terça-feira, outubro 27, 2009

O Bolsa e a Vida

Por Juremir Machado da Silva

Dizem que Bolsa-Família é coisa de país atrasado. Concordo. Todo país europeu desenvolvido e com algum senso de responsabilidade social tem Bolsa-Família. Sem esse nome, claro. A Alemanha tem. A França tem. Os países escandinavos têm. Até a Inglaterra tem. Os europeus são dinossauros. Na França, o Bolsa-Família atende pelo nome de "aides sociales" (ajudas sociais). A França é totalmente insensível aos novos tempos. O seguro-desemprego francês pode durar até 36 meses. Depois disso, se a vida continua dura, o sujeito pode ter acesso ao RMI (renda mínima de inserção): 447 euros para uma pessoa só, 671 euros para quem tiver um filho.

Quase 2,5 milhões de franceses recebem o RMI (nome válido até este ano). A partir dos 59 anos de idade, a pessoa pode receber o RMI sem sequer ter a obrigação de procurar trabalho. Não dá! As famílias francesas recebem ajuda financeira conforme o número de filhos. O Estado ajuda a alugar apartamento e até a tirar férias. O sistema de saúde é universal e gratuito, inclusive os medicamentos. Que atraso! Um estudante estrangeiro em situação regular na França pode receber ajuda do Estado para ter onde morar. É muita mamata. Lembrete: o governo francês atual é, como eles dizem, de direita. Mas o Estado francês é republicano. A concepção de Estado dos europeus é muito esquisita: uma instituição para ajudar a todos e proteger os interesses da coletividade, devendo estimular a livre iniciativa e dar condições de vida digna aos mais desfavorecidos. Agricultores recebem subsídios. Empresas ganham incentivos. A universidade é gratuita para todos os aprovados no BAC, o Enem deles. Há vagas para todos. Obviamente não há necessidade de cotas. Que loucura!

Existem instituições privadas de ensino cujos salários dos professores são, em geral, pagos pelo Estado, pois se trata de um serviço de utilidade pública. Aí os nossos liberais adoram dizer: "É por isso que a França está quebrada". Tive a impressão de que a crise mundial mostrou os Estados Unidos mais quebrados do que a França. Os mesmos liberais contradizem-se e afirmam: "A França é rica e pode se dar esse luxo...". É rica ou está quebrada? Quase 30% do PIB francês é distribuído em ajudas sociais. O modelo francês enfurece os capitalistas tupiniquins, leitores de revistas como a Veja, cujas páginas pingam ideologia. Visto que dá mau exemplo de proteção social, o Estado francês é chamado de anacrônico, ultrapassado, assistencialista e outros termos do mesmo quilate usados na guerra midiática. Está certo. Moderno é ajudar a turma dos camarotes e mandar a plebe se virar. Acontece que a plebe do Primeiro Mundo não aceita esse tipo de modernidade tão avançada.

É plebe rude. Se precisa, quebra tudo, mas não cede. Os ruralistas de lá são mestres em incendiar prefeituras quando falam em cortar-lhes os subsídios estatais. Nas cidades, a turma adora queimar uns carros para fazer valer seus direitos. Na Europa, pelo jeito, não se melhora o Estado piorando a sociedade. A França tem muito a aprender com o Brasil. Somos arcaicamente modernos. Numa pesquisa recente, a França tem a melhor qualidade de vida da Europa. Nada, claro, que possa nos superar.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Nós, os jornalistas

"Jornalista é um animal solto, livre, selvagem, que vive bem mais do instinto do que da racionalidade"

Da jornalista Ana Célia, em seu Blog Perereca da Visinha. Demitida de O Liberal, logo depois que o jornal veiculou a matéria em que a própria denunciava um suposto esquema no Rangar, ops, Hangar, acabou sendo contratada - e até hoje tá aguentando dar "manutenção" no Blog do Vic, aquele mesmo, Deputado Federal e Presidente do DEM-PA.
Que seria do Jornalismo se nós, os repórteres, parássemos de perguntar?

