Sexta-feira, Novembro 27, 2009

FEST-FISC: Aprecie sem Moderação


Temos a grata satisfação de informar que "MALABARES", de Maithê Lorena e Secy Jannuzzi, foi selecionado para exibição no "FEST-FISC ==> FESTIVAL INTERNACIONAL DE FILMES SOCIAIS", evento que será realizado em Belém, Pará.

Dos filmes escolhidos, 6 são estrangeiros e, além dos curtas paraenses, são apenas 5 nacionais, sendo que "MALABARES" é o único representante do sul-sudeste, o que muito nos honra pela possibilidade e responsabilidade de apresentar nosso trabalho no festival e dentro da programação do Fórum Internacional da Sociedade Civil, evento que reunirá cerca de 3 mil pessoas em Belém, entre os dias 28 e 30 de novembro.

A iniciativa do FEST-FISC nasceu da necessidade de se criar mais uma porta para o intercâmbio entre realizadores e produtores - das mais diversas origens e com as suas infinitas propostas de linguagens estéticas e de formas de captação.

Segundo Francisco Weyl, curador do festival, "os filmes selecionados refletem o grau de resistência da sociedade global, ao mesmo tempo em que eles também servem de baliza para que sejam observados os potenciais táticos e estratégicos de utilização da arte cinematográfica como arma de guerrilha, isto é, instrumento de sensibilização, consciência e diálogo entre aqueles que a realizam assim como aqueles que a assistem, tornando-se, a partir de então, também criadores de um processo dialético”.

Além de destacar o papel do cinema, do vídeo e da produção audiovisual em geral na construção de uma sociedade mais justa e solidária, a meta do FEST-FISC, segundo Hilton Silva, outro curador, é democratizar a programação de cultura do Fórum, proporcionando às delegações dos mais diversos países um espaço plural, de natureza intercultural, para a manifestação artística, a fruição estética e o diálogo solidário, tendo em vista um projeto de educação e sociedade que valoriza a diversidade, a relação local-global e a cultura como produção simbólica de construção de identidades.


Outras informações, no blog do festival:  http://www.socialcine.blogspot.com

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

25 de Novembro - Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

Hoje é uma data importante. É o dia Internacional de combate à violência contra a mulher.

E não pense que dia 25 de Novembro é apenas mais uma data em que os movimentos sociais se levantam contra a impunidade e a opressão dos que se imaginam maiores, superiores e acima de qualquer um que não seja do genêro masculino.


25 de Novembro - Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

Um dia para lembrar, protestar e mobilizar contra a violência à mulher.


Definido no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá, Colômbia, o 25 de Novembro é o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. A data foi escolhida para lembrar as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.


Em 25 de novembro de 1991, foi iniciada a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher,que propôs os 16 Dias de Ativismo contra a Violência contra as Mulheres, que começam no 25 de novembro e encerram-se no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948. Este período também contempla outras duas datas significativas: o 1o de Dezembro, Dia Mundial da Luta contra a AIDS e o dia 6 de Dezembro, Dia do Massacre de Montreal (leia mais sobre o 6 de Dezembro)


Em março de 1999, o 25 de novembro foi reconhecido pelas Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.


Fonte: Rede Feminista de Saúde, RedeFax, 26/ 2003.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Confecom: Os números e a crítica.

Foto: Eunice Pinto/Ag.Pará

Do Blog de Fábio Castro


A I Conferência Estadual de Comunicação teve 334 parcitipantes, dos quais 247 pertencentes à sociedade civil, 66 empresários e 21 participantes poder público. O Pará será representado, na conferência nacional, por 50 delegados, sendo 22 da sociedade civil, 22 do setor empresarial e 6 o poder público. O interior paraense participou da conferência e estará representado nos três setores da delegação estadual: teremos 2 empresários de Santarém, 1 de Altamira, e também 2 representantes do poder público, sendo 1 de Santarém e outro de São Domingos do Capim, além dos delegados do interior que representarão a sociedade civil. Como era de se esperar, a disputa mais acirrada foi pelas vagas destinadas à sociedade civil.

No final da conferência, depois de dias de negociação, duas chapas de formaram em torno da propost
a de regionalização. A chapa vencedora ganhou com 34 votos de diferença: 121 a 87.

Agora, uma das versõs disparadas nas redes de emails, atores de partidos distintos, principalmente a juventude do PSOL, seguidos pelo camarada Marcão do PC do B que não refrescou e mandou bala:

Vergonha! Foi uma verdadeira vergonha o ocorrido na Conferência de Comunicação. Foi transformada em Vale-Tudo, onde - como nos tempos dos coronéis - só faltou voto de morto para impor à força a maioria excludente, pois voto de pessoas do segmento poder públiuco foram flagrados votando como se fossem da sociedade civil, na maior cara de pau, como a Tetê da SEDUC e o Sérgio de S. Domingos. ...

Sabe-se lá quantos mais não votaram assim .... além de crachás distribuídos sorrateiramente ....
É essa maioiria que quer "democratizar" a comunicação ... Será que triunfará as nulidades ... a vergonha da fraude e da violência ... O argumento dos poderosos e da força bruta ...

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Sessão Especial sobre a Usina Hidrelétrica de Belo Monte

O Brasil tem como desafio promover o crescimento econômico com sustentabilidade social e ambiental. Para isso, precisa dar resposta a crescente demanda de energia, sem deixar de lado a conservação do meio ambiente e a melhoria das condições de vida da população. É com este intuito que o mandato do Vereador Adalberto Aguiar estará realizando no próximo dia 26 de novembro, às 9h, na Câmara Munical de Belém, uma sessão especial para falarmos sobre a Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Sua presença é fundamental para este debate.

Fonte: Chefia de Gabinete do Vereador Adalberto Aguiar

Muito boa a iniciativa do vereador que trás à tona o debate sobre a construção da Usina de Belo Monte, o qual é permeado por argumentos prá lá de consubistânciados de retórica e dados, onde o pró e contra encontram na sustentabilidade, os impactos ambientais e a necessidade ecônomica e principalmente
as soluções para resolver a situação atual do Sistema Elétrico brasileiro que definitivamente precisa ser ampliado.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

"Existem milhares de pedidos de intervenção federal em todo o país. Somente o Estado de São Paulo possui 2.200 ações desse tipo em andamento, enquanto o Pará não possuía nenhuma até então. A intervenção federal é uma decisão remota. Nem mesmo na época do regime militar houve intervenções decretadas. Por isso, temos certeza de que o Tribunal acabará arquivando o caso."

Do Procurador Geral do Estado, Ibraim Rocha, na coletiva à imprensa que marcou a resposta do governo sobre o pedido de intervenção federal no Pará feito pelo tribunal de Justiça do Estado (TJE) em resposta à pressão de fazendeiros que querem fazer onda com o governo Ana Júlia.

Movidos ou não por fatores eleitorais uma coisa é certa neste tabuleiro de interesses: Os fazendeiros (grileiros) que historicamente invadem terras públicas no Estado, nunca haviam sido incomodados pelos governos anteriores, assim como os madereiros que exploram de forma ilegal - e porque não chamá-los de bandidos, assim como são rotulados os ocupantes do MST? - e fazem do latifúndio seu império, capaz de subornar por décadas juízes, prefeitos, governadores, parlamentares e a imprensa de modo geral.

Não todos, mas são muitos destes que enriqueceram com a morosidade do executivo em ordenar a reforma agrária, que pouco se importam com ordemanento no campo promovido através do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de regularização e titulação de terras "Terra Legal", do governo Federal.

Essa é a turma da bagunça que usa cordão de ouro no pescoço, que tenta fazer as políticas públicas implantadas durante o governo Lula e em parte no governo Ana Júlia, serem ignoradas pela população através da sensibilização do senso comum à favor de um discusso de criminalização do MST e por tabela atingir os governos petistas que ironicamente são taxados de complacentes com as ocupações e sustento do movimento. No tocante do fogo cruzado, uma das principais lideranças do movimento,João Pedro Stédile, afirma que o governo Lula mais atrapalha que ajuda a reforma agrária.

No Pará a história ganha novos aspectos de politicagem, já que mandatos de reintegração de posse, que segundo o chefe da Casa Ciivl, Cláudio Puty, estão sendo atendido e por afirma que só neste governo foram realizadas 101 reitegrações, todas com soluções pacíficas, sem sangue, diferente do governo anterior que deixou de cumprir 176 e entre as marcar deixadas ficou o trágico epsódio que manchou mundialmente o Estado do Pará, onde 19 trabalhadores sem-terra foram cruelmente assassinados pela Polícia Militar, no que ficou conhecido como Massacre de Eldorado do Carajás.

A decisão do TJE segue, agora, para o Supremo Tribunal Federal (STF), a quem caberá os procedimentos legais, nos termos definidos pela Constituição Federal para os casos de intervenção federal em Estados.

As Novas Tecnologias Digitais, As Crianças e a Educação


Do Blog Mídias na Educação


As novas tecnologias digitais são responsáveis por uma verdadeira revolução na sociedade brasileira e, por que não dizer, no mundo inteiro. O acesso à tecnologia é cada dia mais fácil, devido a fatores como preço dos equipamentos, facilidade de uso e sua portabilidade (os equipamentos são cada vez menores).


Hoje, é comum que jovens e crianças manipulem aparelhos celulares, ipod, MP4, MP5 e outros correlatos. Tais equipamentos permitem ao usuário fotografar, criar vídeos, gravar conversas, armazenar músicas, dados etc.


De posse dessas tecnologias, crianças e adolescentes - não só eles, mas principalmente eles - estão modificando seu relacionamento com a mídia tradicional. Deixaram de ser meros consumidores ou receptores de imagens e notícias e assumem o perfil de produtores de imagens e de editores de notícias, enfim, são emissores.


Sem dúvida que o cenário descrito acima enseja certo otimismo e aponta caminhos interessantes para o uso consciente e qualitativo das mídias e, em particular, para seu uso no campo da educação.


As escolas podem e devem se apropriar das tecnologias digitais para desenvolverem projetos pedagógicos, filmar e editar seus vídeos, fazer registros fotográficos das atividades, gravar digitalmente os conteúdos mais significativos, etc. Aliás, isto já está acontecendo em muitas escolas.


No Estado do Pará, podemos citar alguns exemplos em que as escolas, alunos e professores estão envolvidos em projetos relacionados às Tecnologias de Informação e Comunicação –TIC, entre os quais destacamos: o I Concurso Estadual de Blogs Educativos, no qual já ocorreram as etapas de Castanhal, Bragança, Santarém, Marabá, e ainda faltam as de Tucuruí e Belém. Após essas etapas regionais, ocorrerá a etapa estadual.


Os blogs das escolas ilustram perfeitamente como deve ser o uso inteligente e criativo das tecnologias digitais. Nos blogs podemos analisar muitos vídeos, fotografias, textos de autoria de alunos e professores; conteúdos relevantes para a formação integral do cidadão. Para conhecer vários desses blogs, basta acessar o blog da CTAE http://ctaeseducpa.wordpress.com/


Outro bom exemplo é o projeto Educarede promovido pela empresa Telefônica. No portal Educarede está em desenvolvimento o projeto Minha Terra: Aprender a Inovar. Nele, as escolas são instigadas a produzirem vídeos, fotografias, textos... sobre sua realidade local e depois postar os conteúdos produzidos na internet no próprio Portal Educarede, nos blogs das escolas e até no YouTube. Em Belém e Ananindeua, temos cerca de 22 escolas participantes da iniciativa do Educarede; essas escolas estão sendo orientadas e acompanhadas pela equipe de professores formadores do Núcleo de Tecnologia Educacional Profº. Washington Luis B. Lopes – NTE Belém. Alguns destes trabalhos já produzidos estão disponíveis no blog do NTE Belém http://ntebelempa.blogspot.com/2009/10/resultados-educarede.html


Outro exemplo é o Projeto Aluno Repórter (http://alunoreporter.com.br/) desenvolvido por professores e alunos de Bragança, coordenado pelo NTE Bragantino (http://ntebragantino.wordpress.com/). Com o projeto os alunos aprendem técnicas da radiodifusão e participam de programas ao vivo na rádio educadora de Bragança.


Ainda temos as oficinas de inclusão digital do Projeto Escola de Portas Abertas, o projeto Aluno Argonauta (http://alunosargonautas.jimdo.com/), Aluno Integrado e os cursos de Formação de Professores dos NTEs etc.


São exemplos de iniciativas com uso das tecnologias, embasadas em propostas pedagógicas sólidas, com objetivos claros a serem atingidos e que promovem o diálogo entre educadores e alunos, ação conjunta de ambas as partes envolvidas em projetos de construção de conhecimentos e experimentação de cidadania.


Entretanto, nenhuma das iniciativas, reveladas até aqui, ocupou o tempo dos grandes noticiários da imprensa local, ao contrário, o olhar da grande mídia prefere sempre expor as mazelas da escola pública. O último grande exemplo foi o episódio protagonizado por três jovens de uma escola pública de Belém. É preciso questionar, por que o uso inteligente e produtivo das tecnologias não é notícia e o uso inadequado ou ingênuo vira um espetáculo midiático?


É preciso que nós educadores, continuemos nos apropriando cada vez mais de conhecimentos para a ampla utilização das ferramentas tecnológicas disponíveis nos dias atuais, criando possibilidades de uso dessas tecnologias que aguce no aluno o interesse pela pesquisa dentro e fora da escola, desenvolvendo no educando, as capacidades de interpretação, síntese e criticidade, uma vez que, a escola é o espaço apropriado para ensinar como as pessoas devem se portar diante das tecnologias que fazem parte de seu cotidiano. Perguntamos: “será que esses estudantes envolvidos sabem, por exemplo, que a pessoa que tiver armazenado o vídeo em seu celular, pendrive ou computador poderá ser preso em flagrante acusado de pedofilia. Veja o que determina o ECA – Estatuto da Criança e Adolescente:


Segundo o ECA quem produz, dirige, fotografa, filma, contracena com crianças ou adolescentes – menores de 18 anos – em cena de nudez ou sexo explicito está sujeito às sanções referentes à pornografia infantil. E ainda, quem publica e armazena o conteúdo pornográfico também é enquadrado na Lei 11.829. A pessoa pode ser presa em flagrante delito se for pega com o celular ou qualquer meio eletrônico em que a imagem esteja armazenada. A pena varia de um a quatro anos de detenção e multa.


Sustentamos a seguinte opinião: não é por causa do recente episódio ocorrido em uma de nossas escolas que se deve proibir o uso do celular ou de qualquer outra tecnologia na escola. Concordamoos com Sérgio Amadeu, pesquisador brasileiro de comunicação mediada por computador e autor dos livros “Exclusão digital” e “A miséria na era da informação”, quando diz que não faz sentido proibir que estudantes tenham acesso a um meio de comunicação na escola que cada vez mais vai adquirir importância na sociedade. Ao contrário “se agente tem problemas do uso inadequado nas escolas, esse é um bom lugar para ensinar como as pessoas devem se portar com o celular”. Amadeu ressalta ainda que nenhuma tecnologia substitui a ética e nem a reflexão consciente do uso dessa tecnologia.


E assim, finalizamos com um apelo a todos os professores e escolas, que juntos pensemos em projetos de aplicação das TIC que apontem não só para encurtar espaços físicos, bem como integrar as pessoas em seu espaço urbano, e refletirmos no que diz Dr.Rogério da Costa em entrevista ao Educarede, realizada em março de 2009, que o importante não é apenas o tipo de projeto realizado, mas o esforço em estabelecer um novo paradigma para as tecnologias da comunicação: elas podem servir para que as pessoas façam um uso inteligente do espaço onde vivem que possam integrar seus hábitos e atitudes num coletivo inteligente, que pensa a favor do lugar em que vive. Quem sabe, um dia possamos ser alvo da mídia em um processo inverso ao que vemos hoje, em que muitas vezes, muitas de nossas escolas são alvos de uma mídia produzida de forma aligeirada, pouco convidativa à reflexão, que mais contribui para diminuir a auto-estima de alunos e professores e que decididamente não nos serve.


Texto: Jamille Galvão

Maria do Carmo Acácio

Marcelo Carvalho

Tânia Sanches

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Os nomes da Privatização


A imagem acima, produzida pelo jornal Diário do Pará, foi publicada na edição de hoje, com os nomes dos vereadores pró e contra a privatização dos serviços de água e esgoto de Belém.

A iniciativa mostra à população quem é quem na defesa dos direitos do povo e dos interesses escusos do falso médico, o prefeito Duciomar Costa.

Com apenas dois votos à favor da proposta nefasta de privatização, tendo a condução natural do presidente vereador Nadir Neves (PTB - o partido do prefeito) e Tereza Coimbra (PDT).

Justiça seja feita ao vereador Fernando Dourado (DEM) que teve seu nome (num lapso diplomado) vinculado à foto da vereadora, que de dourado só tem os cabelos.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Uma gatíssima à preço de custo


Adriano Barroso que é ator, autor, diretor de teatro, documentarista e roteirista escreveu esta pérola em seu blog que infelizmente está desfasado, imagino que por conta do enorme batalho que o artísta multifacetado que é, mas com certeza a leitura abaixo te levará à boas risadas (se for homem) e quem sabe indentificar-se (se for mulher).

Ave Nelson.

Mulher bonita gosta de papo besta. Muita elaboração vira tese, e ninguém quer ir para cama com um Phd em alguma porra que não seja o sexo.

Mayra era gostosa, mas levava uma vida marital com seu namorado chato. Mesmo com a pouca idade dos dois, eles acreditavam mesmo que deviam fidelidade absoluta um ao outro. Juntos, era um casal enojador, fazendo ceninhas de ciúmes em público e quase sempre deixando a mesa de bar antes de todos, em meio a porradas.

Mayra era gostosa e bem de vida, pele boa, cabelo tratado, unhas sempre feitas, se vestia com personalidade. Todo mundo só esperava um dia pegar ela sem o namoradinho chato. Minha particular batalha com Mayra já durava quase um ano, como ela sempre sorria das minhas palhaçadas, eu aproveitava para jogar deixas para ela pegar. Um dia, cheguei mesmo a ser sincero, “Se eu não fosse acanhado, eu te diria que estou enamorado por ti”.
Mulher adora homens ingênuos e frases feitas. Quando eu descobri a palavra ‘enamorado” jamais usei de novo a palavra “apaixonado”, que essa dá um ar de compromisso. Enamorado é mais solto, e algumas delas, não sabem nem o que é isso.

De tanto esperar, meu dia chegou.

Estava rolando um festival de cinema na cidade, e alguns amigos programamos para ir. A turma, junta, somava umas seis pessoas, o número par só foi possível porque nesse dia, o namoradinho chato não foi, Mayra, sim. E eu estava disposto a cercar mais uma vez. “Faz um tempinho que encontro a Mayra sem o namorado por aí, será que terminaram?”, comentou com um certo veneno feminino Amanda, namorada de um amigo. Peguei a senha.

Quando Mayra chegou, sem o mala, fui logo mandando o recado: “não posso entrar nesse cinema contigo”, mandei. “Por quê?”, ela respondeu. “Cinema ter ar de romance, e como estás sozinha, não vou responder por mim”, cravei. Ela sorriu, me chamou de palhaço, mas também não decretou distância alguma.

E foi como eu tinha pensado, sentado lado a lado, eu fazia comentários sobre o filme no ouvido de Mayra, que só respondia sorrindo. O filme já pouco me importava, era de graça mesmo, e eu estava mais interessado em mapear cada parte daquele coxão exposto que sobrava na sainha de Mayra.

Quase no final do filme ela se virou e falou no meu ouvido: aquele papo de enamorado ainda está de cima?, quase amarelei, mas mantive a pose. “Não me entenda mal, você é uma pessoa adorável”, me finge de tímido. Ela também fingiu que acreditou, e logo, logo estávamos trocando longos beijos. Mas também acabou no cinema nosso romance. Fomos para o bar depois e mantivemos a distância, imposta por ela, claro.

Mas confesso que fiquei empolgado e decidi realmente fazer a coisa certa. Na mesma semana saímos por duas vezes e foi somente beijos trocados. “Não quero que nossa história seja somente cama, quero que a gente se conheça melhor e tu tenhas certeza do que estas fazendo”, menti.

Sempre no carro dela, porque o meu já estava caindo aos pedaços e não comportava uma mulher como aquela, ela me deixava na esquina de casa acreditando ser a ativa na relação.

Mas com os beijos cada vez mais quentes, chegou uma hora que não dava mais para segurar, o grande momento estava chegando.

Sempre preguei que a leitura é um instrumento maravilhoso para romper barreiras e tirar a gente de encrencar. É lá, nos livros, que estão os grandes ensinamentos da vida, sabedoria é colocá-los em prática na hora certa.

Mayra havia sucumbido aos constantes assédios do ex-namorado, e me dito de maneira muito triste no telefone que havia reatado a merda do relacionamento dela. Para não perder por completo tirei um João Antônio da cartola e mantive a malandragem: “Tudo bem, para um homem como eu, o que vivemos já foi uma experiência extasiante”, e desliguei o telefone num Putaquepariu.

Mas o que foi plantado naquele dia renderia frutos à frente. Mandei flores e um Neruda para sua casa, em uma despedida à lá Chico Buarque.

Uma semana depois São Nelson me valeria.

Estávamos todos no mesmo bar, a mesma turma, dessa vez em número ímpar, quando o casal nojo resolveu empreender mais uma briguinha, ele pegou o carro e foi embora e, eu, bom, eu elegantemente me retirei da mesa e fui beber no balcão.

Deu certo, ela se aproximou e disse, “Dessa vez é para sempre”, e mais: “Me leva daqui, para onde quiseres”. Para onde eu quisesse valia bem mais do que me prometer vida eterna, entendem?

O negócio era que eu andava meio quebrado, gastando mais do que podia, e naquela noite, fazendo as contas rápido, pagando a despesa, me sobraria uns vinte paus. Era muito pouco pra tudo aquilo de mulher. Sorri um sorriso amarelo.

