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terça-feira, março 31, 2020

Após denúncia nas redes sociais, "contrato laranja" é cancelado por Helder Barbalho


Por Diógenes Brandão


O primeiro ano do governo de Helder Barbalho estava terminando, quando a Polícia Federal prendeu o operador financeiro da família barbalho: o ex-senador Luiz Otávio Campos, mais conhecido como "Pepeca". Dias depois, as viaturas da PF visitaram a casa do vice-govermador Lúcio Vale, que naquele dia estava como governador em exercício, já que o titular estava viajando para o exterior.

Além da casa do vice de Helder, os polícias deram uma batida no gabinete do governador.

Nunca algo parecido havia acontecido na história do Pará.

E a imprensa tradicional se calou ou deu a informação de forma distorcida ou muito reduzida. 

Poucos foram os jornalistas e demais profissionais da comunicação paraense que noticiaram o fato, por isso talvez muita gente desconfie da veracidade desta informação, mas ela é verdadeira e por isso está sendo assinada, afinal, quem tem compromisso com a verdade não tem medo, porque o temor é uma mentira que a fraqueza humana cria. 

Um ano antes, o irmão do vice-govermador, o deputado federal Cristiano Vale havia sido preso, diante da mesma operação da Polícia Federal: A investigação de uma organização crimimosa acusada de desviar mais de 30 milhões de reais, entre outras coisas, da alimentação escolar de crianças e adolescentes pobres, alunos de escolas de 10 municípios paraenses, por um período de 10 anos. 10 anos tirando de quem não tem quase nada. 

Alguém poderia aceitar que se tire comida da boca de crianças pobres, interferindo inclusive na sua saúde e em sua educação, para enriquecer?

Pois bem, Helder Barbalho chegou de uma conveniente viagem nesse período e, num evento no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, disse para uma platéia de pessoas que estavam recebendo o Cheque-Moradia, que o réu do processo federal Lúcio Vale, seu vice, tinha sua confiança e solidariedade. Ahn?? Como assim?

O processo segue a morosidade da justiça brasileira, que protege e engaveta a maioria dos casos judiciais que envolvem ricos e poderosos, integrantes de quadrilhas de colarinho branco no país.

Agora, graças à lei que obriga os governantes publicarem os atos de aquisições de bens e contratação de obras e serviços, ficamos sabendo da dispensa de licitação que o governador Helder Barbalho ordenou, para a compra de alimentos que serão distribuídos no lugar da merenda escolar, no valor de R$ 73.928.946,00.

É isso mesmo: Quase 74 milhões de reais para uma única empresa, de capital social declarado no valor de tão somente 79 mil reais.

As suspeitas não incomodaram a maior parte dos veículos de imprensa, muito menos os petistas, comunistas e demais partidários que fazem parte da base aliada do governo do governador Helder Barbalho, mas incomodam todo e qualquer cidadão que preze pela moralidade pública com os recursos provenientes dos impostos que os contribuintes paraenses pagam, em suados descontos ao governo, a maioria embutidos em tudo o que se paga e compra.

Há alguns instantes antes do fechamento deste artigo, através do Twitter da SEDUC, que tem pouco mais de 7 mil seguidores, o governo de Helder Barbalho anunciou sua derrota para as críticas e denúncias feitas por blogs e ativistas digitais: Cancelou o contrato milionário que havia firmado com uma empresa de fachada, do tipo laranja, a qual tem como sócio um filho de um empresário dono de um shopping, supermercados, farmácias e magazines por todo o Pará. 

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