terça-feira, dezembro 15, 2009

Acadêmicos Amestrados

Por Idelber Avelar

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.

Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a “morte de Marx”. Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.

Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar – cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.

O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. É impensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de “vagabunda” pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.

Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como “o filósofo” pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de “terrorismo de Estado”. Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real – por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses – se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como “terrorismo de Estado” a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.

A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de “trapalhadas” e chamava Celso Amorim de “líder estudantil” e “cavalo de troia de bufões latino-americanos”. Poucos dias depois, a respeitadíssima revista Foreign Policy – que não tem nada de esquerdista – apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o “melhor chanceler do mundo”, nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.

Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os “especialistas” sobre isso – agora sim, com aspas – são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.

Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Marajoara recebe Título de Honra ao Mérito




Reconhecida como extremamente positiva, ainda repercute no meio político e empresarial do Estado, a gestão de Albertinho Leão, quando esteve no cargo  de  Secretário de Estado de Esporte e Lazer.

Semana passada, Albertinho obteve a indicação do Deputado Martinho Carmona (PMDB) para receber o título de “Honra ao Mérito” ofertado à personalidades do cenário regional e nacional que marcaram presença na sessão solene promovida pela ALEPA, na noite desta quinta-feira (10/12) no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém.

Natural do município de Cachoeira do Arari no Marajó, Albertinho Leão é Engenheiro e reconhecido como um homem simples e humilde, mas de grande senso administrativo e habilidade política, elementos que lhe conferem méritos aos inúmeros títulos que vem recebendo desde sua ascensão na cena política do Pará.



O ilustre marajoara foi convidado em 2008 pela governadora Ana Júlia  à  comandar a SEEL, onde ficou até Agosto deste ano, quando foi escalado  para  assumir a Secretaria Adjunta de Gestão da SEDUC, a qual detém o maior orçamento entre os órgãos do Estado do Pará.

Almir: Vale lançou Jatene p/ 2010.

Abaixo, a carta de desfiliação de Almir Gabriel do PSDB-Pará


Devolvo o título de presidente de honra do PSDB do Pará, partido que ajudei a fundar, e do qual me desfilio, em razão dos atuais desvios dos princípios políticos e éticos que o alicerçavam.

Lamento a decisão partidária, supostamente fundada na tola e odiosa discriminação aos idosos.

Pressinto e lamento, principalmente, a rendição ao atual representante exibicionista do Bradesco na Companhia Vale do Rio Amargo, somada ao governo egocêntrico de São Paulo, “territorializando” a recolonização da gestão pública do Pará, dividido e agachado, no momento especialmente favorável para derrotar o petismo obeso e obtuso que retensamente governa o Estado, hoje. Estou certo que novos líderes, junto com o povo paraense, darão as respostas e lições adequadas pelo voto soberano livre a altivo de sua maioria.

Almir Gabriel Bertioga, 14 de dezembro de 2009.


A carta acima é rápida mas precisa e indica  uma séria e contundente acusação de envolvimento da Vale  com as eleições do Pará e de São Paulo nas eleições de 2010. 



A Vale foi a maior empresa já privatizada na história do Brasil. 


Por quem? 


Pelos governos de FHC/Almir Gabriel e ele, o cara que venceu Almir Gabriel nos fóruns decisório do PSDB e será o candidato do partido nas eleições de 2010, Simão Jatene (PSDB).


Na foto abaixo a relação com o ex-PFL (hoje DEM, o partido do Governador José Arruda, de Brasília) quando a vice-prefeita e esposa do presidente estadual da legenda - que é blogueiro e deputado federal nas horas vagas, está curiosíssimo se será procurado pelos antigos aliados ou se virão à reboque já que o que antes era a União pelo Pará está em frangalhos.





Até as eleições de 2010, muita, mas muita água passará por debaixo da frágil ponte que liga os tucanos aos seus comparsas e não se espantem na quantidade de redes de emails e as famosas mídias sociais como o twitter, orkut, facebook, entre outras que serão criadas e servirão de ringue, no qual quem não souber fazer uso de suas luvas , ao certo será nocauteado no primeiro round.