“Me tira daqui, vai”, ela implorava. Tirei um Paulo Coelho da manga para ganhar tempo, e ataquei com pieguice: “A raiva nunca é a melhor conselheira”. “Raiva é o caralho, eu passei a noite inteira te olhando”, ela respondeu com a sinceridade de uma Hilda Hilst.

“Ta bom. Vamos nos dar ao desfrute”, era Ana Cristina César falando em mim. Mas... (lembrei da pouca gasolina, no meu carro fedorento, do carro dela confortável, da minha carteira magricela, mas aí me veio meu santo de cabeça. Nessas horas as mulheres gostam de homens de atitude).

Deixa o teu carro aí e vem comigo. Ela sorriu. Peguei ela pelo braço e saímos andando pela rua, “Para onde tu estas me levando?”, ela questionou. “Se vai rolar algo entre a gente, vai ter que ser diferente. Uma história que seja só nossa”, continuei andando e falando, “frequentas os lugares mais chiques, não é? Quero te fazer experimenta uma história diferente”, ela sorriu.

Quatro quadras depois entramos no El Camiño, um hotel vagabundo no centro da cidade, que cobrava 15 paus duas horas. Ela entrou meio ressabiada, mas não desistiu. Pelos meus cálculos ainda sobraria 5 paus para colocar um litro de gasolina no meu caro até chegar em casa depois.

Na cama, sacramentei a jogada: “É que eu te acho nelsonrodriguiana, sabe, bonitinha, mas ordinária, quero contigo, mas só vai ser bom se for em um lugar brega como esse”. Ela adorou a declaração.

Ainda declarei muito Nelson Rodrigues naquele ouvidinho cheiroso. Sempre nos piores motéis da cidade.

Uma gatíssima à preço de custo.

Ave Nelson.

Reintegração de Pose


Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Nostalgia Organizada


Um grupo de ex-universitários e ex-secundaristas que estiveram a frente de entidades estudantis nas décadas de 80 e 90 estão reunindo desde maio de 2009, para organizar eventos comemorativos à maioridade da conquista da meia-passagem em Belém. O grupo chamado “Da meia-passagem à meia-idade” lança um blog como primeiro produto desse movimento para construção do memorial da meia-passagem, a maior conquista da juventude paraense nesse período. Leia mais...

Pri na Ilegalidade


Desde quando Priante ficou porraqui com a governadora - sabe-se lá se com o PT como um todo também?! - o rapaz, que tem o tio, um cara muito bem cotado e que por isso, acha que ele, o tio, Jader Barbalho, deva ser lançado à disputa do governo do Estado pelo PMDB nas eleições do ano que vem. Até aí tudo bem!

Lançar o tio candidato à governo do Estado, todo cidadão de bem (?) pode, não é verdade?


Porque Priante não poderia lançar Jader, seu tio?


Acontece que ao invés de Jader, Priante foi confrontar-se com a lei eleitoral, criando suas próprias regras, lançando-se candidato antes do tempo previsto, tal como revela a foto acima, tirada por um amigo, em uma rua de Belém.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Verequete Vive!

A visita do o ministro da Cultura Gilberto Gil, em Belém para lançar o programa Mais Cultura e o Edital dos Pontos de Cultura no Estado do Pará. A cerimônia aconteceu às 17h, no Forte do Presépio. A governadora do Pará Ana Júlia Carepa e o secretário de Cultura Edílson Moura, em cortejo até o Forte, participaram de manifestações culturais junto com grupos parafolclóricos. Mestre Verequete, Pinduca e outros artistas paraenses participaram do cortejo.

Foto: Eliseu Dias/Ag.Pará



Nosso Bom Deus Chama Vereque!

Vá mestre e saiba que o Carimbó não morreu!

Verequete não morreu!

A Carta de Charles Alcântara

Depois de 4 meses após ser enviada à governadora Ana Júlia, ao presidente do PT-Pará João Batista e ao secretário de Integração Regional, André Farias, a carta que o ex-chefe da Casa Civil do governo do Pará, Charles Alcântara os enviou, é finalmente publicada pelo jornalista Paulo Bemerguy, em seu Espaço Aberto.

Charles fora demitido para em seu lugar assumir Cláudio Puty. Logo, lançou seu blog que passou à ser monitorado e visitado diariamente por centenas de pessoas, que alí esperavam ler/reconhecer os bastidores do poder estadual e os prováveis motivos de seu afastamento do palácio governamental, entre os quais afirmarvam ser o articulador e defensor dos interesses de Jáder no Palácio dos Despachos.

Desistiu do blog depois de 3 meses, sem muitas explicações plausíveis mas em compensação encabeça uma campanha sindical forte, que causa náuseas ao núcleo duro do governo.


Coordenador da campanha de Ana Júlia, Charles Alcântara, assim como Edilza Fontes (Escola de Governo e PTP) e Carlos Guedes (SEPOF - que teve as diretorias do Tesouro e Estadual e de Gestão Contábil e Fiscal transferidas para a SEFA, motivo pelo qual travou uma batalha interna que o levou ao pedido de exoneração), todos foram Secretários de Estado por indicação da DS, escalados no primeiro tempo do governo estadual, e em seguida, sumariamente substituídos, demitidos sem muitas honrarias - e como disse, Edilza Fontes em sua carta, escrita no pós-afastamento do governo - defenestrados por embates internos no seleto grupo de confiança da governadora Ana Júlia.

Carlos Guedes assumiu o comando do Programa Terra Legal, mas antes teve enfrentar uma queda de braço com lideranças da DS-Pará, que queriam ver o cão, menos ele, ocupando o assento da regularização fundiária do Governo Federal na Amazônia.

Edilza Fontes assim como Charles Alcântara, logo depois do afastamento também lançou um blog - antes desclassificava o instrumento - e mantém à boca grande sua candidatura, propondo dobradinhas "diversificadas".

Uma delas se dá, por ser o elo do "acordo nefasto" do governo estadual com o PTB de Duciomar, já que seu ex-marido e ex-petista, Raul Meireles - hoje o braço direito do impronunciável, o nefasto falso médico, Duciomar Costa, prefeito de Belém até 2012 ou quando Belém tiver um juíz sério ou quando os movimentos sociais forem às ruas novamente, indignar a população com o pedido da cabeça do cara.


Resta lembrar que este cenário, trágico para petistas histórico que mantém sua história de luta com sensatez, tem precedentes e merece ser lembrado para ser evitado num futuro próximo, pois quando o PT lançou o professor Mário Cardoso à disputa da prefeitura nas eleições de 2008 e parte da DS, influentes no governo, oPTaram em apoiar DUDU, foi a gota d'água do acordo que mantém-se com o infame prefeito.

Eis a carta de Charles Alcântara:


ESQUERDA E DIREITA

Companheiros (do PT) e esquerdistas (do governo),

O mês de julho pede passagem e, com ele, o calor. Calor que pede água fresca para mitigá-lo. O que não pode é a água ser quente.

E eis que uma espécie de “termidor ao tucupi” parece abater-se sobre a “república” paraense, porém despido do mesmo senso de justiça e emancipação que impulsionou jacobinos e girondinos a tomarem a Bastilha.

Desde que deixei o governo, tenho sido tratado como inimigo. Tenho sido atacado, caluniado e combatido com um vigor que falta a esses “combatentes” para combaterem os nossos reais adversários.

Saibam que eu não posso – e não vou – aceitar essa “molecagem” comigo, que parte de quem já está em busca do “bode” para expiar os seus pecados.


Na falta de argumentos políticos plausíveis e consistentes para justificar a minha dispensa (que me foi comunicada pessoalmente pela governadora, sem que esta tenha tido o respeito de me presentar o motivo – ou motivos - que a levaram a tomar tal decisão), o núcleo do governo decidiu “vazar” a versão de que eu representaria os interesses do PMDB no governo e de que eu havia sido condescendente com o fisiologismo.

A tentativa era a de desmoralizar-me politicamente, associando-me às forças que obstaculizavam o avanço do governo à esquerda (basta ler o que foi publicado no blog do Juvêncio de Arruda, no dia 11/04/2008 e nos dias seguintes, para identificar a quem pertencem as digitais contidas naquelas palavras hostis e jocosas).

Que venham os redentores do socialismo e da revolução!

Abram alas para a vanguarda libertária!

Os autênticos representantes da esquerda pedem passagem!

Que se vão os entreguistas, vendilhões e traidores do povo!

Ora meus caros, resisti a tudo isto.

Resisti à acusação do Zé Raimundo de que eu seria candidato, em 2010, pelo PSDB, acusação feita a uma colega de trabalho.

Resisti às piadas e às insinuações.

Resisti à dúvida daqueles que não conhecem a minha vida e a minha conduta, como militante político e servidor público.

Mas resisti também às tentativas de interditarem o meu direito de continuar a fazer política e de expressar a minha opinião, tentativas estas que passaram – e passam – pela artimanha de disseminar a idéia de que eu estou magoado com o governo e de que, por essa razão, eu quero me vingar.

Mais recentemente, tenho enfrentado a acusação de que eu estou sendo usado pela “direita” para atacar o governo.

Vejam vocês: agora eu estou sendo usado pela direita.

Alguns insignes representantes do núcleo do governo, por intermédio de seus áulicos mais caninamente fiéis, andam a espalhar que eu, por ingenuidade ou má-fé mesmo, deixei-me instrumentalizar pelas forças de direita que querem derrubar o governo.

Ora, meus caros, se tenho sido resistente até então, não pensem que eu tenho vocação ou talento para ser permissivo ou tolerante com essa “molecagem” (mais uma, aliás) que querem fazer comigo.

De repente, os autênticos representantes da mais pura e destemida esquerda paraense acham-se no direito de sair por aí a apontar quem é de direita e de esquerda, ou quem está a serviço desta e daquela.

É muita pretensão! É muito cinismo!

Esses “esquerdistas” de meia-sola, embalados pelo lema de que “um outro mundo é possível” e, certamente, julgando-se os seus únicos construtores, devem estar vivendo, agora, num mundo irreal e inventado em suas mentes adoecidas pela presunção, soberba, egoísmo e falsidade.

No mundo inventado por “eles”, restrito aos arraiais palacianos, impera a perseguição a companheiros, a cobiça do poder – pelo poder –, a esquizofrenia, que vê nos velhos companheiros, a imagem do inimigo a ser abatido.

Não fosse o bom-senso do policial que comanda o efetivo da PM na fronteira do Itinga (cujo nome eu nem recordo), eu teria sido preso, por “ordens superiores” (a mão invisível da repressão do grupo de “esquerda” que comanda o governo estadual), por que estava ali fazendo o que muitos de nós, ao longo da nossa trajetória política, fizemos muitas vezes, ou seja, garantindo a paralisação decidida em assembleia geral da categoria. E eu é que sou de direita!

Estamos, no Sinditaf/PA, reivindicando concurso público, pois, além da crônica falta de pessoal, há uma prática disseminada e deletéria de desvio de função pública no âmbito da Sefa. A medida fortalece a função pública – e de Estado – exercida pela administração tributária estadual e reforça o combate à sonegação. E eu é que sou de direita!

Estamos, no Sinditaf/PA, defendendo a autonomia da administração tributária e o fim da interferência política nas decisões político-administrativas do órgão, com vistas a garantir a supremacia do interesse público sobre o interesse privado. E eu é que sou de direita!
Estamos, no Sinditaf/PA, defendendo que haja isonomia de tratamento entre os contribuintes do ICMS, de modo a evitar que haja privilégios e afrouxamento para uns e rigor excessivo para outros, em razão de suas preferências políticas. Isto fortalece o fisco como uma atividade de Estado – e não de governo, além de proteger os servidores ciosos das responsabilidades de sua nobilíssima função pública. E eu é que sou de direita!

Estamos, no Sinditaf/PA, defendendo a valorização dos servidores do fisco, que precisam ser prestigiados, fortalecidos e reconhecidos, social e institucionalmente, inclusive para resistir e enfrentar as forças do poder econômico e do poder político que funcionam a serviço do interesse privado. E eu é que sou de direita!

Estamos, no Sinditaf/PA, lutando pela autonomia da entidade sindical em relação ao governo e ao partido. E eu é que sou de direita!

Ora, como eu, ao longo da minha vida, como militante do PT e como servidor público, sempre defendi essas mesmas idéias, chego à conclusão (depois de 25 anos) de que - de acordo com a visão de esquerda e direita implantada pelos únicos e autênticos porta-vozes da esquerda paraense, que estão instalados no palácio dos despachos e que atendem pela alcunha de “núcleo-duro” do governo – eu sou de direita.

É duro! Só um núcleo muito “duro” mesmo para elaborar uma tese tão escatológica!

Mas que seja assim.

Eu sou de direita e “eles” são, não “de” esquerda, pois isto não lhes seria suficiente, mas “a” esquerda. A única, a pura, a verdadeira “esquerda”.

Paciência tem limite!

Como eu sou de direita e quero derrubar o governo de “esquerda”, aproveito para reafirmar o que já disse aos companheiros André Farias e Airton Faleiro, que me procuraram para conversar, por delegação da governadora: Eu estou disposto a celebrar todos os acordos possíveis para ajudar o – ainda “nosso”, embora cada vez menos ”nosso” – governo, desde que preserve os princípios que sempre nos foram caros – ainda que, hoje, esses princípios sejam considerados de direita – e afirme a autonomia da Sefa, protegendo-a das interferências políticas e do toma-lá-dá-cá, próprio das conveniências eleitorais.

Saibam que eu não posso – e não vou – aceitar essa “molecagem” comigo, que parte de quem já está em busca do “bode” para expiar os seus pecados.

A administração tributária é atividade essencial ao funcionamento do Estado, que deve ser exercida por servidores de carreiras específicas e que terá recursos prioritários para desenvolver suas atividades. Esta é a diretiva constitucional contida no Inciso XXII do Artigo 37 da CF. E disto não abro mão!

E que me deixem continuar a minha trajetória de direita.

Mas que me respeitem!

Abraços,

Charles Alcântara.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

A volta, renomada


Terça-feira, Outubro 27, 2009

O Bolsa e a Vida

Por Juremir Machado da Silva

Dizem que Bolsa-Família é coisa de país atrasado. Concordo. Todo país europeu desenvolvido e com algum senso de responsabilidade social tem Bolsa-Família. Sem esse nome, claro. A Alemanha tem. A França tem. Os países escandinavos têm. Até a Inglaterra tem. Os europeus são dinossauros. Na França, o Bolsa-Família atende pelo nome de "aides sociales" (ajudas sociais). A França é totalmente insensível aos novos tempos. O seguro-desemprego francês pode durar até 36 meses. Depois disso, se a vida continua dura, o sujeito pode ter acesso ao RMI (renda mínima de inserção): 447 euros para uma pessoa só, 671 euros para quem tiver um filho.

Quase 2,5 milhões de franceses recebem o RMI (nome válido até este ano). A partir dos 59 anos de idade, a pessoa pode receber o RMI sem sequer ter a obrigação de procurar trabalho. Não dá!
As famílias francesas recebem ajuda financeira conforme o número de filhos. O Estado ajuda a alugar apartamento e até a tirar férias. O sistema de saúde é universal e gratuito, inclusive os medicamentos. Que atraso! Um estudante estrangeiro em situação regular na França pode receber ajuda do Estado para ter onde morar. É muita mamata. Lembrete: o governo francês atual é, como eles dizem, de direita. Mas o Estado francês é republicano. A concepção de Estado dos europeus é muito esquisita: uma instituição para ajudar a todos e proteger os interesses da coletividade, devendo estimular a livre iniciativa e dar condições de vida digna aos mais desfavorecidos. Agricultores recebem subsídios. Empresas ganham incentivos. A universidade é gratuita para todos os aprovados no BAC, o Enem deles. Há vagas para todos. Obviamente não há necessidade de cotas. Que loucura!


Existem instituições privadas de ensino cujos salários dos professores são, em geral, pagos pelo Estado, pois se trata de um serviço de utilidade pública. Aí os nossos liberais adoram dizer: "É por isso que a França está quebrada". Tive a impressão de que a crise mundial mostrou os Estados Unidos mais quebrados do que a França. Os mesmos liberais contradizem-se e afirmam: "A França é rica e pode se dar esse luxo...". É rica ou está quebrada? Quase 30% do PIB francês é distribuído em ajudas sociais. O modelo francês enfurece os capitalistas tupiniquins, leitores de revistas como a Veja, cujas páginas pingam ideologia. Visto que dá mau exemplo de proteção social, o Estado francês é chamado de anacrônico, ultrapassado, assistencialista e outros termos do mesmo quilate usados na guerra midiática. Está certo. Moderno é ajudar a turma dos camarotes e mandar a plebe se virar. Acontece que a plebe do Primeiro Mundo não aceita esse tipo de modernidade tão avançada.


É plebe rude. Se precisa, quebra tudo, mas não cede. Os ruralistas de lá são mestres em incendiar prefeituras quando falam em cortar-lhes os subsídios estatais. Nas cidades, a turma adora queimar uns carros para fazer valer seus direitos. Na Europa, pelo jeito, não se melhora o Estado piorando a sociedade. A França tem muito a aprender com o Brasil. Somos arcaicamente modernos. Numa pesquisa recente, a França tem a melhor qualidade de vida da Europa. Nada, claro, que possa nos superar.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Nós, os jornalistas


"Jornalista é um animal solto, livre, selvagem, que vive bem mais do instinto do que da racionalidade"


Da jornalista Ana Célia, em seu Blog Perereca da Visinha. Demitida de O Liberal, logo depois que o jornal veiculou a matéria em que a própria denunciava um suposto esquema no Rangar, ops, Hangar, acabou sendo contratada - e até hoje tá aguentando dar "manutenção" no Blog do Vic, aquele mesmo, Deputado Federal e Presidente do DEM-PA.


Que seria do Jornalismo se nós, os repórteres, parássemos de perguntar?

O que seria do Jornalismo sem essa coisa de procurar debaixo do tapete; de fuçar a limpeza da cozinha, de onde vem o cheiro maravilhoso da comida?

Ou sem essa coisa de tocar fogo no circo, para que até os palhaços sejam obrigados a arrancar as máscaras e parar de rir?

E o que seria da sociedade sem Jornalismo? Sem aquele sujeito chato, enjoado pra porra, que fica dizendo: “olha, tem alguma coisa errada aí; olha, tem alguma coisa errada aí”... Enquanto tá todo mundo pra lá de feliz, numa grande bacanal?

Que seria de nós, repórteres, linha de frente do Jornalismo, se nos limitássemos, apenas, a pedir a bênção do entrevistado?

Certamente, chegaria a hora em que o arguto, sapientíssimo leitor, diria: “Esse sujeito tá é doido, ou tá se fazendo!... Como é que ele diz que acredita que aquele outro foi pra Lua, se nem conseguiu sair de lá de Cametá?”

Jornalismo que é Jornalismo não se detém diante de barreiras, concretas ou imaginárias, naturais ou artificiais.

Jornalismo que é Jornalismo tem de expandir o território em que se faz, em que se realiza.

Tem de ambicionar contemplar o mundo, toda a gente.

Tem de ser a síntese entre o Céu e o Inferno, com o Purgatório e a Terra pelo meio, até como parâmetros, a mediar essa exegese chamada notícia.

Jornalismo que é Jornalismo instiga, faz pensar.

E faz sonhar, também.

Com a confluência das divergências.

Com o possível, que agora nos parece impossível.

Com a grande valsa que dançarão, um dia, todos os integrantes da sociedade...

E a gente tudo descansado, naquele boca-livre total!...

Jornalismo que é Jornalismo não se contenta com o mais fácil, com a simples declaração.

Jornalismo que é Jornalismo, aspeia – mas, interroga.

Revira a lata de lixo e até “cafunga” o entrevistado, para aferir o quanto de Humanidade existe nele.

Jornalismo que é Jornalismo, olha nos “zóio”; estuda e compreende as expressões, o não-dito.

O não-dito, vírgula: aquilo que se berra pela mais simples expressão corporal; pelos “atos falhos” das expressões corporais...

Porque o jornalista é, ao fim e ao cabo, um animal solto, livre, selvagem, que vive bem mais do instinto do que da racionalidade.

Que cheira, toca, perscruta com o olhar.

É o sujeito que quer saber, com uma curiosidade infantil.

Que quando lhe dizem: “Vovô viu a uva”, ele pergunta: “Mas, de que cor é que era a uva?”, “E onde foi que o vovô viu a uva”, “E o que é que ele fez quando viu a uva?”, “Mas, a uva era no sentido concreto ou figurado?”, “Mas, quando o vovô viu a uva ele já usava óculos, é?”, “E, afinal, quando o vovô viu a uva ele estava com fome ou era um tarado?”

Jornalista que é jornalista é um sujeito chato pra porra, um sujeito insuportável!...

Tão insuportável que a maioria dos jornalistas quer é distância de outros jornalistas.

Mais ainda pra casar.

Já imaginaram um jornalista interrogando outro jornalista, acerca da cueca ou da calcinha que ele ou ela usava quando saiu de casa?

As pessoas têm de entender que jornalista é um sujeito pior que bêbado.

Porque bêbado ainda tem a desculpa de ter enchido a cara. Enquanto que o jornalista vive em estado aparentemente etílico, em tempo integral!

É o sujeito que vê o que ninguém mais vê. E que quando vê uma visagem, ainda tem o descaramento de perguntar: “Pô, mano, mas você por aqui? Mas o que é que você tá achando lá do inferno? Quantos graus é que faz lá, à sombra?”

Jornalista é o sujeito que chega com a sogra e diz que o genro não presta; que chega com genro e diz que a sogra não presta; e que ainda rouba o pirulito da criança endiabrada, só pra ver a reação da sogra, e do papai e da mamãe que se diziam exemplares...

É um sujeito tão insuportável que, geralmente, não tem nem amigo jornalista.

Mas, geralmente, sai com outros jornalistas só pra ter informação e falar mal... Da "catiguria", de tudo que é coleguinha e de quem mais aparecer!...

Jornalista é uma praga – e eu digo isso com conhecimento de causa, visse?