O que seria do Jornalismo sem essa coisa de procurar debaixo do tapete; de fuçar a limpeza da cozinha, de onde vem o cheiro maravilhoso da comida?

Ou sem essa coisa de tocar fogo no circo, para que até os palhaços sejam obrigados a arrancar as máscaras e parar de rir?

E o que seria da sociedade sem Jornalismo? Sem aquele sujeito chato, enjoado pra porra, que fica dizendo: “olha, tem alguma coisa errada aí; olha, tem alguma coisa errada aí”... Enquanto tá todo mundo pra lá de feliz, numa grande bacanal?

Que seria de nós, repórteres, linha de frente do Jornalismo, se nos limitássemos, apenas, a pedir a bênção do entrevistado?

Certamente, chegaria a hora em que o arguto, sapientíssimo leitor, diria: “Esse sujeito tá é doido, ou tá se fazendo!... Como é que ele diz que acredita que aquele outro foi pra Lua, se nem conseguiu sair de lá de Cametá?”

Jornalismo que é Jornalismo não se detém diante de barreiras, concretas ou imaginárias, naturais ou artificiais.

Jornalismo que é Jornalismo tem de expandir o território em que se faz, em que se realiza.

Tem de ambicionar contemplar o mundo, toda a gente.

Tem de ser a síntese entre o Céu e o Inferno, com o Purgatório e a Terra pelo meio, até como parâmetros, a mediar essa exegese chamada notícia.

Jornalismo que é Jornalismo instiga, faz pensar.

E faz sonhar, também.

Com a confluência das divergências.

Com o possível, que agora nos parece impossível.

Com a grande valsa que dançarão, um dia, todos os integrantes da sociedade...

E a gente tudo descansado, naquele boca-livre total!...

Jornalismo que é Jornalismo não se contenta com o mais fácil, com a simples declaração.

Jornalismo que é Jornalismo, aspeia – mas, interroga.

Revira a lata de lixo e até “cafunga” o entrevistado, para aferir o quanto de Humanidade existe nele.

Jornalismo que é Jornalismo, olha nos “zóio”; estuda e compreende as expressões, o não-dito.

O não-dito, vírgula: aquilo que se berra pela mais simples expressão corporal; pelos “atos falhos” das expressões corporais...

Porque o jornalista é, ao fim e ao cabo, um animal solto, livre, selvagem, que vive bem mais do instinto do que da racionalidade.

Que cheira, toca, perscruta com o olhar.

É o sujeito que quer saber, com uma curiosidade infantil.

Que quando lhe dizem: “Vovô viu a uva”, ele pergunta: “Mas, de que cor é que era a uva?”, “E onde foi que o vovô viu a uva”, “E o que é que ele fez quando viu a uva?”, “Mas, a uva era no sentido concreto ou figurado?”, “Mas, quando o vovô viu a uva ele já usava óculos, é?”, “E, afinal, quando o vovô viu a uva ele estava com fome ou era um tarado?”

Jornalista que é jornalista é um sujeito chato pra porra, um sujeito insuportável!...

Tão insuportável que a maioria dos jornalistas quer é distância de outros jornalistas.

Mais ainda pra casar.

Já imaginaram um jornalista interrogando outro jornalista, acerca da cueca ou da calcinha que ele ou ela usava quando saiu de casa?

As pessoas têm de entender que jornalista é um sujeito pior que bêbado.

Porque bêbado ainda tem a desculpa de ter enchido a cara. Enquanto que o jornalista vive em estado aparentemente etílico, em tempo integral!

É o sujeito que vê o que ninguém mais vê. E que quando vê uma visagem, ainda tem o descaramento de perguntar: “Pô, mano, mas você por aqui? Mas o que é que você tá achando lá do inferno? Quantos graus é que faz lá, à sombra?”

Jornalista é o sujeito que chega com a sogra e diz que o genro não presta; que chega com genro e diz que a sogra não presta; e que ainda rouba o pirulito da criança endiabrada, só pra ver a reação da sogra, e do papai e da mamãe que se diziam exemplares...

