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quinta-feira, julho 02, 2026

Uma campanha no ar: o uso de aviões por candidatos que a Justiça não vê


Após o célebre escândalo político no Pará envolvendo o uso ilegal de aviões oficiais na campanha eleitoral de 2002, a conexão entre candidatos e apoiadores com as continentais dimensões terriroriais do estado do Pará tem rendido muitas inovações nos investimentos aos quais estes atores dedicam recursos.

Naquele momento, o episódio conhecido com o "Escândalo dos Aviões", resultou na cassação da chapa e na acusação dos envolvidos.

As eleições eram as de 2002, a chapa governista eleita para o governo do Pará, composta por Simão Jatene e Valéria Pires Franco, foi formalmente acusada de abuso de poder político e econômico.

O estopim da denúncia foi a utilização de aeronaves do governo estadual para realizar deslocamentos e comícios de campanha eleitoral.

O governador era Almir Gabriel, homem tido como probo, frequente acusador de atos de corrupção em desfavor de seus opositores. À época do caso, Almir Gabriel cumprindo seu segundo mandato. Ele era o principal padrinho político da chapa de Jatene e Valéria e foi acusado de ceder a estrutura do Estado, incluindo os aviões governamentais e servidores públicos, para beneficiar seus aliados na disputa eleitoral.

Diante das provas de uso indevido dos bens públicos, o Tribunal Regional Eleitoral chegou a cassar o diploma de Simão Jatene e Valéria Pires Franco antes mesmo de tomarem posse.

Todavia, movimentando céus e o inferno eles conseguiram liminares e recursos no Tribunal Superior Eleitoral para assumir e governar o estado entre 2003 e 2006, enquanto o processo era julgado.

Depois disso, os aviões oficiais passaram a ser repelidos por todos, o aviso serviu para manter aquelas aeronaves guardadas como se o poste fosse o responsável pela conduta do cachorro.

É certo, portanto, que daquele episódio outro fenômeno passou a tomar conta dos bastidores políticos. Empresários sem lá muita densidade patrimonial e até mesmo políticos com poucas horas de vôo em seus mandatos, passaram a adquirir aeronaves, sem que este investimento tivesse lá muita coerência com seus acervos patrimoniais e até políticos, necessariamente.

O montante de recursos utilizados na pré-campanha e os gastos com voos de táxi aéreo e fretamento de aeronaves realizados por parlamentares e políticos em geral, ficou claramente exorbitante, ou mesmo, a benevolência de empresários nos empréstimos frequentes daqueles equipamentos.

O fato é que após aquele episódio com aviões oficiais os hangares particulares passaram a dispor de uma gama infindável de modelos de aeronaves, muitas compartilhadas com mais de um punhado de empresários e utilizadas por um significativo contingente de políticos.

Em meio a essa pleiade de coincidências, empresários, aeronaves, empréstimos e fretamentos, algo comum os ligam, além dos investimentos em patrimônio de mesma natureza e compartilhamento deste notório sinal de prosperidade, os contratos com o poder público surgem como fenômeno comum.

Neste sentido, registros mostram que poucas são as aeronaves que não são de algum empresário que atua na área pública ou de políticos sem lá grande histórico na política. São como velhos conhecidos em uma nova modalidade de apoio político.

Resta saber se este fenômeno não vem sendo notado pelas autoridades, pergunta que os registros públicos não conseguem dar sinais de forma transparente, já que pouco se tem notícias de investigações a esse respeito, como se a benevolência fosse um pilar da iniciativa privada ou os mandatos dos novos na política viesse com um afago dos ares.

quarta-feira, março 17, 2021

Morre Paulo Chaves, o arquiteto e ex-secretário de Cultura do PSDB

O ex-secretário de Cultura dos governos do PSDB no Pará, o arquiteto Paulo Chaves estava internado em estado grave, após uma parada cardíaca. Responsável por grandes obras, deixa seu legado marcado por uma contundente forma de administrar e de fazer política.


Por Diógenes Brandão 

O ex-secretário de Cultura, Paulo Chaves, estava internado no Hospital da Beneficente Portuguesa, com quadro grave, após uma parada cardíaca.

Sua forma peculiar de administrar e fazer política lhe rendeu muitos amigos e adversários, sobretudo na esquerda paraense, que o acusava de ser elitista. Seu legado é gigantesco e trouxe à Belém uma nova cara, com obras de arquitetura imponentes e de suma importância ao Pará.

A jornalista Dedé Mesquista comentou sobre a morte de Paulo Chaves. 

"Trabalhei sete anos na gestão dele na Secult-PA. quem conheceu Belém antes de 1995, sabe o que ganhamos com Paulo Chaves. Coincidência do destino, essas pegadinhas: ontem fez 3 anos da inauguração da última obra dele em Belém, o Parque do Utinga".

Já o apresentador, blogueiro e radialista Marcelo Marques (Bacana) disse: "O melhor prefeito de Belém. Mesmo não sendo. Deveria ter sido prefeito. Um talento, um cara culto, educadíssimo. Lamento profundamente".

Há alguns dias atrás, o jornal OLiberal publicou uma pequena parte de sua trajetória. 

Paulo Chaves Fernandes comandou a Secretaria de Cultura nos governos de Almir Gabriel e Simão Jatene, somando 20 anos. Durante oito anos ocupou a pasta no governo de Almir Gabriel e na sequência permaneceu no cargo no governo Jatene. Nesse período, foi responsável por grandes obras do governo  na capital paraense, entre elas a Estação das Docas, o complexo Feliz Lusitânia e o Hangar, transformado em centro de convenções. Foi responsável também pelas obras do novo parque do Utinga.

Em 17 de dezembro de 2018, deixou a Secretaria de Estado de Cultura. Segundo fontes do governo, na época, Chaves antecipou a saída porque considerou que não tinha mais nenhuma tarefa para cumprir na reta final do governo Jatene.

quinta-feira, julho 16, 2020

PSOL recebe apoio do PT em Belém, mas não retribui em Santarém



Por Diógenes Brandão

Mesmo com Maria do Carmo (PT) liderando todas as pesquisas e com chances reais de vencer as eleições e derrotar os demais candidatos da direita em Santarém, município do Oeste paraense, o PSOL decidiu nesta quinta-feira, 16, lançar candidatura própria. A candidatura da petista é considerada a mais importante para o PT e a mais provável de ter êxito nas urnas.