Mas, que seria de nós, se, simplesmente, exterminássemos aqueles que olham debaixo do tapete; que olham a limpeza da cozinha, apesar do cheiro maravilhoso do peixe?

Que seria de todos nós se, simplesmente, nos livrássemos de seres tão absolutamente neuróticos e desprezíveis?

Certamente, que, por uns tempos, todos viveriam na maior felicidade, sob as palmeiras aonde cantam os sabiás...

Mas, também chegaria o momento em que a sujeira debaixo do tapete seria tamanha que seria preciso jogar fora o tapete, a casa, as pessoas e até a rua e o país onde esteve, um dia, aquele tapete.

Chegaria o momento em que não apenas o peixe estaria estragado – mas, o óleo, a farinha, a cozinha, o cozinheiro, os utensílios e tudo o mais.

Jornalismo e jornalistas somos, afinal, a linha de frente de uma fiscalização permanente e enjoada, que precisa existir.

Até para que se possa apreciar o peixe.

Até para que se possa, apenas, mandar aspirar o tapete e continuar a viver...

FUUUUIIIIIIIIII!!!!!!

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Alimentação um direito inviolável

16 de outubro- Dia Mundial da Alimentação


"Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.” (Artigo XXV / Declaração Universal Dos Direitos Humanos)


Estatísticas da Fome


Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo, um bilhão de pessoas passando fome, 30 mil crianças morrem de fome a cada dia, 15 milhões a cada ano, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável, 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso. Uma pessoa a cada sete padece fome no mundo. A cada dia 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do mundo. O Brasil é o 9º país com o maior numero de pessoas com fome, tem 15 milhões de crianças desnutridas. 45% de suas crianças, menores de cinco anos sofrem de anemia crônica.

O Brasil é o 5º país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças endêmicas. Em 1987, no Brasil, quase 40% da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza. Nos dias de hoje, um terço da população ainda é mal nutrido, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total são trabalhadores rurais sem-terras.

Enquanto o consumo diário médio de calorias no mundo desenvolvido é de 3.315 calorias por habitante, no restante do globo o consume médio é de 2.180 calorias diárias por habitante. Metade dos habitantes da Terra ingere uma quantidade de alimentos inferior às suas necessidades básicas. Cerca de um terço da população do mundo ingere 65% dos alimentos produzidos. A quarta edição do Inquérito Mundial sobre Agricultura e Alimentação, patrocinado pela ONU em 1974, concluiu: "Em termos mundiais, a quantidade de alimentos disponíveis é suficiente para proporcionar a todos uma dieta adequada".

O aumento dos preços dos alimentos fez o número de famintos no mundo crescer 40 milhões para 963 milhões de pessoas em 2008, ante o ano passado, de acordo com dados preliminares divulgados hoje pela ONU para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). A entidade advertiu que a crise econômica mundial pode levar ainda mais pessoas a essa condição. Levando em conta dados do US Census Bureau, departamento de estatísticas do governo norte-americano, que contam a população mundial em 6,7 bilhões de pessoas, o número de famintos representa 14,3% do total.

Em 2007, no planeta havia 860 milhões de famintos; em janeiro de 2009 109 milhões mais. A metade da população africana subsahariana, por citar um exemplo dessa África crucificada, mal vive na extrema pobreza. A ladainha de violência e desgraças provocadas é interminável. No Congo há 30 mil meninos-soldados dispostos a matar e a morrer a troco de comida; 17% da floresta amazônica foram destruídos em cinco anos, entre 2000 e 2005; o gasto da América Latina e do Caribe em defesa cresceu um 91%, entre 2003 e 2008; uma dezena de empresas multinacionais controla o mercado de semente em todo o mundo. Os Objetivos do Milênio se evaporaram na retórica e em suas reuniões elitistas os países mais ricos dizem covardemente que não podem fazer mais para reverter o quadro.

“Quase cem mil mortes diárias no planeta se devem à fome. Dentre elas, 30 mil são de crianças com menos de cinco anos. Mais do que três torres gêmeas por dia que se desmoronam em silêncio, sem que ninguém chore ou construa monumentos”, declarou à swissinfo Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como Frei Betto.

Essas são algumas das estatísticas da fome que o mundo se acostumou a acompanhar de tempos em tempos. Todavia a fome segue matando de maneira endêmica em muitas regiões do globo.

Um mundo livre da fome

Nós, do Planeta Voluntários buscamos um mundo sem fome e desnutrição – um mundo no qual cada uma e todas as pessoas possam estar seguras de receber a comida que necessitam para estar bem nutridas e saudáveis. Nossa visão é a de um mundo que protege e trabalha para que haja assistência social e dignidade humana para todas os povos. Um mundo no qual cada criança pode crescer, aprender e florescer, e desenvolver-se como membro ativo da sociedade.

* Marcio Demari é colaborador do http://www.planetavoluntarios.com.br/ - A maior Rede Social de Voluntários e ONGs do Brasil !!!

Domingo, Outubro 11, 2009

MST e as laranjas

O MST é detestado por todos: da direita ruralista à esquerda chavista, passando por tucanos, petistas, psolentos, verdes, azuis e amarelos. Mesmo os que fingem apoiar o MST o detestam.

Isso porque há uma antipatia ancestral e inata contra o MST, esse arquétipo de nosso inconsciente coletivo, esse cancro irremovível que insiste em nos lembrar, mesmo nos períodos de bonança, que fomos o último país do mundo a abolir a escravidão e continuamos sendo uma porcaria de nação que jamais fez a reforma agrária.

O MST é o espelho que reflete o que não queremos ver.

Há duas questões, na vida nacional, que contradizem qualquer discurso político da boca pra fora e revelam qual é, mesmo, de verdade, a tendência ideologica de cada um de nós, brasileiros: a violência urbana e o MST. Diante deles, aqueles que até ontem pareciam ser os mais democráticos e politicamente esclarecidos passam a defender que se toque fogo nas favelas, que se mate de vez esse bando de baderneiros do campo, PORRA, CARAJO, MIERDA, MALDITOS DIREITOS HUMANOS!

O MST nos faz atentar para o fato de que em cada um de nós há um Esteban de A Casa dos Espíritos; há o ditador, cuja existência atravessa os séculos, de que nos fala Gabriel García Márquez em O Outono do Patriarca; há os traços irremovíveis de nossa patriarcalidade latinoamericana, que indistingue sexo, raça, faixa etária ou classe social:

O MST é o negro amarrado no tronco, que chicoteamos com prazer e volúpia.

O MST é Canudos redivivo e atomizado em pleno século XXI.

O MST é a Geni da música do Chico Buarque - boa pra apanhar, feita pra cuspir – com a diferença de que, para frustração de nossa maledicência, jamais se deita com o comandante do zeppelin gigante.

E, acima de tudo, O MST é um assassino de laranjas!

E ainda que as laranjas fossem transgênicas, corporativas, grilheiras, estivessem podres, com fungos, corrimento, caspa e mau hálito, eles têm de pagar pela chacina cítrica! Chega de impunidade! Como o João Dória Jr., cansei!

Jornalismo pungente

Afinal, foi tudo registrado em imagens – e imagens, como sabemos, não mentem. Estas, por sua vez, foram exibidas numa reportagem pungente do Jornal Nacional - mais um grande momento da mídia brasileira -, merecedora, no mínimo, do prêmio Pulitzer. Categoria: manipulação jornalística. Fátima Bernardes fez aquela cara de dominatrix indignada; seu marido soergueu uma das sobrancelhas por sob a mecha branca e, além dos litros de secreção vaginal a inundar calcinhas em pleno sofá da sala, o gesto trouxe à tona a verdade inextricável: os “agentes“ do MST são um bando de bárbaros.

(Para quem não viu a reportagem, informo,a bem da verdade, que ela cumpriu à risca as regras do bom jornalismo: após uns dez minutos de imagens e depoimentos acusando o MST, Fátima leu, com cara de quem comeu jiló com banana verde, uma nota de 10 segundos do MST. Isso se chama, em globalês, ouvir o outro lado.)

Desde então, setores da própria esquerda cobram do MST sensatez, inteligência, que não dirija seu exército nuclear assassino contra os pobres pés de laranja indefesos justo agora, que os ruralistas tentam instalar, pela 3ª vez, como se as leis fossem uma questão de tanto bate até que fura, uma CPI contra o movimento (afinal, é preciso investigar porque o governo “dá” R$155 milhões a “entidades ligadas ao MST”, mesmo que ninguém nunca venha a público esclarecer como obteve tal informação, como chegou a esse número, que entidades são essas nem qual o grau de sua ligação com o MST: O Incra, por exemplo, está nessa lista como ligado ao MST?).


A insensatez dos miseráveis

Ora, o MST é um movimento social nascido da miséria, da necessidade e do desespero. Eles estão em plena luta contra uma estrutura agrária arcaica e concentradora. Não se pode esperar sensatez de movimentos sociais da base da pirâmide social, que lutam por um direito básico do ser humano. Pelo contrário: é justamente a insensatez, a ousadia, a coragem de desafiar convenções que faz do MST um dos únicos movimentos sociais de fato transgressores na história brasileira. Pois quem só protesta de acordo com os termos determinados pelo Poder não está protestando de fato, mas sendo manipulado. Se os perigosos agentes vermelhos do MST tivessem sensatez, vestiriam um terno e iriam para o Congresso fazer conchavos, não ficariam duelando com moinhos de vento, digo, pés de laranja.

Mas é justamente por isso que o MST incomoda a tantos: ele, ao contrário de nós, ousa desafiar as convenções: ele é o membro rebelde de nossa sociedade que transgride o tabu e destroi o totem. Portanto, para restituição da ordem capitalista/patriarcal e para aplacar nossa inveja reprimida, ele tem de ser punido. Ele é o outro.

Quantos de nós já se perguntaram como é viver sob lonas e gravetos – em condições piores do que nas piores favelas -, à beira das estradas, em lugares ermos e remotos, sujeito a ataques noturnos repentinos dos tanto que os detestam? Quantos já permaneceram num acampamento do MST por mais do que um dia, observando o que comem (e, sobretudo, o que deixam de comer), o que lhes falta, como são suas condições de vida?

Poucos, muito poucos, não é mesmo? Até porque nem a sobrancelha erótica do Bonner nem o olhar-chicote da Fátima jamais se interessaram pelo desespero das mães procurando, aos gritos, pelos filhos enquanto o acampamento arde em fogo às 3 da madrugada, nem pelas crianças de 3,4 anos que amanhecem coberta de hematomas dos chutes desferidos pelos jagunços invasores, ao lado do corpo de seus pais, assassinados covardemente pelas costas e cujo sangue avermelha o rio.

Para estes, resta, desde sempre, a mesma cova ancestral, com palmos medidas, como a parte que lhes cabe neste latifúndio.

Para a mídia, pés de laranja valem mais do que a vida humana, quero dizer, a vida subumana de um miserável que cometeu a ousadia suprema de lutar para reverter sua situação.

Mas os bárbaros, claro está, são o MST.

Por isso, haja o que houver, o MST é o culpado.

FONTE: http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2009/10/mst-e-laranjas.html

Sábado, Outubro 10, 2009

Feliz Natal 2009


Como o Círio é o natal dos Paraenses, nada mais adequado desejar Feliz Natal aos leitores do blog.

As Falas do Priante


" E desde quando Jader precisa do apoio de Ana para se eleger Senador? Ana podia fazer é o favor de não nos atrapalhar"
Priante, muito porraqui com a governadora, talvez pelo fato de ter sido preterido na disputa entre ele e o prefeito falsário, que como dizem por aí, foi ungido por Ana à reeleição.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

As Falas de Puty


Com um Ctrl+C, Ctrl+V, trouxe na íntegra a postagem feita pela jornalista Ana Célia em seu blog A Perereca da Visinha, com o Chefe da Casa Civil, o companheiro Cláudio Puty.

Desde quando assumiu o posto, é notória a mudança com que a governadoria e todo o staf do governo Ana Júlia tem passado.

Por isso, o até então único candidato da DS para Câmara Federal, não esconde que articula-se rápida e estrategicamente, além de gozar da confiança da governadora.

Na entrevista, destaca que não abre mão da candidatura do Dep. Paulo Rocha, líder da tendência interna Unidade na Luta, mas também quer Jader Barbalho na base e como aliado à reeleição de Ana Júlia.

Resta saber se a estratégia dará certo e se para tal, será combinado com todos os russos, pela qual a eminência parda é recorrente.


O senhor é realmente a eminência parda, o Rasputin do Governo do Estado?


Cláudio Puty:
É claro que não. Eu sou um secretário que trabalha para o Governo do Estado, escolhido pela governadora Ana Júlia.


E por que essa fama de ser a pessoa que controla o governo nos bastidores?


Cláudio Puty:
Eu não sei. Isso quem tem de dizer é quem acusa; o ônus é do acusador. Mas, de qualquer maneira, talvez a atividade de articulação política esteja sempre, em alguma forma, associada à idéia da política enquanto uma arte manipulatória, o que é exatamente o contrário do que se pretende aqui. Tanto do projeto do governo, quanto do projeto de esquerda, enquanto tal, ele tem de ser esclarecedor. Tem de ser emancipatório, por assim dizer. Tem de ser o contrário da política vista simplesmente... Ou enquanto jogos de gabinete, jogos de palácios...


E é possível fazer esse tipo de política no estado do Pará?


Cláudio Puty:
O que acontece muito é que, normalmente, tende-se a identificar ações planejadas ou não à ação planejada de alguém, o que nem sempre é verdade. Existem casos que são absurdos. Por exemplo: um vereador do partido tal, em Novo Progresso ou em Jacareacanga, decide se comportar de uma determinada maneira e coloca isso como se fosse uma grande manipulação de alguém, quando, na realidade, simplesmente foi uma decisão local. Então, só para repetir: existe uma tendência da política enquanto um jogo manipulatório, jogo de gabinete, que é o tipo de política das elites; e por outro lado, a política enquanto uma tentativa de explicar o que não tem explicação. Você tem disputas políticas locais e decisões individuais que se tenta associar a ações racionalmente planejadas.


E o como é que o senhor se sente quando é comparado a um Rasputin da política paraense?


Cláudio Puty:
Eu não sei se sou comparado; sinceramente, não vejo... Eu não sei se as pessoas falam muito a sério quando estão dizendo isso. Acho que estão, na realidade, tentando muito mais atingir a governadora do que a mim.


O senhor acha que é um preconceito contra a governadora?


Cláudio Puty:
Mas isso é outro departamento; existe um preconceito contra a governadora, sem dúvida nenhuma. Porém, mais do que preconceito, existe oposição à governadora. Então, quando falam que sou um Rasputin, eu realmente não me importo com isso, pessoalmente. Só me importo à medida que percebo que isso é uma tentativa de erosão da imagem do governo, da imagem da governadora.


Mas isso não tem a ver, também, com a demasiada concentração de poder pela DS, mesmo em relação ao PT?


Cláudio Puty:
A DS, da forma como ela é expressa, é uma abstração, porque todo governo tem núcleo dirigente. Se você pegar, por exemplo, da prefeitura de Santana do Araguaia ao governo brasileiro, você tem o núcleo político dirigente desse governo. Associar isso – e o núcleo dirigente desse governo não é necessariamente o grupo associado à corrente Democracia Socialista do PT... Existem pessoas que têm uma relação histórica com a governadora Ana Júlia; pessoas da sua confiança pessoal; pessoas de correntes do PT que não são da DS – caso do Aírton Faleiro, por exemplo, que é o líder do governo, e que goza da profunda confiança da governadora; o presidente do PT, João Batista... Então, eu acho que parte da incapacidade de alguns críticos de entender certos movimentos do governo também está associada ao fato de acharem que o problema é a DS. Isso é uma simplificação, que, se ajudasse a esclarecer o que está acontecendo, funcionaria.


E o que é que está acontecendo?


Cláudio Puty:
O núcleo dirigente desse governo não é só de pessoas ligadas à DS. Tem muita gente da DS que não se sente necessariamente representada nesse núcleo de governo. Vamos pegar o exemplo do Lula, que tradicionalmente era de um grupo do PT. Quando ele assume o governo, passa a ter uma relação com o núcleo dirigente, que é diferente daquela que tinha com a corrente política da qual fazia parte, no PT. Ele tem relações, hoje, com o Henrique Meirelles (presidente do Banco Central), com a Dilma Rousseff (chefe da Casa Civil), com o Fernando Haddad (ministro da Educação), com o Tarso Genro (ministro da Justiça). São pessoas que formam o grupo de maior confiança dele, que não são necessariamente ligadas a uma corrente do partido. É a mesma coisa no Governo do Estado: tem um grupo que goza da confiança da governadora e que assume os cargos da Governadoria. O que realmente parece que está por trás, quando se diz “a DS”, é que existe um “deus ex machina” que manipula a Ana Júlia - isso é o que a oposição quer dizer. Ou seja, que a Ana Júlia, na realidade, não está tomando aquela decisão; que existe um grupo, que, associado a uma corrente do PT, está tomando a decisão por ela, o que não é verdade.


Mas, se isso não acontece agora não é em função de as outras correntes do PT terem batido na mesa, para uma divisão mais proporcional do bolo?


Cláudio Puty:
Não é verdade que a grande maioria das correntes do PT tenha reclamado da composição do governo – e ela mudou muito desde o início. A meu ver, existia uma sub-representação, no governo, da corrente do deputado Paulo Rocha. Mas, outros grupos representativos do PT nunca reclamaram.

E por que essa sub-representação de uma das maiores correntes do PT, que é justamente a do Paulo Rocha? Havia algum estremecimento entre ele e a governadora?


Cláudio Puty:
Não, não é estremecimento; acho que é um problema de... origem. Não participei da composição original, né? Quando assumi a Casa Civil, há um ano e meio, identifiquei – e a governadora também identificou - esse problema. Mas o problema é que o governo não pode ser simplesmente uma representação do tamanho das forças na sociedade, principalmente em se falando do partido, que tem muita gente que não é de uma corrente. Isso também é uma simplificação, que não ajuda a explicar, por exemplo, por que a Sílvia Cumaru é secretária de Saúde – ela não é de nenhum grupo político do PT e é um quadro político importante. Por que a Bila era secretária de Educação? Ela não é de nenhum grupo do PT e é um quadro político importante da esquerda. Enfim, talvez essa representação menor não seja um problema é... E seja mais um problema daqueles que não estão no governo. Não vi grandes reclamações nem do grupo do Paulo Rocha, em relação a sua representação no governo.


Por que é que o PMDB reclama tanto do governo, e especialmente da DS?


Cláudio Puty:
Na minha interpretação, parte da tensão com o PMDB está associada à indefinição do cenário do ano que vem. Não é só aqui no Pará: em vários estados da Federação – no Mato Grosso, o André Puccinelli (governador de MS) acabou de ter uma crise com o Zeca do PT; tem problemas na Bahia, do Jaques Wagner (governador) com o Geddel Vieira (ministro da Integração Nacional). Então, o fato de termos tensionamentos com o PMDB, que é o maior partido da coligação que elegeu Lula, em vários lugares, demonstra que existe um fator geral; que não é só um problema localizado.


Por que é tão difícil a convivência entre o PT e o PMDB?


Cláudio Puty:
Olha, não acho que seja difícil a convivência. Nós queremos o PMDB aliado, queremos que esteja na chapa de reeleição da Ana Júlia. A posição do PT é a de apoiar um candidato do PMDB para o Senado, aqui no Pará. Essa é uma decisão de diretório – não estou falando como membro do governo, mas, como petista – votada por unanimidade, sem problema algum. Então, isso demonstra que não há dificuldade fundamental na relação com eles. O que tivemos foi um problema de gestão, que tivemos, também, com forças do PT, inclusive da DS. Tivemos diversos problemas, mas, essas coisas são corrigidas. O problema é quando se associam correções na gestão – você tem de trocar uma pessoa aqui, né?, que nós avaliamos que não está dando conta do recado; ou teve problema aqui e acolá e troca aqui e acolá; isso aconteceu com muita gente do PT...


Houve um expurgo, não é?


Cláudio Puty:
Foram mudanças!... Vamos combinar que alguém que foi eleito tem o direito de escolher a equipe com que vai trabalhar, não é? Não tem essa história de expurgo, de não sei lá o quê! Isso aqui não é uma assembléia constituinte: é um governo onde a governadora foi eleita; é o Executivo, e ela tem de saber com quem vai trabalhar. Isso é a coisa mais natural do mundo. Então, quando há problemas numa gestão, se troca. E a governadora decidiu fazer algumas trocas, que impactaram tanto o PMDB, quanto setores do PT e pessoas que não eram necessariamente ligadas à indicação política, diretamente. Quando se associa isso à indefinição do ano que vem, isso se torna elemento para comentário político. Aí se politiza esse problema. Essa foi a origem do problema com o PMDB – que estamos tratando de resolver. Há predisposição, tanto por parte do PT quanto do Governo do Estado, em, digamos, repactuar espaços com o PMDB no governo.



Mas depois de todas as crises, o senhor ainda acredita que PT e PMDB caminhem juntos no ano que vem?


Cláudio Puty:
Acredito que seja possível, é necessário e é para o bem do Pará.


Para o bem do Pará? Mas o PT não criticava tanto o PMDB, o passado do PMDB e do próprio cacique Jader Barbalho? Não há outra aliança que possa ser considerada mais para o bem do Pará?


Cláudio Puty:
Olha, você tem de perguntar isso é para os dirigentes do PT; eu falo aqui enquanto chefe da Casa Civil, enquanto governo. Para nós, é fundamental fazermos uma aliança ampla, considerando que temos muitas reformas estruturais que dizem respeito à gestão do meio ambiente, à defesa dos direitos humanos, à reforma urbana, saneamento, habitação. E esse tipo de política que queremos implementar aqui no estado, obviamente, desagrada alguns setores, principalmente PSDB e Democratas. Então, nós acreditamos que, para um projeto de esquerda democrático vingar no Pará, precisamos buscar aliados fora dos estritos marcos da esquerda tradicional. Por um problema de correlação de forças no estado, da quantidade de tarefas que temos de cumprir, da quantidade de quadros que necessitamos, pela força no parlamento, nas instituições. Então, não estamos fazendo aqui julgamento moral acerca dos aliados: estamos fazendo julgamento político acerca da necessidade de empreender um programa de reformas.


