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sábado, fevereiro 17, 2018

A pesquisa IBOPE e a acirrada disputa pelo governo do Pará



Por Diógenes Brandão 

A divulgação da pesquisa encomendada pela FAEPA ao Ibope Inteligência, que apurou a preferência dos eleitores paraenses, mexeu com o ânimo e expectativas de muitos candidatos e seus apoiadores, que através das redes sociais travam uma disputa de narrativas, uns de exaltação e outros com descrença dos números apresentados. Se por um lado estes números confirmam a permanente liderança de Helder Barbalho (MDB) para o governo do Estado, para que seja feita uma análise mais profunda e realista desta consulta é necessário também entender o significado dos altos percentuais de rejeição dos principais pré-candidatos, bem como dos 77% dos entrevistados que de forma expontânea disseram não saber em quem votar ou não quiseram opinar, além dos 12% de intenção no voto em branco ou nulo.

Além disso, os nomes em disputa ainda enfrentarão convenções partidárias e possíveis julgamentos de processos que podem criar impedimentos judiciais e eleitorais. Ou seja, nada está definido e todos sabem disso.

Mais mesmo com todas as probabilidades negativas e sua alta rejeição - presente em todas as demais pesquisas realizadas até aqui - Helder Barbalho conta com a força do seu partido, hoje com o maior número de prefeituras no Estado e com o aparato midiático das empresas de comunicação controladas por sua família, que conta com a TV RBA, o jornal Diário do Pará e diversas rádios AM e FM, que juntas atingem quase todos os municípios paraenses. 

Sem falar de que em seu 3º ministério no governo federal, onde está ininterruptamente no cargo de ministro, desde o governo Dilma, o principal herdeiro político da família barbalho goza de total apoio e respaldo do presidente Temer para representar a União, como se fosse um chanceler no Estado, onde destina verbas da União e de emendas parlamentares, realiza alocação de recursos de forma emergencial, tal como faz nos municípios paraenses afetados por enchentes e acidentes naturais, além de contar com a distribuição de alguns milhões de reais da verba de publicidade do governo federal em TVs, rádios, jornais, revistas, sites, outdoors e redes sociais, os quais reforçam a construção da imagem do Ministro da Integração como um gestor pró-ativo e cheio de realizações.

Por falar em redes sociais, um dado da pesquisa que chamou a atenção de muita gente, foi o fato do senador Paulo Rocha (PT) ter a segunda colocação em diversos cenários da disputa para o governo do Estado. Tudo bem que o PT é o partido que possui a maior e mais apaixonada militância partidária e que com os processos judiciais e presente e constante ameaça de prisão de Lula, além da ofensiva das medidas do governo Temer contra direitos trabalhistas, podem ser elementos decisivos para que o público pesquisado tenha sido levado a se manifestar favorável ao pré-candidato petista, mas isso por si só talvez não seja suficiente para que o senador Paulo Rocha esteja tão bem colocado na preferência eleitoral, a considerar sua baixa popularidade e a inércia de um mandato com pouquissímas realizações efetivas que expliquem seu desempenho pessoal e político para os números desta pesquisa.

Já os baixos números de Márcio Miranda (DEM) e Sidney Rosa, também geraram muitos questionamentos e desconfianças sobre o resultado da pesquisa IBOPE. Apesar de estarem em diálogos com entidades classistas, empresariais, ruralistas, prefeitos e lideranças políticas dos mais variados partidos, os dois deputados estaduais que se apresentam como pré-candidatos ao governo, não conseguiram alcançar dois dígitos na pesquisa IBOPE e este resultado trouxe um grande mal estar em suas bases, sobretudo naquelas que alimentaram a expectativa de que o apoio declarado do governador Simão Jatene seria positivo e elevaria automaticamente a campanha do seu sucessor, mas tal como já havia alertado, não foi isso que vimos nesta aferição.

Há quem diga que o potencial de Márcio Miranda e Sidney Rosa esbarra na indefinição macro-estratégica de ambos, observada em suas conversas pelos bastidores, onde transparece o interesse de juntarem-se com o objetivo de comporem uma chapa competitiva, assim como Zequinha Marinho (PSC) tem se movimentado nesse mesmo sentido, mas os três ainda não bateram martelo sobre quem apoia quem e nem que cargo ou se realmente disputarão o governo ou as vagas para o senado. 

Não obstante, a indefinição se o governador Simão Jatene deixará o cargo para disputar as eleições e se Zequinha Marinho, seu vice, assumirá o governo por 8 meses, neutraliza e cria uma sinuca de bico na movimentação de todos os demais players deste jogo eleitoral.

Ao mesmo tempo em que dialogam entre si e com lideranças políticas e empresarias, estes pré-candidatos esquecem de startar e aquecer suas estratégias de marketing eleitoral e de se lançarem ao corpo-a-corpo com a população, o que Helder faz praticamente todas as semanas, entregando cheques para prefeituras, ou visitando canteiros de obras federais, das mais diferentes áreas. Além disso, o PMDB faz uso de suas lideranças e dos meios de comunicação da família Barbalho para queimar seus adversários, como já iniciaram a fazer com Márcio Miranda, que não esbouçou qualquer reação, nem de ataque ou de defesa de seu nome, exposto em denúncias feitas em programas de rádio, tv e no jornal da família de Helder Barbalho.

Longe dessas cotoveladas masculinas, a única mulher que se desponta na disputa pelo governo é a jornalista Úrsula Vidal (REDE) que tem se mantido como uma promissora alternativa no cenário eleitoral, mas suas limitações esbarram na barreira metropolitana, onde ela não consegue ultrapassar para penetrar o interior do Estado, a não ser através de sua boa perfomance midiática, explorada sobretudo pelas redes sociais.

Os demais nomes do PSDB, leia-se Adnan Demachki, Manoel Pioneiro e Zenaldo Coutinho continuam de molho na gaveta do palácio dos despachos, onde os altos índices de rejeição os tornam pesados demais para reverterem o desgaste da gestão tucana junto à população, mas embora não assumam publicamente, ainda não descartaram apresentar seus nomes na convenção partidária e assim terem a possibilidade de exercitarem a pseudo-democracia interna do partido, onde teriam que travar uma queda de braço com o governador Simão Jatene, que fez questão de adiantar seu candidato favorito à sua sucessão, antes do mesmo se declarar para tal pleito. 

Ou seja, Márcio Miranda pode estar colhendo a alta rejeição de Simão Jatene e o fogo-amigo do PSDB, além de não poder contar com a passividade do seu principal adversário, que segundo as últimas pesquisas, está acima dos 30% e se aproxima dos 40% e não deixa de fazer campanha um só dia, embora haja especulações de que ele ainda pode ser candidato a outro cargo, que não o de governador. Mesmo assim, Helder lidera as intenções de voto para o cargo de governado, tanto para o primeiro, quanto para o segundo turno.

Ah, quase esqueço de falar sobre as expectativas que muitos ainda nutrem de que a operação Lava Jato seja reanimada e venha atingir nomes de paraenses e realmente assim o sonho de que haverão mudanças significativas no processo de moralização política, tão em voga nos discursos da classe política, finalmente realize-se.

Como dizia o samba de enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel (RJ), no memorável carnaval carioca de 1992: Sonhar Não Custa Nada!