É um sujeito tão insuportável que, geralmente, não tem nem amigo jornalista.

Mas, geralmente, sai com outros jornalistas só pra ter informação e falar mal... Da "catiguria", de tudo que é coleguinha e de quem mais aparecer!...

Jornalista é uma praga – e eu digo isso com conhecimento de causa, visse?

Mas, que seria de nós, se, simplesmente, exterminássemos aqueles que olham debaixo do tapete; que olham a limpeza da cozinha, apesar do cheiro maravilhoso do peixe?

Que seria de todos nós se, simplesmente, nos livrássemos de seres tão absolutamente neuróticos e desprezíveis?

Certamente, que, por uns tempos, todos viveriam na maior felicidade, sob as palmeiras aonde cantam os sabiás...

Mas, também chegaria o momento em que a sujeira debaixo do tapete seria tamanha que seria preciso jogar fora o tapete, a casa, as pessoas e até a rua e o país onde esteve, um dia, aquele tapete.

Chegaria o momento em que não apenas o peixe estaria estragado – mas, o óleo, a farinha, a cozinha, o cozinheiro, os utensílios e tudo o mais.

Jornalismo e jornalistas somos, afinal, a linha de frente de uma fiscalização permanente e enjoada, que precisa existir.

Até para que se possa apreciar o peixe.

Até para que se possa, apenas, mandar aspirar o tapete e continuar a viver...

FUUUUIIIIIIIIII!!!!!!

quarta-feira, outubro 14, 2009

Alimentação um direito inviolável

16 de outubro- Dia Mundial da Alimentação
"Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.” (Artigo XXV / Declaração Universal Dos Direitos Humanos)
Estatísticas da Fome Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo, um bilhão de pessoas passando fome, 30 mil crianças morrem de fome a cada dia, 15 milhões a cada ano, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável, 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso. Uma pessoa a cada sete padece fome no mundo. A cada dia 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do mundo. O Brasil é o 9º país com o maior numero de pessoas com fome, tem 15 milhões de crianças desnutridas. 45% de suas crianças, menores de cinco anos sofrem de anemia crônica. O Brasil é o 5º país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças endêmicas. Em 1987, no Brasil, quase 40% da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza. Nos dias de hoje, um terço da população ainda é mal nutrido, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total são trabalhadores rurais sem-terras. Enquanto o consumo diário médio de calorias no mundo desenvolvido é de 3.315 calorias por habitante, no restante do globo o consume médio é de 2.180 calorias diárias por habitante. Metade dos habitantes da Terra ingere uma quantidade de alimentos inferior às suas necessidades básicas. Cerca de um terço da população do mundo ingere 65% dos alimentos produzidos. A quarta edição do Inquérito Mundial sobre Agricultura e Alimentação, patrocinado pela ONU em 1974, concluiu: "Em termos mundiais, a quantidade de alimentos disponíveis é suficiente para proporcionar a todos uma dieta adequada". O aumento dos preços dos alimentos fez o número de famintos no mundo crescer 40 milhões para 963 milhões de pessoas em 2008, ante o ano passado, de acordo com dados preliminares divulgados hoje pela ONU para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). A entidade advertiu que a crise econômica mundial pode levar ainda mais pessoas a essa condição. Levando em conta dados do US Census Bureau, departamento de estatísticas do governo norte-americano, que contam a população mundial em 6,7 bilhões de pessoas, o número de famintos representa 14,3% do total. Em 2007, no planeta havia 860 milhões de famintos; em janeiro de 2009 109 milhões mais. A metade da população africana subsahariana, por citar um exemplo dessa África crucificada, mal vive na extrema pobreza. A ladainha de violência e desgraças provocadas é interminável. No Congo há 30 mil meninos-soldados dispostos a matar e a morrer a troco de comida; 17% da floresta amazônica foram destruídos em cinco anos, entre 2000 e 2005; o gasto da América Latina e do Caribe em defesa cresceu um 91%, entre 2003 e 2008; uma dezena de empresas multinacionais controla o mercado de semente em todo o mundo. Os Objetivos do Milênio se evaporaram na retórica e em suas reuniões elitistas os países mais ricos dizem covardemente que não podem fazer mais para reverter o quadro. “Quase cem mil mortes diárias no planeta se devem à fome. Dentre elas, 30 mil são de crianças com menos de cinco anos. Mais do que três torres gêmeas por dia que se desmoronam em silêncio, sem que ninguém chore ou construa monumentos”, declarou à swissinfo Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como Frei Betto. Essas são algumas das estatísticas da fome que o mundo se acostumou a acompanhar de tempos em tempos. Todavia a fome segue matando de maneira endêmica em muitas regiões do globo. Um mundo livre da fome Nós, do Planeta Voluntários buscamos um mundo sem fome e desnutrição – um mundo no qual cada uma e todas as pessoas possam estar seguras de receber a comida que necessitam para estar bem nutridas e saudáveis. Nossa visão é a de um mundo que protege e trabalha para que haja assistência social e dignidade humana para todas os povos. Um mundo no qual cada criança pode crescer, aprender e florescer, e desenvolver-se como membro ativo da sociedade. * Marcio Demari é colaborador do http://www.planetavoluntarios.com.br/ - A maior Rede Social de Voluntários e ONGs do Brasil !!!

