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quarta-feira, julho 24, 2013

Em clima de 'fora Dilma', Força Sindical abre congresso

Manoel Dias afirmou que a pauta de interesse dos trabalhadores está sendo negociada no governo Força Sindical.

Praia Grande (SP) – A Força Sindical abriu na tarde de hoje (24) seu sétimo congresso nacional em ambiente hostil ao governo. Ao lembrar que representava a presidenta Dilma Rousseff, a quem chamou de "companheira", o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, teve de ouvir dois minutos de vaias, apenas interrompidas a pedido do presidente da central, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP). "Que bom que vocês estão protestando, companheiros. Quando era jovem, eu não podia protestar", reagiu o ministro, defendendo um "pacto" em defesa da democracia. "Nós tivemos avanços, mas essas conquistas precisam aumentar. Temos de resgatar os que estão à margem do desenvolvimento."

Na saída, Dias afirmou que a pauta trabalhista está sendo negociada.  "O diálogo é uma maneira moderna de avançar no debate. Estamos agora discutindo terceirização. Está se avançando bem nessa discussão", avaliou, referindo-se à comissão quadripartite formada para discutir o Projeto de Lei 4.330, de 2004, criticado pelos sindicalistas. "A terceirização é uma coisa real, mas a realidade não pode subtrair direitos." Ele também citou outro item reivindicado pelas centrais, o fim do fator previdenciário. "Está na mesa de negociação. E vamos avançar, creio." Ele também destacou o fato de o país continuar criando empregos, em meio a uma crise mundial. De volta de reuniões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do G-20, Dias afirmou que "o único país que pôde dizer que está criando empregos é o Brasil".

Quando desceu do palco, o ministro foi levado para tirar fotos com delegados no plenário. Mas teve de ouvir um coro de "151" vindo de uma representação de servidores, em alusão à Convenção 151 da OIT, sobre negociação coletiva e direito de greve no setor público.

Na primeira fileira do plenário e em alguns pontos das arquibancadas do ginásio que sediará o congresso até sexta-feira, havia vários cartazes com os dizeres "Fora Dilma". O presidente da central confirmou que não apoiará uma possível candidatura à reeleição. "Acho que a situação da Dilma está muito ruim dentro da Força Sindical. Ela não atendeu nenhuma das reivindicações, não há por que continuar apoiando", declarou pouco antes da abertura.
O dirigente disse considerar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a ex-ministra Marina Silva (Rede Sustentabilidade) como alternativas, mas disse que a situação ainda está em aberto. E preferiu não comentar sua ideia de criar um novo partido, que se chamaria Solidariedade. A central chegou a anunciar a presença do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mas ele não foi à abertura. Também anunciado, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), que estava com o papa em Aparecida, foi representado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Edson Aparecido.

Todas as centrais participaram da mesa de abertura, que teve como "mestre de cerimônias" o ex-ministro Antônio Rogério Magri, hoje assessor da Força. E todos os dirigentes cobraram o atendimento da pauta sindical, com alguns falando em greve geral em 30 de agosto.

Aproximadamente 4 mil delegados participam do evento, que deve reconduzir Paulinho à presidência. Desde sua fundação, em 1991, a central teve dois presidentes. O primeiro foi Luiz Antônio de Medeiros, atual superintendente do Emprego e Relações do Trabalho em São Paulo.

Agora, o Pará tem comitê estadual pela Democratização da Comunicação. Para expressar a liberdade!

No blog da Vera Paoloni

Foi em plena terça-feira de julho, na tarde do dia 23, ontem, que mais de 100 ativistas que lutam para combater o monopólio da mídia se reuniram na sede da OAB.Pa e lançaram o Fórum Paraense pela Democratização das Comunicações, um filho do FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Julho, é pleno verão na Amazônia e em Belém, significa uma cidade esvaziada pelas férias escolares. Então, sucesso de público e de ativismo. Ao todo, 50 entidades estiveram presentes durante o lançamento do Fórum. E assumiram o compromisso de coletar o abaixo-assinado pela democratização da comunicação.

