Pesquisar por palavra-chave

quinta-feira, abril 23, 2009

Irmã Dorothy Stang e a Injustiça

Com a liberdade do fazendeiro Bida, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da irmã Dorothy Stang, a "justiça" brasileira assina em baixo de seu verdadeiro papel: promover a injustiça, favorecendo os poderosos e desmobilizando a organização daqueles que lutam pela reforma agrária e pelo direito à melhores condições de vida do nosso povo.
A Liminar de Soltura foi concedida ontem (22) pelo Ministro Arnaldo Esteves Lima, do Supremo Tribunal de Justiça.
Uma vergonha sem tamanho que provavelmente agitará os movimentos sociais que buscarão mecanismo por dentro da justiça burguesa, recuperar para trás das grades este que foi um dos mandantes do crime que abalou a comunidade mundial e selou a sina da violência no campo pela manutenção do status quo.
Que a partir do sangue da missionária que tornara-se mais brasileira que muitos daqui sirva para alicerçar a regularização fundiária no Pará e na Amazônia por parte de quem luta e quem defende os trabalhadores.

Viva os Blogs!

De um anônimo no Quinta Emenda
A imprensa brasileira tem muita roupa suja para lavar, mas algumas coisas já foram superadas no eixo Rio-São Paulo- Brasília. Coisas que aqui, neste rincão amazônico, ainda são tratadas com a maior naturalidade. Vamos a elas: 1) Repórter que é também assessor de imprensa e vai até o assessorado fazer entrevista pelo jornal onde trabalha. Essa prática, explicitamente condenada no código de ética da categoria, é tão reiterada que o repórter nem se importa de assinar a matéria (veja o episódio Micheline). Ah! O pior: os editores incentivam “É melhor mandar o fulano, ele é assessor lá, terá mais acesso, entende melhor o assunto”. 2) Editor que também é assessor recebe matéria contra seu assessorado e, ao invés de se declarar suspeito, simplesmente edita o material da maneira que lhe convém ou ... engaveta a pauta. 3) Editor que tem empresa de comunicação recebe sugestão de pauta interessante e de interesse público, mas como é da empresa concorrente, derruba a sugestão. 4) Repórteres viajam para o interior com despesas pagas por prefeituras e na volta, enchem o município de elogios sem que a informação de quem pagou a viagem seja dada ao leitor. 5) Colunista social presta assessoria para “socialite” (??) e enche sua coluna com fotos da dita-cuja, dos filhos, etc. Não é a toa que as colunas são cheias de notas sobre quem colou grau (isso é notícia?), concluiu o cursinho no Aslan, foi a Fernando de Noronha num feriado prolongado e outras coisas da mesma importância. Quem paga o colunista decide o que é importante. Os interesses do leitor?Que se danem. Sabe o mais grave: ninguém quer discutir essas coisas.
Por quê? Os donos de jornais porque não querem pagar salários melhores que garantam aos repórteres e editores serem apenas repórteres e editores.
Os repórteres e editores porque não conseguem viver com um salário só e temem que, ao final da lavação de roupa suja, nada melhore nas redações e eles ainda tenham que abrir mão de uma fonte de renda.
Os donos de agência de assessoria porque não se preocupam com a qualidade dos releases que mandam para a redação e ficam contando apenas com o “bom relacionamento”.
Perguntas que gostaria que alguém respondesse aqui: Como fazer uma boa matéria se, nas redações, muita vezes, não se pode ligar para celular ou fazer interurbanos?Como cobrir decentemente o interior do Pará se qualquer ida a Cotijuba é vetada pelo financeiro das empresas? Como fazer uma matéria isenta se o repórter recebe do jornal e da fonte que está lhe dando a informação?Como obter credibilidade se um dos lados está pagando?
A Boa notícia? Há menos de cinco anos, essas indagações ficavam restritas às mesas de bar.
Hoje, já temos espaço onde se pode discutir de maneira mais aberta.
Já é um começo.Viva os blogs.