E se o PMDB não vier, qual o plano B do governo?


Cláudio Puty:
Não existe plano B. Queremos o PMDB na chapa. Queremos formar um amplo campo de alianças, que inclua o PTB, o PR, os partidos de esquerda, os aliados clássicos do PT – o PC do B, o PSB. O PDT. Outros pequenos partidos, fortalecidos recentemente – o PMN, o PSC, com a volta do deputado Zequinha Marinho. Mas achamos que o PMDB é um aliado de fundamental importância.


Mas ele decide o jogo? E se o Jader disser: não vou mais com vocês, me estressei de vez. Há alternativa? Será que uma composição com forças políticas menores poderia substituir esse casamento com o PMDB?


Cláudio Puty:
Olha, o PT tem muita força. Partidos como o PP se fortaleceram muito, no último período. À esquerda, o PC do B estava muito enfraquecido, na última eleição, e agora filiou muita gente, vai estar com uma chapa mais forte. No PSB, o Ademir Andrade e o Cássio há pouco estiveram aqui e estão com uma chapa para deputado muito forte. Então, a correlação no segundo governo da Ana Júlia, no parlamento, seria muito mais favorável à esquerda. Mas mesmo assim, nas eleições, não podemos ignorar o papel importante do PMDB, que tem 40 prefeituras, sete deputados, uma liderança importante como é a do deputado federal Jader Barbalho. Obviamente, se eles não quiserem coligar, apoiar a Ana Júlia, seria uma pena, e nós vamos tocar a vida, buscar aliança com os outros partidos. Mas, vamos insistir até o último momento para que eles venham com a gente.


Vocês ofereceram o Senado ao PMDB. E a vice-governadoria?


Cláudio Puty:
A vice não entrou na discussão entre o PT e o PMDB. O que acenamos para eles é que a vice seria ofertada a um partido do bloco PR/PTB.


Mais para o PR ou mais para o PTB?


Cláudio Puty:
Indistinto a essa altura, porque eles estão com um bloco, né?, bem casadinho.


Ainda não há nenhum nome em perspectiva?


Cláudio Puty:
Ainda não tem. Mas, mesmo que tivesse, é muito cedo para falar.


Mas há nomes que vocês vetariam, como, por exemplo, o do prefeito da capital, Duciomar Costa?


Cláudio Puty:
Não acho que o Duciomar queira largar uma prefeitura para ser vice-governador... (risos)


E o Anivaldo Vale?


Cláudio Puty:
Não vetaríamos; não estamos vetando nenhum nome.


Vocês aceitam o nome indicado pelo bloco, mesmo que seja uma pessoa de passado complicado?


Cláudio Puty:
Claro que qualquer nome vamos ter de conversar, obviamente dentro das normas do bom senso. Mas ninguém começa uma conversa com aliados dizendo: “olha, já estamos vetando isso e aquilo outro”. Não é de bom tom.

O PMDB não pediu a vice a vocês?


Cláudio Puty:
O PMDB não pediu a vice nas conversas com o PT.


Vocês ofereceram o Senado, mas, como é que isso se daria? Sairia um candidato do PT, ou não sairia candidato algum?


Cláudio Puty:
A posição do diretório do PT é: Paulo Rocha é nosso candidato ao Senado. E abriríamos mão da outra vaga – temos direito a duas, né? – para apoiar o candidato do PMDB ao Senado. E aí, como é fundamental ampliar a aliança, ofereceríamos a vice a outro partido.


Mas petista que é petista votaria no Jader? Por exemplo, na eleição à Prefeitura de Belém houve quase uma rebelião petista em relação ao Priante. O senhor acha que seria possível conseguir o voto de um petista militante e juramentado para o Jader Barbalho?


Cláudio Puty:
Olha, se entendermos que o que está em jogo é a estabilidade do Senado para a Dilma; que o que está em jogo é a reeleição de um projeto aqui, com a reeleição da Ana Júlia, tenho certeza de que petista que é petista, que é de esquerda, que consegue entender o que é estratégia política, que não estamos brincando de casinha, estamos falando de mudar o estado do Pará, ele – ou ela – entenderá perfeitamente.


Como é que vocês analisam o tucanato?


Cláudio Puty:
O governo do PSDB foi um governo centralizado na capital e um governo que, ao se deparar com a complexidade dos problemas na saúde, na educação, na segurança, resolveu fazer o mais simples, a partir de obras vistosas – o que não se pode dizer que seja uma coisa pouco inteligente; é uma coisa muito inteligente, só que não muda o estado. Então, em vez de enfrentar os problemas da municipalização da saúde, os problemas da saúde básica, preferiram construir hospitais de média e alta complexidade nas regiões - mesmo sabendo que a manutenção desses hospitais, por ano, seria mais cara até que a sua construção – em vez de empreender o processo, que é muito mais difícil, muito mais complicado, de fortalecimento da saúde básica. É isso que nos diferencia. Em todas as áreas você acha esse padrão pragmático/centralizador. Um padrão que funciona muito bem para as eleições, tanto que ganharam duas e disputaram a terceira. Mas, como eu disse, não resolve os problemas do povo. Daí a eleição da Ana Júlia. Eu poderia falar de várias outras características, mas acho que essa é a que simplifica mais.

É por isso que a Ana está patinando nas pesquisas, que se diz que ela não tem obras, por causa dessa opção por obras de base, em detrimento daquelas de maior visibilidade eleitoral?


Cláudio Puty:
Olha, ainda é muito cedo para julgar o governo, porque o governo não acabou, muita coisa vai começar a ser inaugurada agora. Há pouco entregamos algumas casas, já na primeira obra do PAC, no Fé em Deus, aqui na Augusto Montenegro - e é impressionante você ver como era e como está ficando. A mesma coisa você vai ver se for ao Tucunduba. Então, muita coisa vai ocorrer – e a percepção pública de um governo muda muito a partir do momento em que as obras vão maturando. Então, nada mais falso do que dizer que é um governo sem obras. É um governo, obviamente, com obras distintas: vamos fazer cinco vezes mais habitação popular do que o governo Jatene. Em termos de ligações de água, a Cosanpa administrou, até o início deste governo, 400 mil e nós vamos fazer, só neste governo, 200 mil ligações – é a nossa meta, com o PAC, com outras ações de saneamento. Tudo isso é obra. Obviamente, não teve Mangal das Garças, nem Estação das Docas, nem outras obras desse tipo, de caráter mais pontual.


Mas essas obras não estruturam o estado economicamente? Não ajudam, também, a atrair dinheiro, a gerar empregos e a impactar a qualidade de vida das pessoas?
Cláudio Puty:



Olha, eu não vou entrar no... Usei esses exemplos de obras não para dizer... – não me leve a mal, digamos assim – fazer discurso contra a Estação das Docas, porque acho que isso é um negócio meio, né?, que não ajuda muito. Eu tenho a minha opinião: acho que não estrutura nada; acho que não estrutura coisíssima nenhuma, porque o nosso turismo aqui tem um perfil de turismo de negócios e não é atraído por esse tipo de empreendimento. O que nos estrutura, obviamente, é saneamento, é transporte, é regularização fundiária, é industrialização. Isso sim estrutura. Mas, é a nossa opinião em relação a isso. Então, respondendo: temos muitas obras e elas são de diferente qualidade e característica, a partir de uma visão do que nós achamos que seja estruturante para o estado do Pará, a partir de indicadores sócio-econômicos, a partir da necessidade de distribuirmos o desenvolvimento entre as regiões do estado, e a partir da oportunidade histórica que tivemos de contar com o Governo Federal, que tem sido muito comprometido com obras estruturantes nas áreas de saneamento e habitação e com obras estruturantes na região amazônica – como é o caso do asfaltamento da Transamazônica, com a BR-316, as eclusas de Tucuruí, que estavam aí num vai-não-vai desde 1980 e que vão ser inauguradas em março do ano que vem... Enfim: são obras de característica distinta, distribuídas no estado e, essas sim, estruturantes.


Mas, em 2007, os investimentos caíram a menos da metade de 2006, e em 2008 o investimento foi igual ao de 2006. Separando investimento de custeio, não houve uma queda dos recursos próprios que o Pará investe?


Cláudio Puty:
O que nós fizemos foi o seguinte: mudamos o padrão do uso dos recursos. Em vez, por exemplo, da obra em convênio com o prefeito para asfaltar – que é o tipo de obra de caráter eleitoreiro, que dura uma eleição – nós fizemos coisas que não são consideradas investimento. Fizemos Bolsa-Trabalho – são 45 mil bolsas e isso vai para a rubrica custeio (ODC, Outras Despesas em Custeio). Fizemos coisas como o Pró-Jovem, que são 8.500 bolsas para estudantes que não concluíram o ensino fundamental - e isso também não é contabilizado como investimento, porque não é obra. Fizemos concurso público para cerca de 20 mil funcionários públicos; demos os maiores aumentos salariais do país; criamos uma estrutura mais presente do Estado nos municípios paraenses. Então, isso não é considerado, não é contabilizado...


Então, se considerasse isso não teria caído?


Cláudio Puty:
Não, não... Eu estou dizendo o seguinte: é que nós mudamos o padrão do uso dos recursos disponíveis – não estou usando a palavra investimento. Obviamente, a quantidade de recursos de 2006 para 2007... Você pode pegar qualquer início de governo, há uma queda de recursos para investimento; qualquer início de governo. O governo gasta mais quando se aproxima do último ano de governo. Mas, mesmo considerando que, em 2008, nosso investimento foi igual ao de 2006, eu não ficaria orgulhoso com isso. Digo o seguinte: que o mais importante é olharmos que os gastos com custeio e com pessoal aumentaram. Isso significa tanto redistribuição de renda, quanto uma opção pela política social – caso do Bolsa-Trabalho, Pró-Jovem, a quantidade de fomento para a agricultura familiar que demos; incentivo à organização social, a partir de convênios para a produção. Nada disso é contabilizado como investimento. Então, houve realmente uma mudança do padrão: menos investimento num tipo de obra associado com o prefeito e mais investimento – que aí não é contabilizado como investimento – em política social. É contabilizado como custeio.


O senhor diz que se investiu em programas. Mas, esse custeio que cresceu não foi também o peso da máquina, a máquina em si?


Cláudio Puty:
Sim – mas isso era necessário, porque nós tínhamos um Estado absolutamente ausente dos municípios. Você pergunta para um prefeito do interior, o sentimento separatista está muito associado a isso. Nós acreditamos que o Estado tem de estar presente - e isso significa gasto. Um dia desses dei uma entrevista para a Folha de São Paulo e o repórter veio me perguntar sobre os gastos com diárias. E eu mostrei para ele o seguinte: cerca de 70% a 80% do aumento das diárias era explicado por diárias na Segurança Pública e na Secretaria do Meio Ambiente. E por quê? Porque para você fazer uma reintegração de posse, o que é tão requisitado por alguns dos nossos adversários, os gastos com diárias, para deslocar militares daqui para o Sul do Pará, são altíssimos. Para você fazer uma política de gestão florestal no estado, você tem, para aprovar o plano de manejo, que mandar funcionários da Secretaria de Meio Ambiente para vistoriar as áreas, uma coisa que não se fazia antes, porque a gestão florestal não era uma atribuição do estado. Isso significa gastos com diárias, significa estrutura da Secretaria do Meio Ambiente no interior. Quando você faz concurso para a Polícia Militar do Estado, que há cerca de doze anos não ocorria, isso significa aumento de salários, aumento de gastos com pessoal, aumento de diárias porque essas pessoas, quando vão em operações, têm de receber diárias; aumento do equipamento associado a isso – carro que consome combustível...


Tudo bem: você cresce para levar o Estado ao cidadão. Mas, nessa crise, há a dificuldade de compatibilizar o crescimento do custeio com a queda da arrecadação. E, no horizonte pós-crise, não se sabe como ficará – talvez a arrecadação não volte ao patamar anterior. Isso não demonstra que, apesar da necessidade da presença do Estado, é preciso certo controle sobre as finanças?


Cláudio Puty:
Não, sem dúvida nenhuma. O que nós aprendemos, nos últimos 15, 20 anos no Brasil, é que a responsabilidade fiscal é uma coisa muito importante. Ninguém poderia prever que uma crise de tal monta iria ocorrer. Ninguém! – senão não tinha banco quebrando nos Estados Unidos, né? Então, com impacto sobre a arrecadação e tudo mais. E nós, sim, passamos muita dificuldade para manter uma certa estrutura do Estado em funcionamento. Não fomos só nós, não! Os estados onde os amantes do Estado mínimo, o PSDB governa, o Aécio enfrentando, também, muitos problemas para a manutenção. Para não falarmos da Yeda Crusius, que é um caso “hours concurs”. Então, esse é um problema que todos os governadores, sendo eles mais ou menos comprometidos com políticas sociais, enfrentaram, porque ninguém previa uma crise dessa monta. Mas, os nossos indicadores estão absolutamente dentro do estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.


Quanto o Pará perdeu com a crise?


Cláudio Puty:
Esse mês nós perdemos R$ 70 milhões, mas, no passado, não foi tanto, variou. Mas eu creio que as perdas acumuladas chegam a R$ 400 milhões.


Como é que o senhor vê a afirmação de que a única coisa que a Ana Júlia inaugurou até agora foi a cozinha do Hangar?


Cláudio Puty:
Isso é elogio da oposição, o que é que eu posso dizer?... (risos) Quando a oposição começar a elogiar o governo é que eu vou ficar muito preocupado... Olha, nós já fizemos cerca de 400 reformas e reconstruções de escolas. Temos uma quantidade enorme de obras no interior. O governo ainda não acabou – e eu fico muito preocupado em como é que vai ficar o estado psíquico dessas pessoas quando começarmos a inaugurar as obras do PAC, que estão todas muito adiantadas... Fé em Deus, Pratinha, Duas Irmãs, residencial Jaderlândia, Jardim Jader Barbalho, Liberdade, Tucunduba, o saneamento lá em Marabá, a ETE do Una. Então, tudo isso é muita coisa, muita obra... A nova Santa Casa, não esqueçamos, estamos aí acompanhando diariamente para que ela saia no prazo; o Ação Metrópole, que você acompanha como está ao passar pela Júlio César, pela Independência; a perna sul da Alça Viária, com a ponte sobre o rio Capim. Enfim: uma quantidade grande de obras que temos para inaugurar. Como eu disse: o governo ainda não acabou.


Quem mete mais medo: Jatene, Almir ou Mário Couto?


Cláudio Puty:
Mário Couto.


Por quê?


Cláudio Puty:
Tô brincando... (risos). Não, ninguém mete medo na gente, não. Acho que temos um debate para fazer no ano que vem. Exatamente por isso, independente de quem seja o candidato, vamos discutir, debater programa. Vamos discutir com eles o rumo do Pará. E acho que vai ficar claro para a população que os três são muito parecidos.


É verdade que o senhor vai ser candidato a deputado?


Cláudio Puty:
Não tem nada certo quanto a isso.


Qual, afinal, a visão de mundo da DS? Marx não morreu, ele está que nem o Elvis Presley?


Cláudio Puty:
(risos)... A DS é uma corrente que surge um ano antes do PT, em 1979 – está, portanto, completando 30 anos. É formada por grupos que na época se chamavam trotskistas - hoje não mais - e que se integra ao PT pela necessidade de a gente construir um partido comprometido com a transformação profunda da sociedade brasileira. A DS, na história do PT, teve um papel muito importante. Normalmente, se situava à esquerda do Campo, do grupo do Lula, o maior grupo do PT, que se chamava Articulação e hoje se chama “Construindo um Novo Brasil”. Teve um papel muito importante na dinâmica interna, é um grupo interno e serve para debate interno do PT. Foi muito importante ao trazer para o Brasil o debate sobre cotas para mulheres – tem um compromisso muito grande com o feminismo militante. Teve um debate no PT também muito grande, uma contribuição da DS, para o reconhecimento do direito à tendência no interior do PT. Todas as organizações socialistas anteriores ao PT e que entram no PT, a DS preconizou e preconiza a necessidade do direito à tendência no PT, uma ruptura com a tradição dos partidos comunistas, a tradição do Comitê Central e da unicidade de opiniões. Teve um papel importante, também, na prefeitura de Porto Alegre, ao levar adiante a idéia do orçamento participativo, que, em grande medida, foi uma elaboração também inspirada por militantes da DS; a idéia de empreendermos políticas municipalistas radicais, de democracia direta. Então, é uma corrente política como outra do PT, que tem na transformação socialista uma meta, o socialismo democrático uma meta importante, um sonho, e que preconiza que o PT deva estabelecer relações com grupos, com a esquerda democrática da América Latina e do mundo. Nós achamos que a transformação tem que ser inspirada, também, na experiência de outros países: da esquerda européia, da esquerda latino-americana, a experiência cubana. Enfim, é um conjunto de idéias...


Mas esse fracionamento do PT não é mal visto pela sociedade?


Cláudio Puty:
Acho que não. A pior coisa é você ter grupos de interesses, né? Como são grupos de décadas, que têm formulação política, acho que isso é uma coisa boa. Acho que as pessoas que votam no PT não estão muito preocupadas com isso. Existe uma sociedade civil petista que não é filiada ao PT, que vota no PT. Você faz a pergunta, na pesquisa de opinião: qual o seu partido predileto? É o PT - de longe! E esse voto nem sempre vai para os candidatos do PT, mas vai para o partido, tem uma simpatia muito grande. Então, a relação entre a opinião pública, essa sociedade civil que vota no PT, e a vida interna do PT é muito dispersa; não existe uma relação muito íntima. Então, não acho que as pessoas estejam tão preocupadas com isso. E isso talvez seja um dos grandes mistérios do sucesso do PT, enquanto experiência organizativa na esquerda mundial – enquanto maior e mais importante partido de esquerda existente. É que se fala tanto de uma bagunça interna, de uma disputa interna, mas é um partido extremamente bem sucedido. Governa um dos maiores países do mundo, estados e muitas prefeituras. Tem uma contribuição importante, se olharmos na história da esquerda mundial. Temos um país visto com outros olhos, no exterior, por causa da liderança da sua principal figura, que é o Lula. Então, não digo que é tudo de bom, mas, são muitas coisas boas.


Como é que o senhor vê esses escândalos no governo – a questão dos kits escolares, essa denúncia de superfaturamento, e o derrame de dinheiro no Hangar? O que é que há de real nessas denúncias?


Cláudio Puty:
Olha, acho que quem cabe dizer o que tem de real ou não... Nós vemos com muita tranqüilidade, que a cada denúncia dessas nós... Temos auditoria interna, que é a AGE que faz, tem o Ministério Público. Ninguém pode nos acusar de sermos complacentes, ou de essas instituições pegarem leve com a gente. Normalmente, onde o PT assume o governo há muita fiscalização, até por parte da imprensa, o que é uma coisa fantástica; por parte do Ministério Público, por parte do Tribunal de Contas. E nós fortalecemos muito a nossa auditoria: fizemos concurso, estruturamos, fizemos o Portal da Transparência, que você pode acessar e tem lá os gastos do governo. Tanto no caso do Hangar quanto dos kits escolares, nós saudamos o papel fiscalizatório de quem cabe.



Mas a Bila (ex-secretária de Educação) caiu por causa dos kits escolares ou não?
Cláudio Puty:
Não. Ela recebeu um convite de Brasília. Talvez o cargo de secretária de Educação do estado do Pará seja uma tarefa extremamente desgastante, né? Ela achou por bem aceitar esse convite do ministro Haddad, com quem ela tem uma ótima relação. E nós vamos defendê-la, defender a sua gestão, como a governadora, em todas as suas declarações públicas, tem feito. E o Ministério Público está avaliando essa questão dos kits e nós aguardamos o resultado com tranqüilidade.


Mas por que o estado não fez uma licitação? Por que tratar os kits como propaganda? Foi a pressa de lançá-los antes do ano eleitoral de 2010?
Cláudio Puty:
Não, porque nós estávamos em 2008 ainda, não tinha pressa. Foi uma interpretação por parte da Secretaria de Educação, que avaliava que, a partir da licitação já feita - e eu não ouvi ninguém dizer que os kits tenham sido superfaturados...


Fala-se em R$ 7 milhões de sobrepreço...
Cláudio Puty:
Fala-se? Essa eu não ouvi... Pois é, então veja que há investigações aí da Auditoria, do Ministério Público e do Tribunal de Contas. Mas, o que eu saiba – eu estou surpreso com o que você está me dizendo agora... Mas, as agendas, as mochilas, o processo diferenciado que foi a confecção das camisas, não me consta que tenha sido superfaturado. Houve a utilização dessa licitação já feita, interpretação jurídica da Secretaria de Educação, de que já havia uma licitação feita. Então, do ponto de vista daqueles que tocaram adiante o processo, havia uma licitação feita e não houve superfaturamento, porque houve Tomada de Preços, não tenho todos os detalhes aqui. Mas, o mais importante é dizer o seguinte: a distribuição dos kits escolares, que muitos tentam negativar, nas nossas pesquisas de opinião sempre aparece, por parte da população, como algo extremamente positivo. As pessoas são muito gratas à política pública do governo.


