quinta-feira, outubro 29, 2015

Nos bairros nobres do Rio, milicianos ganham o nome de "seguranças"



Reportagem deste sábado (24) do jornal "O Globo" informa que o sistema Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Rio) patrocinará o policiamento de seguranças privados no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Parque do Flamengo. Ao todo, 363 policiais militares da reserva e jovens que acabaram de deixar as Forças Armadas vão patrulhar as áreas apé, de carro, em bicicleta ou moto. O serviço, que terá duração inicial de dois anos, custará à Fercomércio R$ 44 milhões. O governo estadual entrará com investimento em armas e veículos.

A Fecomércio acaba de criar "protetores" dos comércios de primeira classe e de moradores das áreas mais abastadas da capital fluminense. Nas favelas e nas áreas menos favorecidas e mais afastadas do centro turístico da cidade o patrocínio de "seguranças" por iniciativa privada já existe há alguns anos e recebe o nome de milícia. Na zona sul, porém, estes guardadores da segurança pública aparecem, inclusive aos olhos do Estado, como colaboradores. Na reportagem do "Globo", o governador do Rio acrescenta que "quem sai ganhando é a população", sem detalhar a qual parcela da população serão creditados os benefícios da segurança. Sabe-se que não são os das favelas, acossados pela segurança privada viabilizada pelo tráfico.

Essas milícias da Fecomércio estão sendo legitimadas e reconhecidas pelo Estado, o que significa dizer que o governo está admitindo, enfim, que não tem competência e, por isso, aplaude a iniciativa privada. Caso se transformem em protetores eficientes num futuro próximo, eles poderão servir à Segurança Pública, além de se transformarem num grande centro de alavancagem política, algo que já acontece nos países em guerra do Oriente Médio e aos quais poderemos nos equiparar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que motiva a "cutucada" do jornal OLiberal no secretário de Educação do Pará?

Nota do Repórter 70, do jornal OLiberal, 08.07.2026 Há momentos em que uma pequena nota publicada em uma tradicional coluna política diz mu...