quinta-feira, junho 14, 2018

Pará no esgoto: Barcarena tem o 1º e Belém o 4º pior índice de saneamento do país

Segundo o Ranking 2018 da Universalização do Saneamento, Barcarena tem o título de município com o pior saneamento básico do País. Belém é a 4ª capital mais distante da universalização desses serviços básicos para todos os habitantes. Outros municípios ajudam a transformar o Estado do Pará em um dos piores Estados na oferta de qualidade de vida à população.


Seis municípios do Pará despontam como os mais carentes do País quanto aos serviços de abastecimento de água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto e coleta de resíduos sólidos. Considerando-se apenas as capitais brasileiras, Belém é a quarta mais distante da universalização desses serviços básicos para todos os habitantes. Na capital paraense, por exemplo, a coleta de esgoto é uma realidade para apenas 12,62% da população. Esgoto tratado é uma exclusividade de 3,34% dos domicílios.   

Neste último item, somente Porto Velho (RO) têm um indicador mais baixo: 1,93%. É o que aponta o Ranking da Universalização do Saneamento 2018 divulgado ontem pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), que avalia a situação das cidades com mais de 100 mil habitantes a partir dos dados enviados ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do governo federal.  

Piores condições de saneamento básico só foram anotadas em Porto Velho (RO), Teresina (PI) e Macapá (AP). Para efeito de comparação, na outra ponta, Curitiba (PR) registrou praticamente 100% em todos os indicadores de saneamento. A única ressalva foi no item coleta de esgoto, que a margem de acesso à população chega a 99,99%. As outras capitais que aparecem no topo desta lista são Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP) e João Pessoa (PB).  

A situação é ainda mais preocupante nos municípios de grande, médio e pequeno portes. Em todos os casos, os municípios paraenses surgem como os mais desprovidos de serviços básicos de saneamento. No primeiro grupo, Barcarena tem o inglório título de município com o pior saneamento básico do País. A coleta de resíduos sólidos só alcança 60% da população do município e o abastecimento de água somente 24,21%. A coleta de esgoto cobre 10,12% dos domicílios, enquanto o tratamento de esgoto e a destinação adequada de resíduos sólidos são inexistentes (0,0%). Em uma escala de pontuação de 0 a 500, Barcarena registrou apenas 94,33 pontos.  

Uma posição depois aparece Santarém, com 52,39% de cobertura de abastecimento de água; 4,29% de coleta de esgoto; 1,74% de tratamento de esgoto; 73,25% de coleta de resíduos sólidos; e apenas 0,03% destinação adequada de resíduos sólidos. Em pontos, o município alcançou a média de 131,69. Castanhal também aparece nesse inglório ranking, na quinta posição, com 169,64 pontos, principalmente, pela inexistência no município de esgoto tratado e de destinação dos resíduos sólidos.  

No grupo dos municípios de pequeno e médio portes, Novo Repartimento, no sudeste paraense, é o retrato mais preocupante do País. Na mesma escala de pontuação, o município só atingiu 49,12 pontos. Uma margem ínfima da população é coberta por abastecimento de água (3,95%); assim como o total que tem coleta (1,05%) e tratamento (0,68%) de esgoto. Também nesse grupo, mas algumas colocações acima ainda despontam Breu Branco (125,26 pontos) e Santa Bárbara do Pará (128,61).  

No geral, apenas quatro cidades do Brasil alcançaram a universalização do acesso aos serviços de abastecimento de água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto e coleta de resíduos sólidos. Segundo o Ranking 2018 da Universalização do Saneamento, de 1.894 cidades avaliadas, 1.613 ou 85% do total ainda estão longe de oferecer saneamento básico para toda a população.

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