Em Belém, o PT aceitou o pedido do PSOL e apoiará oficialmente o pré-candidato do partido, o deputado federal Edmilson Rodrigues, que disputa pela 5ª vez a cadeira de prefeito e que já governou a capital paraense por dois mandatos consecutivos (1997-2004), mas também foi derrotado nas duas últimas eleições municipais (2012 e 2016).  A candidatura do psolista é considerada a mais importante para o PSOL e a mais provável de ter êxito nas urnas.

Morador da região do Tapajós, onde fica Santarém, o jornalista Ronaldo Brasiliense comentou a decisão do PSOL: "Deu uma rasteira na Maria do Carmo Martins em Santarém. O PSOL racha a esquerda e ajuda o Nélio Aguiar, que concorre à reeleição com a máquina da prefeitura na mão".

ACORDO PSOL - MDB

Segundo rumores que circulam nos bastidores da política paraense, um dos motivos que tenha pesado na decisão do PSOL, em não apoiar a candidata do PT em Santarém, seja o acordo velado de Edmilson Rodrigues e Helder Barbalho, que teme que Maria eleita prefeita em Santarém, cresça eleitoralmente e venha a ser sua potencial concorrente em 2022, quando o atual governador estará concorrendo à reeleição. O PSOL por sua vez, espera ter apoio financeiro e dos meios de comunicação da família barbalho para vencer a disputa eleitoral em Belém, onde o partido aposta todas as suas fichas.

A classe política paraense lembra que em 2002, Maria do Carmo concorreu ao governo do Pará com Simão Jatene (PSDB), com quem foi para o segundo turno e quase foi eleita a primeira mulher a governar o Pará. Naquela eleição, Maria recebeu 48,28% dos votos e chegou a liderar todas as pesquisas eleitorais, mas a máquina do Estado conseguiu levar Jatene à vitória, com grande ajuda do então Governador Almir Gabriel (PSDB), que tinha forte apoio popular e alta aprovação após seus dois mandatos como governador, mas que mesmo assim levou um baita susto.

Em Santarém, cidade que Maria do Carmo já governou por dois mandatos (2004-2012), o clima entre os petista em relação ao PSOL é o pior possível.

PESQUISA APONTA PARA VITÓRIA DO PT EM SANTARÉM

Na última pesquisa registrada realizada em Santarém pelo Instituto Destak, em um cenário em que foram listados 10 pré-candidatos a prefeito, Maria do Carmo (PT) lidera de forma absoluta com 50% da preferência do eleitor. Na sequência, Nélio Aguiar aparece com 19%, Ney Santana com 13%, Coronel Tomaso (Patriota) vem com 4%, seguido do vereador Valdir Matias Jr., do PV, com 2%. Os demais cravaram 1% — Birinha (PSB), João da Massamix (PSC) , Jota Ninos (PCdoB), Jackson do Folclore (PSL) e Jarsen Guimarães (PDT).

Segundo o blog do Jeso, a proposta de apoio à candidatura da petista Maria do Carmo ao cargo foi derrotada pela maioria dos integrantes do diretório. "A estratégia de lançar nome próprio a prefeito é adotada pelo PSOL desde as eleições de 2008, quando lançou Márcio Pinto, e se repetiu em 2012 e 2016 – sempre com o mesmo candidato. Neste ano, Márcio Pinto concorrerá por vaga à Câmara de Vereadores".

PSOL x PT

Mesmo sem o apoio oficial, filiados e simpatizantes do PT em Belém, sempre votam em massa em Edmilson Rodrigues, quem consideram "o melhor prefeito que Belém já teve". Tendo sido fundado após um racha do PT, o PSOL nasceu chamando o PT de partido de traidores e correia de transmissão da burguesia e não aceitava apoiar os candidatos do partido, mantendo distância de suas campanhas, até mesmo em locais onde o PT passava para o segundo turno, o PSOL não abria mão de manter-se neutro, fazendo com que muitos optassem pelo voto nulo. A exceção foi na primeira campanha eleitoral de Dilma Rousseff, quando Lula terminava um ciclo de 08 anos no poder e mesmo com uma série de escândalos, sobretudo aquele que ficou conhecido como "Mensalão", sua aprovação popular era alta e apontava a candidata que liderava as pesquisas. 

Depois da vitória de Dilma, o PSOL voltou a rejeitar o PT nos estados e municípios. Esse ano é diferente. O tempo de TV pesou na decisão do PSOL em ter o PT como um aliado oficial, por isso, o partido ofereceu a vaga de vice para o partido que em Belém está com uma péssima avaliação popular e acumula as duas últimas eleições com derrotas expressivas e consideradas até humilhantes: Em 2012, com Alfredo Costa como candidato, o PT recebeu 3% dos votos válidos para prefeito. Já em 2016, com Regina Barata, o PT obteve 1,7% dos votos nas urnas. 

Há quem diga que o que levou Beto Faro, deputado federal e presidente do PT no Pará a ter negociado apoio a Edmilson Rodrigues, foi a promessa deste que em uma possível vitória do candidato do PSOL, o partido de Lula e Dilma ficará com 30% dos cargos da prefeitura, podendo inclusive escolher secretarias municipais de peso, como as maiores: SEMEC e SESMA. 

Mais ainda, Edmilson se encarregaria de convencer o PSOL de apoiar a candidatura de Beto Faro ao senado, em 2020, quando o atual senador do PT, Paulo Rocha deve se aposentar da política.

Leia também: 

sexta-feira, março 27, 2020

Maria do Carmo (PT) volta à cena e pode concorrer com Helder Barbalho em 2022

Maria do Carmo será a principal candidata do PT nas eleições municipais do Pará. Amiga de Lula, a ex-deputada e ex-prefeita pode se tornar a principal adversária de Helder Barbalho, nas eleições de 2022.


Por Diógenes Brandão

O procurador-geral de Justiça do Pará, Gilberto Martins, publicou no DOE (Diário Oficial do Estado), a aposentadoria voluntária de Maria do Carmo, promotora de Justiça, ex-deputada estadual e ex-prefeita de Santarém por dois mandatos. 