Já ficou programado a primeira reunião do Fórum Paraense: será na sede da CUT.Pa no dia 8 de agosto, às 17 h, para traçar o plano de lutas e  eleger a delegação paraense para a plenária nacional do FNDC, a ocorrer dias 22 e 223 de agosto, em Brasília. 

Ficou encaminhado ainda que tanto a sede da CUT.Pa, como a da CTB serão pontos de referência para a entrega dos abaixo-assinados coletados. 

A atividade do lançamento do Fórum Paraense foi coordenada pela CUT.Pa, através da secretária de comunicação, Vera Paoloni e pelo coordenador do Núcleo Paraense do Barão de Itararé, Moisés Alves. 

Pelo FNDC esteve presente o compa Orlando Guilhon e pela coordenação nacional do Barão de Itararé, Sônia Correa. Orlando mostrou os pontos básicos da luta pela democratização de comunicação.

Entidades gerais que compuseram a mesa dos trabalhos: CUT.Pa.,   Jader Kawage da OAB.Pa, Marcão Fonteles da CTB, Sônia Correa do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e Orlando Guilhon da Coordenação Nacional do FNDC.

Pelos partidos, participaram Marquinho, pelo PT; Jorge Panzera pelo PC do B, Marinor Brito pelo PSOl e Leny Campelo pelo PPL.


Participaram também da atividade as entidades: SINTAPI, Sindicato dos Bancários, Sindjufe, AMB - Articulação de Mulheres Brasileira, Levante Popular da Juventude, Cebes - Centro de Estudos Brasileiro de Estudos em Saúde, MMM - Marcha Mundial de Mulheres, Fetagri.Pa, Coletivo Fora do Eixo, UNIPOP, Abep - Assoc. dos Proprietários de Bancas de Jornais e Revistas do estado do Pará, Sindicato dos Jornalistas, UBM - União Brasileira de Mulheres, Frente de Moradores Prejudicados da Bacia do Una, Fórum de Mulheres da Amazônia, Casa de Cultura da Terra Firme, Revista PZZ, Coletivo Luta FENAJ, MST, Comitê de Software Livre e Inclusão Digital, Idade Mídia Comunicação para Cidadania, Mocambo, Sindicato dos Correios, Sinpro, Instituto de Educação Popular Imanatara, Fórum Municipal de Cultura, Associaçãoi de Mulheres Maria Quitéria, Coordenação do Programa Serpro de Inclusão Digital, ASL, Sindicato da Alimentação,  SEPUB, Sindsaúde, Resistência FM, Sindicato dos Mototaxistas do Município de Belém, UAP - União Acadêmica Paraense, UJS - União da Juventude Socialista, União de Mulheres de Belém, GEMPAC.

Presentes ainda estudantes e os professores de Comunicação paulo Roberto Ferreira e Manuel Dutra, além da assessoria de comunicação da CUT Nacional, compa Alex Capuano.
50 entidades participam do lançamento do Fórum Paraense pela Democratização da Comunicação. Foto: Lucivaldo Sena

Entidades se comprometem a coletar o abaixo-assinado pela democratização da mídia. Foto: Lucivaldo Sena.

Parte da mesa dos trabalhos no lançamento do Fórum Paraense pela Democratização da Comunicação. Foto: Lucivaldo Sena

Na sede da OAB.Pa rolaram os debates e alinhamentos do Fórum Paraense . Foto: IACEP.

Movimentos sociais tiveram o espaço para expressar a liberdade. Foto: PZZ
Mais de 100 pessoas estiveram no lançamento do Fórum Paraense pela Democratização da Comunicação dia 23/7/2013 na sede da OAB.Pa. Foto: Vera Paoloni

Estudo das redes socias revela dados sobre apoiadores e detratores de Dilma

Levantamento analisou 272.264 citações à presidenta entre os dias 11 e 16 de junho no Facebook e no Twitter

Da Redação da Revista Fórum.

