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terça-feira, março 24, 2020

Helder ignora pedido para evitar contágio em agências bancárias


Por Diógenes Brandão

Há cinco dias atrás, o Sindicato dos Bancários do Pará, enviou uma carta ao governador Helder Barbalho, solicitando que este decretasse o fechamento das agências bancárias, ou pelo menos a limitação do número de funcionários e  serviços, tal como determinou o fechamento de escolas bares, restaurantes e  eventos em outros estabelecimentos, m como casas de shows, igrejas e demais espaços que haja aglomeração de pessoas.

No caso dos estabelecimentos comerciais, muitos deles administrados por pequenos empresários, amargam prejuízos por terem sido obrigados a fechar ou restringir o atendimento ao público. Até ai tudo bem. Estes espaços se lotados como geralmente ficam, toranam-se, inexoravelmente, uma ameaça de transformaar-se em um foco de contágio gravíssimo e massivo.

No entanto, com as agências bancárias, Helder até agora resiste em não mexer com o lucro, que lá os rentistas controlam.

O pedido foi protocolado no dia 19, até agora segue até hoje, 24, ignorado e o governador nada faz reduzir o número de funcionários, muito menos a quantidade e atendimento, nas agências bancárias do Pará

É o lucro dos verdadeiros capitalistas mostrando a força que tem sobre certos governantes e a inoperância e submissão de certos parlamentares.

Leia a carta que o Sindicato dos Bancários clama que Helder Barbalho interfira nesse que pode estar sendo um grande centro de contaminação da COVID-19, a pandemia que ainda vai dar o que falar e pode ceifar a vida de muitos paraenses.

Sobretudo no Pará, onde temos um agravante: as medidas do governador só levam mais gente pra dentro das agências bancárias, pois antecipar pagamento de milhares de servidores e liberar linha de crédito no Banpará, só mostra que Helder abre mão de algumas medidas preventivas para atender o sistema financeiro.

Cabe lembrar que estados como Santa Catarina e DF já decidiram pelo fechamento.

O que tá faltando para aqui ser feito o mesmo?

Leia a matéria com o apelo ao governador Helder Barbalho:

Carta Aberta ao Governador Helder Barbalho

Caro Governador,

Saudamos suas iniciativas de combate à propagação da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no estado do Pará e lamentamos a negligência do Governo Federal em relação a este tema.

Acreditamos que as medidas aqui adotadas de fechamento de escolas, bares, restaurantes e shoppings são muito importantes, mas de nada adiantarão se as agências bancárias continuarem abertas irrestritamente ao atendimento ao público, constituindo-se em pólo catalisador de transmissão do vírus.

Temos nos empenhado junto aos bancos, nacional e localmente, no sentido de preservar a saúde e a vida de seus empregados, clientes e usuários. Algumas ações de redução de risco foram tomadas, é verdade, mas são insuficientes. Nossa categoria está exposta ao risco de contaminação, assim como seus parentes, seus vizinhos e o público que é atendido diariamente. A partir dos fechamentos dos estabelecimentos comerciais, a população se dirigiu às agências para resolver problemas que nem sempre são urgentes.

Os governadores dos estados de Santa Catarina e Distrito Federal já publicaram decretos proibindo atendimento nas unidades bancárias, afastando o risco de aglomeração nestes ambientes, providência  que solicitamos a Vossa Excelência através de ofício no dia 19 de março. Vimos hoje o anúncio de fechamento de diversos estabelecimentos comerciais, mas, surpreendentemente, nenhuma medida sobre os bancos. Pelo contrário, lança-se um microcrédito e anuncia-se a antecipação do pagamento da folha do estado, o que amplia o fluxo nas agências do Banpará. Temos, inclusive, tentado negociar com a direção do Banpará sobre a necessidade de um calendário que dilua o atendimento presencial dos quase duzentos mil servidores estaduais, mas não fomos atendidos pela empresa.

Governador, o Sindicato dos Bancários do Pará, em nome de quase dez mil famílias de bancários e milhares de trabalhadores terceirizados e contratados indiretos das instituições financeiras, pede que seja decretado o não-atendimento regular nas agências bancárias.

Por favor, não assista nossos locais de trabalho se transformarem em centros de proliferação dessa doença nefasta no estado do Pará! A concentração de pessoas em busca de atendimento nas agências bancárias é incompatível com os esforços desse governo na luta contra a disseminação do coronavírus.

Decrete, em caráter de urgência, a suspensão do atendimento nas agências bancárias, resguardando somente o essencial, como a compensação bancária, numerário nas máquinas de autoatendimento e atendimento excepcional a quem não tenha cartão eletrônico. É uma medida necessária para obter sucesso no combate ao coronavírus em nossa tão amada terra.

Temos a certeza que este momento difícil será superado, mas com ações firmes e a união de toda a sociedade.

Contamos com a sua sensibilidade e clareza à justiça de nosso pedido.

Belém, Pará, 20 de março de 2020.