Maria atualmente lídera todas as últimas pesquisas realizadas no seu  município e deve se refiliar ao PT e neste partido disputar a prefeitura de Santarém pela quinta vez. 



Maria do Carmo é muito amiga do ex-presidente Lula, tendo iniciado sua carreira política disputando a prefeitura de Santarém em 1996, mas não foi eleita. Em 1998 conseguiu ser eleita deputada estadual. Em 2000 disputou pela segunda vez a prefeitura de Santarém, mas não se elegeu.

Em 2002 concorreu ao governo do Pará com os candidatos: Ademir Andrade (PSB), Rubens Brito (PMDB), Hildegardo Nunes (PTB), Cleiton Coffy (PSTU) e Simão Jatene (PSDB).

No primeiro turno começou a disputa atrás dos principais adversários, mas cresceu de forma surpreendente e chegou ao segundo turno com 863.780 votos (34,49%) contra Simão Jatene (PSDB) que obteve 725.473 votos (28,97%).

No segundo turno, o tucano Simão Jatene acabou eleito com 51,72% dos votos válidos, contra 48,28% de Maria, que chegou a liderar todas as pesquisas de intenção de voto, mas a máquina do Estado conseguiu levar Simão Jatene à vitória, com grande ajuda do então Governador Almir Gabriel (PSDB).

Já em 2004 foi eleita prefeita de Santarém com 45,16% dos votos sobre os candidatos Alexandre Von (PL) que ficou com 37,15% dos votos e Antônio Rocha (PMDB) com 17,68%, tornando-se a primeira mulher a governar a cidade. Foi reeleita em 2008 com 52,81% dos votos válidos, derrotando o ex-prefeito e então Deputado Federal Lira Maia. 

O segundo mandato foi questionado pelo candidato derrotado, que alegou Maria do Carmo, por ser promotora pública, estava impedida pela Emenda Constitucional 45/2004 de disputar cargos eletivos. O caso foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal, que, por maioria de votos (6 a 4), decidiu que a promotora de justiça licenciada poderia exercer o cargo de prefeita de Santarém, mesmo diante de determinação constitucional que veda o exercício de atividade político-partidária por integrante do Ministério Público.

Votaram assim os ministros Eros Grau, Marco Aurélio Mello, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

Maria é formada em direito pela UFPA e foi eleita deputada estadual em 1998 e em 2004 foi eleita prefeita de Santarém, quando obteve 45,16% dos votos sobre os candidatos Alexandre Von (PL) que ficou com 37,15% dos votos e Antônio Rocha (PMDB) com 17,68%, tornando-se a primeira mulher a governar a cidade. Foi reeleita em 2008 com 52,81% dos votos válidos, derrotando o ex-prefeito e então Deputado Federal Lira Maia.

Maria deve reunir o PT e aliados e tornar-se a principal candidata do partido nas eleições no estado do Pará, não importando os planos de Helder Barbalho em Santarém, um dos principais municípios em que o governador e seu partido querem eleger os seus prefeitos para ampliar a hegemonia política da família que já governa o Estado e tem o MDB como o maior e mais poderoso partido.

Eleita prefeita nas próximas eleições, Maria do Carmo torna-se uma forte candidata à sucessão de Helder em 2022 e isso deve incomodar bastante as articulações da aliança entre o PT e o MDB no Pará.

"Ela entrou no MPPA (Ministério Público do Pará) em agosto de 1990. Atuou nesses 30 anos de serviço nas comarcas de Oriximiná, Faro, Terra Santa, Santarém e, por último, em Belém, onde reside atualmente", informou em primeira mão, o blog do Jeso.

domingo, março 15, 2020

A ponte do lucro


Por Diógenes Brandão

A reforma de um trecho de 268 metros da ponte que atravessa o rio Moju, no Pará, é usada até agora pela farra com o dinheiro público, gasto com a propaganda paga aos veículos de imprensa do estado, que o governador Helder Barbalho usa para mantê-los submissos.

Além de chamar de construção, uma reforma paga pela VALE, empresa responsável pela balsa que a derrubou, a ponte continua sendo usada como uma espécie de atestado de realização por parte do governo, que depois de quase um ano e meio, ainda não entregou nenhuma obra de relevância ao povo paraense. 

Pra piorar, a turma do marketing criou uma Fake News hilária, dizendo que a reforma poderia levar o nome de Helder ao Guiness Book, o livro que registra os recordes mundiais.

Não satisfeitos em gastar dinheiro público de forma irresponsável, pensando apenas em ludibriar a população paraense, a família barbalho, continua gastando nosso dinheiro para exibir a propaganda da ponte "Emendão", termo utilizado pelo jornalista Ronaldo Brasiliense, que lembrou que a ponte no Rio Moju, foi inaugurada por Almir Gabriel, ex-governador do Pará, que  mesmo sob fortes críticas do jornal Diário do Pará e da Tv RBA, assim como as rádios da família Barbalho, construiu um complexo complexo de pontes e estradas que totalizam mais de 74 km de rodovias e 4,5 km de pontes, construídas para integrar a Região Metropolitana de Belém ao interior do estado.

Para a família Barbalho, construir 4 pontes, e rasgar a mata para integrar o Pará, foi um erro. Já para reformar um pedaço, com dinheiro da VALE, é um feito revolucionário.

quarta-feira, agosto 28, 2019

Helder supera Jatene em gastos com propaganda e RBA fica com a maior parte

Em 7 meses, Helder já torrou o que Jatene gastou em um ano e por isso pediu mais 10 milhões para investir em propaganda, onde a maior parte deste dinheiro vai para as empresas de comunicação da sua família.

Por Diógenes Brandão


Em meio à tantas queimadas, o governador Helder Barbalho torrou nos primeiros 07 meses, do primeiro ano do seu primeiro mandato, mais dinheiro que Simão Jatene gastou em todos os 12 meses do último ano do seu mandato de governador.

Quem diria?!

Já no primeiro ano de governo, Helder Barbalho suplementa verba de publicidade em mais 10 milhões de reais.


