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segunda-feira, maio 12, 2008

Ademir ganha a disputa pelo comando estadual do PSB

Do Blog Espaço Aberto, confirmando a vã ilusão de queda do cacique do PSB no Pará, como foi previsto pelas Falas em contraposição ao otimismo oposicionista por lá.
A oposição tentou, tentou e bem que tentou, mas o comando estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Pará continua nas mãos do ex-senador Ademir Andrade. No Congresso Estadual do partido, realizado das 8h até por volta das 18h deste sábado (10), na Câmara Municipal de Belém, a chapa “Coragem”, liderada por Ademir, levou os votos de 164 dos 229 delegados municipais aptos a votar. Os restantes 65 votos foram dados às duas chapas de oposição, a “Miguel Arraes”, liderada pela ex-prefeita de Abaetetuba, Antônia Botelho, e a “Unidade Socialista”, do grupo do advogado e militante do partido Nelson Marzullo.

Com a vitória, é praticamente certo que Ademir Andrade, até agora o presidente da Comissão Provisória do PSB no Estado, também será confirmado como o presidente da Executiva Regional do partido. Mas a definição dos nomes que vão compor a Executiva só ocorrerá na próxima terça-feira, às 18h, em local que a direção estadual da legenda ainda não definiu.

A eleição foi tensa do princípio ao fim, segundo apurou o Espaço Aberto ainda há pouco. Entre delegados municipais, militantes e filiados ao PSB havia cerca de 600 pessoas do lado de dentro e de fora do plenário da Câmara, onde se processou a votação. Bate-boca, acusações e até troca de empurrões entre os simpatizantes das três chapas tornaram o ambiente carregado em vários momentos.

No início da votação, Nelson Marzullo, um dos mais ácidos críticos de Ademir – a quem acusa de dirigir o partido como se fosse uma empresa e uma extensão de sua família e de seus interesses diretos –, anunciou que retirava da disputa sua chapa “Unidade Socialista” em favor da chapa “Miguel Arraes”, de Antônia Botelho, que contou com o apoio de Maria Aparecida Barros Cavalcante, recentemente exonerada da Secretaria de Estado de Administração. A exoneração fez parte da estratégia da governadora Ana Júlia para atrair de volta à base aliada o PSB, que chegou a romper com o governo do Estado no início de março passado, conforme anunciou da tribuna o deputado Cássio Andrade.

Mas nem a estratégia de Marzullo foi suficiente para evitar a vitória estrondosa de Ademir no Congresso Estadual. Uma vitória que, aliás, já vinha se prenunciando desde dezembro do ano passado, quando começaram os congressos de PSB em cerca de 130 dos 143 municípios do Pará. Desse total, chapas compostas por militantes que seguem a liderança de Ademir Andrade foram eleitas em nada menos do que cerca de 80 municípios.

Quando é de Um Mostra-se, Dos Outros Esconde-se !


A dita imparcialidade dos meios de comunicação caem dia-após-dia diante da flagante opção feita pelos grandes veículos, principalmente os jornalões de nosso país.

Ao lado um belo exemplo, destacado por nosso amigo blogueiro e carioca Mello.

Esta é mais uma para aqueles que ainda acham que a “grande imprensa” não manipula a informação com o objetivo de atacar o governo e o PT e defender a aliança demo-tucana.

Reparem estas duas chamadas de O Globo hoje, reproduzidas aqui ao lado. A primeira informa que um petista teria liberado um contrato. A segunda, que a PF teria encontrado material para fabricação de bomba na fazenda de um arrozeiro.

Por que é informado o partido a que pertence o funcionário do BNDES e não se informa ao leitor que o tal arrozeiro é também o prefeito da cidade de Pacaraima e pertence ao DEM, portanto, é demo? E que o estado onde todo esse tumulto está ocorrendo é governado por um tucano, José de Anchieta Júnior?