Aos ricos e classe média alta do Pará e do Brasil: a peste também pegará vocês


Por Ana Célia Pinheiro, no seu blog Perereca da Vizinha

Há uma lição muito importante que estamos a aprender com as pandemias: nunca necessitamos tanto do bem-estar de todos.

Já não há fronteiras entre nós, no Brasil ou no resto do Planeta.

Uma doença contagiosa lá na China, pode chegar a Belém do Pará em questão de dias, ou até de horas.

E todos, como diria o grande Sócrates, somos agora cidadãos do mundo.

Então, você que é rico ou de classe média alta, preste bem atenção: em uma pandemia, nada vai impedir que você morra miseravelmente, que nem um cão abandonado, e que o seu corpo acabe lançado em uma vala comum.

Se a morte resolver bater mais cedo à sua porta, por causa de uma doença nova e altamente contagiosa, nada a impedirá.

Nem missas, correntes de oração, óleo ou água benta.

Nem os melhores médicos e hospitais do mundo. 

E muito menos as mansões, terras, rebanhos, carrões, joias, diplomas, homenagens e todo o dinheiro que você acumulou.

Ah, mas talvez você esteja a pensar: “só tem um detalhe: os que têm dinheiro morrerão menos”.

No entanto, quem lhe garante que nesse “menos” não estará você, ou o seu filho, ou a sua mãe?

Graças à Deus, esse novo coronavírus, apesar de se espalhar com uma velocidade impressionante, tem um grau de letalidade relativamente “baixo”.

O problema é que esta não será a última pandemia que enfrentaremos: outras virão, talvez por vírus que também se espalhem rapidamente, mas que possuam letalidade muito mais alta.

Ao longo de toda a História, nunca conseguimos adivinhar as “surpresas” preparadas pela Natureza para a espécie humana. 

E muito menos agora conseguiremos, com as sucessivas agressões contra ela.

Então, você precisa entender que não é mais possível manter bilhões de seres humanos na miséria: sem água, sem comida, sem saneamento, sem saúde, sem educação, sem informação, espremidos em cubículos, como se existissem apenas para produzir riqueza para você.

E também já não é possível continuar a devastar o Planeta, como se mares e florestas significassem apenas cifrões.

As condições miseráveis de bilhões de seres humanos e as crescentes agressões ambientais não apenas levarão, cada vez mais, ao aparecimento de novas doenças, como também dificultarão combatê-las.

Ou você imagina que a sua cabeleireira ou manicure tem como se submeter a uma quarentena, sem morrer de fome?

Ou você acha que na casa do seu garçom, onde seis, oito, dez pessoas se espremem em um compartimento, é possível ao menos pensar em isolamento social?

Ou você realmente acredita que na casa da sua empregada doméstica, onde não há nem comida para todo mundo, há dinheiro para água potável e sabonete?

Então, ainda que você não goste de pobres, não tenha qualquer empatia ou piedade cristã, não acredite em Deus, ou até ache que pobre é um ser “inferior” e “descartável”, ainda assim, você terá, pragmaticamente, de agir.

Nem que seja para preservar a sua vida e liberdade: as viagens de sonho que você adora, as festanças e os banquetes, só para gente “lindinha, limpinha e de bem”, que nem você.

Há até algumas décadas, você poderia pegar um avião, ou um iate bacana, e ir se esconder de uma peste, em um lugar bem distante.

No entanto, neste mundo sem fronteiras, aonde é que você se esconderá?

Miami? Nova York? Roma? Londres? Madri?

Ah, esqueci-me, ainda sobrou um lugar: Cuba!

Só que como você mandou tanta gente pra Cuba, não sei ela conseguirá lhe abrigar...

Então, meu amigo, não dá mais para você continuar achando que não tem nada a ver com a pobreza, ou com a degradação ambiental.

Tudo e todos somos agora apenas um grande organismo, que pode tornar-se são, ou destruir-se rapidamente.

Você tem meios, dinheiro, contatos para agir.

Então, aja!

Pressione o Governo Federal para que ele coloque mais dinheiro no SUS e para que os governos, em todas as esferas, tenham de destinar mais recursos para a Saúde e Saneamento, e para a Educação, Habitação e Geração de Emprego e Renda.

Pague integralmente os salários de seus funcionários, mesmo durante eventuais quarentenas, e coloque a maior parte deles para trabalhar em casa.

Ajude a sua cidade ou estado a equipar os nossos hospitais, especialmente, as UTIs.

Ajude a sua cidade ou estado a comprar cestas básicas, materiais de higiene, caixas d’água e tudo o que for necessário para que as pessoas possam permanecer em casa e se precaver de contágio, durante esse período.

E ajude, passada essa crise, ONGs, universidades, partidos, fundos, projetos, governos, prefeituras - o que quer que seja - a combater a pobreza e a degradação ambiental.

Aja, meu amigo, enquanto ainda há tempo! 

Nem que seja para preservar a sua vida e de seus filhos.

Ou, ao menos, para garantir aquela “morte bacana”, com toda a pompa e circunstância, que você acredita “merecer”.

FUUUIIIII!!!!