A Interagentes, empresa parceira da Publisher Brasil em análise e monitoramento de redes, divulgou mais um estudo no qual foram analisadas mensagens que fizeram referência à presidenta Dilma Rousseff. A análise considerou as maiores autoridades no Facebook e no Twitter, aqueles perfis ou páginas que têm mais compartilhamentos, e mostra os 10 principais críticos e os 10 que mais apoiam o governo.

Confira a íntegra do estudo abaixo:

DILMA NAS REDES: A DISPUTA POLÍTICA NO CIBERESPAÇO

Introdução

As manifestações do mês de junho trouxeram novos e poderosos sujeitos ao cenário político brasileiro. As redes sociais foram o terreno de emergência desses atores que rivalizaram e disputaram a condução dos fatos com a velha mídia e com os partidos. Observando o Facebook, rede social que tem ganhado protagonismo nas mobilizações on-line, encontramos páginas de viés político (porém não claramente partidário) como ‘nós’ privilegiados no debate. Seus posicionamentos alcançam repercussão e mostraram capacidade de mobilização da opinião pública presente nas redes. Estes perfis saíram fortalecidos das manifestações do mês de junho e consolidaram seu papel enquanto autoridades no debate político das redes.

No Facebook, onde a presença destes novos atores têm maior relevância, o quadro geral é complexo e o cenário, bastante fragmentado. Muitos são os atores, muitas as suas linhas de argumentação, muitos são os chamados para a indignação diante de alguma realidade apresentada como inaceitável, todos eles à espera 
de alguma adesão.

Em relação à presidenta Dilma Rousseff, desde as manifestações de junho, estes novos atores, de um modo geral, têm engrossado o corpo das posições de oposição ao governo federal nas redes sociais. Partindo de grupos não necessariamente ligados a partidos políticos, as críticas à presidenta Dilma têm se multiplicado nesta rede.

No Twitter, universo mais restrito em número de cidadãos que é capaz de conectar, ainda que tenhamos encontrado um padrão relativamente disperso, o que vimos foi uma densa rede de conversações com a presença de grupos fortemente conectados. O padrão de conexão dos atores indica a existência de ao menos dois grupos relevantes de oposição à presidenta Dilma. O  quadro geral do Twitter  é sem dúvidas menos fragmentado que o do Facebook.

Metodologia

As buscas desta pesquisa foram realizadas no Facebook e Twitter e visaram obter as citações públicas à presidenta Dilma.

O período aqui analisado compreende do dia 11 ao dia 16 de julho. Os dados coletados foram processados para analisar o compartilhamento de publicações. A análise dos compartilhamentos é rica em significação, sendo capaz de detectar e investigar mensagens que circularam pelas redes publicadas por agentes com alto capital social, ou seja, com potencial para interferir na formação da opinião pública. A análise destas mensagens permite ainda conhecer as maiores autoridades da rede.

A métrica autoridade estima o valor do conteúdo de cada página ou nó a partir do número de compartilhamentos de suas postagens. Perfis com postagens muito compartilhadas tendem a ter alto valor de autoridade.

A análise baseou-se na teoria dos grafos. Um grafo é representado por um conjunto de pontos ou nós chamados de vértices que são ligados por retas, denominadas arestas. Para efeito dessa pesquisa, a página ou perfil (no Facebook ou Twitter) é um vértice ou nó. A ligação entre perfis ou páginas se dá pelas arestas e representa o compartilhamento de uma postagem. A grosso modo, um perfil com grande confluência de arestas é relativamente mais importante que outro que possui menos arestas atraídas para si.

Na análise da rede de comentários aplicamos algoritmos de modularidade que permitem decompor a rede complexa em comunidades modulares (ou sub-redes), o que, do ponto de vista do compartilhamento de seus conteúdos, possibilita detectar grupos de atores que apresentaram fortes semelhanças entre si.

O grafo da rede de compartilhamentos do Facebook apresentou 44.223 vértices e 41.197 arestas. Para a detecção de comunidades usamos o algoritmo de modularidade em resolução 2,782, o que resultou em 6.498 comunidades.