Isso significa 33%, ou seja, 1/3 a mais dos 30 milhões de reais do orçamento previsto para o ano de 2019. Assim, Helder terá gastos só do orçamento da Secretaria de Comunicação, quando dezembro chegar, um total de 40 milhões de reais. Será um recorde de gastos. 

E tem um fato inusitado: pela primeira vez um governo aumenta os custos de publicidade durante o exercício do ano. 




Nunca antes na história dos governos anteriores, desde quando a Constituição Estadual impôs a condição de aprovar na Alepa qualquer suplementação orçamentária de publicidade, um governador teve a iniciativa de suplementar o valor da verba  com propaganda. 


Nunca é demais lembrar que o grupo de comunicação RBA, da família Barbalho, fez durante os governos tucanos dezenas de reportagens denunciando o que eles chamavam de a “farra da publicidade”, para atacar tanto os governos de Almir Gabriel e, principalmente, de Simão Jatene.

Só que o que era uma “farra” pro grupo político do atual governador, está se transformando agora num grande “pileque”, já que os números mostram que Helder Barbalho, já no primeiro ano de governo, está gastando em propaganda bem mais que o governo tucano.


Uma rápida consulta ao Portal da Transparência demonstra isso bem claramente.


Como exemplo, no ano passado, último ano do governo de Jatene, foi gasto um total de R$ 30.569.022,18. Nos últimos  anos, também no portal, não há registros de se ter chegado ao valor agora pretendido pelo atual governo.


Nunca é demais lembrar que uma considerável parte dessa dinheirama toda vai para os bolsos da família Barbalho, onde o próprio governador Helder Barbalho, juntamente com seu irmão Jader Filho e mais os pais, senador Jader e deputada Elcione, são os proprietários do grupo de comunicação RBA.



As empresas da família do governador são as mais bem contempladas com as mídias do Governo do Estado, fato esse perceptível a olhos nus e ouvidos atentos, já que as rádios, jornal e emissoras de televisão recebem farta mídia governamental. 


A aprovação deste plus na Alepa feita pelas comissões de Finanças e de Orçamento, a partir de um pedido de suplementação orçamentária encaminhado pelo executivo e aprovada por 11, dos 15 votos de membros da comissão, neste terça-feira quando a maioria da população assistia a mídia paraense falar de diversos assuntos, menos desse.

Votaram a favor da suplementação  os deputados Kaveira, Gustavo Sefer, Chicão, Ana Cunha, Heloísa Guimarães, Ozório Juvenil, Júnior Hage, Antônio Tonheiro, Galileu, Chamonzinho e Luth Rebelo.


Contra, somente os deputados Toni Cunha, Thiago Araújo, Fábio Filgueiras e Eliel Faustino.




A informação trazida por Lúcio Flávio Pinto entra para os anais da história do estado do Pará. 


Barbalho governando em causa própria


Mesmo tendo anunciado que por orientação médica, ele reduziria a escrita - seu maior talento e por ele reconhecido no mundo - Lúcio Flávio Pinto não se conteve e opinou sobre a "queima de dinheiro", em seu blog,  a matéria Dinheiro bumerangue, onde destaco o seguinte trecho:

"Parte considerável dessa verba tem sido destinada aos veículos de comunicação, do grupo RBA, dos quais o governador é um dos donos. Como seu pai, o senador Jader Barbalho, o governador criticou muito o uso da publicidade oficial como instrumento político e de interesse pessoal, quando Simão Jatene concentrava a verba com o grupo Liberal, que há muitos anos combatia a família Barbalho. 

A partir de 2017, com o afastamento de Rômulo Maiorana Jr. do cargo de principal executivo do grupo Liberal, no exercício do qual atrelou a corporação ao PSDB e hostilizava os rivais e inimigos, o jornal O Liberal passou a receber o mesmo valor destinado ao Diário do Pará e passou a apoiar os Barbalho" finaliza a matéria de Lúcio Flávio Pinto, que o blog AS FALAS DA PÓLIS não poderia deixar dizer, que faz questão de acompanhar.

segunda-feira, agosto 05, 2019

Helder e Zenaldo: Os dois maiores influenciadores na disputa pela prefeitura de Belém

Prefeito e governador apontarão seus candidatos a prefeitura de Belém.

Por Diógenes Brandão


Desde que Maquiavel escreveu "O Príncipe", a política partidária é cheia de nuances e estratégias, que a maioria das pessoas não entende, mas seus jogadores tem plena consciência. 

A máxima que tem mais de 500 anos, "os fins justificam os meios", tem feito com que muitos atores políticos sentem-se à mesa com seus rivais e tracem planos como se fossem velhos aliados. 

Da mesma forma, muitas atrocidades já foram cometidas em guerras, disputas por territórios, negócios e diversas outras áreas da política ou não, que sofrem a influência deste pensamento que inaugurou a Ciência Política e o pensamento estratégico sobre a busca e a manutenção do poder, no mundo moderno.

A menos de um ano para o início do processo eleitoral e da disputa pelas prefeituras municipais, as pedras e jogadas já correm soltas no meio do tabuleiro político paraense. 

A busca pela sucessão na prefeitura de Belém, embora sem nomes confirmados, já tem dois grandes eleitores, que podem influenciar e ter seus apoios como determinantes: O governador Helder Barbalho e o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho.

O primeiro com a chave do cofre estadual nas mãos, mas cercado de deputados, prefeitos e aliados na espera do apoio prometido para poderem dar conta das disputas nos municípios paraenses, haja visto que o resultado destas eleições de 2020, refletem diretamente nas eleições para  o governo do Estado, em 2022, onde Helder esperar ser reeleito. Nada pode dar errado, em seu plano de hegemonia política para manter-se no poder.  

O segundo, com a chave do cofre municipal, milhares de servidores temporários, obras para inaugurar e ações que podem ajudar seu candidato à sucessão com muito mais efetividade que o governador, já que este não dispõe de tantos recursos como o prefeito e estará dividido e cobrado por outras centenas de candidatos, em suas disputas municipais pelo interior do Estado.