Como é que o governo encara atitudes como a da senadora Kátia Abreu, que veio pedir intervenção no estado, sob a alegação de que o governo não estava cumprindo mandados de reintegração de posse?
Cláudio Puty:
Olha, no último período houve um recrudescimento de uma ação política dos setores mais conservadores do ruralismo brasileiro. A Kátia Abreu é só a ponta do iceberg. Em vários estados da Federação, a tentativa de CPI do MST, que, felizmente, foi abortada no Senado; a tentativa de criminalização de movimentos sociais, essa insurgência contra a mudança dos índices de produtividade da terra, proposta pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário - os opositores têm posições absurdas, conservadoras, reacionárias, retrógradas... Isso tudo faz parte do mesmo pacote, que são aqueles que tentam jogar a criança fora, com a água suja que está no balde. Tentam ideologizar, criar... É como o velho perigo do comunismo, né? Para tentar evitar uma transformação real e necessária no campo brasileiro, nas políticas públicas brasileiras, você cria um demônio inexistente, para poder agregar ao seu redor, ao redor das suas posições injustificáveis, se forem discutidas à luz de uma certa racionalidade, um bando de gente amedrontada. Então, o que ela veio fazer aqui foi, na realidade, fazer agitação política, fazer oposição à governadora, porque os interesses que ela representa estão, estavam e serão contrariados enquanto estivermos no governo...


Mas o governo vai cumprir as liminares, não é?
Cláudio Puty:
O que dissemos naquele momento é o que sempre dissemos: está aqui a lista de reintegração de posse; estão aqui quantas fizemos e quantas os governos anteriores fizeram. O que nos causava estranheza é porque ela queria que fizéssemos reintegração de posse num grupo de fazendas específicas. Aí, nós mostramos: tem uma fila; furar fila não vale.


Até quando o senhor fica no governo?
Cláudio Puty:
Até quando a governadora quiser.


Sim, mas o senhor vai ter que se desincompatibilizar, não é?
Cláudio Puty:
Se eu for candidato, sim. A governadora decide isso aí.


E quem é que vai ficar no seu lugar?
Cláudio Puty:
Não sei; isso é com a governadora. Não me faça perguntas difíceis... (risos)


Por último, quando é que vocês vão conversar com o PMDB? Já tem uma conversa marcada?
Cláudio Puty:
Estamos tentando confirmar... Acho que esta semana deve ter uma conversa da governadora com o deputado Jader.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Outro Blog Petista no Ar.


Tratas-se do blog da Profª Ediza Fontes, que para "subir", à quem espere alguma coisa parecida com o do Charles Alcantara. O que há de comum entre eles?
Saíram da DS saltando fogo pelo nariz, lembram?

Por enquanto a professora só postou uma letra de música e sua carta de desligamento, divulgada aqui, horas depois de ter sido lançada na internet.

Agora é esperar o que vem pela frente, já que na 1ª enquete feita pelo blog, os poucos votos já indicam que os leitores preferem que os temas sejam relacionados à política, no lugar de História, Educação e Cultura como sugere nas demais opções de resposta aos visitantes.

Domingo, Outubro 04, 2009

As Falas da Excelentíssima nos EUA





"A governadora fez um comparativo entre o Pará e a Califórnia, explicando que governa um Estado que tem o triplo do território do Estado norte-americano, no entanto, o PIB da Califórnia é 40% maior que o PIB do Brasil e 220 vezes maior que o PIB paraense. Enquanto no Pará a riqueza gerada por km2/ano é de US$ 20 mil, na Califórnia é de US$ 4 milhões por km2/ano. "Não dá para pensar em meio ambiente, em defender o pulmão do mundo, sem diminuir essa discrepância, que ao mesmo tempo que nos separa, nos aproxima", enfatizou."


No Agência Pará, sobre a viagem da governadora Ana Júlia Carepa, que junto dos demais governadores da Amazônia, debateram durante o Fórum Global de Governadores sobre Clima e Floresta (GGCS2, sigla em inglês)

Leia mais...


A foto é de David Alvez e o texto de Ivonete Motta - SECOM-PA.


Perda Dolorida

Ao Quase João Sol.

Por Jorge Costa*

Meu quase filho, por algumas semanas vc se mostrou pra nós (eu e sua mãe Sol). Já estávamos te esperando para habitar conosco a superfície terrestre e ser amigo dos nossos amigos e um braço forte pra fazer parte do exército de indignados, contra este sistema capitalista perverso, que beneficia somente os privilegiados integrantes da classe dirigente deste planeta e que tem no dinheiro o seu baluarte.

Os exames médicos não conseguiam te visualizar até que um exame mais detalhado te fez visível aos nossos olhos e corações, com suas palpitações dentro de um invólucro uterino (por alguns minutos eu e sua mãe ficamos deslumbrados com sua micro-existência, brincávamos com as palavras: HÁ VIDA DENTRO DO “SACO” !). Porém, os deuses não permitiram seu desenvolvimento e seu desabrochar, preferiram interromper a gestação (situação adicionada com a ausência de um atendimento médico adequado e preventivo que deveria existir pra todos os cidadãos).

É indescritível a revolta que habita o meu ser diante de tamanha monstruosidade do poder público (gestores de saúde e tomadores de decisão do Estado).

Suspeito que milhares de seres humanos morrem diariamente por falta de assistência médica, às gravidas que não têm relacionamentos estreitos com especialistas da ginecologia e obstetrícia.
João Sol, aqui no Estado do Pará, a saúde pública está nas mãos de um partido político (PMDB), que não tem nenhum compromisso com a ética, com a vida, com a qualidade dos atendimentos médicos, pois, por interesse de sobra de verba, pra eles é mais conveniente que não se gaste muito com os recursos de saúde pra população, visto que, caso se compre todos os equipamentos necessários aos postos de saúde e aos hospitais e se admita mais profissionais qualificados, as verbas que eles administram se tornam escassas para satisfazer sua megalomania e vaidades materialistas (suas e das madames que lhes acompanham, bem como de suas amantes clandestinas).

Aqui, não há pra onde se recorrer para pedir ajuda, todos os três poderes estão comprometidos entre si: o Executivo só pensa em manter-se no poder (pois o poder é doce e tem vitaminas); o Legislativo é uma gaiola de prostitutos da politica (são cínicos e vendem-se pra quem der o maior lance); o Judiciário não faz concurso público há séculos e os advogados não são confiáveis. Este último é o poder mais sisudo de todos e talvez o mais vil, exatamente por defender uma justiça apenas para os ricos (o intrigante é que os sobrenomes dos juízes, desembargadores, promotores, procuradores, delegados, são parecidos com os sobrenomes dos políticos, empresários, industriais, latifundiários, homens e mulheres de negócios, etc...)

O Quarto Poder, que pode ser a Mídia, as Ong´s ou o Ministério Público, é pouco confiável, com exceção das Ong´s (algumas! apenas as mais revolucionárias, aquelas que não são correia de transmissão dos partidos políticos). Quanto à Mídia, há que se revelar: UM FESTIVAL DE MEDIOCRIDADE! Seu jornalismo é só desgraça, suas programações são fúteis, deseducativas, não há seriedade, tampouco respeito pela inteligência das pessoas (subestimam em demasia nossa capacidade de discernimento). Seus proprietários são todos mercadores de notícias, selecionadores de informações, decodificadores de fofocas, estão sempre a serviço de quem dá mais, podem apoiar ou denegrir, dependendo da conveniência.

Quanto ao Ministério Público, pressinto que ele está colapsando por excesso de demanda e por escassez de recursos humanos. Parece haver uma certa resistência em fazer concurso público para os diversos profissionais que deveriam atuar nesta instância (talvez seja o poder que mais tenha servidores temporários proporcionalmente).

É, Joãozinho, nossa sociedade é um bocado complexa. Mas este é o lado podre. Quero te falar um pouco do outro lado: aqui também têm “coisas” interessantes e muito bacanas. Moramos na Amazônia, uma região afrodisíaca, com praias lindas, igarapés rejuvenescedores, frutas das mais apetitosas, pessoas das mais encantadoras e hospitaleiras. Suspeito que por aqui se pode apreciar o mais lindo nascer do sol, o mais belo entardecer e contemplar as mais variadas culturas (dança, artesanato, música, poesia, arte culinária, etc...).

Infelizmente não vieste habitar conosco esta parte da superfície terrestre, mas já deixaste saudades... saudades do devir... da quase-vida... da ESPERANÇA.

Vai em Paz Joãozinho e obrigado por nos visitar por algumas semanas!
* Jorge Costa é Pedagogo, formando em Sociologia, militante do movimento anarquista nas década de 80 e 90.

Sábado, Outubro 03, 2009

Renovar o PT, radicalizar a democracia: uma reflexão teórica sobre o PED




Por Giuseppe Cocco, Alexandre Mendes e Pedro Barbosa no Blog Leitura Global, no qual contribui Tarso Genro - o fundador da Mensagem ao Partido, agrupamento que persiste em disputar - e ganhar - o comando do PT.

O Partido dos Trabalhadores é o mais importante partido de esquerda do mundo e, ousamos dizer, aquele que possui a mais potente dinâmica social e política na conjuntura atual: é um partido de massa, democrático que se mantêm ancorado a uma nítida perspectiva de emancipação do trabalho e construção da liberdade.

Apesar de suas profundas contradições, o PT – através de sua experiência de governo – é atualmente o partido que coloca o debate sobre as alternativas ao neoliberalismo no campo da inovação, pensando a democracia para além das experiências socialistas do século XX.

Essa dimensão potente do PT é ainda mais emblemática diante do declínio programático, social e ético – que não parece ter fim – da esquerda mundial em geral e da européia particularmente. Uma exceção ao declínio do camp o democrático e progressista nos países do norte talvez tenha sido a eleição de Barack Obama. Sua candidatura foi inovadora, especialemente, por passar “por fora”dos tradicionais mecanismos de representação do Partido Democrata dos EUA: a base da eleição de Obama foi o movimento independente e progressista – organizado na e pela internet – conhecido como Move On: Democracia em ação e, obviamente, o movimento contra a guerra do Iraque. A particularidade da experiência brasileira nos diferencia também da atual dinâmica vivenciada pela esquerda latino-americana, na qual o ciclo progressista que envolve a quase totalidade dos governos não pode se apoiar e contar com a realidade política e partidária do PT brasileiro. A única exceção é o MAS (Movimiento al Socialismo) boliviano. Contudo, inclusive nesse caso, não encontramos os efeitos de acumulação política e expressiva experiência de movimento e governo que caracterizam o PT.

Esse é o Partido que hoje tem pela frente um grande desafio: consolidar, aprofundar e radicalizar as conquistas de sua história e da experiência dos dois governos Lula.

Limites da experiência e produção de novas sínteses

O reconhecimento desta dinâmica virtuosa nos possibilita organizar uma balanço extremamente positivo dos dois mandatos do Presidente Lula. No entanto, não pode nos impedir de reconhecer os limites e, inclusive, os sinais de esgotamento do processo social que alimentou (e ainda alimenta em parte) a dinâmica do PT e a liderança de seu presidente: Lula. Tudo aquilo que fez com que Lula “contasse mais do que o PT” vem, como sabemos, da onda operária do “novo sindicalismo” da periferia industrial de São Paulo. Muitos elementos indicam que, embora as organizações sindicais continuem constituindo alguns dos pilares fundamentais do PT e da esquerda mais em geral (inclusive do governo), essa “onda de movimento” tem perdido sua força e capacidade de construir um referencial social geral.

O PED é o produto ambíguo dessa pujança e desses sinais de esgotamento:

Por um lado, trata-se de uma conquista em termos de radicalização democrática, para além das formas burocráticas típicas dos partidos do século XX e da sociedade industrial. A participação direta dos filiados é um passo decisivo rumo a uma democracia mais participativa e direta. Por sua vez, a massificação das filiações aproxima o partido da sociedade e dá conta de sua amadurecida experiência de governo. Pelo outro, o PED pode ser mais uma manifestação da crise de representação determinada pelas transformações sociais que caracterizam o capitalismo contemporâneo. Algo que alguns intelectuais antes próximos do PT definem como “desaparecimento da política” e que é, na verdade, a crise de uma forma de fazer política.

Resumindo esquematicamente podemos dizer: as virtudes e os vícios do PED dizem respeito a um Partido dos Trabalhadores (PT) que se torna partido de massa sem que os quebra-cabeças do governo pelas massas sejam resolvidos. A filiação – de massa – dos muitos ao PT não se traduz em um Partido governado pelos muitos. Pelo contrário: assistimos – no mesmo movimento – a penetração dentro do PT dos tradicionais fenômenos de privatização da política pelo poder econômico; a própria lógica da representação, ao mesmo tempo esgotada e fixada nos interesses de reprodução dos mandatos, acaba gerando maquinas eleitorais internas que falsificam o jogo democrático. A filiação em massa dos muitos se esgota no poder de poucos. O PED das massas é o terreno de reprodução e produção do poder de poucos, quer dizer de verdadeiras oligarquias fundadas em muitos mandatos e na concentração de poder econômico que esses mandatos precisam e determinam ao mesmo tempo.

Não existe ética sem democratização da decisão, da escolha e da produção das próprias regras definidoras do comportamento ético. A ética, para nos, é uma aventura da liberdade e da igualdade, da renovação continua da democracia.

Renovar o PT dentro da dinâmica do PED e a partir da experiência de governo!

A potência renovadora do PT veio da autonomia operária do ABC paulista: o carisma de Lula é o fruto da relação potente entre lutas operárias e Partido que o “novo sindicalismo” constituiu e Lula encarnou. Esse é o Lula torneiro mecânico e retirante, o líder operário do final dos 1970 e inicio da década de 1980.

Em seguida, a onda operária do ABC paulista se amplificou conectando-se aos outros movimentos sociais (movimentos camponeses e movimentos urbanos) e aos setores da esquerda sobreviventes da heróica resistência à ditadura. Lula já é o líder da nova esquerda brasileira da década de 1980 e da resistência ao neoliberalismo. É o “Lula somos todos”, com suas experiências de governo municipal onde a representação se abriu à participação: o que o Orçamento Participativo de Porto Alegre tornaria em modelo de referência nacional, base do Fórum Social Mundial.

A estrondosa popularidade dos dois governos Lula (em termos de legitimidade social) se deve ao encontro dessas duas “ondas” (aquela operária do ABC e do governo local pela esquerda liderada pelo PT) e a uma inflexão que diz respeito a uma “outra onda”: aquela gerada pela própria experiência de governo e seus programas sociais: o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo, o Prouni e o Reuni, o Luz para todos, o Pronasci, os pontos de cultura e de mídia, a inclusão digital nas escolas públicas, a regulamentação das reservas indígenas e da propriedade fundiária nas favelas, o estatuto da igualdade racial, o projeto de cotas e de combate ao racismo, as quebras das patentes dos remédios, a discussão dos direitos autorais e, enfim, o PAC.

Entre 2002 e 2006 houve uma ampliação da base social do governo mas também uma mudança de base social: ela passou a incorporar os setores e as regiões mais pobres da população e do país. Esse é o “Lula é muitos”.

Essa mudança é o fato da constituição dos POBRES como sujeito.

Os governos Lula souberam antecipar e trabalhar essa mudança. Ao mesmo tempo, ela constitui também um desafio. O debate sobre o PED é o embate diante das dimensões fortes e potentes dessa mudança, mas também diante dos enigmas e questões políticas que ela coloca. O debate sobre o PED deve ser esse debate, um debate de luta! Aliás, a crise financeira do capitalismo global lhe dá uma dimensão ainda mais decisiva e um horizonte aberto à construção de um outro mundo: o mecanismo fundamental da crise é exatamente aquele de um capitalismo em rede que mobiliza os pobres (os excluídos) sem reconhecer seu trabalho (sem paga-los e/ou sem empregá-los).

Os trabalhadores empobrecidos e os pobres trabalhadores são as figuras sociais de uma nova composição de classe, de uma nova dinâmica das lutas e de governo. Mas essa composição que chamamos de “classe” não tem mais muito a ver com os comportamentos e as lutas da velha classe operária.

O debate sobre o PED deve ser o debate, rico e produtivo, da renovação da forma partido e da grande narrativa da emancipação diante dessa nova composição material do trabalho e de suas lutas: do trabalho dos pobres.

Governado pelo mercado, o pobre é um “amontoado” de fragmentos: ele não é mais a figura social – como era o operariado – homogeneizada pela relação capitalista de produção e seu chão de fábrica. O capitalismo contemporâneo fragmenta, terceiriza e precariza sistematicamente o emprego (a relação salarial) mobilizando os trabalhadores formais e informais, os camelôs e os ambulantes, os sem teto e os favelados, os intelectuais que trabalham por conta própria, as mulheres, os indígenas, etc. Nesse nível, o pobre aparece como uma massa de fragmentos que o neoliberalismo pretendia governar pelo mercado: a lógica da privatização devia impor que cada um desses fragmentos se tornasse um individuo egoísta em competição com os outros.

Nas lutas, o pobre é muitos! As lutas dos novos movimentos são lutas dos pobres. Elas se caracterizam pela diversidade e multiplicidade de suas dinâmicas: as lutas dos trabalhadores sem terra, dos movimentos culturais das favelas e rádios livres comunitárias, o midiativismo, o movimento pelo software livre e quebra das patentes sobre os produtos da criatividade humana, as lutas dos trabalhadores pobres ambulantes e dos camelôs, dos pré-vestibulares para negros e pobres, as ocupações por moradia, as lutas do movimento negro, dos povos indígenas, das mulheres, os movimentos para a emancipação da sexualidade (GLBTS) etc.

Nessas lutas, os fragmentos se transformam em singularidades (pobres) que cooperam entre si (entre pobres) e produzem alternativas ao mercado: a diversidade não e mais um obstáculo mais a própria potência dos novos movimentos. Nas lutas, o amontoado desorganizado, explorado e excluído de fragmentos (os trabalhadores pobres) se torna um conjunto de pobres que trabalham e produzem governo e emancipação. Da mesma forma que a cooperação sul-sul entre paises pobres inaugurada pelo governo Lula!

As lutas de tipo novo são precisamente aquelas que logram enfrentar o obstáculo da fragmentação e organizar a multiplicidade dos pobres.

Que formas de luta são essas? Como é que isso acontece? Qual a relação entre essas lutas e a política? As formas de luta do “pobre” articulam em um mesmo terreno a resistência, a reivindicação com a cooperação produtiva: constituir a luta é ao mesmo tempo organizar a produção. Como dizem o MST e os Sem Teto: “ocupar e produzir”, os pobres lutam e produzem; produzem e lutam.

Isso acontece nas formas: do movimento do software livre, onde a luta contra as leis das patentes se junta à produção em rede e cooperativa de software; do movimento dos pré-vestibulares comunitários, onde a luta contra o sistema elitista e racista do vestibular se junta à organização voluntária de cursos para os estudantes pobres e negros entrar nas universidades; o MST articula as lutas pela reforma agrária com os temas de “ocupar e produzir”, na perspectiva da agricultura familiar e cooperativa; os trabalhadores pobres e precários dos centros metropolitanos defendem seus espaços e ao mesmo tempo ocupam moradias próximas de seus locais de trabalho. Os novos movimentos dos pobres, longe de implicar o desaparecimento da política, afirmam um novo terreno político que junta dinâmicas de luta e dinâmicas de governo. O que desaparece é a velha política, aquela da representação, da separação entre reivindicação econômica (sindical) e programa político (do partido). Mas, em retorno, tudo vira político e afirma a centralidade da questão do governo: é na dinâmica de governo que pode – ou não – consolidar-se e generalizar-se a relação precária que os novos movimentos indicam e constituem entre lutas e produção. Isso não se limita somente aos “novos’ movimentos, mas diz respeito a todos os movimentos, inclusive aqueles sindicais e operários: não é por acaso que, por um lado, os sindicatos operários participaram, com força, do movimento em prol ao desenvolvimento regional do ABC paulista, bem como participam, hoje, dos conselhos de administração de muitos fundos de pensão. Por outro lado, a mobilização mais interessante da CUT durante os primeiros anos do governo Lula foi justamente aquela que se dirigia aos trabalhadores pobres, quer dizer as caravanas em prol da valorização do salário mínimo.

O debate do PED e, mais em geral, o debate sobre os rumos de projeto do PT, tem que ser esse!

Esse debate – como vimos – é aquele da democracia dos muitos, dos muitos que continuam a ser tais: como é que os muitos passam da condição subordinada, explorada e excluída de fragmentos manipulados pelo mercado (e o capitalismo financeiro das redes) a constituir-se em singularidades que cooperam entre si, em governo? Como é que se forma a decisão democrática quando o sujeito da luta é a multiplicidade dos pobres? Como é que o PT pode ser, ao mesmo tempo, múltiplo (democrático) e capaz de decisão (vetor de um projeto, no curto prazo, de consolidação e aprofundamento das conquistas dos governos Lula e, no longo prazo, de uma nova grande narrativa de emancipação)? Com outras palavras, podemos dizer o seguinte: o debate do PED é atravessado pelas alternativas colocadas pelas respostas que daremos a essas questões. Esquematicamente, essas se resumem a três grandes caminhos possíveis:

Um primeiro eixo, seria aquele que foca – para ganhar o PED – a crítica das outras “>maquinas eleitorais e das oligarquias que delas se alimentam e a produzem ao mesmo tempo. Mas, nesse horizonte, não conseguiremos fugir da necessidade de construir outras maquinas eleitorais para lutar contra aquelas que são atualmente hegemônicas. Claro, podemos crer e afirmar que “nossas” máquinas são mais autênticas do que as outras. Mas, por verdadeira que possa ser nossa afirmação, ela sempre será contestada pela afirmação dos “outros” que dirão que são as máquinas deles que são autenticas ou, no mínimo, que as máquinas têm características parecidas.

Um segundo eixo seria aquele que apontaria para o abandono do PED e uma volta atrás ao método do Centralismo democrático (do Congresso). Essa perspectiva aparece duplamente fraca: a) por um lado, ela não dispõe mais do mecanismo de legitimação da representação da qual o procedimento congressual era somente um momento. Ou seja, a volta aos métodos dos delegados se traduziria inevitavelmente em um enfraquecimento da dinâmica partidária; b) por outro lado, dificilmente a qualificação do voto encontraria um critério unânime e ela mesma seria objeto de disputa.

Um terceiro eixo é aquele que implica em aceitar os desafios do PED promovendo seu atravessamento (e do PT) por essas dinâmicas e embates de tipo novo!

