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sábado, outubro 11, 2014

PSOL: Nem Helder, nem Jatene. Talvez Dilma.



Mesmo depois do anúncio feito pelos deputados federais eleitos do PSOL de apoio e voto em Dilma, entre eles, o deputado estadual (futuro federal) Edmilson Rodrigues, o partido continua divido no Pará.

Edmilson, quando candidato a prefeito de Belém teria sinalizado ao PT, que ao receber o apoio do seu ex-partido, comprometeu-se, caso eleito fosse nas eleições municipais de 2012, em garantir espaços em autarquias e secretarias de sua gestão, mas que independente daquele resultado, apoiaria a reeleição de Dilma para presidenta.

O acordo acabou fazendo com Lula e Dilma pedissem voto em Edmilson, no segundo turno daquelas eleições, o que também causou uma crise no final da campanha, mas mesmo assim, seu adversário Zenaldo Coutinho (PSDB), acabou vencendo as eleições, ainda que Edmilson tendo iniciado a corrida eleitoral como favorito, com cerca de mais de 30%  das intensões de votos, aferidos pelas pesquisas.

Lula e Edmilson, mesmo em tendências diferentes, sempre tiveram um bom relacionamento, mesmo depois de sua saída do PT, para em conjunto com outros militantes fundarem o PSOL.

Acontece que desde então, a corrente interna de Edmilson Rodrigues e Marinor Brito, não consegue hegemonizar as decisões internas e acabam tendo sérios problemas para fazer a legenda amadurecer sua estratégia eleitoral para uma política de alianças mais ampla e vitoriosa, do que as que o partido tem adotado, com o PCB, PSTU e PCdoB.

Tal postura das alas mais radicais que defendem essa frente de esquerda “restrita” no PSOL, já fizeram com que o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) declarasse: "Eles não leram uma obra básica do Lenin: Esquerdismo, a doença infantil do comunismo". Vale ressaltar que Randolfe, Edmilson, Marinor e Luiz Araújo, atual presidente nacional do PSOL, são da mesma corrente interna no PSOL, a chamada APS - Ação Popular Socialista.

Já não é de hoje que este blog acredita num futuro e próximo rompimento desta corrente com o Partido do Socialismo e Liberdade e a possível migração para o PCdoB ou até mesmo a volta para o PT, sem descartar a possibilidade de integrarem-se ao projeto da Rede Sustentabilidade de Marina, opção que já foi muito especulada, devido a aproximação da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) com Marina Silva.

Por tudo isso e mais um pouco, fui buscar informações sobre a estratégia do restante do PSOL e me deparei com o perfil de Fernando Carneiro, vereador de Belém, dirigente estadual da APS e membro da coordenação nacional do PSOL, que publicou nesta sexta-feira, (10) a Nota Oficial da Ação Popular Socialista/APS, que traz a orientação para o voto nulo ou em branco nas eleições para o governo do Pará, no segundo turno. 

Leia:


O PSOL saiu vitorioso do mais recente processo eleitoral, nacionalmente e no Pará, em particular. Neste Estado, a eleição de Edmilson Rodrigues para exercer um mandato na Câmara Federal e a projeção de várias novas lideranças, em especial as de nossos candidatos ao governo e ao senado, Marcos Carrera e Pedrinho Maia, multiplicaram várias vezes a força de nosso partido nas lutas sociais e para enfrentar novos desafios eleitorais. Apesar da frustrada eleição de um nome do partido que preservasse nosso espaço no legislativo estadual, o PSOL está mais forte nas terras paraenses.

Mas, seguindo configuração nacional que restringe o segundo turno da eleição presidencial a uma disputa entre candidaturas do campo da ordem burguesa, o povo paraense destacou para o segundo turno da eleição para o governo do estado duas candidaturas que diferem apenas nos estilos de governar contra os seus interesses: Simão Jatene, candidato tucano a reeleição, e Hélder Barbalho, candidato da aliança PMDB- DEM - PT. É evidente que, seja qual o for o eleito em segundo turno, permanecerão inalterados o modelo de desenvolvimento imposto pelo grande capital ao Pará- exportador de matérias - primas e semi-elaborados e concentrador das riquezas e a gestão corruptora e privatista do estado em detrimento das reais vocações econômicas, interesses e direitos populares.

A APS, corrente interna deste partido, está convencida de que qualquer mudança em favor da maioria dependerá fundamentalmente de um avanço das lutas populares de resistência e por uma alternativa anticapitalista, democrática, popular e ecológica. Basta recordar as gestões do governo do Pará que se sucederam ao longo dos últimos trinta anos, alguns sob a égide do PSDB, outros sob o comando de Jader Barbalho, além do desastroso governo petista de Ana Júlia, que possibilitou o retorno de Simão Jatene ao comando da gestão estadual, para concluir-se que será inútil o esforço para encontrar a alternativa menos ruim entre as duas. Ambas representam o mesmo projeto de sangria das riquezas e de desmonte dos direitos do povo.

Por isso mesmo, a APS defende que qualquer que venha a ser o eleito, o próximo governador do estado o deve encontrar no PSOL o mesmo partido de oposição programática e de esquerda aos atuais governos de Dilma e Jatene, comprometido com as reivindicações dos movimentos sociais e com as necessidades imediatas e históricas de nosso povo, e determinado a fortalecer nas lutas concretas a perspectiva do socialismo. Daí defender que o PSOL, além de não envolver-se com qualquer das candidaturas postas para o segundo turno, conclame seus militantes, simpatizantes e eleitores a votarem em branco ou a anularem seus votos votando 50 para o governo do estado do Pará no dia 26 de outubro.

10 de outubro de 2014.

Executiva Estadual da APS-PSOL/PA