No Twitter, o grafo de compartilhamento de mensagens apresenta 32.851 vértices e 48.118 arestas. A detecção de comunidades se deu com o algoritmo de modularidade em resolução 1,728, resultando em 2.665 comunidades.

Dados Gerais

Entre os dias 11 e 16 de julho a #InterAgentes mapeou citações públicas à presidenta Dilma no Twitter e no Facebook. Neste período nossas buscas retornaram um total de 272.264 mensagens, sendo 139.967 do Facebook e 132.297 do Twitter. É importante recordar que a presidenta Dilma realizou o pronunciamento com 5 pactos nacionais na segunda-feira, dia 24 de junho, quando lançou a proposta de plebiscito, tentando retomar a iniciativa política.

O pico de movimentação na rede foi por volta de 11h do dia 11 de julho, atingindo 5.349 mensagens nesta faixa de horário. Neste exato momento aconteciam as manifestações do Dia Nacional de Lutas, mobilização chamada em todo o Brasil, com forte presença das centrais sindicais. A pauta ‘Dilma’ estava quente nas redes.

Twitter

A rede de citações à presidenta Dilma no Twitter foi densa, apresentando padrão intenso de interações. Foram coletadas 132.297 mensagens provenientes de 57.204 autores distintos. Neste universo encontramos desde atores muito engajados em detratar ou em defender a presidenta, até autores de comentários e críticas eventuais. A média de mensagens por perfil e a dispersão representada no grafo indicam um padrão relativamente distribuído de compartilhamentos: Muitos perfis estiveram envolvidos no compartilhamento de posts provenientes de fontes diferentes.
Dilma – Uso de #hashtags


O uso de hashtags revela considerável mobilização para a #OpSeteDeSetembro. Trata-se de um evento agendado a partir do Facebook e que autointitula-se “o maior protesto da história do Brasil”. Sem pauta específica, o evento pretende aproveitar a data comemorativa da Independência para a realização de uma grande manifestação. A pauta genérica da ‘corrupção’ tende a ganhar importância. Núcleos estão sendo articulados em grupos por cidades. O evento tem o apoio de diversas páginas (de Facebook) influentes nos protestos do mês de junho. Atualmente o evento (centralizado) do Facebook conta com mais de 240 mil confirmações de participação.

Chamam a atenção também as hashtags #ForaForo e #FFAAJA. A primeira é uma referência explícita à recusa do “Foro de São Paulo”. A crítica ao Foro de São Paulo tem ganhado espaço e vem sendo pautada por alguns grupos, inclusive de extrema direita.

A hashtag #FFAAja é ainda mais explícita, pede a intervenção das forças armadas para enfrentar ‘a atual crise nacional’ com fins de ‘restauração da ordem’. Campanhas têm surgido neste sentido, associando partidos como PT, PDT, PCdoB, PCB, PPS, PSTU, PMDB e apoiadores do governo a uma conspiração contra o Brasil. São discursos que encontram eco na extrema direita.

Twitter – Grafo de compartilhamentos

Dilma – Twitter – Grafo de compartilhamentos

O padrão geral das conversações aponta para uma densa rede de conexões, com atores fortemente conectados na área central do grafo. É alí onde concentram-se os atores mais intensamente conectados ao debate público envolvendo a presidenta Dilma Rousseff. O padrão de conexão desses atores indica a existência de alguns grupos relevantes.

Destacam-se quatro. Grosso modo, eles representam:

1. Grupo amarelo – Forte presença de perfis da imprensa.

2. Grupo azul – Forte presença de oposição à Dilma, pautada por valores conservadores.


3. Grupo verde – Forte presença de posições de oposição à Dilma, pautada sobretudo por defesa de minorias.

4. Grupo vermelho – Forte presença de posições de apoio à presidenta Dilma.

Twitter – Dilma – Grafo de Compartilhamentos – Detalhe


Twitter – Grupo Amarelo

Traz sobretudo perfis associados a veículos de mídia. Os perfis deste grupo tiveram suas postagens compartilhadas por atores diversos. O perfil @Estadao teve posição de destaque, seguido de perto pelo @JornalOGlobo. Estes veículos tiveram suas postagens compartilhadas por diferentes grupos, por vezes com comentários sobre a posição ideológica do próprio veículo.