Caso de Abaetetuba: Ainda Em Aberto

Lúcio Flávio Pinto - Editor do Jornal Pessoal e articulista de O Estado do Tapajós
No dia 20 a Comissão Parlamentar de Inquérito instalada na Câmara Federal para investigar o sistema carcerário brasileiro deverá apresentar seu relatório final sobre o caso da adolescente presa na delegacia de polícia de Abaetetuba junto com 20 homens. Durante 24 dias a menor sofreu violências, inclusive estupro. A CPI acusará a então juíza da 3ª vara criminal do município, Clarice Maria de Andrade, de ter sido negligente e assim contribuído para a longa permanência, ilegal, da menor na cela. A maior prova contra a juíza serão os depoimentos do diretor e da secretária da vara. Em depoimento à CPI, em Brasília, Graciliano Mota e Ana Maria Rodrigues disseram que adulteraram a data e o conteúdo de um ofício à corregedoria de justiça do interior para esconder a demora da juíza no atendimento a um pedido de transferência da presa para a penitenciária feminina, em Belém. Réus confessos, os dois serventuários garantem que foram induzidos à fraude pela própria juíza. A magistrada se considera vítima de uma conspiração armada contra si pelos dois funcionários da vara, ambos concursados e em atividade há muitos anos. Ela diz que Graciliano inventou a história, com a cumplicidade de Ana Maria, para se vingar da escuta telefônica montada contra ele pela Polícia Federal, com autorização da juíza. Graciliano foi apontado como suspeito de vinculação a uma quadrilha de tráfico de drogas em Abaetetuba. A escuta não resultou em nenhuma prova contra o diretor de secretaria, mas a juíza assegura que isso só aconteceu porque Graciliano foi alertado sobre o “grampo” e pôde evitar se comprometer. As versões são conflitantes, mas poderiam ser esclarecidas de imediato se o Tribunal de Justiça do Estado não tivesse decidido rejeitar o pedido de inquérito da corregedoria. Diretamente interessada, a juíza podia ter concordado com o procedimento disciplinar-administrativo. Confirmada a sua reconstituição dos fatos, ela se veria livre de qualquer processo e poderia proclamar sua inocência. Numa situação parecida, em outra instância judicial, ela está exercendo o seu direito de defesa. É na justiça do trabalho, onde tramita contra ela, desde o ano passado, reclamação proposta por Orinéia dos Santos Brito. Orinéia cobra direitos não pagos pela juíza, em cuja residência trabalhou como empregada doméstica. Clarice Maria de Andrade foi condenada em primeira instância a pagar 1,1 mil reais a título de aviso prévio, 13º salário, férias e saldo de salário. O elemento decisivo para a sentença condenatória foi o depoimento da reclamante, que disse ter assinado um recibo em branco e ter recebido apenas 100 réis e não um salário mínimo, como constou no documento. O valor teria sido preenchido posteriormente, sem seu conhecimento. Na sua decisão, a juíza trabalhista admite que “a relação de trabalho doméstico goza de uma certa informalidade, porém tal característica não pode dar azo a fraudes”, cuja prova “se faz por todos os meios admitidos em direito, notadamente por indícios, conjecturas e presunções (simples)”. Considerou-se convencida de que no caso “estão presentes indícios de fraude no preenchimento do recibo, valendo a velha máxima a apregoar que ‘quem paga mal, paga duas vezes’”. A juíza Maria Clarice não foi à audiência de conciliação e julgamento na 8ª vara do trabalho, sendo representada pelo marido, que funcionou como preposto. Não concordando com a sentença, recorreu, mas seu recurso não foi aceito porque ela deixou de recolher R$ 62,88, valor da contribuição previdenciária patronal, e por isso a causa foi considerada deserta. Mas ela se insurgiu novamente, através de agravo, para destrancar o recurso ordinário. Sua principal alegação é de que o valor pendente é ínfimo quando comparado com o depósito judicial, que já fez, para garantir os direitos em causa, não permitindo assim a declaração da deserção, e que a reclamante não apresentou prova material do que alegou, nem contraprova em relação à defesa feita. Ao acolher a reclamação nessas condições, a juíza trabalhista teria invertido o ônus da prova. O processo ainda prosseguirá até decisão final. Por analogia, a juíza Maria Clarice devia rever sua posição no outro processo, no qual também é acusada, o da menor presa em Abaetetuba, para que as provas sejam finalmente produzidas em torno da questão, afastando-se as dúvidas e suspeições que ainda persistem. Se a justiça paraense não fizer essa revisão espontaneamente, terá que fazê-lo por pressão externa, tanto do Conselho Nacional de Justiça quanto da CPI da Câmara Federal. Por motivos mais do que fundamentados.