Resta saber se Zenaldo apoiará o nome indicado pelo PSDB. Os últimos informes coletados por este ansioso blogueiro, revelam que não. O prefeito já tem três pré-candidatos à sua sucessão

Isso se o ex-governador Simão Jatene resolver continuar na mutuca, só observando o jogo ser jogado, sem dele participar, mas para um interlocutor em comum, que esteve em conversa com ele, no mês Julho, para quem foi o único político paraense a disputar e vencer três eleições para o governo do Estado, a disputa política é uma 'cachaça' e dificilmente alguém a abandona se provocado for, tal como fizeram com ele, em 2010, quando já havia deixado de disputar sua reeleição a pedido do também ex-governador Almir Gabriel, que governou o Pará por 08 anos, (1995/2002) e veio a ser derrotado por Ana Júlia (PT), que governou por um mandato (2007/2010). Jatene venceu aquela eleição e a reeleição em 2014, disputando com o atual governador Helder Barbalho, derrotando-o.

quinta-feira, junho 13, 2019

Assaltos no centro de Belém revelam que não estamos seguros em lugar algum



Por Diógenes Brandão

Em duas semanas, dois assaltos realizados em lugares inusitados revelaram a ousadia dos criminosos e a fragilidade da segurança pública e privada em Belém.

No dia 28 de Maio, dois homens assaltaram o Amazon Beer, estabelecimento que fica dentro da Estação das Docas, onde ninguém poderia imaginar que poderia ser tão vulnerável. Embora bar e restaurante seja privado, a Estação das Docas é um espaço público, inaugurado no governo de Almir Gabriel e administrado por uma Organização Social chamada Pará 2000, que também é responsável pela gestão do Hangar e do Mangal das Garças. 

Segundo a Organização Social Pará 2000 esse foi o primeiro caso registrado em 16 anos de funcionamento do espaço. A jornalista Yorranna Oliveira, que teve o celular roubado durante o assalto - depois de ter um revólver colocado em sua cintura - desabafou ao ser entrevistada pelo portal G1 Pará: "É como se a cidade inteira fosse um zona vermelha, cada ponto com suas peculiaridades. Eu entro no ônibus já pensando que posso ser assaltada. Agora nunca mais vou carregar meu celular na Estação. E também não vou ficar mais distraída mesmo em locais teoricamente seguros", explica.

Ontem, foi a vez de um bando de assaltantes invadirem, meterem o terror e assaltarem cerca de 20 pessoas, entre pacientes e funcionários de um hospital particular no centro de Belém. Leia em Bandidos deixam "Territórios pela Paz" e assaltam 30 pessoas na UNIMED.

Em ambos os casos, os bandidos demostraram frieza e tranquilidade, passando o tempo que precisavam para fazer o 'trabalho' bem feito e saírem ilesos. 

Embora o governo do Estado gaste uma fortuna com uma propaganda surreal, criando a ideia de que vivemos um novo momento da segurança pública, na tvs, rádios, jornais, blogs e revistas, dizendo que os números da criminalidade estão diminuindo, a sensação de insegurança da população aumenta a cada dia e até onde menos se imagina estar seguro, lá mesmo pode ser mais um local de pânico e medo. 

Até agora a polícia não informou se já tem alguma informação do paradeiro dos meliantes de nenhum dos assaltos citados nesta matéria.

Estudo publicado no “Atlas da Violência 2018 - Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros” apontou Belém como a capital mais violenta do País, tendo a taxa de homicídios em 2016 com 77 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes.

domingo, maio 12, 2019

HELDER BARBALHO E SEU GOVERNO EM CRISE FAMILIAR



Por Diógenes Brandão

A queda de dois membros do alto escalão do governo Helder Barbalho, quase passa despercebida pela imprensa paraense, que desde Janeiro recebe a narrativa criada na torre da RBA e a transmite para todas as redações de jornais e emissoras de rádio e TVs, sem falar dos blogs alinhados ao governo.

Ainda no fim do mês de Abril, o presidente da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará foi exonerado do cargo, após ser nomeado pelo governador. Há quem diga que ele era médico de um dos filhos de Helder Barbalho, mas mesmo assim foi demitido por bater de frente com a mãe do governador, a deputada federal Elcione Barbalho, que queria indicar um aliado político para uma diretoria, mas o presidente da Santa Casa não aceitou a indicação e sua atitude custou-lhe o cargo. 

Já na COSANPA, a queda do presidente do órgão foi ao mesmo tempo uma tentativa do governador mostrar serviço e aliviar as críticas que recebe, sobretudo nas redes sociais, onde a população reclama diariamente pela falta d'água em suas residências, transtorno que vem se repetindo constantemente, desde o início do ano.

Entre notas de esclarecimentos e apelos indignados de moradores de todo o Estado, vivenciamos uma série de interrupções no fornecimento de água, tanto na região metropolitana, quanto nos demais municípios paraenses.

Em Marabá, por exemplo, o Portal Debate Carajás denuncia: "há mais de 10 dias os moradores não recebem água, regularmente, da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa)".

Em Santarém, na região do Carajás, a situação é dramática e faz com que populares apelem para o governador, marcando o mesmo suas redes sociais.



Ao noticiar a exoneração do presidente da COSANPA, o jornal Diário do Pará, do qual o governador Helder Barbalho é sócio, cometeu um ato falho que não poderia ter passado desapercebido por este blog. 

É que a matéria do jornal citou um trecho da nota da COSANPA, sobre a mudança na presidência da companhia e aproveitou para alfinetar os governos anteriores dizendo: “Nos manteremos firmes no trabalho de recuperação da Companhia, que foi sucateada pelos últimas gestões, até que os serviços estejam adequados às necessidades do povo do Pará”. 

Logo em seguida, a mesma matéria apresenta o substituto, dizendo: “Eduardo Ribeiro é engenheiro civil há 34 anos, 33 deles dedicados à Cosanpa. Como servidor de carreira, Eduardo foi diretor do órgão de 1991 a 1997, vice-presidente em 2004 e assumiu a presidência de 2007 a 2010. Ribeiro também foi secretário de Saneamento do município de Ananindeua nos anos de 2005 e 2006”.

Ora, se o jornal do governador e o seu governo consideram que os ex-gestores foram responsáveis pelo sucateamento da COSANPA, como é que Helder Barbalho agora nomeia quem esteve como diretor e presidente da companhia nos governos de Jader Barbalho, Almir Gabriel, Simão Jatene e Ana Júlia?