Pelo padrão de compartilhamento de seus posts o perfil @diImabr (Dilma Bolada) foi alocado neste grupo.
Abaixo a tabela com as 10 autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

autoridades

Twitter – Grupo Azul

Caracterizou-se como um grupo com padrão semelhante de compartilhamento de mensagens. Entre os temas em destaque encontram-se questões relacionadas à saúde, com particular destaque para posições da ‘classe médica’ frente às propostas do governo federal. São dignas de menção ainda, neste grupo, críticas às prioridades do governo federal, críticas aos investimentos na Copa do Mundo, cobranças pelo que se entende por ‘promessas não cumpridas’ pela presidenta e questões de mobilidade urbana. Voltam a aparecer entre as mensagens deste grupo, associações da imagem de Dilma ao ‘terrorismo’ e ao ‘comunismo’. Ainda neste grupo encontraram-se críticas sobre o envolvimento das centrais sindicais nas manifestações do Dia Nacional de Lutas, ocorrida dia 11.

Roberto Feire encabeçou a lista de autoridades deste grupo.

Twitter – Dilma – Grafo de Compartilhamentos – Grupo azul


Abaixo a tabela com as 10 autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

autoridades

Twitter – Grupo Verde

Este grupo caracterizou-se como outra rede de compartilhamentos de forte oposição à Dilma. Porém, diferentemente do grupo azul, a críticas à presidenta Dilma são feitas a partir de uma perspectiva de afirmação do direito de minorias. Entre os temas centrais estão a defesa da causa indígena frente ao que se caracteriza como ‘desenvolvimentismo’ e frente aos interesses ruralistas e a defesa de temas considerados progressistas frente a pressão da bancada evangélica. O veto parcial da PL do Ato Médico foi o único tema a constar nesse grupo de maneira positiva à presidenta Dilma.

Twitter – Dilma – Grafo de Compartilhamentos – Grupo verde
Abaixo a tabela com as 10 autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):


Twitter – Grupo Vermelho

Este grupo caracterizou-se pela defesa das posições da presidenta Dilma. Ganharam destaque temas como a reforma política, o plebiscito, a sanção do ato médico com vetos, temas relacionados à democratização dos meios de comunicações, a destinação de royalties do petróleo para a educação e a repercussão das pesquisas de opinião sobre a popularidade da presidenta e sobre a aprovação do Governo Federal. Uma abordagem comum tendia a elogiar a coragem de posturas assumidas pela presidenta, porém ressaltando a dificuldade interna (seja com sua base aliada, seja na câmara) para levar adiante suas propostas. Neste sentido, o plebiscito e a reforma política ganharam destaque.

Perfis como @cartacapital e @brasil247, pela abordagem de suas matérias, foram muito compartilhadas por este grupo. Posicionamentos do senador Roberto Requião em defesa das posições de Dilma em relação ao ato médico ganharam destaque.

Twitter – Dilma – Grafo de Compartilhamentos – Grupo vermelho

Abaixo a tabela com as 10 autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

autoridades

Facebook

No período analisado (entre 11 e 16 de julho) foram coletadas 139.967 mensagens no Facebook, provenientes de 103.630 autores diferentes. A baixa média de mensagens por pessoa e a dispersão resultante do grafo de análise de compartilhamentos indica um padrão bastante distribuído de conversações sobre Dilma Rousseff. Em comparação com o Twitter nota-se que, ainda que o número total de mensagens no período seja razoavelmente equivalente nas duas redes (139.967 no Facebook e 132.297 no Twitter), o número de perfis envolvidos praticamente dobra (57.204 no Twitter contra 103.630 no Facebook). Isso indica um padrão de conversação ainda mais disperso no Facebook, com muito mais atores envolvidos no compartilhamento de posts provenientes de muitas fontes diferentes, aumentando o número de cidadãos e cidadãs que vieram às redes expressar suas opiniões e críticas a respeito da presidenta Dilma. Aqui, como no Twitter, encontramos desde atores muito engajados em detratar ou em defender a presidenta, até autores de comentários e críticas eventuais. Porém aqui, mais que no Twitter, a tendência é termos mais páginas e menos perfis como ‘nós‘ fortes de autoridade.

