sábado, janeiro 28, 2017

Desejar a morte de alguém é coisa de quem acredita em Deus?



Por Ilka Oliveira

Uma vez uma certa amiga me perguntou se nos centros religiosos afro-brasileiros era possível alguém ir lá para "fazer trabalho" para prejudicar alguém. E tranqüilamente disse que sim. Mas que isso também dependia do caráter de casa um/uma. 

Disse-lhe também que nas "águas que conhecia " deste universo afro,  não  via isso. As energias eram "trabalhadas" para o equilíbrio dos sujeitos onde dinheiro, amor e outras necessidades seriam consequência deste equilíbrio.  E que era para ela pensar que muitos também se sentavam nos bancos das igrejas pedindo a Deus (vibrando em suas orações) pedindo o mal de alguém que considerava inimigo. E que outros iam se equilibrar através de suas orações ou mesmo procurar ser pessoas melhores indo às igrejas.

Essa conversa toda é  para dizer que "o mal" pode estar em qualquer lugar. E não apenas nestes centros religiosos afros , ou com os ateus( que são os sem-religião ), costumeiramente apontados pelo senso comum , pela mídia,  como coisas do demônio e incitados por muitos líderes cristãos como inimigos através de um sentimento de ódio. 

O  ódio é de caráter e é uma construção social.  E eu fiquei muito assustada, mas muito mesmo com a falta de caráter desses "cristãos " e da mídia que julgam e pedem a morte de uma pessoa que se quer responde por algum crime. E o exemplo que dei acima para minha colega, hoje está atual diante da doença da D. Marisa , esposa de Lula, com os comentários vis nas redes sociais, e manifestações na frente do hospital num momento de dor. 

Eu ainda me choco , me indigno porque sou humana . Não desejo a morte do Bolsonaro, Eder Mauro, Jatene e Zenaldo (que  vem a cada dia matando silenciosamente a classe trabalhadora, os serviços públicos, os diferentes (Preto, pobre, gays, candomblecistas, mulheres). Desejo a morte de suas ideias, ideais, dos seus podres poderes através de um lugar onde a diferença seja respeitada.  

Não! Não façam isso de xingar,  de tripudiar em cima de uma família em um momento difícil.  Seja a do Lula ou do Bolsonaro. 

Não vão aos seus centros religiosos, não cultuem artistas, não elejam políticos , não leiam revistas , não assistam programas que alimentem o ódio , o preconceito e a discriminação, ou que rogue pragas. 

Isso não é bom! 

Isso não é de Deus. 

Não é dos orixás.  

Não é dos deuses indianos, de Maomé, de Jesus, de Buda, da natureza humana. 

Você pode ser melhor com os direitos humanos. 

#forçadonamarisa

*Ilka Oliveira é Professora de História da rede estadual de ensino no Pará, mestranda do PPGED/UFPA e mãe da Isadora e do Marcelo.

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