Quem não deve estar nada satisfeito com a exoneração do ex-presidente da COSANPA é o deputado federal José Priante (MDB), primo do governador e quem havia indicado Márcio Leão, exonerado sem explicações. 

Há quem diga que o irmão do governador, Jader Filho, tenha sido o articulador da mudança.


segunda-feira, março 25, 2019

Aos 67 anos, Nilson Pinto admite que pode liderar o PSDB no Pará

Nilson Pinto pode ser o futuro presidente do PSDB no Pará e prega restruturação e independência.

Por Diógenes Brandão

Nilson Pinto completa hoje 67 anos. Em seu 6º mandato como deputado federal, é hoje o parlamentar paraense que mais acumula mandatos consecutivos no Congresso Nacional, sendo que nas últimas eleições, a Câmara dos Deputados passou pela maior renovação desde a redemocratização, iniciada com a eleição da Assembleia Constituinte, em 1986.

Professor universitário, tendo sido reitor da UFPA e secretário estadual, Nilson se orgulha de ter destinado emendas e ações políticas, para praticamente todos os 144 municípios paraenses.

O FUTURO

Nilson tem recebido a visita de diversos tucanos paraenses e se reunido com líderes nacionais, como João Dória, prefeito de São Paulo e atualmente um dos principais expoentes do PSDB, com quem encontrou mês passado e dialogou sobre os desafios futuros, após um processo eleitoral difícil para o partido. No Pará, o PSDB sofre um imenso desgaste com o término de um ciclo de 20 anos no poder, sendo interrompido apenas entre 2006 a 2010, quando Almir Gabriel perdeu as eleições para Ana Júlia (PT).

Nilson Pinto confirmou ao blog que é candidato a presidente do PSDB do Pará. A eleição vai ser no início de Maio. "Meu desafio é de reerguer o partido, com independência e sem atrelamentos", declarou.


segunda-feira, setembro 24, 2018

Inauguração da nova Av. João Paulo II é marcada por protestos e alagamentos

Para batizar essa inauguração, ao final da tarde com a chuva forte que caiu na grande Belém, trechos foram alagados impedindo a circulação de veículos e pedestres.

Por José Oeiras, no Facebook, sob o título: Prolongamento da Av. João Paulo II: arremedo de mobilidade urbana  

Hoje o governo do estado abriu para o transporte a nova parte do prolongamento da Av. João Paulo II, no perímetro que vai da rua Mariano, no Entroncamento, até o viaduto do Coqueiro na BR 316. 

Foram 5 anos de espera e esse trecho não passa de um arremedo de mobilidade urbana, onde problemas de caos do transporte urbano não serão resolvidos devido a inúmeros problemas, principalmente de ordem físico e sanitário. 

Houve protestos de moradores no bairro da Pedreirinha, no ato de inauguração, devido estarem preocupados com a segurança dos pedestres com o estreitamento da via, sem sinalização e passarelas.

Um outro problema de ordem ambiental é a carga de dejetos e águas pluviais que vão aumentar a contaminação das águas dos lagos Bolonha e Água Preta, devido a inexistência de um cinturão sanitário de proteção, que seria a construção do esgotamento sanitário nos bairros que estão às margens da avenida. 

Para batizar essa inauguração, ao final da tarde com a chuva forte que caiu na grande Belém, trechos foram alagados impedindo a circulação de veículos e pedestres, como é a área do bairro do Curió-Utinga. 

Ou seja, sem a solução de drenagem dessas áreas, a avenida só funcionará em tempo de verão. 

E olhe que em Belém chove o ano inteiro. 

O prolongamento da Av. João Paulo II (antiga avenida 1° de dezembro) foi projetada no final dos anos 80 e inicio dos anos 90 pela JICA (Japan International Cooperation Agency) para ser construída naquela época e não foi feito pelo descaso político dos governos do PMDB (Jader Barbalho e do PSBD (Almir Gabriel e Simão Jatene).





sábado, março 17, 2018

O “novo” Parque do Utinga e os velhos problemas sócio-ambientais permanecem

A bela e luxuosa vista interna do Parque Estadual do Utinga, com a Samaumeira ao centro, esconde as péssimas condições de preservação dos mananciais que abastecem a capital do Estado, denuncia o ambientalista José Oeiras.


Por José Oeiras*  

O Governo do Estado inaugurou nesta sexta-feira (16), em uma cerimônia pomposa e cheirando a festa eleitoreira, o "novo" Parque do Utinga, que ficou quase 3 anos fechado para receber obras de caráter comercial e com uma promessa de instalar um laboratório de biodiversidade para pesquisas e lazer e que custou 36 milhões de reais. 

Com algumas obras de infraestruturas como: a nova pista interna, um pequeno mirante em frente ao lago Bolonha, um novo prédio do antigo Centro de Visitação e uma construção luxuosa, num espaço que se encontra abandonado há anos, para servir como um centro gastronômico, que igual a estação das Docas, a população de baixa renda não terá acesso. Essa obra megalomaníaca é também marca do atual Secretário de Cultura Paulo Chaves.  

O Parque Estadual do Utinga (Peut) é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral regulamentada pela Lei Federal 9.985/2000 – Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e nessa categoria foi o que nada foi feito nesse “novo” parque do Utinga que é a proteção das águas dos lagos Bolonha e Água Preta, mananciais que abastecem 90% da população de Belém e 36% da população de Ananindeua. Os mananciais continuam num estado de degradação ambiental, principalmente o lago Bolonha, onde continua a proliferação de macrófitas que nascem em exuberância em função dos resíduos sólidos e rejeitos que são transportados da cidade que nos últimos 25 anos avançou para cima dos mananciais.   

Esse velho e principal problema não foi resolvido no projeto do “novo” parque. A proteção dos mananciais deveria ser a principal preocupação do governo do estado pela sua importância estratégica de proteção à saúde da população. Mais uma vez a legislação foi rasgada para atender interesses econômico daqueles que vão transformar a nova estrutura construída para fazer um Centro Gastronômico que só vai beneficiar alguns poucos em detrimento da maioria da população que vai continuar a receber uma água tratada à custa de milhões do bolso do consumidor em tratamento químico.  