Facebook – Grafo de Compartilhamentos

Facebook – Dilma – Grafo de compartilhamentos


Ainda que enormemente dispersa, a análise de modularidade da rede permitiu detectar grupos de atores com fortes relações de semelhança entre si.

Utilizando algoritmo de modularidade em resolução 2,782, foram detectadas  6.498 comunidades (ou sub-redes). Destas, seis delas se destacam. Todas as outras apresentaram abaixo de 2% de representatividade. Somadas, estes seis maiores grupos representam 35% dos compartilhamentos mapeados. Um posterior agrupamento destes seis grupos resultou no quadro que segue:

1. Grupo Amarelo - Grupo marcado por forte presença de veículos de imprensa. Outras páginas de padrão de compartilhamento semelhante foram agrupadas aqui.

2. Grupo Azul

Subgrupo Azul 1 – Forte presença de posição abertamente contrária à presidenta e ao Partido dos Trabalhadores.

Subgrupo Azul 2 - Do ponto de vista dos conteúdos, este grupo é muito semelhante ao anterior, porém com um peso menor de ‘anti-petismo’. De um modo geral grupo fortemente opositor à presidenta.

Subgrupo Azul 3 - Forte presença de perfis e páginas que despontaram como autoridades relevantes nas manifestações de junho. De um modo geral são críticos à presidenta.

Subgrupo Azul 4 - Forte presença de temáticas relacionadas à Saúde. De um modo geral, compartilhados de maneira crítica à presidenta

3. Grupo Vermelho - Rede de compartilhamento com forte presença de simpatizantes e apoiadores da presidenta.

Facebook – Grupo Amarelo

Grupo caracterizado pela presença de grandes veículos de mídia. As mensagens compartilhadas por este grupo tenderam a ser compartilhadas por grupos diversos. Entre as autoridades mais relevantes deste grupo destacaram-se a página do Estadão (no Facebook) e a da Folha de São Paulo. A página da Revista Veja, abaixo, também merece menção. Essas páginas apresentaram padrão de compartilhamento como fontes de informação, alimentando debates. Porém não raras vezes a legitimidade destes veículos foi colocada em questão e suas pautas acusadas de ocultar interesses privados.

Outras páginas com padrão de compartilhamento semelhante também foram alocadas neste grupo.

Facebook – Grupo Azul

O grupo azul é resultado do agrupamento de quatro subgrupos com padrão muito semelhante de compartilhamentos.

A grosso modo, o Subgrupo Azul 1 concentra clara tendência anti-petista.  Do ponto de vista dos conteúdos publicados, o Subgrupo Azul 2 se parece muito com o primeiro. Já o Subgrupo Azul 3 concentra grande parte dos perfis que despontaram como autoridade nas manifestações de junho. Nos subgrupos 2 e 3 encontramos também a presença de ‘nós’ pobres da rede na posição de autoridades. Estes perfis ganharam relevância não pela autoridade que trazem, mas por terem postado conteúdos que se espalharam com algum padrão de viralidade.

Destacamos ainda o Subgrupo Azul 4 que, ainda que seja o menor dos grupos aqui destacados, apresentou-se como uma rede de compartilhamentos com temática ‘saúde‘ fortemente centralizada.

Facebook – Dilma – Grafo de compartilhamentos – Subgrupos Azuis


Todos esses subgrupos apresentaram, nas redes sociais, posições fortemente contrárias ao governo federal.

