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quarta-feira, abril 01, 2009

Fontes de Água Doce

Tua fonte erra: Edilza coordenará a campanha da Ana em 2010. A câmara federal está embolada entre Suely, Puty e Marcílio. Querem escantear a Suely para estadual.
Um anônimo, pitando sua opinião ao poster do Quinta Emenda na postagem abaixo:

Tecelã

A DS fecha seus candidatos para as eleições de 2010. A secretária de Urbanismo, Suely Oliveira, deverá ser mesmo candidata a deputada federal da corrente e a professora Edilza Fontes para estadual. Edilza, entretanto, tem problemas: durante alguns meses alimentou o desejo de sair pra Câmara federal e sua rede de apoios foi duramente cooptada por outros candidatos da legenda. Tinhosa, corre atrás de reconstruí-la.

Hereditário - Titãs

A cada parto A cada luto A cada perda A cada lucro O sol que dura, só um dia A cada dia, o sol diário Contra o que for hereditário. Contra o que for hereditário. Em cada mira Em cada muro Em cada fresta Em cada furo O sol que nasce, a cada dia A cada aniversário Contra o que for hereditário Contra o que for hereditário Contra o que for hereditário

Heriditário - Sefer

Degeneração - (do quinta emenda)

A família Sefer chega à terceira geração de canalhices públicas e privadas.
Começou com o pai, um medíocre quarto zagueiro do Olaria, guindado a diretor da antiga FCAP e, depois, a superintendente da SUDAM, pelas mãos de Jarbas Passarinho.
Uma vez Passarinho desafiou Lúcio Flávio Pinto a apontar algum corrupto na sua entourage. Lúcio não titubeou e apontou Sefer. Passarinho calou o bico, constrangido. Tempos depois Lúcio e Elias Sefer se encontraram e o truculento superintendente interpelou Lúcio, quase indo às vias de fato com ele.
Em 1989, durante a Constituinte Estadual, o então deputado estadual Ronaldo Passarinho dizia que Jarbas - e ele próprio, Ronaldo - se arrependera de ter apadrinhado Elias.
Como quem sai aos seus não degenera, o filho deputado estadual é um aperfeiçoamento - da degradação - do pai. Muito mais bem sucedido, aliás. Os negócios da família melhoraram muito depois do fim do jarbismo.
 A democracia fez bem para a família Sefer.
Agora, é o neto, filho do deputado, que já se inicia nas safadezas. Privadas, por enquanto.
O grande problema para a família Sefer é que o mau passo do deputado põe em risco os negócios milionários em que ele se meteu e se deu bem, em uma área sensível e essencial, que é a saúde pública. Por isso o desespero que toma conta da família.
Isso explica a ameaça telefônica do patriarca e um gesto recente de outro membro da família. Ana Amélia Sefer de Figueiredo, que já foi Secretária de Estado no governo Jatene- de Justiça, imagine - pediu uma audiência para a Irmã Henriqueta. Obteve. Constrangida e cheia de dedos - ou pelo menos parecendo constrangida - disse à Irmã que a família tinha todo o interesse em investigar e descobrir quem tinha feito a ameaça usando o telefone do patriarca. A Irmã, com a admirável firmeza dos crentes e dos missionários disse-lhe o que ela precisava ouvir: que está interessada na justiça e que não vai se intimidar.
Dia após dia, desmonta o castelo de corrupção, truculência e perversões sexuais da família Sefer.