= > Articular o trabalho de comunicação participativa em rede dos filiados e eventualmente chegar ao voto on line – as experiências dos movimentos em redes de Seattle a Genova, mas também aquelas da 1a eleição de Zapatero e da recente eleição de Obama indicam esse caminho material e político de radicalização democrática, quer dizer de uma da mobilização qualificada da militância de massa e em massa. A qualificação da participação não implica em nenhuma redução da filiação em massa, mas na explicitação de suas dimensões múltiplas por meio da sua conexão em rede. Isso significa que o PT deve tornar-se, sobretudo no PED, mas não apenas nele, um partido de movimento, um partido em movimento.

= > Levar para dentro dos debates, da formação, do funcionamento, dos compromissos de governo do PT e pelo PT, as dinâmicas dos novos movimentos e, com base nesse atravessamento, enfrentar a questão da organização (da forma partido) e do governo de maneira inovadora e adequada. Isso significa que :

* A Política social – a construção de uma nova geração de direitos – tem que ser a base da uma nova política econômica. Somente a política social é capaz de indexar a inflexão do modelo econômico e uma política dos pobres, radicalizando o que foi feito durante os governos Lula: pensar os direitos não mais como conseqüência do trabalho (do emprego), mas como base, premissa do trabalho (e eventualmente do emprego).

* O PT deve ser o estimulo de uma reflexão conjunta entre movimentos e organizações sindicais para pensar e promover uma organização horizontal e territorial dos trabalhadores, para além da relação de emprego. Essa espécie de “sindicato territorial” deve buscar a reunião dos atuais trabalhadores através do que há em comum entre eles: a condição de precários e sem direitos, excluídos e subordinados ao mesmo tempo.

* O PT deve ser o âmbito e um dos principais animadores de um debate sobre as novas formas de propriedade, aquelas capazes, por um lado, de dar conta da maciça intervenção do fundo público durante a atual crise financeira do capitalismo global e, por outro lado, da dimensão comum e política que caracteriza a cooperação social produtiva contemporânea: aquele comum afirmado pelos pré-vestibulares comunitários, pelo movimento do copyleft, pelos movimentos ecologistas, pelo cuidado em saúde coletiva, pelos movimentos culturais; pelo municipalismo do OP; aquele comum que deve se constituir como um novo direito – imediatamente produtivo – da criatividade humana.

Cinema Paraense em Ação na Marambaia


Lançamento do Documentário de Francisco Weyl,
com o jornalista Lúcio Flávio Pinto será realizado em praça no bairro da Marambaia em Belém do Pará.


O projeto Tela de Rua fará o lançamento do Cine-clube MOCULMA* que em parceria com o Cineclube Amazonas Douro, têm a honra de convidar a comunidade paraense para a estréia do filme Contracorrente, de Francisco Weyl.

O documentário, segundo o seu realizador, é um ato político-cultural em solidariedade ao jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, o qual sofre diversos ataques judiciais e físicos inclusive, contra sua postura crítica e denuncista.

No Filme, Lúcio fala sobre liberdade de imprensa, mídia e poder, jornalismo e política.

O jornalista, crítico pela sua própria natureza, é diretor do JORNAL PESSOAL e tem se destacado na luta pela liberdade de expressão e pelos direitos humanos, colocando a sua vida e a sua profissão ao serviço das causas mais importantes do seu tempo.

Serviço: Lançamento do Filme Documentário "Contracorrente" do Cineasta Francisco Weyl.

Dia: 05/10/2009 (Segunda-feira)

Hora: 20h.

Local: Praça Tancredo Neves, Marambaia. (Próximo ao final da Linha do Marambaia Ver-o-Peso)

Maiores Informações: (91) 8711-8628 / 8174-5995 / 8179-6684

* O MOCULMA - Movimento Cultural da Marambaia - completou em 2009, 15 anos de existência e resistência, sendo organização da sociedade civil, promove programações culturais, sócio-educativas e debate temáticas emergentes tais como: Meio Ambiente, Reforma Urbana, Cultura Popular, Economia Solidária, entre outros, interagindo assim em diversas redes e segmentos sociais. É filiado à UNMP.

Impunidade Incentivada

No Página Crítica

Chegamos ao fundo do poço? Não, não existe limite quando a barbárie se instala. Ontem [segunda-feira], passageiros de um ônibus assaltado por três jovens na periferia de Belém espancaram até a morte um deles, que possuía apenas 16 anos e estava vestido com a farda da escola. Uma facada no pescoço e pronto. O corpo estendido no assoalho do ônibus, sangue por todo lado e aquele gosto acre de que a última fronteira foi ultrapassada.

Pena de morte, julgamento sumário, vingança coletiva e, no momento seguinte, desce o manto da impunidade. Matar ladrão não é crime, ora pois. O Estado que não protege o cidadão é estranhamente eficaz quando cruza os braços e não investiga a ocorrência de um homicídio. Por que é sempre tão difícil descobrir a autoria dos crimes praticados por turbas enfurecidas? Não há testemunhas, nem indícios a investigar? Ou o adolescente infrator foi fulminado por alguma força não-identificada?

Quem executou o golpe fatal, utilizando a mesma arma que o assaltante havia levado para cometer seu crime - uma faca de cozinha - não é mesmo criminoso. É tanto quanto, ou ainda mais.

A não punição pelas mortes decorrentes de linchamentos funciona como estímulo, uma espécie de licença para matar. Tal qual aquela que os assaltantes e outros homicidas já gozam em larga medida.

Hoje a mídia, em particular aquela que vive de explorar a tragédia alheia, fará mais uma campanha a favor da brutalidade sem limites. Estará com as mãos alagadas em sangue. De inocentes e de culpados, estes, por sinal, cuja existência em grande medida vai muito além, mas muito além mesmo, dos limites do macabro ônibus que cruzou o caminho de nossa insuportável tragédia de todos os dias.

De Fato e de Direito




Com a viagem da governadora, muita coisa acontece na Casa Civil. No entanto, não é verdade que o Sr. Cláudio Puty, atual Chefe da Civil da governadoria, seja o vice-governador ao invés de Odair Côrrea, como inferiu o Espaço Aberto.
Na minha opinião, há na verdade, falta de tato político de um e articulação demais do outro.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

O Enem Vazou e a Bolsa Furou





Do Blog do Waldez confira!

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

A internet passa a televisão na disputa pelos anunciantes

Quem informa é o FT


Quem informa é o FT

O diário britânico Financial Times, o evangelho de dez entre dez liberais, informa que "a web bateu a TV e tem a maior fatia de publicidade" na Grã-Bretanha.

"Segundo relatório da PwC, é o primeiro grande mercado de mídia a experimentar a mudança. A fatia da internet cresceu de 18,7% no primeiro semestre de 2008 para 23,5% em 2009, contra 21,9% da televisão. O gasto on-line cresceu 4,6% no primeiro semestre, impulsionado pela publicidade em ferramentas de busca. No todo, o gasto caiu 16,6%. A internet já havia ultrapassado os jornais [de papel] em 2006" - lembra o FT.

A migração dos anunciantes é um indicador importante. Tende a ser algo definitivo, modificando completamente o perfil dos meios de comunicação, ainda que permanecendo subordinada à lógica do valor.

Está havendo um deslocamento do espaço público representado pela máquina de mídia. A emissão de informação, que sempre esteve sob um domínio exclusivo e reservado, tende a se tornar mais aberto e plural, com isso seus atores e players terão que permanentemente justificar a sua forma de atuação, controle social e legitimidade no discurso que se pretende universal. Uma empresa midiática que tem hegemonia na forma TV, não terá necessariamente a mesma força nas multiformas da web. Ao contrário, a internet já está com demarcações públicas e plurais que dificilmente podem ser removidas pelos adventícios da velha máquina midiática do século 20.

Vivemos tempos interessantes.

A Advogada do VIC


Do blog "delle" mesmo.

Um chefão da Máfia descobriu que seu contador havia desviado 10 milhões de dólares do caixa.

O contador era surdo-mudo.

Por isto fora admitido, pois nada poderia ouvir e, em caso de um eventual processo,não poderia depor como testemunha.


Quando o chefão foi dar um arrocho nele sobre os US$10 milhões, levou junto sua advogada, que sabia a linguagem de sinais dos surdos-mudos.


O chefão perguntou ao contador:


- Onde estão os U$10 milhões que você levou?


A advogada, usando a linguagem dos sinais, transmitiu a pergunta ao contador, que logo respondeu (em sinais):


- Eu não sei do que vocês estão falando.


A advogada traduziu para o chefão:


- Ele disse não saber do que se trata.


O mafioso sacou uma pistola 45 e encostou-a na testa do contador, gritando:


- Pergunte a ele de novo.


A advogada, sinalizando, disse ao infeliz:


- Ele vai te matar se você não contar onde está o dinheiro..


O contador sinalizou em resposta:


- OK, vocês venceram, o dinheiro está numa valise marrom de couro, que está enterrada no quintal da casa de meu primo Enzo, no nº 400, da Rua 26, quadra 8, no bairro Santa Marta!


O mafioso perguntou para advogada:


O que ele disse?


A advogada respondeu:


- Ele disse que não tem medo de gay e que você não é macho o bastante para puxar o gatilho..

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Dois Países, Duas Histórias.

A permanência de Sarney, contrariando grande parte da imprensa brasileira e sua resistência, contrapõe o quadro nefasto imposto pela ditadura em Honduras. A América Latina, históricamente massacrada pela força das forças militares e o Brasil dos grandes grupos de comunicação a situação dos países, afastadas as grandes diferenças, nos colocam no dilema: Quando termina o lúdico e começa a insanidade?

O país que tem como principais produtos da pauta de exportações o café, a banana e o camarão é agora exportador de mal exemplo aos países da América Central, de onde os espanhóis, à força conquistaram pelo massacre dos indíos da civilização Maia em 1523.

Do Portal comunista Vermelho.org, a decisão, destacada na manchete abaixo é oportuna, porém atrasada. Num país, menos elitista e com menos sequelas autoritárias no cerne parlamentar, a reação seria imediata.





A polêmica surgida no senado entre oposição e governistas em torno da permanência do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira em Honduras, não impediu a aprovação de uma moção de censura e repúdio ao cerco militar à embaixada brasileira na capital de Honduras, Tegucigalpa.


Depois da pressão da oposição, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado aprovou o texto nesta terça-feira (29).A comissão já havia aprovado um documento com texto muito semelhante na semana passada. No entanto, o requerimento foi devolvido à comissão por sugestão do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), devido aos fatos ocorridos nos últimos dias, como o fechamento de uma emissora hondurenha de rádio e uma de TV que apoiavam Zelaya, além da ameaça do governo golpista de fechar a representação diplomática brasileira no país.


No documento, que foi votado em plenário, os senadores manifestam veemente repúdio ao cerco policial embaixada brasileira, fato que, segundo os parlamentares, contraria a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, cujo Artigo 22 garante a inviolabilidade de representações diplomáticas.


Advertindo que a vida de Zelaya e de outras pessoas abrigadas na embaixada, bem como a inviolabilidade da representação brasileira, devem ser preservadas a todo o custo, a moção faz um apelo para que as forças políticas hondurenhas dialoguem buscando a conciliação e a volta da normalidade democrática.


Os senadores também se dizem consternados com as violações ao direito dos simpatizantes de Zelaya de se manifestarem livremente e com a agressão liberdade de imprensa, configurada no fechamento, na segunda-feira (28), de uma emissora de rádio e de uma TV que apoiavam ao presidente deposto.


Os parlamentares incluíram no documento a ressalva de que o presidente Manuel Zelaya deve se abster de usar a embaixada brasileira como palanque político, ato com o qual estaria violando as regras do direito internacional e deixando de contribuir para a pacificação de Honduras.

Se...






De um email que me fez ri, numa quarta-feira estafante...




Se ...




Se a pessoa que você ama, treme quando te abraça,






Se você sente os seus lábios ardentes como brasas,






Se você sente a sua respiração se agitar,






Se você vê os seus olhos ferverem com um brilho especial...



VAZA QUE É GRIPE SUÍNA !!

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Jornalismo 2.0 - O futuro é agora!

Se um jovem que tenha nascido nesta década, ingressar futuramente na profissão de jornalismo ou qualquer outra, e/ou necessite digitar um texto ou simplesmente uma carta e se deparar com o objeto acima, certamente não o reconhecerá, pois máquinas de escrever ou jornalistas com diploma específico e fichas telefônicas, neste e em outros países mundo à fora, graças ao desenvolvimento científico e cultural, já terão sido extintos.

Diógenes Brandão

Estava à ler - como faço sempre com os blogs presentes em minha lista de leitura , aqui ao lado - e me deparei novamente com a ladainha dos jornalistas que se acham melhores que qualquer outro profissional e ressusitam a discussão do diploma de jornalismo, o qual para o exercício profissional em nenhum outro lugar do mundo, a não ser com era no Brasil, necessitava-se de curso superior específico, como se Cientístas Políticos, Filósofos e Cozinheiros - cozinheiros sim, quem disse que não se estuda, ou acumulasse notório saber, para tratos tão importantes e necessitados de técnicas, como para com os alimentos? - não pudessem fazer bem e como milhares de auto-didatas mundo à fora, fazem e destacam-se pela criatividade, amplitude na visão de mundo e ao certo pelas múltiplas habilidades, inerentes à esta bela profissão.

Bom, voltando ao texto...li o Juca Kfouri, mas gostei mesmo foi dos comentários. Sendo ou não jornalista, cozinheiro, educador, padre ou policial, eu recomendo que faça o mesmo, ou fique aí com sua boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar...

A Fala da Edilza Fontes ao sair da DS

"Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros."

Voltaire




Belém, 27 de setembro de 2009.


Companheiros (as) da tendência Interna petista “Democracia Socialista”


Sou militante histórica do PT, e ajudei a construir junto com outros companheiros e companheiras a intervenção do partido em nosso Estado. Minha história de compromisso com a transformação social e com o socialismo é anterior ao próprio PT. Vem dos tempos sombrios do regime militar quando participei de um dos mais importantes agrupamentos clandestinos da esquerda nacional, o Partido Revolucionário Comunista – PRC.


Atuei de diversas formas no movimento social, nos anos mais difíceis para a democracia e a liberdade. Com denodo, ética, espírito revolucionário e seriedade, tenho a convicção que muito contribuí à história social de nosso povo, seja na luta política, seja nas experiências e tradições de classe que comunguei em minha trajetória. Sou personagem de um enredo marcado pela defesa do humanismo no seu mais radical princípio: a libertação plena da humanidade contra tudo que corrói e oprime a essência humana. Na partilha dessa experiência, tornei-me sujeito histórico plena de contradições, nas diversas faces que me fez mulher, mãe, professora e produtora de conhecimento.


Junto a essa trajetória de sujeito e ator social, galguei com meus próprios esforços, a carreira acadêmica, abraçada por mim com suor, estudo e trabalho, sem usar de recursos escusos e anti-profissionais para alcançar meus objetivos. Dediquei-me ao ofício de historiadora pontuando a carreira acadêmica na dupla missão de amar o saber, inscrevendo-o na história social militante, fazendo o possível para fugir ao script do diletantismo deletério.


Foi com esse background cultural e político que assumi cargos importantes de gestão em esferas diferentes do Estado, com transparência, ética, senso de gestão profissional e comprometida com a coisa pública, de forma eficiente e eficaz. Prova disso são as minhas contas aprovadas, sem máculas pelos organismos públicos de auditagem, desde a minha experiência de gestão na UFPA, na Fundação Cultural de Belém – FUMBEL em 1997 até a última na Direção Geral da Escola de Governo do Estado do Pará – EGPA, entre 2007 e 2009 e na Coordenação do Planejamento Territorial Participativo – PTP.


No governo do Estado, atuei de forma leal, aberta e sincera com a Governadora Ana Júlia Carepa, cuja gestão ajudei a eleger em 2006, com afinco e labor. Nos momentos críticos do governo, pautei o debate fraterno com qualidade, sem entrar no baixo joguetes de disputas fratricidas, ao mesmo tempo fortalecendo nosso projeto de governo diante dos ataques permanentes de nossos adversários internos e externos.


Na DS atuei com a mesma lealdade e tenho certeza que ajudei em muito no seu crescimento como tendência, saltando de forma qualitativa e quantitativa no PED de 2007 para uma intervenção consistente na estrutura interna do PT. A DS hoje no PT, a despeito da máquina governamental, é uma tendência em crescimento, graças às estratégias que ajudei a construir com os (as) companheiros (as).


Em torno dessas considerações é que me sinto a vontade de me dirigir aos (as) companheiros (as) para apresentar por este documento, meu pedido de desligamento da tendência. Não me sinto à vontade de continuar na tendência, após os acontecimentos do primeiro semestre, quando fui exonerada do governo, sem qualquer acusação de malversação administrativa, em nome de uma barganha política com adversários do passado recente e ainda tendo que abrir mão da coordenação de um programa que de forma apaixonada e responsável dirigi nesses 2 anos e meio de governo, o PTP.


Mais do que isso, fui objeto de uma disputa interna na tendência, cuja finalidade serviu tão somente para resguardar candidaturas. Nada tenho pessoalmente contra o atual Chefe da Casa Civil, sr. Cláudio Puty ou ao atual secretário de cultura, sr. Edílson Moura, candidatos ungidos como únicos capazes de representarem a DS. Minhas objeções são políticas por defender a legitimidade de qualquer candidatura parlamentar, independente da vontade suprema e absoluta de alguns e algumas.


Por conta desse claro posicionamento, fui excluída do projeto estruturado pela DS para as eleições de 2010. Escorraçada do governo que, repito, jamais deixei em constrangimento público sob quaisquer processos judiciais, e tenho sofrido também um processo violento de expurgo simbólico e real. Fui eleita para compor o GT da tendência em nossa última conferência, mas a relação que o núcleo dirigente tem tido comigo é de total desprezo às nossas tradições democráticas.


A título de exemplo, nunca fui consultada quanto ao papel da candidatura de Suely Oliveira no PED e sei que esse debate nunca foi aprofundado no interior da tendência. Para agravar o desrespeito dos (as) companheiros (as), fui alijada da Executiva Estadual do PT por um processo de expurgo comandado pelo GT da DS, da forma mais absurda possível, sem direito de defesa em uma reunião onde não fui avisada ser ponto de pauta a avaliação sobre minha atuação na executiva do PT, o que revela o lamentável grau de autoritarismo que tem dado substância às ações dos (as) companheiros (as).


Nesse sentido, já ficou evidente que na há mais clima para continuar na tendência. Sinto-me constrangida de ainda representar uma tendência que não tem tido o mínimo de respeito e solidariedade para com essa companheira.


Ao sair da DS, quero deixar claro que continuarei a debater com o campo da “Mensagem ao Partido”, procurando agrupar-me nesse horizonte dentro do PT. Não irei para outro partido e vou manter minha candidatura à Deputada Estadual em 2010.


Saio da DS com o dever cumprido com a tendência, com o PT e com o governo sem contas bloqueadas na justiça e limpa para com minhas obrigações de gestora pública. Agradeço a confiança depositada pelos (as) companheiros (as) ao indicar-me aos cargos públicos que assumi e sei que cumpri rigorosamente a defesa do projeto que pensamos para o nosso Estado.


Sejamos felizes, cada um em nossos caminhos, ao mesmo tempo juntos na tarefa de refundar o PT.


Saudações Petistas,

Edilza Fontes

Domingo, Setembro 27, 2009

Brasil entra no time que decide sobre a economia mundial

Ué, cadê o Fernando Henrique ? Deve estar em Ibiúna

Extraído na íntegra do Blog do Paulo Henrique Amorim

Amigo navegante, não leia as noticias do PiG (*) sobre a reunião do G-20, que se realiza em Pittsburgh, nos Estados Unidos. O Brasil acaba de obter uma estrondosa vitória, na companhia da China, e da Índia. A reunião de Pittsburgh estabeleceu que o G-7, o antigo clube dos países ricos, que determinava o curso da economia mundial, vai ser substituído pelo foro mais amplo do G-20, que inclui os países com rápido e vigoroso desenvolvimento. Não leia o PiG (*) nem seus colonistas (**) supostamente cosmopolitas. Leia Edmunbd L. Andrews, o repórter do New York Times: “.., os líderes formalmente anunciaram que as discussões sobre as questões econômicas globais se transferirão PERMANENTEMENTE (ênfase minha – PHA) do Grupo das 7 grandes nações industriais – Estados Unidos, Inglaterra, França, Canadá, Itália, Alemanha e Japão – para o Grupo dos 20, que inclui China, Índia, Brasil, Coréia do Sul e África do Sul, para refletir o crescente poder que nações de rápido desenvolvimento econômico passaram a ter sobre a economia mundial.” O interessante é que o Brasil chega à Primeira Divisão, ao Grupo dos 20 sem que o PiG (*) dê destaque a isso. E, muito importante, pelas mãos de um operário metalúrgico. Interessante também: não foi possível ver o Farol de Alexandria em nenhuma das fotos de Pittsburgh. O Ibrahim Sued costumava dizer “Gigi, eu chego lá”. O Lula pode dizer: “Gigi, eu cheguei lá”. Paulo Henrique Amorim Em tempo: como previsto pelo representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira Batista JR, o Brasil obteve outra importante vitória. Os países emergentes conseguiram 5% de votos, a mais, nas deliberações do Fundo. A Folha, na primeira página, menosprezou a vitória. Ela sente falta dos bons tempos do Farol, quando ele ia ao FMI, não para reivindicar mais votos, mas para pedir esmolas. FHC foi três vezes … (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista. (**)Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Sarney vs. Imprensa: Quem mudou: o senador ou a grande mídia?

