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quinta-feira, junho 25, 2026

Os novos ricos: advogados paraenses surgem do nada para o estrelato e a riqueza



Por Diógenes Brandão

Nesses tempos de eleição, assistindo alguns movimentos nas redes sociais, me fez lembrar dos "novos ricos lava jato". Naquele momento, o termo "novos ricos da Lava Jato" foi utilizado para nominar alguns advogados criminalistas que ascenderam financeiramente e ganharam projeção nacional defendendo empreiteiros, políticos e executivos investigados na operação.

Uma operação emblemática que noutro momento, por meio de intenso e minucioso trabalho jornalístico investigativo, revelou o verdadeiro esquema que envolveu juiz, acusador e investigação, que escolhia seus alvos politicamente e liberava das denúncias construídas, aqueles que contratavam os causídicos "certos".

Diante dessa espécie de indicação midiática, os profissionais outrora anônimos, passaram a cobrar honorários milionários devido à "complexidade" e ao alto risco das causas.

A ascensão dos advogados seguia os holofotes dirigidos pelos esquisitos, mas frequentes vazamentos das investigações.

As grandes bancas de advocacia e criminalistas renomados assistiam dezenas de processos simultâneos saírem de seus espectros de atuação, caindo como mágica em bancas sem qualquer expressividade, que beiravam a mediocridade. Aqueles profissionais tiveram suas carreiras impulsionadas, passando a integrar um seleto grupo que atua em causas de altíssimo valor do dia para noite.

O êxito em tribunais superiores para obter solturas e desbloqueio de bens consolidou o sucesso financeiro dessa classe, acompanhava as notícias sobre os tais vazamentos e repercussão polêmica, mudava a rotina dos corredores da justiça. Foi natural que os ganhos desses profissionais gerassem debates e críticas.

A Revista Veja na época, tomou em destaque o estilo de vida luxuoso adotado por alguns desses defensores, o que provocou reações da classe advocatícia, que defendeu a legitimidade e o sigilo dos contratos de honorários.

Momento muito semelhante venho percebendo de um tempo para cá, especificamente no Pará. Profissionais sem nenhuma visível expressividade no meio jurídico, passaram a constar em publicações e diários da justiça. 

A diferença dos nossos tempos é que talvez alertados pela repercussão daqueles colegas da época da operação lava jato, os tais causídicos vêm construindo uma imagem digital que artificializa suas próprias carreiras, numa espécie de lastro, que ultrapassa a ostentação dos "novos ricos da lava jato".

Vê-se algumas bancas despontando nas redes sociais, seja por meio da participação no apoio de eventos jurídicos, criação de entidades, premiação de jornalistas ou lançamento de lovros sem necessariamente contribuir com qualquer parcela do conteúdo jurídico temático, seja promovendo encontros festivos reunindo autoridades e políticos, que acabam transformando os presentes em verdadeiros influencers daquelas bancas. 

Um dia desses vi notícias até de livros sendo produzidos por uma dessas bancas, sem nenhum histórico acadêmico do titular, uma compilação de obras de outras personalidades, que custei a entender o motivo da divulgação.

No sentido contrário, bancas e causídicos tradicionalmente renomados e reconhecidos no meio jurídico em suas especialidades, seguem a mesma discrição ética que os consolidou por meio de seus êxitos e conteúdos produzidos, sem que isso os coloque à margem da clientela.

A pergunta que me vem, é se estaríamos diante de uma nova fase da advocacia, onde a imagem digital teria tomado o lugar do bom debate jurídico, ou se apenas se trata de um revival daquele tempo da operação lava jato, já que muitas dessas neocelebridades jurídicas, por uma espécie de coincidência dos céus, também mantém ligações diretas ou relações próximas com figuras políticas conhecidas, muitas tradicionais do cenário local. 

Seguirei observando para conclusão futura.

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