Ave Nelson

Soo o mesmo título, no Blog do ator, autor, diretor e documentarista Adriano Barroso.
Mulher bonita gosta de papo besta. Muita elaboração vira tese, e ninguém quer ir para cama com um Phd em alguma porra que não seja o sexo.
Mayra era gostosa, mas levava uma vida marital com seu namorado chato. Mesmo com a pouca idade dos dois, eles acreditavam mesmo que deviam fidelidade absoluta um ao outro. Juntos, era um casal enojador, fazendo ceninhas de ciúmes em público e quase sempre deixando a mesa de bar antes de todos, em meio a porradas.
Mayra era gostosa e bem de vida, pele boa, cabelo tratado, unhas sempre feitas, se vestia com personalidade. Todo mundo só esperava um dia pegar ela sem o namoradinho chato. Minha particular batalha com Mayra já durava quase um ano, como ela sempre sorria das minhas palhaçadas, eu aproveitava para jogar deixas para ela pegar. Um dia, cheguei mesmo a ser sincero, “Se eu não fosse acanhado, eu te diria que estou enamorado pr ti”.
Mulher adora homens ingênuos e frases feitas. Quando eu descobri a palavra ‘enamorado” jamais usei de novo a palavra “apaixonado”, que essa dá um ar de compromisso. Enamorado é mais solto, e algumas delas, não sabem nem o que é isso.
De tanto esperar, meu dia chegou.
Estava rolando um festival de cinema na cidade, e alguns amigos programamos para ir. A turma, junta, somava umas seis pessoas, o número par só foi possível porque nesse dia, o namoradinho chato não foi, Mayra, sim. E eu estava disposto a cercar mais uma vez. “Faz um tempinho que encontro a Mayra sem o namorado por aí, será que terminaram?”, comentou com um certo veneno feminino Amanda, namorada de um amigo. Peguei a senha.
Quando Mayra chegou, sem o mala, fui logo mandando o recado: “não posso entrar nesse cinema contigo”, mandei. “Por quê?”, ela respondeu. “Cinema ter ar de romance, e como estás sozinha, não vou responder por mim”, cravei. Ela sorriu, me chamou de palhaço, mas também não decretou distância alguma.
E foi como eu tinha pensado, sentado lado a lado, eu fazia comentários sobre o filme no ouvido de Mayra, que só respondia sorrindo. O filme já pouco me importava, era de graça mesmo, e eu estava mais interessado em mapear cada parte daquele coxão exposto que sobrava na sainha de Mayra.
Quase no final do filme ela se virou e falou no meu ouvido: aquele papo de enamorado ainda está de cima?, quase amarelei, mas mantive a pose. “Não me entenda mal, você é uma pessoa adorável”, me finge de tímido. Ela também fingiu que acreditou, e logo, logo estávamos trocando longos beijos. Mas também acabou no cinema nosso romance. Fomos para o bar depois e mantivemos a distância, imposta por ela, claro.
Mas confesso que fiquei empolgado e decidi realmente fazer a coisa certa. Na mesma semana saímos por duas vezes e foi somente beijos trocados. “Não quero que nossa história seja somente cama, quero que a gente se conheça melhor e tu tenhas certeza do que estas fazendo”, menti.
Sempre no carro dela, porque o meu já estava caindo aos pedaços e não comportava uma mulher como aquela, ela me deixava na esquina de casa acreditando ser a ativa na relação.
Mas com os beijos cada vez mais quentes, chegou uma hora que não dava mais para segurar, o grande momento estava chegando.
Sempre preguei que a leitura é um instrumento maravilhoso para romper barreiras e tirar a gente de encrencar. É lá, nos livros, que estão os grandes ensinamentos da vida, sabedoria é colocá-los em prática na hora certa.
Mayra havia sucumbido aos constantes assédios do ex-namorado, e me dito de maneira muito triste no telefone que havia reatado a merda do relacionamento dela. Para não perder por completo tirei um João Antônio da cartola e mantive a malandragem: “Tudo bem, para um homem como eu, o que vivemos já foi uma experiência extasiante”, e desliguei o telefone num Putaquepariu.
Mas o que foi plantado naquele dia renderia frutos à frente. Mandei flores e um Neruda para sua casa, em uma despedida à lá Chico Buarque.
Uma semana depois São Nelson me valeria.
Estávamos todos no mesmo bar, a mesma turma, dessa vez em número ímpar, quando o casal nojo resolveu empreender mais uma briguinha, ele pegou o carro e foi embora e, eu, bom, eu elegantemente me retirei da mesa e fui beber no balcão.
Deu certo, ela se aproximou e disse, “Dessa vez é para sempre”, e mais: “Me leva daqui, para onde quiseres”. Para onde eu quisesse valia bem mais do que me prometer vida eterna, entendem?
O negócio era que eu andava meio quebrado, gastando mais do que podia, e naquela noite, fazendo as contas rápido, pagando a despesa, me sobraria uns vinte paus. Era muito pouco pra tudo aquilo de mulher. Sorri um sorriso amarelo.
“Me tira daqui, vai”, ela implorava. Tirei um Paulo Coelho da manga para ganhar tempo, e ataquei com pieguice: “A raiva nunca é a melhor conselheira”. “Raiva é o caralho, eu passei a noite inteira te olhando”, ela respondeu com a sinceridade de uma Hilda Hilst.
“Ta bom. Vamos nos dar ao desfrute”, era Ana Cristina César falando em mim. Mas... (lembrei da pouca gasolina, no meu carro fedorento, do carro dela confortável, da minha carteira magricela, mas aí me veio meu santo de cabeça. Nessas horas as mulheres gostam de homens de atitude).
Deixa o teu carro aí e vem comigo. Ela sorriu. Peguei ela pelo braço e saímos andando pela rua, “Para onde tu estas me levando?”, ela questionou. “Se vai rolar algo entre a gente, vai ter que ser diferente. Uma história que seja só nossa”, continuei andando e falando, “freqüentas os lugares mais chiques, não é? Quero te fazer experimentar uma história diferente”, ela sorriu.
Quatro quadras depois entramos no El Camiño, um hotel vagabundo no centro da cidade, que cobrava 15 paus duas horas. Ela entrou meio ressabiada, mas não desistiu. Pelos meus cálculos ainda sobraria 5 paus para colocar um litro de gasolina no meu caro até chegar em casa depois.
Na cama, sacramentei a jogada: “É que eu te acho nelsonrodriguiana, sabe, bonitinha, mas ordinária, quero contigo, mas só vai ser bom se for em um lugar brega como esse”. Ela adorou a declaração.
Ainda declarei muito Nelson Rodrigues naquele ouvidinho cheiroso. Sempre nos piores motéis da cidade.
Uma gatíssima à preço custo
Ave Nelson.