domingo, outubro 11, 2009

MST e as laranjas

O MST é detestado por todos: da direita ruralista à esquerda chavista, passando por tucanos, petistas, psolentos, verdes, azuis e amarelos. Mesmo os que fingem apoiar o MST o detestam. Isso porque há uma antipatia ancestral e inata contra o MST, esse arquétipo de nosso inconsciente coletivo, esse cancro irremovível que insiste em nos lembrar, mesmo nos períodos de bonança, que fomos o último país do mundo a abolir a escravidão e continuamos sendo uma porcaria de nação que jamais fez a reforma agrária.
O MST é o espelho que reflete o que não queremos ver.
Há duas questões, na vida nacional, que contradizem qualquer discurso político da boca pra fora e revelam qual é, mesmo, de verdade, a tendência ideologica de cada um de nós, brasileiros: a violência urbana e o MST. Diante deles, aqueles que até ontem pareciam ser os mais democráticos e politicamente esclarecidos passam a defender que se toque fogo nas favelas, que se mate de vez esse bando de baderneiros do campo, PORRA, CARAJO, MIERDA, MALDITOS DIREITOS HUMANOS! O MST nos faz atentar para o fato de que em cada um de nós há um Esteban de A Casa dos Espíritos; há o ditador, cuja existência atravessa os séculos, de que nos fala Gabriel García Márquez em O Outono do Patriarca; há os traços irremovíveis de nossa patriarcalidade latinoamericana, que indistingue sexo, raça, faixa etária ou classe social: O MST é o negro amarrado no tronco, que chicoteamos com prazer e volúpia. O MST é Canudos redivivo e atomizado em pleno século XXI. O MST é a Geni da música do Chico Buarque - boa pra apanhar, feita pra cuspir – com a diferença de que, para frustração de nossa maledicência, jamais se deita com o comandante do zeppelin gigante. E, acima de tudo, O MST é um assassino de laranjas! E ainda que as laranjas fossem transgênicas, corporativas, grilheiras, estivessem podres, com fungos, corrimento, caspa e mau hálito, eles têm de pagar pela chacina cítrica! Chega de impunidade! Como o João Dória Jr., cansei! Jornalismo pungente Afinal, foi tudo registrado em imagens – e imagens, como sabemos, não mentem. Estas, por sua vez, foram exibidas numa reportagem pungente do Jornal Nacional - mais um grande momento da mídia brasileira -, merecedora, no mínimo, do prêmio Pulitzer. Categoria: manipulação jornalística. Fátima Bernardes fez aquela cara de dominatrix indignada; seu marido soergueu uma das sobrancelhas por sob a mecha branca e, além dos litros de secreção vaginal a inundar calcinhas em pleno sofá da sala, o gesto trouxe à tona a verdade inextricável: os “agentes“ do MST são um bando de bárbaros. (Para quem não viu a reportagem, informo,a bem da verdade, que ela cumpriu à risca as regras do bom jornalismo: após uns dez minutos de imagens e depoimentos acusando o MST, Fátima leu, com cara de quem comeu jiló com banana verde, uma nota de 10 segundos do MST. Isso se chama, em globalês, ouvir o outro lado.) Desde então, setores da própria esquerda cobram do MST sensatez, inteligência, que não dirija seu exército nuclear assassino contra os pobres pés de laranja indefesos justo agora, que os ruralistas tentam instalar, pela 3ª vez, como se as leis fossem uma questão de tanto bate