Ainda que as críticas versem sobre muitos assuntos, algumas temáticas comuns agregam grande parte dos conteúdos compartilhados. Estão entre elas: No quesito ‘saúde‘ destacam-se críticas à situação dos Postos de Saúde e ao que se entende por ‘condições precárias’ dos hospitais públicos. A proposta de vinda de médicos cubanos também alimentou algumas teorias sobre o aparelhamento petista do Estado.

A alusão ao tema ‘corrupção’ é bastante recorrente, não raro associado à bandeiras anti-petistas. Também constaram críticas à proposta de reforma política e ao Dia Nacional de Lutas. Grupos de extrema direita fizeram alguns chamados à intervenção das forças armadas.

Questionamentos sobre as prioridades do governo federal também são recorrentes. É comum encontramos comentários comparando, por exemplo, o investimento na Copa com o investimento em outras áreas, como saúde ou saneamento. Também são alvo de críticas o tamanho da máquina do Estado e a ‘enorme quantidade de ministérios’. Ainda são dignas de menção as questões suscitadas pela proposta de Plebiscito. 

Neste período, no entanto, as polêmicas acerca do Pacto da Saúde e do Ato Médico ganharam relevância.
Abaixo relacionaremos a tabela com as 10 autoridades mais relevantes de cada subgrupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil):

Facebook – Subgrupo Azul 1


Facebook – Subgrupo Azul 2
autoridade
 

Facebook – Subgrupo Azul 3
autoridade
 

Facebook – Subgrupo Azul 4
autoridade

Facebook – Grupo Vermelho

Caracterizou-se como um grupo com padrão semelhante de compartilhamento de mensagens. De um modo geral as páginas compartilhadas por este grupo tenderam a formar uma base de apoio à presidenta Dilma.
Foram temas recorrentes das postagens desse grupo as repercussões das pesquisas segundo as quais Dilma, embora tenha perdido popularidade, mantém-se líder na preferência do eleitorado. Destacaram-se também os apoios recebidos pelo veto parcial ao PL do Ato Médico. Neste grupo encontramos também comentários que elogiam as propostas da presidenta porém destacam as dificuldades que o Poder Executivo tem tido em encaminhá-las. A rejeição no Senado e na Câmara de algumas propostas da presidenta neste último período foi foco de críticas. Ainda em destaque neste grupo encontramos repercussões positivas sobre o Programa Mais Médicos.

Abaixo a tabela com as 10 autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil).

Uma nota: Fernando Rodrigues que consta na lista abaixo é um homônimo do conhecido jornalista brasileiro.
Facebook – Dilma – Grafo de compartilhamentos – Grupo Vermelho


Abaixo a tabela com as 10 autoridades mais relevantes deste grupo (contendo link para a mensagem mais significativa de cada perfil).

Uma nota: Fernando Rodrigues que consta na lista abaixo é homônimo do conhecido jornalista brasileiro.


Conclusão

Em ambas as redes podemos detectar grupos de semelhança que revelam redes de compartilhamento de conteúdo. No Twitter, pelo perfil de uso da rede e provavelmente pelo seu universo mais restrito, estes grupos são mais bem definidos, com seus atores fortemente conectados entre si. Já no Facebook, as conversações sobre a Presidenta Dilma envolvem um número muito maior de atores. Ao mesmo tempo, a rede de conexão entre estes atores é menos densa.

A análise de modularidade da rede, que permite decompor o cenário em coletivos que se articulam, precisa ser melhor aprofundada. Em um primeiro momento, aparentemente a batalha pelo convencimento dos cidadãos-conectados é mais ampla, dispersa e indefinida no Facebook. No Twitter, há ‘nós‘ consolidados de embate e seguidores que replicam suas mensagens como se fossem munição em um combate em que o importante é destruir os argumentos do “inimigo”.

Uma característica interessante destas redes complexas é que podemos assistir a emergência ‘nós pobres‘ como autoridades instantâneas. Esse fenômeno pode indicar que coisas importantes podem nascer nas periferias das redes. Elas não necessariamente partem de centros privilegiados, antes disso, os próprios centros é que parecem emergir da topografia das redes, das fortes conexões sociais entre seus atores.
Cada vez mais é evidente que as conversações políticas nas redes nem sempre “são voltadas ao entendimento”, nem por isso, deixam de ser importantes para o convencimento e para a construção de imagens sobre o país e sobre quem disputa o poder de Estado.

