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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Antes e depois da catástrofe no RJ

O G1 disponibiliza imagens de Nova Friburgo antes e depois da destruição.


Clique aqui e veja.

Caetano Veloso - Livros

Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.


Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.


Letra: letras.terra.com.br
Vídeo: youtube.com

Belo Monte: não é tarde demais

A Cultura no PSDB e no PT - Parte I

"É preciso atrair violentamente a atenção para o presente do modo como ele é, se se quer transformá-lo. Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade."

Paulo Chaves o egocêntrico tucano de penas douradas e bico de diamante, permaneceu secretário de Cultura na era tucana (1994/2006), retomando novamente a pasta na gestão de Simão Jatene. Megalomaníaco, arquitetou uma das obras mais super-faturadas da história política do Pará - A Estação das Docas - onde se deu o direito de colocar uma foto sua em frente ao Teatro Maria Silva Nunes, um abuso sem tamanho, desfeito no início da gestão petista de Ana Júlia em 2007.

Se houve uma área que a gestão tucana em 12 anos (Almir/Jatene) tenha sido marcada por críticas contundentes em todas as regiões do Estado foi a cultura. Foi  justamente na área cultural que os tucanos sofriam acusações de promoverem uma política excludente, centralizadora e elitista. 

O termo cultura elitista ganhou força com a adequação dos galpões da CDP para a Estação das Docas, projeto encabeçado pelo então secretário de Cultura Paulo Chaves, recém empossado no cargo pelo governo reeleito de Simão Jatene.

Paulo Chaves foi um dos poucos secretários que sobreviveu aos 12 anos da era tucana, pausada em 2006 com a vitória petista de Ana Júlia. O racha entre PSDB e PMDB possibilitou com que as críticas feitas ao tucanato fossem amplificadas pelos instrumentos de comunicação de Jader Barbalho, o Sistema RBA de comunicação, que controla emissoras de rádios, TV, portal na web e o jornal Diário do Pará, um dos maiores em número de leitores no estado, segundo o IBOPE.

Com a pecha de “Estação Dondoca” e o ar-condicionado para borboletas, as obras idealizadas por Paulo Chaves que unificariam espaços culturais e de turismo, foram desgastadas pelos apresentadores e radialistas à mando de Jader Barbalho e a opinião pública e o PT reforçaram o tom de sátira contra aquilo que soava como uma afronta à realidade dos postos de saúde, escolas, equipamentos de segurança e todas deficiências naquele fim de gestão tucana.

O descontentamento dos profissionais da área cultural eram latentes e eram mais visíveis entre as entidades, grupos e indivíduos do ramo artístico-cultural. Até a pseudo-valorização do erudito em detrimento do popular era contestada pelos músico da orquestra sinfônica do Teatro da Paz onde o salário de cada profissional era irrisórios R$600,00, vindo à ser corrigido no governo Ana Júlia.

Expressões como o boi-bumbá, a Bicharada, os Pássaros juninos entre outros eram simplesmente alijados do roll de apoio da SECULT. Uma visão discriminatória julgava quais eram os grupos/indivíduos que seriam agraciados com cachês em programações oficiais, gravações de CD/DVD e apoio e financiamento de projetos. Exemplos podem ser citados como Nilson Chaves - agraciado agora como o novo Superintendente da Fundação Cultural Tancredo Neves - CENTUR), Marco Monteiro, Lucinha Bastos, Arraial do Pavulagem, Almirzinho Gabriel (filho do ex-governador Almir Gabriel) e outros abençoados pela visão de que eram artistas valorosos e a imensa maioria não.

 Nilson Chaves que com o apoio intransigente à candidatura de Almir Gabriel em 2006, após sua derrota pegou o Ita e ficou no ostracismo por 4 anos, voltando agora pulsante para comandar o CENTUR na 2ª gestão de Simão Jatene.

Com a chegada da corrente de Ana Júlia (DS) à SECULT os ares mudaram e elegeram-se outras prioridades. A Fundação Cultural Curro Velho por exemplo foi “descentralizada”, ou seja, suas oficinas e atividades chegaram ao interior do Estado. Ainda que fosse ínfimo, o ato simbolizou para muitos o início de uma nova era onde não só as programações, grupos e artistas e produtores culturais de Belém estariam contemplados, mas as demais regiões também.

Em breve, a 2ª parte.

Concursados + Governo: Nada x Nada

“Caro Barata,
 
Na reunião que tivemos na Casa Civil, Zenado Coutinho afirmou que o governador Simão Jatene, poderia, a qualquer momento, contingenciar recursos dos órgãos do governo, inclusive da Defensoria Pública, para suprir necessidades do Estado, em decorrência da grande dívida deixada pelo governo anterior.

Lembro, inclusive, que, para ilustrar a necessidade de se remanejar recursos de um órgão para outro, ele usou como exemplo um fato havido quando assumiu a presidência da Alepa, a Assembléia Legislativa do Pará. Disse que um dos seus primeiros atos, teria sido a doação de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) para que o governador recém empossado Almir Gabriel, pudesse adquirir veículos novos para a Policia Civil".