Muitos dos jornalistas diplomados do Pará, já comem suas unhas e cutílas, esquecendo seus  juramentos pós-curso, no qual sabem que não podem servir à Deus e à Mamon.
 

* Vale do Rio Doce é a multinacional que foi vendida por 3,3 bilhões de dólares e hoje está avaliada em mais de 196 bilhões de dólares, tornando-a a maior privatização já feita na América Latina.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Poema em Preto e Branco


NASCIDA

Quando nasci não chorei.
Fiquei quieta.
Diziam-me morta.
Agora que tenho algo a dizer, calam-me.
Os seres humanos são tão idiotas.
Vou morrer do jeito quSem gosto pela vida e gostosa para quem me quis.


Do blog Poema Preta, confira!

No DF, a corrupção inova e mobiliza

Com o mesmo título no site de Bruno Lima Rocha que vira e mexe tem seus artigos publicado no Noblat.

Pode-se acusar o esquema do DEM de tudo, menos de não ser inovador.

Como se sabe, no Brasil, maioria legislativa sempre custou caro, e muito. Antes, com emendas mais que suspeitas e destinação de verbas orçamentárias para redutos e currais.

Se a votação fosse importante, a moeda de troca aumentava o valor, incluindo possíveis concessões de rádio e TV, e a sempre suspeita compra de votos. Após a técnica do Mensalão, passaram a cobrar em dia, regiamente.

A composição de governo estaria garantida com o fornecimento de verba direta para o bolso dos parlamentares. Já na Era Arruda se inova, pagando também pelo secretariado.

Assim, além de manipular uma parte do orçamento do nível de governo (o caso, o distrital), os partidos que compõem o governo, cobram, através dos secretários, também pelo apoio político na partilha do poder.
Outras novidades apareceram. A partir da tarde de 3ª (08/12) o governo de José Roberto Arruda e Paulo Octávio Alves Pereira, também inovara no quesito mobilização social.

O episódio da Câmara Legislativa Distrital, apesar de moralmente indefensável, foi uma manobra tática de envergadura.

O governo se esvaía com pedidos de impeachment já protocolados, via-se diante de uma pequena minoria ativa protestando no parlamento onde o Executivo manda.
Este grupo de manifestantes, ocupando o recinto há quase uma semana, forçara a Justiça Distrital a se pronunciar, exigindo sua retirada.

Já o aparelho policial do DF, creio eu que no intuito de preservar a sua imagem institucional e buscando algum efeito teflon para com o ex-senador, evitou cumprir a ordem judicial no prazo determinado.
Abriu-se uma oportunidade de Arruda demonstrar que também tinha bases sociais. Óbvio, é difícil uma relação de clientela mobilizar-se por consciência ou algo por estilo.

Puseram ônibus e possivelmente algum grau de coerção gratificada nos locais de origem. Afinal trata-se de um chefe político, legítimo representante de uma cultura e modo de se relacionar com a coisa pública.
Demonstrou a sabedoria e o ardil que não tivera ao dar a cara e pegar dinheiro vivo com as mãos na presença de testemunhas.

A Polícia Militar entra em cena e garante a sensação de ordem na “mui nobre” casa parlamentar, isolando e retirando ambos os grupos.

Isto me faz recordar de outra situação, a do amigo de Paulo Octávio, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que em 1992, diante das câmaras, convocou seu eleitorado para defendê-lo.

Mas, esqueceu de dar o lanche, pagar condução e um cachê para os “manifestantes”. Arruda foi sábio e não convoca através da mídia, mas das relações pessoais.

A mobilização de governistas de hoje pode se repetir, gerando impasse político e risco de confronto entre favoráveis e contrários ao governo que já foi abandonado pelo PSDB, PMDB, PPS, PSB, PDT e PV.
Para salvar o Executivo acusado de corrupção, a manobra é útil. Como se sabe, diminuindo a pressão das ruas, corrupto ou não, é difícil derrubar um governo.

Bruno Lima Rocha é cientista político.

Criador e a criatura: a volta de Lei da Mordaça, agora em Ananindeua

Daniel Santos (PODE) seria o criador da ideia de emplacar a "Lei da Mordaça" na Câmara Municipal de Ananindeua, resgatando os mol...