Venicio A. de Lima

O mesmo político, no exercício do mandato eletivo, que declarou há menos de quatro anos: "A única atividade [de nossa família] em empresas é relativa à atividade [sic] política: jornal, rádio e televisão. Temos uma pequena televisão, uma das menores, talvez, da Rede Globo. E por motivos políticos. Se não fôssemos políticos não teríamos necessidade de ter meios de comunicação." (Carta Capital, nº 369, de 23/11/2005, pág. 40)
Afirmou agora:


"A tecnologia levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, hoje, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós; e dizemos nós, representantes do povo: somos nós. É por essa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas. Isso não se discute aqui; estou repetindo aquilo que, no mundo inteiro, hoje, se discute." (Discurso proferido pela passagem do Dia Internacional da Democracia, no Senado Federal, em 15/9/2009)


Além da contradição implícita de ser, ele próprio – como proprietário de jornal e concessionário do serviço público de radiodifusão – um "inimigo das instituições representativas", o que deveria chamar a atenção do distinto público é a incrível diferença na reação da grande mídia e seus colunistas e analistas: em 2004, não se gastou uma linha sequer sobre a declaração do senador José Sarney; em 2009, ele está sendo incluído na relação daqueles "autoritários" que querem restaurar a censura prévia na imprensa brasileira.

Mudou o nobre senador? Mudou a mídia? Ou mudaram os dois?

Distorções permanentes

No debate acadêmico sobre a prática profissional do jornalista, há décadas é discutida a contradição que envolve uma atividade que se pretende neutra e objetiva – profissional – e, ao mesmo tempo, atribui a si mesma a representação dos interesses públicos. Da mesma forma, o discurso dos grupos de mídia mistura profissionalismo jornalístico com defesa dos interesses da sociedade. Como conciliar essas "missões" inconciliáveis?

Entre nós, os obstáculos para se fazer o debate democrático do papel da mídia que contemple o contraditório em igualdade de condições, são tão formidáveis que distorções permanentemente praticadas acabam se transformando – na agenda pública – em princípios e verdades incontestáveis.

Transformar a liberdade de expressão em liberdade de imprensa é uma dessas distorções (ver, neste Observatório, "Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa: O sentido das idéias"). Confundir a instituição imprensa/mídia com o trabalho individual de jornalistas é outra. Igualar jornalistas editorialistas, colunistas ou articulistas – que escrevem matérias opinativas – com jornalistas repórteres, que escrevem notícias, em princípio, imparciais e equilibradas, é outra. E, escamotear a contradição entre profissionalismo e "missão" de servir ao "interesse público" é apenas mais uma.

"Interesses que vão além do interesse coletivo"

Não há dúvida que as democracias representativas e, sobretudo, os processos eleitorais, enfrentam uma crise grave de legitimidade. Esse é um debate contemporâneo nas democracias eleitorais européias (ver este artigo de Éric Aeschimann, dado no Libération, 16/9)).

Não há dúvida também que os grupos de mídia, já há algum tempo, vêm gradativamente exercendo funções tradicionalmente atribuídas aos partidos políticos: construir a agenda pública, gerar e transmitir informações políticas, canalizar demandas da população, dentre várias outras.

Como disse um destoante convidado da Sociedad Interamericana de Prense (SIP) para o seu "Fórum de Emergência sobre Liberdade de Expressão", realizado em Caracas, no último 18/9, outro político conservador, o ex-presidente boliviano Carlos Mesa (2003-2005):


"Quando um meio, diante da falta de partidos políticos, tem de fazer o que os partidos não podem fazer, perde o equilíbrio e a objetividade. (...) A realidade é que os meios defendem interesses que vão além do interesse coletivo. Se não se reconhecer isso, estaremos enganando a nós mesmos (ver Folha de S.Paulo, 19/9/2009; "Perseguição à mídia pauta fórum em Caracas" e "Lógica não é a mesma de luta antiditaduras", para assinantes).


(Registre-se, que as posições de Carlos Mesa simplesmente não aparecem na cobertura oferecida por alguns dos jornalões brasileiros.)

Ninguém mudou

Na verdade, a mesmice interminável com que as questões relacionadas à mídia e a democracia liberal são tratadas publicamente no nosso país revela como os grupos dominantes no setor de comunicações – apesar de rusgas ocasionais e passageiras que dissimulam a identidade real de interesses – continuam a controlar, há décadas, sem resistências ou ameaças significativas, as políticas públicas do setor.

Não mudou Sarney, nem mudou a grande mídia: político e instituição continuam os mesmos, defendendo seus interesses com o discurso adequado às circunstâncias de momento.

Quem também não mudou foi o cidadão, sujeito único do direito à comunicação, que entra apenas de leitor/telespectador nessa falsa disputa que, apesar de feita em seu nome, o mantém, como sempre, excluído.


Fonte:Portal Vermelho

Vic, Almir e Jader se merecem !

O Blog do Vic é do Vic só no nome. Todos sabem que quem faz as postagens é a jornalista que tem um blog que curto muito ler.

Extraí as postagens abaixo e resolvi ir lê o que ela anda escrevendo e me divertir de montão, não com sua condição financeira e emocional, mas por ver a aplicação direta do ditado: "quem com ferro fere, com ferro será ferido".

Vale à pena conferir aqui.

Almir Gabriel é candidato.

Ao governo !

Quem diz isso é o ex senador Luis Otávio Campos.

Diz, e até aposta com quem quiser.

Vamos lá com o que ele acha:

Almir começou de mansinho com essa história de Mario Couto.

Apoio pra cá, apoio pra lá.

Tudo cena

Era só pra ganhar tempo e afastar o senador do Jatene, o maior de todos os seus inimigos.

Conseguiu !

Ficou assim quase um ano.

Com isso, levou o Mario para o seu lado.

Defendeu a candidatura do Mario até não poder mais.

Na última pesquisa encomendada pelo PMDB, Almir aparece na frente do Jatene e do Mario.

Na marra, ele conseguiu incluir seu nome nessa pesquisa que o PSDB encomendou.

Essa que ninguém sabe, ninguém viu.

Se aparecer bem, não vai abrir mão de sua candidatura.

Vai começar a fazer o que mais gosta na vida. Política.

E conhecendo o jatene, é certo que ele vai amarelar.

E o Mario, adorar.

Luis Otávio sabe o que fala.

luis Otávio conhece Almir Gabriel como poucos.

Luis Otávio também conhece o Jatene.

Pelo menos, melhor do que eu.

O Jader, Que Não Prestava, Agora é a Salvação

2008

Dias depois do primeiro turno.

Era uma sexta feira

Lá pelas nove da manhã

O meu celular toca

Do outro lado da linha era o publicitário Orly Bezerra, que coordenou o marketing da campanha da Valéria.

Conversa vai, conversa vem e começamos a nos desentender.

Não foi uma briga.

Eram posições contrárias, apenas.

Ele, defendendo o apoio da Valéria em favor do Duciomar no segundo turno.

Eu, lhe dizendo que a Valéria não queria apoiar ninguém. Nem o Duciomar e nem o Priante, e que votaria nulo no segundo turno.

Ele, querendo me mostrar que o grande perigo na vitória do Priante era fortalecer ainda mais o Jader, e isso seria péssimo para os planos do PSDB em 2010.

Já meio irritado, encerrei o telefonema lhe pedindo que não insistisse mais no assunto.

Uma hora depois ele apareceu lá em casa e conversamos longamente.

Do Duciomar, ele não falou nunca mais.

Pelo menos pra mim.

No segundo turno, eu e Valéria votamos nulo.

Hoje, eu fico aqui só pensando com os meus teclados.

Se o Jader não prestava agorinha, como é que hoje ele é a salvação do PSDB ?

Estranho, vocês não acham ?

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

A nota do MST sobre a CPI


Do blog do Fábio Castro

Segue na íntegra a nota divulgada pela Secretaria Nacional do MST e protocolada no Congresso Nacional. A Nota posiciona o movimento em relação à criação da CPI do MST, que está sendo articulada pela bancada ruralista, com apoio da imprensa golpista.

A força das nossas mobilizações e o avanço das conquistas dos trabalhadores Sem Terra causaram uma forte reação do latifúndio, do agronegócio, da mídia burguesa e dos setores mais conservadores da sociedade brasileira contra os movimentos sociais do campo, em especial o MST, principalmente por conta do anúncio da atualização dos índices de produtividade da terra pelo governo Lula.

Denunciamos que a CPI contra o MST é uma represália às nossas lutas e à bandeira da revisão dos índices de produtividade. Para isso, foi criado um instrumento político e ideológico para os setores mais conservadores do país contra o nosso movimento. Essa é a terceira CPI instalada no Congresso Nacional contra o MST nos últimos cinco anos. Além disso, alertamos que será utilizada para atingir os setores mais comprometidos com os interesses populares no governo federal.

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os deputados federais Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), líderes da bancada ruralista no Congresso Nacional, não admitem que seja cumprida a Constituição Federal de 1988 e a Lei Agrária, de fevereiro de 1993, assinada pelo presidente Itamar Franco, que determina que “os parâmetros, índices e indicadores que informam o conceito de produtividade serão ajustados, periodicamente, de modo a levar em conta o progresso científico e tecnológico da agricultura e o desenvolvimento regional”.
Os parâmetros vigentes para as desapropriações de áreas rurais têm como base dados do censo agrário de 1975. Em 30 anos, a agricultura passou por mudanças tecnológicas e químicas que aumentaram a produtividade média por hectare. Por que o agronegócio tem tanto medo da mudança nos índices?

A atualização dos índices de produtividade da terra significa nada mais do que cumprir a Constituição Federal, que protege justamente aqueles que de fato são produtores rurais. Os proprietários rurais que produzem acima da média por região e respeitam a legislação trabalhista e ambiental não poderão ser desapropriados, assim como os pequenos e médios proprietários que possuem menos de 500 hectares, como determina a Constituição.

A revisão terá um peso pequeno para a Reforma Agrária. A Constituição determina que, além da produtividade, sejam desapropriadas também áreas que não cumprem a legislação trabalhista e ambiental, o que vem sendo descumprido pelo Estado brasileiro. Mesmo assim, o latifúndio e o agronegócio não admitem essa mudança.

Os setores mais conservadores da sociedade não admitem a existência de um movimento popular com legitimidade na sociedade, que organiza trabalhadores rurais para a luta pela Reforma Agrária e contra a pobreza no campo. Em 25 anos, tentaram destruir o nosso movimento por meio da violência de grupos armados contratados por latifundiários, da perseguição dos órgãos repressores do Estado e de setores do Poder Judiciário, da criminalização pela mídia burguesa e até mesmo com CPIs.

Apesar disso, resistimos e vamos continuar a organizar os trabalhadores pobres do campo para a luta pela Reforma Agrária, um novo modelo agrícola, direitos sociais e transformações estruturais no país que criem condições para o desenvolvimento nacional com justiça social.

Sábado, Setembro 12, 2009

A Influenza e a Censura da Globo


A Globo só defende a liberdade de expressão se for a dela.

O portal
Comunique-se revela que a TV Globo divulgou um comunicado interno na noite desta quinta-feira (10/09), em que restringe o uso de blogs e redes sociais pelos seus contratados. A medida atinge tanto artistas, como jornalistas e outros profissionais da emissora.

“A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”, informa o comunicado.

A Globo também exige autorização prévia para que os contratados possam ter blogs, Twitter e outras redes sociais vinculados a outros veículos de comunicação. “A hospedagem em Portais ou outros sites, bem como a associação do nome, imagem ou voz dos contratados da Rede Globo a quaisquer veículos de comunicação que explorem as mídias sociais, ainda que o conteúdo disponibilizado seja pessoal, só poderá acontecer com prévia autorização formal da empresa”.

A decisão gerou repercussão, mas até o momento somente artistas da emissora se manifestaram. A atriz Fernanda Paes Leme reclamou. “Não existe Arte sem liberdade de expressão!!”. “Blog, twitter ajudam o público a conhecer o artista por trás do personagem… eu vou continuar por AQUI!”.

E aqui o PHA, que criou o Clichê de PIG - Partido da Imprensa Golpista, revela como outros países reagiram à tentativa de controle político e ideológico imposto pelas empresas de comunicação.

E se quiser entender como a Rede Porco e sua "influenza" no Brasil, o PHA revela aqui.

Traira ou Hipócrita?


O blog do Paulo Henrique Amorim, um dos jornalistas mais corajosos deste país, acaba de lançar mais um clichê. O alvo agora é a ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, a "companheira" Marina Silva, à quem o PHC dispara: "Ora ela se gaba de ter saído do governo Lula, ora se gaba do que fez no governo Lula.


Quinta-feira, Setembro 10, 2009

Croa Nova - Salgado Paraense




Um guará não, cerca de 7 mil!

Uma casa não, um artesanato!

Um não, dois botos!

Um pôr-do-sol não, Uma maravilha!

Tudo isso parece um, mas são vários lugares.

Vários lugares em um.


E isso tudo encontramos em Croa Nova.


Recanto de várias espécies como Guarás, Garças, botos, frutos do mar, etc.


Um lugar aconhegante, deslumbrante e inesquecível!

Prá quem gosta de tranquilidade e contato com a natureza em sua mais explendida forma, não tem igual!

E o melhor, bem alí. Onde é?

Ilha localizada em frente do município de São João de Pirabas (região do Salgado/Nordeste Paraense), no caminho e bem pertinho de Salinópolis.


Veja
aqui o mapa!

Passagem: R$17,00 de busão, Van p/ Salinas (20,00) + R$5,00 da travessia.


Cabana c/ capacidade de até 4 pessoas: R$20,00.


PF: 6,00.

Porção de Camarão ao alho e óleo: R$4,00.

Carangueijo: 3 unid por R$4,00.

Hospedagem: Pousada Lu&Lu.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

A Democracia Interna no PT


Do site do PT-PA

Encerrou nesta segunda-feira, 24, a inscrição de chapas para Processo de Eleição Direta (PED), para o Diretório Regional (DR) do Partido dos Trabalhadores, no Pará. Quatro candidatos vão concorrer à presidência do Diretório Regional.
João Batista, candidato a reeleição, Fábio Tadeu de Melo Pessoa, Ubiracy de Rodrigues Soares e Sebastião Conceição Martins estão inscritos para concorrer à presidência. Também foram registradas três chapas. Mensagem ao Partido e O Partido que Muda o Brasil, que apóiam a reeleição do atual presidente João Batista. A terceira chapa, Esquerda Democrática e Socialista, apóia os candidatos Fábio Tadeu de Melo Pessoa, Ubiracy de Rodrigues Soares e Sebastião Conceição Martins, para a presidência. A próxima etapa do PED é a inscrição de chapas e candidaturas para a eleição do Diretório Municipal e Zonal. O prazo para o registro termina no dia 23 de setembro.

Dos momes apresentados em disputa nada à declarar, a não ser a incontestável e necessária disposição ao debate que a chapa Esquerda Democrática ao certo tem. Traduzindo, a chapa de oposição ao atual presidente João Bastista, pretende pelo menos manter a composição da executiva, hoje composta por nove lideranças, representantes das tendências internas que assim está:

João Batista (Presidente)
Carlos Bordalo: (Vice-presidente)

Unidade na Luta: 02
Democracia Socialista: 02
PT Prá Valer: 02
Articulação Socialista: 01
Articulação de Esquerda: 01
Movimento PT: 01

Mantida a composição, quem de fato apitará alguma coisa dentro do PT serão as quatro primeiras, as quais apóiam a reeleição do atual presidente do partido no Estado, mas sabendo que a chapa "Mensagem ao Partido" manterá oposição, tanto no cenário nacional, quanto municipal, com cabeça de chapa nas duas.

A "Mensagem ao Partido", como sabemos é liderada pela "Democracia Socialista", que dispensa apresentações, seja pela pose da caneta no governo estadual ou pela forma com que tem "inchado", em busca (?) de hegemonizar o partido.

A chapa de oposição estadual é composta pela "Articulação de Esquerda", "Movimento PT" e "PT de Luta e de Massas". A perpectiva é bater chapa para não ir à reboque das outras maiores e mostrar afinco no debate, o que hoje o PT como um todo, ainda não fará.

Reeleição de Ana Júlia, política de alianças e os rumos programáticos do PT, estarão ao certo, no centro deste tabuleiro. Resta saber, quem terá a coragem de avançar primeiro com o rei pra cima da rainha.

Depois abordo sobre a composição Municipal que provavelmente retomará um debate acalorado pelo comando do PT Belém.

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Terra arrasada

O que distingue a regularização fundiária dos militares da que o governo Lula começou a realizar agora na Amazônia? Talvez as diferenças sejam apenas superficiais. Na essência, o objetivo é o mesmo: continuar a submeter a Amazônia à ação do colonizador. E do predador.

O governo federal decidiu regularizar as situações fundiárias na Amazônia que, embora “gestadas na tortuosidade das atitudes reprováveis”, precisavam ser redimidas, “na medida em que promovem o desenvolvimento da região”. Não havia como “fugir à consolidação daquelas situações que favorecem ou poderão favorecer a política econômica e social”.

Assim, pessoas físicas ou jurídicas que se tornaram donas de terras com base em títulos irregulares ou mesmo falsos de propriedade poderiam legalizar suas áreas, até o limite de 60 mil hectares. Bastaria provarem que adquiriram seu imóvel de boa fé e estarem desenvolvendo um projeto econômico no local. Para ser iniciada a regularização fundiária, o suposto proprietário precisaria transferir o registro em cartório da área para o nome da União e aceitar as definições dos limites do imóvel após a regularização dos seus ocupantes.

Já os ocupantes de glebas com até dois mil e três mil hectares podiam se habilitar a regularizá-las, sem a necessidade de licitação pública, desde que tivessem morada habitual no imóvel, com sua família, cultura efetiva e permanência no local por no mínimo 10 anos.

As duas iniciativas foram sugeridas ao governo através de duas exposições de motivos (conhecidas como 005 e 006), assinadas pelo ministro da agricultura e o ministro-chefe do todo poderoso Conselho de Segurança Nacional. Passaram a ter força de lei quando o presidente da república as aprovou, desencadeando processos que acabaram por consolidar grilagens e ocupações irregulares de terras na Amazônia.

As duas medidas foram criadas em junho de 1976, quando a presidência era ocupada pelo general Ernesto Geisel, no auge do regime militar estabelecido em 1964, com base em um golpe de Estado. Mas é tentador pensar nelas ao ler a Medida Provisória 458, que o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional e, ao ser aprovada, se transformou na lei 11.952. Mais de três décadas depois, as causas para a iniciativa oficial permanecem as mesmas: de uma forma ou de outra, pioneiros se estabeleceram em terras públicas sem serem titulados, derrubaram floresta, fizeram plantações e continuam a avançar sobre novas terras de forma ilegal. O que fazer diante dessa agressão? Legalizá-la, é o que propôs de novo o governo.

A tarefa é hercúlea e perigosa. O governo pretende legitimar 300 mil ocupantes ilegais numa área de 67 milhões de hectares, equivalente a metade do território do Pará, o segundo Estado em extensão do Brasil e o segundo que mais desmatamento sofreu na Amazônia. É o equivalente a 13% de toda Amazônia, que já perdeu quase 20% da sua mata original. Essa enorme regularização pode ter o efeito de mais gasolina num terreno de alta combustão. Pode incentivar mais desmatamento e mais grilagem, até a escala do irremediável, descontrolado, definitivo.

Como o governo do general Geisel em 1976, o governo do metalúrgico Lula diz em 2009 que dispõe de antídotos para os efeitos colaterais de um medicamento necessário para combater as doenças na estrutura fundiária da Amazônia. A primeira cautela foi não englobar na providência as ocupações anteriores a 2004. Com isso, a regularização não fomentará novos desmatamentos. Quem utilizar esse recurso para poder se cadastrar e receber seu título, será desmascarado e excluído da fila dos beneficiários.

Outras cautelas foram reforçadas quando o governo vetou duas intrusões no texto original, patrocinadas pelo relator da MP na Câmara, o deputado federal paraense Asdrúbal Bentes. A regularização de terras de pessoas jurídicas e a figura do intermediário, o “laranja”, foram suprimidas. Certamente essas duas possibilidades convalidariam ou induziriam as fraudes cartoriais ou possessórias, em ampla escala.

Ademais, dizem os defensores do projeto, todos os lotes com mais de 400 hectares apresentados ao programa “Terra Legal” serão vistoriados para impedir o favorecimento a especuladores com a dispensa de licitação pública para a venda de lote com até 1.500 hectares. A verificação direta da situação do imóvel será reforçada por todas as formas de informações indiretas, obtidas através de imagens de satélite e dados cadastrais já existentes. O pente fino teria eficácia suficiente para expurgar os grileiros e os invasores de terras.

As exposições de motivos dos militares também estavam cheias de salvaguardas, a começar por separarem a regularização das grilagens da legitimação das ocupações (por isso foram elaboradas duas exposições de motivos distintas). Contra o justo receio de que as iniciativas amparavam grandes grileiros, havia o dispositivo fatal da renúncia prévia ao registro cartorial por parte do pretendente à regularização. Só mesmo alguém de boa-fé cancelaria esse documento antes de ter certeza de poder substituir o título irregular ou nulo por um documento hábil. A matrícula do imóvel podia ser ilegal, mas era uma pretensão de direito ou, pelo menos, um instrumento de barganha e pressão.

A condicionante era tão forte que foi ignorada. Na prática, os processos realizados sob o vasto e espesso manto da EM 005 adotaram uma mecânica nova: só ao final da regularização o detentor do papel imprestável renunciava a ele, em troca do registro quente. A inovação desnaturava a ação e mostrava que só quem já perdera tudo é que iria se dispor a se submeter ao arbítrio do governo, que, certamente, sabia quem podia se valer da sua iniciativa. Talvez a tenha adotado de caso pensado, com efeito muito bem dirigido. Foi no Maranhão que a regularização começou e se tornou maior.

A MP 458 não fez distinção, limitando-se a estabelecer gradações a partir de limites de módulos fiscais, de 400 a 1,5 mil hectares. São dimensões bem menores do que as de 1976, o que poderia sugerir que o alvo agora são apenas os posseiros ou colonos e não empresas ou grileiros. Mas é preciso considerar que 30 anos atrás a ocupação da Amazônia estava abaixo de 1% da sua superfície e agora essa amplitude é de 20%.

