quarta-feira, abril 22, 2015

Assim como Jatene, governador de São Paulo paga 70 mil para atacar adversários

Blogueiro recebe R$ 70 mil por mês do governo de São Paulo para atacar Dilma, o PT e adversários do PSDB.
Há quase um ano atrás, este blog replicou o fato que ficou conhecido como "O Mensalão do PSDB no Pará", onde o Brasil ficou sabendo que o jornalista Ronaldo Brasiliense recebia mensalmente R$70.000,00, segundo o próprio, para editar seu jornal “O Paraense”, mas até os turistas que vem prestigiar o Círio de Nazaré sabem que na verdade o nacional ganhava para defende o governo, o governador e seu partido, além de atacar os adversários políticos do PSDB paraense, tanto em seu panfleto, quanto em uma coluna no jornal "OLiberal".

Na semana passada, foi a vez da Folha de São Paulo descobrir que, a exemplo do governador Simão Jatene, o governador Geraldo Alckmin também utiliza-se do mesmo expediente do colega paraense. Cabe lembrar que tanto no Pará, quanto em São Paulo, os professores estão em greve e os dois governadores alegam falta de recursos para atender às reivindicações.

Fique agora com o Editorial da Folha, sob o título: Caixa-preta na internet

Há pouco mais de um mês, não chegou a causar surpresa a notícia de que o então secretário de Comunicação Social da presidente Dilma Rousseff (PT), Thomas Traumann, admitia em documento reservado o uso de robôs para multiplicar o conteúdo pró-governo nas redes sociais.

Longe de refletir a opinião de cidadãos autônomos, mensagens são disseminadas automaticamente por dispositivos eletrônicos –e, nas últimas eleições, tanto governo como oposição terão recorrido a tais amplificadores de prestígio.

Em tese, não há nenhum problema quando forças políticas organizadas se empenham na militância eletrônica. A questão é conhecer quem paga, quem produz, quem organiza a propaganda. Sabe-se pouco a esse respeito no Brasil.

Ao observar que os robôs petistas foram desligados após as eleições, Traumann não dava detalhes quanto a isso; o fato de a avaliação provir de um ministro de Estado foi suficiente, contudo, para gerar grande desconforto. Terminou, como se sabe, em sua demissão.

Mal-estar semelhante acomete, agora, setores do PSDB. Revela-se que o responsável por um popular site de oposição a Dilma recebe, pelo menos desde outubro do ano passado, R$ 70 mil mensais, oriundos da Subsecretaria de Comunicação do Estado de São Paulo.

A operação, como de praxe, não é simples. Fernando Gouveia, ou Gravataí Merengue, como assina, tem uma firma de consultoria, a qual foi contratada pela agência de publicidade Propeg, dentro dos serviços prestados por esta ao governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Oficialmente, a Propeg recorre ao blogueiro para serviços de "revisão, desenvolvimento e atualização das estruturas digitais". Gouveia afirma que as opiniões de seu site são dadas a título pessoal.

Quanto ao governo paulista, este declina de responsabilidades; atribui à Propeg a decisão de contratar Gouveia e demonstra um compromisso com a transparência que não pode ser levado a sério.

Após solicitação da reportagem, disponibilizou 88 caixas de documentos com gastos de publicidade, sem indicar a localização dos contratos com a empresa de Gouveia –ainda não se sabe quanto ganhou por serviços prestados desde junho de 2013. Estratégia com o claro propósito de afastar a investigação da verdadeira caixa-preta.

Anúncios oficiais de governo se justificam para campanhas de utilidade pública; no caso paulista, o combate ao desperdício de água e ao mosquito da dengue merecem recursos legítimos de propaganda.

Cabe perguntar, todavia, que parcela das verbas públicas alimenta, por baixo do pano, grupos de militância a favor dos interesses das autoridades –tucanas, petistas, peemedebistas, pouco importa. Pois, com tudo o que tem de moderno, a internet se rende à intransparência e ao arcaísmo da política brasileira.