A solução para este problema socioambiental era a construção de um cinturão sanitário em torno do parque com a construção de redes de esgotamento sanitário nos bairros que circundam os lagos. Essa tentativa já foi aventada pelo projeto PROSEGE em meados da década de 90 no governo de Almir Gabriel (PSDB), mas ficou inacabado onde milhões de dólares do Banco Mundial foram pelo ralo, obra que de fato protegeria os mananciais e beneficiaria a população.  

O outro velho problema é a extensão da Av. João Paulo II que ao ser aberta para o seu funcionamento, em áreas do bairro do Curió-Utinga na época do inverno, será inviabilizada devido as enchentes naquela área. Ao contrário do pronunciamento do Sr. Paulo Chaves, que em uma reportagem num jornal local, disse que a avenida também protegerá o parque, o que não é real, pois a proteção do parque e consequentemente dos mananciais precisaria de uma estrutura física, como as “bacias de contenções”, que foram recomendadas na elaboração do Plano de Manejo, como forma de garantir a vida e o ecossistema do parque.

*José Oeiras é educador ambiental, ativista sócio-ambientalista, membro do GT de Facilitação da Rede Paraense de Educação Ambiental, ex-membro do Conselho Gestor do PEUt e membro do Conselho Gestor da APA Metropolitana de Belém.

sexta-feira, março 16, 2018

Sob nova administração, ORM divulga obra do governo federal e exalta Helder Barbalho

Por Dornélio Silva

A eleição no Pará, ao longo de sua história, além de ser uma disputa política de grupos oligárquicos sempre foi, também, em grande escala, uma disputa entre dois grupos de comunicação: ORM (Organizações Rômulo Maiorana) e RBA (Rede Brasil Amazônia). Exemplo disso, vimos acontecer com as eleições de 2014, uma das campanhas estaduais mais acirradas e disputadas dos últimos pleitos da história do Pará. 

Foi a primeira em que um político conseguiu um terceiro mandato no Pará, neste caso o governador Simão Jatene. Também foi a primeira vez que ele participou de uma campanha como candidato a reeleição. 

Vejamos: A primeira, quando ganhou, foi indicado e apoiado por Almir Gabriel (governador a época), depois de quatro anos quando defenderia seu mandato numa reeleição, não foi candidato, deu lugar a Almir Gabriel que foi derrotado por Ana Júlia; em 2010, Ana Júlia não consegue se reeleger e é derrotada por Jatene. 

Em 2014, Jatene foi candidato à reeleição, defendendo seu mandato. Ressalte-se que foi uma campanha atípica dentro de um Pará dividido (a primeira após o plebiscito que pretendeu dividir o Pará em três unidades federativas); além disso foi o confronto de dois grupos (econômico e de comunicação) que se debateram nesse processo. Os interesses eram grandiosos. Daí o acirramento intenso e o nível muito rasteiro da campanha. 

Helder com o aparato da RBA venceu o primeiro turno com uma diferença de apenas  137390 votos, ou seja, 1.4% dos votos válidos e no segundo turno Jatene virou o jogo e saiu vitorioso, mantendo o apoio das Organizações Rômulo Maiorana.  

Em 2018, o cenário de atrito tem mudado de forma radical. 

A RBA continua reforçando e difundindo massivamente, através de todos os seus veículos de comunicação, o nome de Helder Barbalho, herdeiro do império de comunicação da sua família. A novidade é a postura das ORMs, que agora sob nova direção, vem surpreendendo a todos com matérias que positivam a imagem do ex-algoz. 

Exemplo disso foi a matéria veiculada tanto no jornal OLiberal, quanto nos portais G1 Pará e ORM News, assim como na TV Liberal, anunciando o lançamento das obras do projeto 'Belém Porto Futuro', onde aparecem o ministro Helder Barbalho, o senador Jader Barbalho e a deputada federal Elcione Barbalho, assim como a bancada federal e estadual do (P)MDB paraense.

Helder, claro, difundiu a matéria em sua fanpage, a qual você também pode ver clicando na imagem abaixo:



O próprio portal G1 Pará chegou a divulgar que a obra estava sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar denúncias sobre o projeto de revitalização do porto de Belém, pois a área é tombada pelo patrimônio histórico, mas assim como o projeto de reforma do ver-o-peso, o projeto  “Belém Porto Futuro” não havia sido submetido para aprovação pelo Iphan.

Para quem não conhece a histórica disputa da família Maiorana, com o partido e a família Barbalho, talvez não veja nada de mais na matéria e nem na mudança na forma em que a notícia foi divulgada, mas para quem sabe como estes dois rivais se tratavam, a cena é emblemática e revela uma ruptura de paradigmas até então inacreditável no metiê político, midiático e empresarial do Pará.

Acontece que a recente saída de Rômulo Maiorana Jr. do controle das ORMs causou uma mudança não só de comportamento empresarial, mas sobretudo de postura política. O aceno dos novos controladores da empresa - o irmão Ronaldo Maiorana e suas duas irmãs foi mais do que positivo para a campanha de Helder ao governo. "Foi de cumplicidade", avaliou um amigo com quem conversei logo após assistirmos o Jornal Liberal.

Para o atento observador, a matéria fez o que podemos chamar de merchandising para as ações do governo federal, que no Pará são capturadas pela pré-campanha do ministro da Integração Nacional, acusado de usar aviões da FAB para curtir os fins de semana e para dar carona a parentes e lobistas, conforme noticiado pela imprensa nacional.

segunda-feira, janeiro 08, 2018

MDB: Sem o P, mas nas entranhas do poder

Para o cientista político da DOXA, a dúvida é se o MDB manterá a estratégia de priorizar o reforço da bancada parlamentar ou se arriscará disputar o governo do Pará.

Por Dornélio Silva*

O PMDB, hoje MDB, sem ter nenhum nome competitivo para disputar a presidência da República, volta à sua antiga estratégia de não ser o protagonista, mas sim estar no plano de fundo decisório da política brasileira, isto é, continuar ditando ordens nas entranhas do poder. Tal condição lhe garante a ocupação de espaços estratégicos no Estado brasileiro, para assim se beneficiar ao máximo do presidencialismo de coalização implantado no país.