até que fura, uma CPI contra o movimento (afinal, é preciso investigar porque o governo “dá” R$155 milhões a “entidades ligadas ao MST”, mesmo que ninguém nunca venha a público esclarecer como obteve tal informação, como chegou a esse número, que entidades são essas nem qual o grau de sua ligação com o MST: O Incra, por exemplo, está nessa lista como ligado ao MST?). A insensatez dos miseráveis Ora, o MST é um movimento social nascido da miséria, da necessidade e do desespero. Eles estão em plena luta contra uma estrutura agrária arcaica e concentradora. Não se pode esperar sensatez de movimentos sociais da base da pirâmide social, que lutam por um direito básico do ser humano. Pelo contrário: é justamente a insensatez, a ousadia, a coragem de desafiar convenções que faz do MST um dos únicos movimentos sociais de fato transgressores na história brasileira. Pois quem só protesta de acordo com os termos determinados pelo Poder não está protestando de fato, mas sendo manipulado. Se os perigosos agentes vermelhos do MST tivessem sensatez, vestiriam um terno e iriam para o Congresso fazer conchavos, não ficariam duelando com moinhos de vento, digo, pés de laranja. Mas é justamente por isso que o MST incomoda a tantos: ele, ao contrário de nós, ousa desafiar as convenções: ele é o membro rebelde de nossa sociedade que transgride o tabu e destroi o totem. Portanto, para restituição da ordem capitalista/patriarcal e para aplacar nossa inveja reprimida, ele tem de ser punido. Ele é o outro. Quantos de nós já se perguntaram como é viver sob lonas e gravetos – em condições piores do que nas piores favelas -, à beira das estradas, em lugares ermos e remotos, sujeito a ataques noturnos repentinos dos tanto que os detestam? Quantos já permaneceram num acampamento do MST por mais do que um dia, observando o que comem (e, sobretudo, o que deixam de comer), o que lhes falta, como são suas condições de vida? Poucos, muito poucos, não é mesmo? Até porque nem a sobrancelha erótica do Bonner nem o olhar-chicote da Fátima jamais se interessaram pelo desespero das mães procurando, aos gritos, pelos filhos enquanto o acampamento arde em fogo às 3 da madrugada, nem pelas crianças de 3,4 anos que amanhecem coberta de hematomas dos chutes desferidos pelos jagunços invasores, ao lado do corpo de seus pais, assassinados covardemente pelas costas e cujo sangue avermelha o rio. Para estes, resta, desde sempre, a mesma cova ancestral, com palmos medidas, como a parte que lhes cabe neste latifúndio. Para a mídia, pés de laranja valem mais do que a vida humana, quero dizer, a vida subumana de um miserável que cometeu a ousadia suprema de lutar para reverter sua situação. Mas os bárbaros, claro está, são o MST. Por isso, haja o que houver, o MST é o culpado. FONTE: http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2009/10/mst-e-laranjas.html

sábado, outubro 10, 2009

Feliz Natal 2009

Como o Círio é o natal dos Paraenses, nada mais adequado desejar Feliz Natal aos leitores do blog.

Criador e a criatura: a volta de Lei da Mordaça, agora em Ananindeua

Daniel Santos (PODE) seria o criador da ideia de emplacar a "Lei da Mordaça" na Câmara Municipal de Ananindeua, resgatando os mol...