraense e carrego sim meu lado brega como um jeito feliz, mas nunca este que insistes em danificar difamando um povo!

Que pena de teres apenas Xuxas, Chayenes, Angélicas e vaidosos Jôs Soares! Te rogo que nos deixe com os sorrisos plenos das nossas caboclas morenas e afaste teus cálices de mim. No finalmente de ti nenhuma raiva! 

É sim, uma intensa alegria de me saber num país que se chama Pará e você se suicida ou se autodestrói numa mentira maior chamada Projac, tão alucinante como a Cocaína que és ou uma perversidade que fabricas, mesmo que ela seja a partir na falta do total respeito com um povo e uma cultura sólida e muitamente nossa. 

De ti, Dona Globo, apenas duas coisas: distância e distância. 

*Alcyr Guimarães é poeta e músico paraense.