José Emílio Almeida, presidente da ASCONPA (Associação dos Concursados do Pará), militante filiado ao PSOL, em email enviado ao blog do Barata em tom comemorativo, afirmando a disposição do governo Simão Jatene em contigenciar recursos de órgãos estaduais, como da Defensoria Pública, para resolver o "problema" das nomeações dos concursados que aguardam ávidos para ingressaram no Estado.

Na opinião do blog, Emílio soube ser um severo opositor ao governo petista, o que é comum e típico por ser militante de um partido que disputa votos e militantes com o PT mas amenizar a crítica aos tucanos e sair de cabeça baixa, sem qualquer definição concreta de quantos, quando e como os concursados irão ser nomeados e sequer sem data de uma nova reunião com o governo para tratar do assunto é no mínimo demonstração que a luta de uma categoria é muitas das vezes utilizada como correia de transmissão de interesses partidários.

O movimento comunitário morreu?‏

 
Mais chuva em Belém, hoje. Velhas e novas inundações em todos os bairros da capital, mais e novos prejuízos aos moradores, que perdem móveis, eletrodomésticos, e isso sem falar nos riscos de contaminação por doenças graves.

Isso me remete aos anos 80, aqui em Belém. inundação nas baixadas de Belém sempre existiu. Mas por que, passados tantos governos, esses problemas parecem se agravar? Por que não vemos mais as enormes manifestações populares que, naquela época, invadiam as ruas e praças e exigiam reforma urbana, saneamento, moradia e transporte público de qualidade para todos? Exigia-se, também, democracia, liberdade, pois vivíamos, até 1984, sob os ditames dos governos militares - o último deles foi João Figueiredo.

Lembro que, nos meus nove anos de Jurunas, vivi e acompanhei o movimento comunitário. Ele era forte, atuante, tinha líderes representativos, pessoas dignas e dedicadas, que de fato acreditavam nos movimentos sociais como instrumento político de transformação. Pessoas como Gafanhoto, Luís Braga (soube que ele faleceu, no final do ano passado, o que muito me entristeceu), Leontila, dona Luzia, Izabel, Zé Maria, Cândido (também falecido) e Trindade, entre tantos, fizeram história na luta por direitos básicos de cidadania, como moradia, transporte público, saneamento, etc. A Cobajur (Comunidades de Base do Jurunas) era a principal referência entre as entidades.

A luta pelo loteamento e urbanização da antiga Radional, que abrigava a então cavalaria da PM, foi das mais memoráveis. Iniciada em 1980, ela representou uma das maiores conquistas do movimento comunitário do Jurunas. À frente, as entidades comunitárias locais. Para unificar as lutas do bairro, seus líderes criaram um conselho comunitário. Foi seu estágio mais elevado de maturidade política.

Em Belém, dezenas de entidades faziam o mesmo em outros bairros. A Comisão dos Bairros de Belém (CBB) congregava os movimentos comunitários e se empenhava em juntar as dezenas de entidades. As campanhas pelo direito de morar lotavam ruas e praças da cidade. O palco principal era a Praça Dom Pedro II. E houve conquistas importantes, como as melhorias no transporte público, saneamento básico, moradia, água,...

Hoje, esses problemas continuam, e temos a sensação que eles se agravaram, principalmente pela expansão desordenada da cidade e pela omissão dos governantes. E isso é comprovável. Água continua sendo problema para milhares de belenenses, as áreas de invasão se multiplicaram, mas com moradias precárias, sem água potável, ambientes degradáveis e insalubres, sem drenagem e pavimentação.

Mas há diferenças entre esta realidade e aquela dos anos 80. Hoje, prevalecem as manifestações pontuais de moradores, principalmente as de protesto contra a violência no trânsito, falta de água potável, violência urbana(inclusive a praticada por policiais). Mas estas não vão além do fechamento de ruas, da queima de pneus e madeiras e entulhos. São movimentos espontâneos, sem qualquer organização, sem qualquer entidade puxando a manifestação, sem consequência mais expressiva. Na maioria dos casos, fica o protesto pelo protesto, apenas o xingamento contra o prefeito, o(a) governador(a), vereadores. E acaba nisso.

Cadê a CBB e outras entidades gerais que puxavam os movimentos sociais de Belém? Que fim levaram os seus líderes de então? A maioria era ou se filiou ao Partido dos Trabalhadores ou a outros partidos ditos de esquerda. A proximidade e/ou a tomada do poder político por esses partidos levou o movimento comunitário e seus líderes à alienação politica? O movimento comunitário praticamente deixou de existir, pelo menos na forma combativa e aguerrida que se via nos anos 90.

Belém sofre com a falta de planejamento, com a precária distribuição de água, com a falta de drenagem e pavimentação nos bairros periféricos; a população sofre com inundações e prejuízos, com os péssimos serviços de saúde, com uma educação pública de resultados sofríveis, com transporte público de qualidade ruim, com coleta de lixo ineficiente, com trânsito caótico, ... A lista é grande.

Mas não há ninguém, nenhum partido ou qualquer entidade que catalise essas demandas populares e as transforme em campanhas por melhoria da qualidade de vida da população, em movimentos de cidadania. O que aconteceu? O movimento comunitário morreu?

Este texto está ficando grande demais. Vou parar por aqui e esperar que algum interessado queira discutir as questões aqui levantadas.
 
José Maria Piteira
Jornalista - MTE/DRT/PA Nº 888