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quinta-feira, setembro 01, 2011

Eduardo e Mônica (versão pra jornalistas)

Quem um dia irá dizer 
Que existe razão 
Quando se escolhe essa profissão? 
E quem irá dizer 
Que não existe razão? 

Eduardo abriu o livro, mas não quis nem estudar 
As teorias que os mestres deram 
Enquanto a Mônica tomava um esporro do editor 
No fechamento, como eles disseram. 

Eduardo e Mônica um dia se trombaram sem querer 
A fumaça tava forte, foi difícil de se ver 
Um carinha da facul do Eduardo que disse 
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir” 
Gente estranha, festa de jornalista 
“Eu não tô legal, já fumei mais que devia” 
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais 
Sobre o mundinho que ele prometeu mudar 
E o Eduardo, com larica, só pensava em ir pra casa 
“A geladeira eu quero atacar”. 

Eduardo e Mônica trocaram seus e-mails 
Depois se escreveram e decidiram tuitar 
O Eduardo sugeriu um call no Skype 
Mas a Mônica queria ir pro Messenger teclar 
Se encontraram ainda lá no Facebook 
A Mônica sem foto e o Eduardo sem cabelo 
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar 
Mas a menina escrevia com um zelo. 

Eduardo e Mônica eram nada parecidos 
Ele tinha ilusão, ela sabia economês 
Ela falava de finanças, cedebês e inflação 
E ele ainda maltratava o português 
Ela gostava do Basile, do Furtado 
Do Marx, do Stiglitz, do Yunus e Cournot 
E o Eduardo era um puta Zé Ruela 
E vivia dia e noite vendo site pornô. 

Ela falava coisas sobre a função social 
Também de lead e do pescoção 
E o Eduardo ainda tava no esquema 
Adorno, cerveja, truco e Enecom. 

E mesmo com tudo diferente 
Veio mesmo de repente 
Uma vontade de se ver 
Os dois sonhavam transar todo dia 
Só que dela a rotina era bem de foder (er-er). 

Eduardo e Mônica estudaram locução, assessoria 
Web, fotografia, pro CV melhorar 
A Mônica explicava pro Eduardo 
Coisas sobre fontes, off e formas de apurar. 

Ele aprendeu a escrever, pegou o gosto por ler 
E decidiu estagiar (não!) 
E ela até chorou na primeira vez 
Que ouviu a voz dele ir pro ar 
E os dois já trabalharam juntos 
E cobriram pautas juntos, muitas vezes depois 
E todo mundo diz que a vida foi malucamente bela 
Por ter juntado os dois. 

Construíram os seus blogs uns dois anos atrás 
Logo após que os passaralhos vieram 
Batalharam frilas, mendigaram geral 
Por muito pouco o fiofó não deram. 

Eduardo e Mônica viraram assessores 
Levantaram uma grana, já fizeram prestação... 
Só que a vida dura não vai acabar 
Porque na agência tem perrengue e a mesma ralação. 

E quem um dia irá dizer 
Que existe razão 
Quando se escolhe essa profissão? 
E quem irá dizer 
Que não existe razão?

Psicanalhice


diversão
Tem gente querendo explicar o que não se deve entender. A renomada professora e psicanalista americana Ethel Spector Person me parece ser uma delas. Na tentativa de traduzir o tesão que os homens sentem em ver duas mulheres transando, ela se esquece de explicar que a cena é excitante também para a maioria das mulheres. Talvez esse detalhe esteja num outro capítulo e eu não pretendo chegar lá. Não quero entender minhas vontades nem torná-las profundas e enfadonhas. Afinal, vontade é uma das poucas coisas que a gente tem o direito de matar, sem ter que se explicar.
Segundo a psicanalista, que deve ser feminista e desde já conquista minha antipatia, a razão pela qual os homens ficam excitados ao imaginar duas mulheres fazendo sexo é baseada em temores secretos do homem sobre sua própria potência e capacidade de satisfazer mulheres. A fantasia lésbica não apenas gratifica o prazer em observar o corpo feminino nu, mas também alivia o homem do fardo de satisfazer a mulher do modo como ele sabe que outra mulher é capaz de fazer. Desprovida de qualquer figura masculina, a fantasia também elimina a concorrência.
Em outras palavras, quem fantasia não tem um rival do sexo masculino e por isso não se sente ameaçado. No fim das contas, ela só falta dizer que o homem que sente tesão em ver duas mulheres transando é um homenzinho frágil e assustado. E, se for essa a constatação, ela também se esquece de dizer que talvez essa ‘dose dupla’ sinta um puta prazer em vê-lo tremer de tesão ao assistir o ‘espetáculo’, seja se masturbando ou fazendo o que for necessário para ‘entrar em cena’, como protagonista ou coadjuvante.
No site de Silva Pilz, jornalista que até outro dia escrevia na Playboy, assim como fez um dia a saudosa Maria Rita Kelh.

Com elas o prazer da revista está no que escrevem. Sem ela, melhor não gastar dinheiro com fotos que podemos ver aqui na web.

Tô mentido?