Começam a sair as primeiras notícias sobre pesquisas em Nova Déli.Uma delas dá conta da liderança do ex prefeito Edmílson Rodrigues (PSOL), seguido mais ou menos de perto por Valéria Pires Franco (DEM), e em terceiro, mais prá longe que prá perto, o alcaide atual, o desastre.Sim, ele está na lápide - o jargão publicitário que identifica a condição do político liquidado - mas tem lá seus 13%.O número de entrevistados que não sabe em quem votar ainda é grande.E os nomes do PT e do PMDB estão longe da segunda casa decimal, o que já começa a dar panos a muitas mangas, vermelhas, e vermelhas com bolinhas pretas (copyright by Cjk)Deve ser por isso que na semana passada, comemorando seu aniversário, o ex prefeito estava prá lá de contente, a Valéria anda feliz da vida, e os cães...bem, os cães ladram. Fazer o quê?Ou ladram, ou lambem.
Se a turma do DUDU aprontou no Lançamento da Conferência das Cidades em Belém, esperem pro que vem na Conferência de Saúde e nas demais que irão discutir as políticas públicas para esta esquecida cidade.
Segundo o levantamento feito no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre os recursos destinados pelas construtoras aos parlamentares, 54,7% destes no Congresso receberam alguma verba de empresas do setor. Ou seja, as empresas bancaram 285 dos 513 deputados (55,5%) e 40 dos 81 senadores (49,3%).
Oficialmente, as construturas destinaram R$ 27 milhões nas campanhas eleitorais.
A reportagem mostra ainda que 40% dos parlamentares financiados pelas empreiteiras são membros da Comissão de Transportes da Câmara e 37% na de Infra-Estrutura do Senado.
Será que agora na nação tupiniquim iremos discutir uma reforma política séria ou vamos continuar escondendo que quem banca a eleição neste país é a burguesia?
Estive três vezes no Hangar de eventos. A primeira foi na inauguração, a segunda, dois dias depois, na Plenária do PTP (Planejamento Territorial Participativo) e por fim, no lançamento da Conferência Estadual das Cidades. Além desses, houve também a Feira da Indústria do Pará e logo após, a Conferência Estadual dos Direitos Humanos.
Eventos que reuniram diversos setores da sociedade paraense, empresários, representantes de prefeituras de diversas cores partidárias, movimentos sociais, enfim, o Hangar tornou-se um espaço democrático, contrariando interesses e provocando dor de cotovelo naqueles que preteriam originalmente ali, como a “Estação Dondoca” dos encontros da burguesia de Belém.
Projetado para atrair e receber eventos de grande porte, o projeto concebido pela gestão tucana tem que ser analisado com boa doce de frieza e honestidade. Belém necessitava, entre outras coisas, de um centro de convenções.
O que acontece é que quem o pensou e fez 75% de sua estrutura, não imaginou que ele serviria também como espaço de discussão a sociedade paraense, ao invés de apenas ser palco para turistas, investidores, empresários e a high Society da metrópole.
Foi uma frustração que ainda não foi digerida e nem tão pouco aceita!
É o que podemos chamar de efeito indigesto pós-eleição de Ana Júlia governadora.
Sinais claros disso podem ser lidos em matérias jornalística e/ou escutados em programas de rádio pelo Pará a fora. A questão que deve ser pensada é a seguinte: Seria justo que apenas a Feira da Indústria e/ou eventos de interesses privados ocupassem um investimento que custou ao povo paraense a bagatela de cento e tantos milhões de reais?
Fico com a lembrança de um amigo que no dia do lançamento do PTP lançou o seguinte trocadilho: Vou ao Hangar, rangar! Dei uma risada e só depois entendi que o que ele queria mesmo não era almoçar uma das quatro mil quentinhas - encomendadas pelo governo do Estado para manter a maratona de debates necessários para aquele dia - o que ele quis se referir, foi ao desejo de “comer” o fígado de Duciomar Costa, pois saiba que o mesmo estaria presente junto com os demais prefeitos da região metropolitana, e o fez, junto com um coro de milhares de pessoas que vaiaram o prefeito de Belém por quase a totalidade do tempo de sua fala naquele dia.
Daquela cena que não pude ver (nem gravar) restou uma indagação: Não seria a hora de Ana Júlia deixar livremente a vontade popular imperar no desforrar contra aquele que encabeçou uma campanha ofensiva e de baixo-calão contra ela, quando disputaram o pleito de 2004?
Diplomaticamente até entendo que ela poderia tentar “acalmar” a plenária pedindo o respeito democrático devido, mas chamar de mesquinhos aqueles que apenas ali puderam manifestar sua contrariedade à postura arrogante e irresponsável daquele que findou importantes projetos sociais[1] implantados pela gestão petista, havemos de concordar, é demais Ana!
E quando novamente a cena voltar a se repetir? O que não é nenhum pouco difícil se o prefeito tiver a coragem de comparecer em eventos públicos onde esteja sendo discutida a participação popular e tivermos que presenciar nossa governadora, defendida com unhas e dentes, por tant@s, gastar seus esmaltes, tanto das unhas, quanto dos dentes na defesa de nosso algoz, em detrimento da vontade majoritária daqueles que sofrem na pele os efeitos nocivos de sua gestão, sem poderem gritar, a não ser de quatro em quatro anos.
“...Quando chegar o momento, esse meu sofrimento, vou cobrar com juros, juro! Todo esse amor reprimido, esse grito contido esse samba no escuro... Apesar de você amanhã há de ser outro dia!” Chico Buarque.
[1] Para citar exemplos de bons projetos que foram cancelados pelo Duciomar Costa, lembro aqui do Projeto Sementes do Amanhã e Escola Circo, que por terem sido extintos, recolocaram milhares de crianças e adolescentes em risco social e pessoal, além de tirar-lhes o direto de mudarem suas vidas.
Não tínhamos nada
Aí como estudantes, criamos o grêmio
Depois os Centros academicos, o DCE
Trabalhando pro sustento, ganhamos o sindicato
Continuamos a luta..
Elegemos vereador
Deputada
Esforçosos, elegemos um prefeito
Chegamos enfim no governo federal...
Um operário presidente do Brasil !
Depois de muito esforço
A ajuda do PMDB e alguns empresários
Finalmente, vencemos! Temos a governadora !
Ana Júlia vence o PSDB local.
O que falta agora pra atendermos as necessidades do pobre-povo-pobre, que agoniza na frente dos postos de saúde, das escolas sem transporte, das crianças cheirando cola, vilipendiadas no asfalto nefasto da cidade dos prédios e condomínios fechados e da cidade-lama e que não vê o rio?
O que dizer para as pessoas que não pretendiam cargos e sim mudanças ??
Chamem os marqueteiros, 2008 está na porta !!
"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquetipo qualquer, mas pela pupila... Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante... A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos... Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo... Deles não quero resposta, quero meu avesso... Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim...Para isso, só sendo louco... Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças... Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta... Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria... Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto... Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade... Não quero risos previsíveis nem choros piedosos... Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça... Não quero amigos adultos nem chatos... Quero-os metade infância e outra metade velhice... Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa... Tenho amigos para saber quem eu sou... Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril... " (Oscar Wilde)