Depois de promover ocupações desordenadas e irracionais, depois de alienar milhões de hectares de terras públicas sem vincular essas operações a um plano de uso minimamente confiável, o governo ainda tem gás (e intestinos) para comandar o que deverá ser a maior regularização fundiária de todos os tempos. Talvez não só no Brasil, mas no continente e, quem sabe, no mundo, considerando-se que o cronograma é de cinco anos, mas a ação efetiva se esgotará em três anos, abrangendo 67 milhões de hectares (ou 200 vezes a área do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, que formou o segundo maior lago artificial do país).

A causa até pode ser nobre: tirar da ilegalidade 300 mil chefes de família que já se estabeleceram em algum ponto da Amazônia sem o amparo da legalidade. O fato de que, passadas três décadas, essa causa ainda existe e tem uma larga expressão, é um atestado da incompetência do próprio governo federal. Sendo o principal agente da intensa migração para a Amazônia, ele não é capaz de ordená-la, dar-lhe um sentido e controlá-la.

Sem falar na tarefa mais importante: impedir que a Amazônia continue a ser o depósito da insolvência nacional. Quem não consegue se estabelecer ou se realizar na terra de origem, se transfere para a fronteira amazônica com a expectativa de nela realizar seus objetivos, que são trazidos prontos, definidos. O local de destino que se acomode a essa cultura de fora, para isso se desnaturando, ou sendo por ela modificado, submetido e destruído.

A MP 458 integra essa lógica e atende a tal objetivo. Ainda que o governo dispusesse de gente bastante e competente para lidar com essa nova colonização, feita a partir de dentro, e a execução dos propósitos fosse límpido e honesto, a realização da empreitada se amolda ao que sugere aquele ditado americano cunhado para situações semelhantes: se o estupro é inevitável, relaxe e aproveite.

Novamente por um ato de império, agindo de cima para baixo e de fora para dentro, presumindo-se iluminado pelo saber e a boa intenção, o governo federal se move como há 30 anos. Se à frente dessa investida está o general Geisel ou o metalúrgico Lula, pouco importa. Mesmo porque eles se parecem mais do que diferenciem, ou do que pensam. À Amazônia está destinado um destino semelhante, na essência, mesmo que as aparências se distingam, ao de Cartago. Só que, neste caso, os romanos estão em casa e falam a mesma língua.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Distorcendo a Distorção

A. P. Quartim de Moraes*

Honrou-me Sua Excelência o ministro da Cultura, Juca Ferreira, com simpática carta pessoal a respeito do artigo publicado nesta página sob o título “Onde reside o perigo” (4/8). Considerando o interesse público do conteúdo, respondo publicamente.

Valendo-me do "gancho" do evento de lançamento do Vale-Cultura, tratei naquele texto da nova lei de incentivo à cultura em tramitação no Congresso, chamando a atenção para o perigo representado pela indefinição de critérios para a aprovação tanto de projetos incentivados pela renúncia fiscal quanto dos investimentos diretos por meio do Fundo Nacional de Cultura, que deverão predominar na nova lei, minimizando, em tese, as distorções da Lei Rouanet.

Um dos argumentos expostos era o de que, embora baseada na realidade dos fatos, carecia de fundamento lógico a crítica do ministro aos "departamentos de marketing" como responsáveis pela concentração dos recursos incentivados em projetos estritamente comerciais, voltados para os interesses mercadológicos das empresas, e não para objetivos culturais. Essa distorção só é possível, sustentava o artigo, porque o próprio Ministério da Cultura (MinC) aprova os projetos que fazem a alegria dos marqueteiros.

Contra-argumenta o ministro em sua missiva que, ao contrário do que imagina este escriba, "as distorções ocorrem no processo de captação, e não de aprovação" dos projetos da Lei Rouanet. E procura comprovar essa afirmação com dados. O principal deles: em 2008, para a Região Sudeste o MinC aprovou projetos que permitiram a captação de quase 80% dos recursos investidos em todo o País. Nas demais regiões, Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sul, o total de projetos aprovados resultou na captação, respectivamente, de 2%, 6%, 1% e 12% dos recursos investidos em atividades artístico-culturais, no Brasil inteiro.

Essa enorme discrepância - destacada no artigo que provocou a carta do ministro - pode ser considerada, certamente, uma distorção, mas é, principalmente, o efeito perverso da chamada lógica do mercado, que evidentemente não é levada em conta no processo de aprovação dos projetos. Resulta também do equívoco de, no mesmo processo, tratar igualmente regiões muito diferentes entre si, o que inevitavelmente, como se vê, acaba provocando graves desigualdades.

De modo que, embora a distorção, como observa o ministro, se manifeste no processo de captação, ela é gerada, obviamente, pela ausência ou inadequação de critérios no processo de seleção. Não admitir isso é distorcer a distorção.

Talvez essa distorção não existisse, pelo menos em proporções tão amplas, se não fossem oferecidos à Região Sudeste tantos projetos que, a rigor, não necessitam de recursos públicos como condição essencial para se viabilizarem. Mas o ministro argumenta que "fazer arte no Brasil é caro", que "tanto o artista consagrado quanto o desconhecido estão, em menor ou maior grau, sujeitos a essas condições" e que, portanto, não se pode "combater uma exclusão com outra", porque "seria injusto excluir os consagrados". Resta saber se haverá o cuidado de não continuar tratando igualmente os desiguais. De qualquer modo, garante o ministro: "Em vez de excluir direitos, vamos excluir privilégios." Como? Mudando, é claro, a Lei Rouanet.

Anuncia, então, Juca Ferreira algumas intenções que podem realmente vir a ser uma boa resposta à expectativa de critérios, que ele próprio expressamente admite não existirem hoje, para a aprovação e execução de projetos culturais por parte do governo: "Para combater privilégios, não vamos mudar o foco do financiamento, mas as regras do financiamento. Por exemplo, em vez de simplesmente não investir em projetos de sucesso, podemos participar de seus resultados econômicos, ou seja, reverter parte de seu lucro para o Fundo Nacional de Cultura e, assim, gerar novos investimentos no país. Em vez de simplesmente não investir em um espetáculo ou show de preços abusivos, podemos condicionar o financiamento à diminuição dos preços."

E escreve ainda o titular do MinC: "Então, penso que todos têm o direito de acessar recursos públicos, mas também que todos têm o direito de acessar o que é realizado com esses recursos. Então propomos o equilíbrio dessas duas equações, a partir da seguinte regra: quanto mais próximo o projeto estiver do interesse público, maior investimento público para sua realização. Quanto mais próximo o projeto estiver do interesse de mercado, maior investimento privado para sua realização."

Essa animadora manifestação de intenções deixa claro o espírito da nova lei que o MinC está propondo. Como ainda não conheço em detalhes o projeto em tramitação no Congresso, do mesmo modo que ninguém pode saber no que resultará a proposta do governo depois das emendas parlamentares que vierem a ser aprovadas, fica difícil avaliar até que ponto será realmente possível transformar em realidade as belíssimas - e, acredito, absolutamente sinceras - intenções do ministro. E há ainda outra incógnita: a posterior regulamentação da lei.

De qualquer modo, é louvável, e não surpreende, a disposição do ministro de permanecer aberto a "um bom diálogo". Merece, portanto, Sua Excelência, no exercício de espinhosa atividade política, que se faça um desconto para a dose de retórica de seu discurso e se abra um crédito de confiança à sua manifestação de propósitos. Mas isso não elide a necessidade de estarmos todos atentos às curvas do caminho onde reside o perigo. Por exemplo, talvez para resumir: a "governabilidade" acima do real interesse público e o insaciável apetite de agentes dos mais diversos setores artístico-culturais pelas benesses financeiras do Poder Executivo.

* A. P. Quartim de Moraes é jornalista e editor.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Rangar na UFPA

Pra quem achava que não iria fazer, quebrou a cara!

O governo o fez!

Ressusitou o PTP, o instrumento de participação popular e controle social, propagandeado como a principal ferramenta política, que diferenciaria a gestão petista das demais e que agora tem em sua coordeação, a suplente de vereadora e Ex-PPS, Milene Lauande.

A coordenação do evento, contou 600 pessoas inscritas e alguns poucos secretários estiveram presentes, na tarde ensolarada do último sábado - talvez a maioria estivesse em Salinas - mas Claúdio Puty esteve e falou bem. Junto dele - na mesa que perdurou até a hora do rango - o Secretário de Planejamento, Orçamento e Finanças, José Júlio, ambos sabatinados pelos presentes sobre a definição dos papéis - de fato - dos conselheiros, dada a confusão generalizada, sobre as atribuições das COFIS (Comissões de Fiscalização) por não serem respeitadas pela COHAB, SEDURB e demais órgãos estaduais, que possuem obras estruturantes, tais como, o PAC e o Via Metrópole.

Puty, candidato à deputado federal em 2010, pela DS, respondeu à tudo e a todos, com postura estadista e republicana. "Elegante assim, vai acabar se elegendo" , sussurrou uma petista de meia idade, com olhar lascivo sobre o jovem chefe da casa civil o qual equivocou-se aqui e alí, sobre os locais que possuem ocupações e o nome das entidades responsáveis por sua ocupação, mas isso é normal.


Quem pisou na bola feio em sua fala, foi a substituta de Edilza Fontes. Mas isso é interno!

Quem imaginou que a mudança no leme, traria uma nova forma de tratamento aos movimentos sociais e lideranças, transformadas em conselheiros, sentiu o peso da indisposição política e da falta de prudência, humildade e habilidade para remontar o processo, iniciado pela comadre de Ana Júlia, à quem a simpatia e a capacidade de ouvir críticas, eram igualmente ignoradas ou de raro exercício.

Faltou as Centrais Sindicais e faltou a criticidade dos militantes sociais, assim como autonomia e coragem aos petistas e simpatizantes alí presentes.

Mas o encontro era para os conselheiros - escolhidos na plenária metropolitana do PTP, realizada dias depois do assassinato do saudoso amigo, o Sociólogo Eduardo Lauande, em 2007, o qual a mesma plenária teve seu nome como forma de homenagem à sua contribuição ao método que ajudou à implementar no início do governo Ana Júlia, em 2007.

Faltou a tchurma do Dudu, que provavelmente nem avisados foram, pelo mentor mor da banda podre do PTB, o ex-petista e ex-marido de Edilza Fontes, o magnífico Sr. Raul Meireles - para alguns, o guru do desgoverno Duciomar Costa.

Faltou o partido da governadora. Com tantos dirigentes à beira de mais um PED - Processo de Eleições Diretas, deram-se ao luxo de ignorarem a oportunidade de dialogar, com militantes petistas, do PC do B e simpatizantes da esquerda, bem como as lideranças do movimento popular.

Faltou suco no Rango e um rango melhor ( o marmitex estavá um "Ó" , reclamou uma amiga tendo a concordância imeditada de todos ao seu redor, em uma das mesas do RU. Alguns, conhendo a crise pela qual o Estado atravessa, levantaram as mão para os céus e agradeceram, o pouco da carne picada, servida no equidistante RU (restaurante universitário), o que obrigou à todos que não possuem carro à uma pernada - de cerca de 600 mts, debaixo de uma "lua" de cerca de 39°.

Por hora, é isso, quem quiser comentar o resto que o faça, mas houve sim muitas garfes, o esboço de esperança de muitos, as habilidades retóricas e as muitas, muitas contradições do abismo do público para com a mesa.

Mas nem tudo está acabado - como disse o rapaz aí em cima - Ainda há tempo!

Muitas obras à serem iniciadas, projetos sociais que demoram, mas apresentam resultados, enfim, o Estado respira sim outros ares.

Mas, o que os meios de comunicação e a oposição à cada dia menor e mediocrizada, alega e vai explorar no imaginário popular, é que comparando a gestão tucana e a petista, eles fizeram mais.

Fizeram mesmo! Fizeram mais que o possível para desmantelarrem um Estado para depois vendê-lo!

Puty acha que dá tempo para convencer a sociedade de que estamos no rumo certo!

Com a política de alianças ampliada pela preucauções da saída do PMBD, Gerson Peres agora é companheiro.

Deputados do PTB de Dudu e outras personas non gratas outrora, sustentam a base de governo de Ana Júlia, pode?


O jeito é pingar um colírio alucinógeno do Macaco Simão, dá um tempo e voltar pra militância que o negócio tá pegando!

O Fim do Entreguismo Tucano!

No Blog do Josias de Souza


Presidenciável do PSDB, o governador José Serra converteu-se em expectador de uma sessão de espancamento da era tucana.

A convite de Lula, Serra sentou-se na platéia da megacerimônia de lançamento do marco legal para a exploração do petróleo do pré-sal.

Ao discursar, Lula desancou o governo do antecessor Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB e amigo de Serra.

Lula disse que, em 1997, sob FHC, "altas personalidades chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro”.

Não um dinossauro qualquer, mas “o último dinossauro a ser desmantelado". Lembrou que o tucanato investira contra a estatal.

Chegara mesmo a cogitar a mudança de nome da empresa, que passaria a se chamar Petrobax. Ironizou: "Sabe lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro".

Agora, disse Lula, esses "pensamentos subalternos" foram superados. "O país deixa para trás o complexo de inferioridade. Como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para nosso futuro!"

"Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima e descobriu no pré-sal o passaporte para o nosso futuro".

Nesse e noutros pontos do discurso, Lula foi efusivamente aplaudido. Serra, sob marcação cerrada das lentes do repórter Lula Marques, eximiu-se de bater palmas (confira abaixo).

Lula Marques/Folha

Ao resumir os “tempos subalternos” da era FHC, Lula disse que “o país tinha deixado de acreditar em si mesmo”.

“Juros estratosféricos, praticamente não tinha reservas internacionais, volta e meia o país quebrava”.

Quando ia à breca, “tinha de pedir ajuda ao FMI”. Um auxílio que vinha “acompanhado de um monte de imposições”.

“Hoje, o quadro é bem diferente”, Lula se gabou. “Os países descobriram na crise que, sem regulação do Estado, o deus mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos”.

Estava mesmo decidido a fustigar o tucanato. Deu de ombros para o bico de Serra. Em contraposição à ideia do choque de gestão, Lula disse que “o papel do Estado voltou a ser valorizado”.

Empilhou dados de sua gestão: crescimento médio de 4,1% entre 2003 e 2006. Criação de 11 milhões de empregos formais.

“Não só pagamos a divida externa como acumulamos reservas de US$ 215 bilhões. Reduzimos a miséria e as desigualdades...”

“Mais de 30 milhões de brasileiros saíram linha pobeza. E 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno...”

“...Hoje, temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia testada na crise”.

Outra alfinetada em FHC: “Não só não quebramos como fomos um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela”.

Mais outra: “Antes, éramos alvos de chacotas. Hoje, a voz do Brasil é ouvida lá fora com muito respeito”.

De quebra, Serra, autoconvertido em platéia, foi compelido a assistir ao retorno da potencial adversária Dilma Rousseff à boca do palco.

Um palco armado também para que Dilma, depois de um sumiço de dez dias, ressurgisse triunfante, cavalgando o pré-sal.

Serra não pretendia participar da cerimônia. Deixou-se convencer por Lula, num jantar ocorrido na noite de domingo (30).

O governador de São Paulo fora ao Alvorada junto com os colegas do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung.

Os três foram a Lula para evitar que o governo bulisse na repartição dos royalties pago aos Estados produtores de petróleo. Tiveram êxito.

Ao término do jantar, Lula encareceu aos governadores que comparecessem à pajelança do pré-sal. Eles aquiesceram.

A julgar pelas caras e bocas que fez durante a discurseira, Serra deve ter sido tomado de assalto pelo arrependimento. Viu-se no centro de uma arapuca política.

À saída da cerimônia, o presidenciável tucano disse meia dúzia de palavras. Condenou a petro-pressa.

"O governo teve 22 meses pra fazer um projeto de lei [do pré-sal]. É razoável que o Congresso e a sociedade tenham um tempo para discutir isso”.

Acha que o prazo desejado por Lula, 90 dias, é demasiado curto: “Não vai haver tempo bom, hábil, razoável, para que se discuta um projeto que tem implicações para as próximas décadas”.

Nenhuma palavra em defesa de FHC.

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

Socorro Brasil em sua saída da SEDUC

Foto: Eunice Pinto/SECOM

Aos trabalhadores da Educação.

Comunico-lhes que a partir de 31 de agosto deste ano, não estarei mais na Secretaria de Educação enquanto Secretária Adjunta de Ensino. No entanto, não encerra aqui minha luta em prol da educação, pois sou servidora desta casa há 23 anos. Assim, venho por meio deste expressar meus sinceros agradecimentos.

“Da Vinci afirmava que só se pode amar aquilo que se conhece...”. Rubem Alves, ao contrário,diz que “só se pode conhecer aquilo que se ama. É o amor que busca o conhecimento.”

Concordo com Rubem Alves, pois foi pelo amor que tenho à Educação que aprendi a conhecê-la. Foi o amor que me levou a buscá-la mais e mais, a disputá-la, a defendê-la...

Como servidora desta Secretaria sinto-me responsável em cultivar esse amor e a semeá-lo no intuito de ver esse amor propagado.

Ao dedicar seu amor a alguém não se pretende com isso fazer-se feliz, mas fazer o outro feliz, pois sua felicidade, seu sorriso, seu entusiasmo e alegria, consequentemente, dará alegria e felicidade a quem o ama. Se quem ama de verdade não busca reciprocidade, não buscará, muito menos, remuneração, quer em ouro ou prata, porque ama.

Se luto e milito há tantos anos por uma educação de qualidade, digna, é porque sei que isso é possível, pois aprendi a conhecê-la. Quem ama cuida.

Devo salientar que essa amorosidade e encantamento não é algo inédito e tão novo, Freire já o anunciava e o defendia, mas é difícil colhê-lo. No entanto, podemos semeá-lo, cultivá-lo, pois é mágico e encantador ver a esperança brotando e frutificando nos olhos de nossos educadores, alunos e alunas deste Estado. É o prenúncio de uma educação melhor. Oxalá essa esperança não seja ofuscada por atos e ações que possam fugir do principal objetivo desta Secretaria e de educadores compromissados com “um ensino público de qualidade”. Somos responsáveis por isso, pois não é esse o princípio de um educador?

Citando novamente Rubem Alves, “amo aqueles que plantam árvores sabendo que não se assentarão à sua sombra. Plantam árvores para dar sombra e frutos àqueles que ainda não nasceram”. Isto se compara ao ato de fazer educação. Foi isso que fizemos, é isso que fazemos, é isso que, teimosa e bravamente, continuaremos a fazer, onde quer que estejamos.

Agradeço o desafio proposto. Agradeço por todo amor que me impulsionou a buscar mais conhecimento. Agradeço por cada semente espalhada (e que tenha sido em terra fértil). Por fim, agradeço a cada um que, sonhou, acreditou, somou, lavrou, militou (e continua a militar) por um projeto que visa uma Educação digna e de qualidade.

As sementes foram lançadas e germinadas. Que inúmeros girassóis possam nascer e iluminar outros sonhos.


Socorro Brasil - Ex-Secretaria Adjunta de Ensino da SEDUC, gestão Bila Gallo.

Aécio Neves contrara o PIG e prega a Censura e a Publicidade

Estreou em Julho de 2009 na Current TV nos EUA e no dia 27 de maio no Reino Unido o filme 'Censurados no Brasil'.

O título pode causar estranheza aos distraídos, mas reflete com fidelidade a situação vigente nos meios de comunicação de massa do Brasil. Não se trata, obviamente, de uma censura legal, senão que real. É corolário de uma perversa e absoluta falta de transparência e debate democrático na mídia brasileira. Resulta daí a desinformação mais interessada sobre questões de relevância pública. Essa situação se sustenta devido ao monopólio exercido sem controle social pelos grandes meios de comunicação social. A Rede Globo sozinha responde por mais de 50% da audiência. Nesse quadro, é natural que a sua versão dos fatos, transmitida como se fosse informação sobre os acontecimentos, deturpe a realidade, cortando e recortando a vida real a seu bel prazer, e que o seu ponto de vista se imponha como verdade inquestionável. Mas a Rede Globo não é o único demônio da desinformação disseminada pela indústria cultural. A Rede Bandeirantes, por exemplo, talvez a mais reacionária de todas, não tem pejo em defender os interesses do agronegócio predador, justificando cinicamente os crimes ambientais e a grilagem das terras públicas. Todas as grandes redes de comunicação social do país são empresas capitalistas e, como não poderia deixar de ser, envenenam a população com o mesmo horizonte próprio dos deuses do mercado.

O filme em questão trata das relações entre governos e mídia e fala das pressões sofridas por jornalistas e demais profissionais da imprensa empresarial.

Neste filme o foco está posto nas relações que o Governo de Minas Gerais estabeleceu com a mídia. Seu mérito é o de mostrar como o poder é usado para suprimir críticas e construir uma imagem positiva do Governador Aécio Neves. Naturalmente, Aécio Neves não constitui exceção nos podres poderes que nos governam. Como o filme mostra, a opinião pública torna-se presa fácil da manipulação da mídia "convencida" pelas verbas oficiais e privadas de publicidade. Eis um contexto no qual praticamente toda informação é direcionada, quase nenhuma imagem ou palavra é inocente e nada do que se diz ou mostra é confiável.

"Censurados no Brasil" é um filme ágil, de 8 minutos, com entrevistas e exemplos. Filme que fala sobre as relações entre Aécio Neves, TV Globo e Estado de Minas. Filme produzido para a Current TV e exibido nos EUA e Inglaterra".

Uma versão com legendas em português do filme já está no YouTube e pode ser visto em:


Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Verdinha da Silva !


Tá confirmadíssima a filiação da ex-ministra e ex-petista, Marina Silva no Partido Verde.

A executiva nacional do partido, em reunião com Marina Silva, decidiram realizar o evento de filiação amanhã, dia 30 em São Paulo, como diz o blog do Zé Carlos do PV, o único verde paraense que fará parte da coordenação dora missão pró-campanha de Marina à Presidência em 2010.