Revisando a história, verificamos que o partido sempre chegou ao poder, não por ter seus candidatos eleitos diretamente, mas sim de forma secundária ou por ter maioria parlamentar. Exemplo disso, se deu na eleição indireta no colégio eleitoral de 1985, quando a chapa composta por Tancredo Neves e seu vice, José Sarney, saiu a vitoriosa.

Sem assumir a presidência, Tancredo morre e Sarney vira presidente.

Em 1989, durante a primeira eleição direta para presidente, após redemocratização do país, o PMDB lança Ulisses Guimarães, candidato que ficou em 7º lugar na corrida eleitoral. Fernando Collor é eleito, tendo como vice, Itamar Franco.

Em 1992, Itamar saiu do PRN e ingressou no PMDB, quando começou a criticar o presidente Collor publicamente.

Em outubro de 1992, depois do impeachment de Collor, Itamar Franco assume a presidência da República. O PMDB volta ao poder. 

Na eleição de 1994, PMDB lança Orestes Quércia, que teve uma pífia performance eleitoral. Quércia foi o último candidato lançado pelo PMDB à presidência da República. De lá pra cá já se passaram 24 anos sem o partido apresentar candidato ao cargo máximo do país.

Nas cinco eleições presidenciais seguintes, o PMDB manteve-se fora da disputa eleitoral, mas do poder não. A estratégia do partido foi manter-se aliado do governo do PSDB na era FHC (1995-2003), dando-lhe a governabilidade necessária, nos 08 anos que os tucanos permanceram no poder o que também se repetiu com o ciclo de governo petista, logo depois do Mensalão, no primeiro mandato de Lula (2003-2006), quando este percebeu que não poderia governar sem o apoio do PMDB, para que pudesse ser aprovada minimamente a agenda petista. Ao término da era Lula, O PMDB assume a vice-presidência com Dilma e repete a dobradinha na reeleição de 2014.

Percebendo a fragilidade de Dilma em uma tensa relação com o Congresso Nacional, o vice-presidente vislumbra a possibilidade de assumir o poder e redige uma carta à nação, denominada "Uma Ponte para o Futuro", onde aponta diretrizes para a mudança de rumos para o Brasil, sobretudo em relação à política econômica e às reformas trabalhista e da previdência, ainda em debate com o Congresso.

Com o impeachment de Dilma, Michel Temer assume com o PMDB o poder central do país.

Mesmo com maioria parlamentar e com a presidência da República, o partido não tem nome competitivo para lançar como candidato à presidência. Vai ter que se aliar àquele que tiver maior chances de se eleger presidente.

Os partidos que estiveram no poder, entenderam como funciona o presidencialismo de coalização e perceberam que precisam de partidos como o PMDB para governar. Por sua parte, o PMDB estrategicamente soube se beneficiar desse sistema, qual seja: não lançando candidato próprio à presidência, compondo chapa com aquele candidato que tem maior chance de se eleger e, ao mesmo tempo, priorizando a eleição de candidatos ao legislativo, garantindo assim uma grande bancada. Com isso, aumenta o poder de barganha, fazendo com que qualquer governo que se eleja tenha que recorrer e atender os interesses do partido. 

E essa estratégia se estende para os estados. No Pará, por exemplo, o partido elegeu Jader Barbalho governador em 1982 e em 1990, também. Este, desincompatibilizou-se em 1994 para candidatar-se ao senado, deixando seu vice, Carlos Santos, como governador.

Portanto, assim como PMDB nacional, a legenda paraoara também está há 24 anos sem governar o Pará. Em 1994, não lançou candidato.

Em 1998, Jader se lança, mas perde a eleição para Almir Gabriel (PSDB). A partir daí, nenhum candidato competitivo foi lançado pelo PMDB.

Para as disputas ao governo do Estado, o PMDB lançou em 2002, Rubens Brito; em 2006, Priante; em 2010, Domingos Juvenil. Somente em 2014, o partido lança seu candidato competitivo: Helder Barbalho, que mesmo ganhando o primeiro turno, perdeu no segundo para Simão Jatene (PSDB).

No Pará, seguindo a estratégia de um partido com forte poder de barganha e de oposição, o PMDB participou da metade do governo de Ana Júlia (PT), nos anos de 2007 à 2009, quando rompeu e passou a fazer-lhe oposição. Dois anos depois, o PMDB lança Domingos Juvenil, mas este não passa para o segundo turno das eleições de 2010. Na disputa entre PT e PSDB, o PMDB passa a apoiar Simão Jatene na disputa com Ana Júlia, que não consegue a reeleição e Jatene se consagra governador do Pará pela segunda vez.

Novamente, o PMDB compõe o governo com o PSDB e dois anos depois, a história se repete: Sob o comando do senador Jader Barbalho, o PMDB rompe com o governo Simão Jatene e passa a fazer oposição, para dois anos depois, em 2014, lançar Helder Barbalho como candidato ao governo e este mesmo vencendo o primeiro turno, com uma pequena diferença de votos, perde o segundo turno para Simão Jatene, que se consagra pela terceira vez, governador do Estado do Pará.

Para 2018, o PMDB apresentará novamente Helder Barbalho, que já está em campanha permanente, mas seu desempenho eleitoral, apontado por pesquisas e mesmo estando sozinho como candidato, está muito abaixo das expectativas de um pré-candidato que saiu das eleições de 2014, com 48,08% dos votos.

No que concerne à intenção de voto para Helder, este não ultrapassa a barreira dos 30%. Dito isso, fica a pergunta:  Para as eleições deste ano, o PMDB manterá a candidatura de Helder Barbalho ao governo ou prevalecerá o pragmatismo político do PMDB nacional, que quando percebe que pode perder o executivo, opta pelo parlamento?

*Dornélio Silva é mestre em ciência política e diretor do Instituto Doxa Pesquisa.

Uma campanha no ar: o uso de aviões por candidatos que a Justiça não vê

Após o célebre escândalo político no Pará envolvendo o uso ilegal de aviões oficiais na campanha eleitoral de 2002, a conexão entre candidat...