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segunda-feira, janeiro 25, 2010

Novo Campo Teórico

Por Emir Sader.
A direita latinoamericana se renovou com o neoliberalismo. Se apropriou das “reformas”, dando-lhe agora um sentido de “mercantilização”, de menos Estado, identificando este com o “atraso”, a “estagnação”, a “falta de liberdade”. O reino do mercado significaria o dinamismo econômico advindo da competividade empresarial, que modernizaria as economias e daria mais alternativas de investimento e de consumo, identificando liberdade com liberdade de variações de acesso a bens no mercado. Esse período teve um sucesso relativo e seu auge foi a década de 90. Valiam-se também do fim da URSS e da bipolaridade mundial, confiavam que todas as alternativas – como prognosticava Fukuyama – se dariam no marco da economia de mercado e da democracia liberal. As rupturas estariam relegadas a retrocessos em relação a esses dois parâmetros do “fim da história”. Foi nessa esparrela que caíram governantes como FHC e outros que pretendiam identificar-se com a social-democracia e que passaram a considerar de que agora se trataria de apostar no mercado, no livre comércio e na globalização neoliberal. O anuncia do “novo Renascimento” por parte de FHC se devia ao deslumbramento com esse horizonte, em que se diluiriam direita e esquerda, povo e elites, periferia e centro do capitalismo. Ao desregulamentar as economias, retirando travas para a livre circulação do capital e ao aplicar políticas antinflacionárias duras, se conseguiu um dinamismo imediato e uma estabilidade monetária, mas o prestígio do modelo se esvaziou rapidamente. Ao desregulamentar, se favoreceu não um turbilhão de investimentos produtivos, mas uma gigantesca transferência de recursos do setor produtivo para o especulativo. O capital não é feito para produzir, mas para acumular, para lucrar. Como se deram condições muito mais favoráveis no setor financeiro – na sua modalidade especulativa, de compra e venda de papéis de empresas e de Estados endividados -, com remunerações mais altas, liquidez imediata e menor tributação, houve um inchaço brutal desse setor, às custas do setor produtivo. As grandes corporações passaram todas a ter, ao lado das suas empresas industriais, de agronegócios, comerciais, etc, um setor financeiro, que passou a funcionar como cabeça do conglomerado. Como uma das conseqüências, o neoliberalismo não criou as bases sociais de sua legitimação mais duradoura. Ele não gera bens, nem empregos, não distribui renda, não precisa de um mercado interno de consumo. Foi se isolando e, com ele, os governos neoliberais. Daí a sucessão de governos eleitos com o voto antineoliberal na América Latina, desde 1998. Paralelamente houve uma renovação do campo teórico: o esgotamento precoce do neoliberalismo – cuja pá de cal é a crise atual, que torna superada a apologia do mercado, central no ideário neoliberal – recolocou os termos do debate. Hoje se discute de que Estado necessitamos. Por um lado há formas de recomposição do Estado keynesiano – adaptado às condições históricas da globalização -, como no Brasil, na Argentina, no Uruguai, enquanto em outros países – especialmente Bolívia, Equador – se busca a refundação do Estado, vinculado à construção de um novo bloco no poder, posneoliberal. A crise capitalista, por sua vez, recolocou com força o papel do Estado, tanto no processo de mobilização dos recursos para tentar frear os efeitos dela, quanto para buscar a superação da estagnação e a retomada de um ciclo expansivo. Um diferencial claro a esse respeito se deu entre os países que mantiveram o ideário neoliberal, como o México, que está às voltas com uma tentativa de privatização da sua empresa estatal de petróleo – a Pemex -, em meio à maior crise econômica e social vivida em muitas décadas pelo país, que enveredou pelos caminhos do neoliberalismo e do Estado mínimo. À diferença do México, o Brasil – entre outros países do continente e do Sul do mundo, como a China – intensificou a ação estatal, tanto para induzir a retomada da expansão, quanto para minorar os efeitos sociais – como o nível do emprego, os salários. Como resultado, o Brasil saiu da crise de forma mais ou menos rápida, enquanto o México foi ao FMI, envolto em um processo longo de estagnação, de tal forma sua economia ficou atada à dos EUA, com quem tem comprometido mais de 90% do seu comércio exterior.

Djavan - Boa Noite

PT e PMDB sob fogo "Serra/do"

Dois blogs da pólis das mangueiras lançaram mãos da observação sobre petistas e colocaram gasolina na fogueira netiana. O primeiro foi o Quinta Emenda, aquele mesmo que agora, mais do que nunca está com o sexto sentido aguçado. A postagem traz para aqueles suspeitas na cabeça dos que não seguem os grandes jornalões nacionais, neste caso a mais autêntica representante do PIG, a folha on line, do jornal Folha de São Paulo. A matéria datada de 19 de Janeiro induz à outras graves interpretações que membros do PT do Pará teriam recebido propina da empreiteira Camargo Corrêa, pela contratação da empresa na construção dos hospitais regionais em 2008. Qualquer marciano que tenha chegado neste Estado durante as eleições de 2006 leria, ouviria e veria em Full HD que as obras citadas, foram praticamente concluídas pelo governo tucano que imperou no Pará por exatos 12 anos. A pergunta que o marciano, leitor da folha e da reprodução do valoroso Quinta Emenda seria, por que agora o PT que não fez os hospitais estariam sendo coroados com a carapulsa da obra? A reportagem cita o nome do Consultor o Geral do Pará, Sr. Carlos Botelho e do PMDB paraense ao qual teriam sido repassados 130 mil reais e ao PT um pouco mais de 261 mil. O Blog aguarda o posicionamento dos representantes dos partidos citados e vê com preocupação o cenário de disputa eleitoral este ano no Brasil, sobretudo no Pará, onde de um lado Tucanos e Democratas, do outro, Petistas e Pemedebistas já travam uma guerra que promete causar inveja à qualquer lutador de Vale Tudo. Bom, como disse no início, dois blogs puseram o PT e o governo do Pará , no foco e falando mesmo de foco, o Espaço Aberto retoma a observação de que Puty além de ser um cara de sorte, tem atrapalhado a articulação política da governadora e colocando assim em risco, sua própria reeleição. Uma coisa ninguém à de negar, depois de muitos anos fora do Estado à estudos, a volta do Puty é sem dúvida, uma volta por cima. Por cima de muitos alguns ironizaram, mas aqui quis dizer, por cima da carne seca como dizia meu pai quando queria citar uma situação em que a pessoa tava bem na foto. É a pólis mais movimentada com o ano novo, mas muito mais ainda vem por aí, esperem e verão!

Águas de Março - Elis Regina