Antonio Arles, Sérgio Amadeu da Silveira e Tiago Pimentel
#interagentes

Dirigente alega “renovação natural” do PT sobre saída de Dirceu e Genoino

Jõao Paulo Cunha, José Dirceu e José Genoino estão fora da nova direção do PT.

No Correio Brasiliense.


Agora é definitivo. José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, três petistas históricos, com passagens no Parlamento e no Executivo, não integram a chapa da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), para o ano que vem. Notícias sobre o afastamento do ex-ministro-chefe da Casa Civil durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos deputados federais, todos envolvidos na Ação Penal 470 do Supremo Tribunal Federal (STF), começaram a ser divulgadas em sites e blogs na internet, mas somente nesta segunda-feira foram confirmadas por um integrante da direção partidária. Segundo o petista Alberto Cantalice, do Rio de Janeiro, “trata-se de uma renovação natural do partido” a exclusão de três dos fundadores da legenda.

– Outros companheiros da ‘velha-guarda’ também deixaram de pertencer à direção do partido, que se renova agora com metade homens, metade mulheres, com 20% de negros e 20% de origem indígena. Nessa nova configuração, embora a espinha dorsal da legenda esteja preservada, haverá uma mudança muito grande. E não creio que este fato repercutirá de forma negativa na legenda – afirmou Cantalice.

As reações de militantes do partido, no entanto, não espelham exatamente o que afirmou o dirigente petista. Um artigo do jornalista Breno Altman, na sexta-feira, serviu como diapasão para o nível das críticas à agremiação partidária. Altman classificou o afastamento dos líderes petistas de “uma decisão vergonhosa”.
“Se o PT considera que o julgamento foi de exceção, a revelia das provas e das normas constituicionais, por que a principal corrente partidária afasta dirigentes históricos da chapa para as próximas eleições internas?”, questionou.

Nem Genoino ou José Dirceu foram encontrados, de imediato, para entrevistas ao Correio do Brasil, mas no gabinete do deputado João Paulo Cunha, um de seus assessores disse, em condição de anonimato, que o parlamentar, mesmo fora do Diretório Nacional, seguirá na área de influência das decisões partidárias.
– Não há porque o deputado, que é um dos fundadores do PT, deixar de ser ouvido nas instâncias de decisão, pois sempre terá muito a contribuir. Em relação ao processo a que responde no STF, acreditamos que os embargos trarão uma nova luz sobre a matéria, mas isso independe de ele seguir, ou não, como integrante do Diretório – afirmou.

É fato, porém, que a decisão não passou facilmente pela direção da legenda, pois assessores próximos a Dirceu classificou, na sexta-feira, o ato de afastar três de seus fundadores como “uma patetada”. Na avaliação de um deles, “houve uma precipitação sobre os rumos do julgamento, a partir da pressão das ruas”. Erros graves no relatório da AP 470 se consolidam como uma “alternativa viável” à liberdade de Dirceu e Genoino, acrescentou a fonte.

– Está cada vez mais evidente, tanto para o Supremo Tribunal Federal (STF) quanto para os brasileiros, que o relator da Ação, ministro Joaquim Barbosa, cometeu erros graves que, corrigidos pela nova configuração do Plenário da Corte Suprema, mudam diametralmente as penas prolatadas na sentença – afirmou.
Ano passado, logo após a série de condenações, o partido chegou a manifestar apoio públicos aos réus. Diante da decisão do diretório, de afastá-lo da direção do partido, Genoino optou por não polemizar e aceitou a medida.

– Eu não tenho preocupação em sair da chapa, mesmo porque não queria estar na direção desde que deixei a presidência do PT. Nunca reivindiquei nada e acho isso absolutamente normal – disse Genoino a jornalistas, na última sexta-feira, antes de ter confirmada sua exclusão do novo diretório.