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terça-feira, fevereiro 23, 2010

Exigências da Vida Moderna

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes. Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver. Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia... E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma). E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações. Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico. Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama. Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio. Agora tenho que ir. É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal... Tchau! Viva a vida com bom humor!!!

Luiz Fernando Verríssimo.

Cristo, Cook e Lula

Crônica de Luiz Fernando Verríssimo à alguns anos atrás...

Uma vez, numa reunião de escritores em Sydney, ouvi um poeta aborígene começar a contar um evento ocorrido na sua tribo numa certa data "BC"... e interromper-se para explicar aos estrangeiros que para os aborígenes "BC" não queria dizer "Before Christ", antes de Cristo, mas "Before Cook", ou antes do capitão James Cook, que ao tomar posse da Austrália em nome do rei Jorge III da Inglaterra, em 1770, mudou a vida deles para sempre. Era uma brincadeira, mas com uma verdade embutida: a cronologia de povos nativos não coincide com a cronologia imposta pelos seus colonizadores. O Novo Mundo, por exemplo, só era novo para os europeus do século 61. Já havia gente e velhas civilizações por aqui "AC": não Antes de Cristo mas Antes de Colombo, Cabral ou Cortez.

Várias categorias humanas têm o equivalente à dicotomia Cristo e Cook do poeta, ou divisões diferentes da sua história de acordo com suas peculiaridades, tradições e pontos de vista. Sem falar, claro, nas religiões cujos mitos inaugurais têm outros nomes, como Maomé ou Abraão. Assim tanto a psicologia quanto o capitalismo têm suas eras AF e DF (Antes e Depois de Freud, Antes e Depois de Ford), no mundo da eletrônica AC e DC querem dizer Antes e Depois do Chip e todos os anos da nossa atualidade recente deveriam ser seguidos das letras AD, significando não "Anno Domini", mas "Ano Digital". Pois a chegada do código binário certamente modificou a vida de todo o mundo tanto quanto a chegada do Capitão Cook modificou a vida dos aborígenes da Austrália.

Outro exemplo: a história do cinema moderno, PS (Pós Som), se subdivide em AJLG e DJLG, ou Antes de Jean-Luc Godard e Depois de Jean-Luc Godard. Com um só filme, Acossado (À Bout de Souffle), de 1960, Godard acabou com todas as convenções da montagem cinematográfica e mudou a gramática do cinema para sempre. Tanto que, hoje, novidade é alguém usar os recursos que Godard desprezou. "Dissolves", "fade outs" e "fade ins" para sinalizar a passagem de tempo, aquelas coisas. (Porque, com o tempo, nada fica tão revolucionário quanto o acadêmico). Enquanto reinventava o cinema, Godard aproveitou e inaugurou os anos 60. De certa maneira, toda a história cultural do nosso tempo pode ser dividida em AJLG e DJLG.

Que outra figura foi o Cristo ou o Cook de qual forma de arte? Na música, Antes e Depois de Beethoven ou Antes e Depois de Stravinski? Na filosofia, Antes e Depois de Nietzsche? E na política brasileira, essa arte de tão poucos talentos? Antes e Depois de Getúlio Vargas, certo. Ninguém como ele mudou os rumos da República tão drasticamente. No futuro se falará num Brasil AL e DL? Difícil dizer. Por enquanto, Lula não parece disposto a ser o mito inaugural de nada muito diferente.

Cara, Coroa e a Mídia

Por: Celso Horta

O 4º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizado este fim de semana em Brasília, formalizou a indicação da ministra Dilma Rousseff pré-candidata à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.

A mídia conservadora tentou carimbar a decisão partidária como afirmação de um novo posicionamento político do PT.Dilma prega Estado forte”, destacou em manchete o Estado de S.Paulo; Dilma faz defesa de Estado Forte e Prega Estabilidade”, foi a variação da Folha de S.Paulo; “Dilma defende Estado forte”, diz O Globo.

A uniformidade das manchetes de três dos mais importantes veículos conservadores revela o tom da campanha da oposição contra a candidatura petista. De qualquer forma, o combustível para a polêmica proposta pela mídia conservadora é importante. Entre os feitos do governo Lula, um dos mais importantes foi interromper o processo de desmonte do Estado que vinha sendo perseguido com decisão pelo governo tucano.

Na sua fala durante o 4º Congresso, o presidente defendeu a continuidade e, se necessário, aprofundamento da política de fortalecer o Estado. Aliás, ao levantar a questão do fortalecimento do Estado, a mídia conservadora alimenta a proposta de estratégia da campanha petista que quer um plebiscito entre o governo Lula e o governo FHC. O ponto é um dos comparativos mais favoráveis ao governo petista. Foi graças a políticas públicas de fomento à atividade produtiva, políticas fiscais e investimentos diretos do Estado, que a economia brasileira conseguiu atravessar a crise mundial eclodida em 2008 sem maior abalo.

Mas, por que a mídia conservadora resolveu, em uníssono, atacar as políticas petistas de fortalecimento do Estado? Aí vale lembrar como funciona a comunicação. As notícias que, efetivamente, chegam até nós, leitores e eleitores, e buscam formar a opinião pública, são todas intermediadas pela mídia. Elas constituem cenários desenhados ponto a ponto, traço a traço, no dia a dia dos vários veículos de comunicação. Desde sempre, o cidadão acompanha na mídia o teatro da vida brasileira. No cenário, que passa despercebido, está a inoperância do Estado, o inchaço do serviço público, e da bem aventurança da iniciativa privada, capaz de garantir celulares para todo mundo. É em cima deste preconceito que a oposição está experimentando sua artilharia.

A arte da comunicação no mundo moderno é cada dia mais complexa e atuar sobre ela é cada vez mais difícil. Mas, felizmente, não são apenas os noticiários de TVs e jornais que constroem estes cenários e formam a opinião dos cidadãos. A internet, por exemplo, ocupa mais e mais espaço no tempo dedicado pelos leitores a obter informações. É o que explica o sucesso de blogs como os dos jornalistas Luiz Carlos Azenha, Luiz Nassif, Paulo Henrique Amorim bem como o do site do ABCD Maior (www.abcdmaior.com.br).

Desfazer preconceitos como este e mostrar que há eficiência e deficiência nos dois campos, seja o público ou o privado, exige muito trabalho. Um desafio que esteve à altura de Lula, que para Barak Obama, “é o cara”. E, como diz o slogan da pré-candidata Dilma, também estará à altura da “coroa”.

Fonte:ABCDMaior

Parada Gay 2009 - Palco Waldemar Henrique

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